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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Bico calado

 Imagem retirada daqui.
  • Portugal ainda tem 534 mil pessoas que estão, na prática, sem emprego e nas margens do mercado de trabalho, indicam dos dados do inquérito divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística. Devem ter aprendido com o Mota ‘Lambreta’ Soares, o tal que tapa a boca quando fala para alguém e sabe que está a ser observado.
  • «(...) Estudemos a frase de Cavaco sobre o BES que não era. afinal, sobre o BES: «O Banco de Portugal tem sido peremptório, categórico, a afirmar que os portugueses podem confiar no Banco Espírito Santo.» Segundo o Presidente, esta declaração sobre o BES é uma afirmação acerca do Banco de Portugal. Não está ali, diz ele, nem uma palavra sobre o BES. Se os rumores que geraram as perguntas dos jornalistas fossem de outro tipo, e o Chefe de Estado tivesse pretendido igualmente invocar o Banco de Portugal como garantia de credibilidade, Cavaco poderia ter dito, por exemplo: ‘O Banco de Portugal tem sido peremptório, categórico, a afirmar que os portugueses podem confiar na fada dos dentes.’ Nessa altura, ninguém poderia dizer: ‘Ouve Iá, o Cavaco deve estar maluco. Ouviste aquelas declarações dele sobre a fada dos dentes?’ A razão pela qual isso não seria admissivel é simples: aquelas declarações sobre a fada dos dentes são, isso sim, uma afirmação acerca do Banco de Portugal. Se, dois meses antes de terem sido proferidas estas declarações imaginárias, a fada dos dentes tivesse requerido uma audiÊncia ao presidente para lhe revelar que era, na verdade, um sujeito doMontijo chamado Alfredo, o presidente continuaria a ter toda a legitimidade para fazer aquela afirmação, na medida em que ela se refere apenas ao Banco de Portugal. Sóo por má vontade pode pensar-se que Cavaco Silva estaria a falar do BES. Ainda estamos à espera que o Presidente fale do BPN, do modo como eram negociadas acções não cotadas na bolsa e do papel de um conselheiro de Estado e de antigos membros do seu Governo na gigantesca burla. (...)» Ricardo Araújo Pereira in Introdução à linguística do caso BES, Visão 5fev2015.
  • «O primeiro problema do conflito de interpretações Cavaco/povo português é lógico. Efectivamente, da conjugação das frases ‘O Banco de Portugal disse-me que o BES está porreiro’ e ‘O Banco de Portugal é bestial’ não resulta necessariamente a conclusão ‘O BES está porreiro’, na medida em que existe sempre uma hipótese de o Banco de Portugal poder enganar-se e continuar bestial. O segundo problema é performativo. Por trágico desconhecimento da Teoria dos Actos da Fala de John Austin, o povo confundiu o acto ilocucionário (uma certa ênfase na solidez do BES) com o acto perlocucionário (um convite para continuar a investir no banco e não ir a correr vender as acções). É um erro lamentável. (...) A ver se percebem este raciocínio de uma vez por todas. Se um dia se descobrir que o Homem nunca foi à Lua, e os jornalistas pedirem um comentário a Cavaco, ele dirá: ‘Eu já reparei que alguns dos senhores disseram e escreveram que o Presidente da República fez declarações sobre a ida do Homem à Lua. É mentira. É mentira! Eu nunca disse que o Homem foi à Lua. O que eu disse é que tinha visto na RTP o Homem a ir à Lua. As declarações eram sobre a RTP. Não sobre o Homem, e muito menos sobre a Lua. E mais nada.’ Querem saber como alguém raramente se engana e nunca tem dúvidas? É fácil: basta tornar-se um filósofo da linguagem.» João Miguel Tavares in  Cavaco e a filosofia da linguagem, Público 5fev2015.
  • Biografia de Jorge Mendes é o único livro que Cristiano Ronaldo vai ler na vida.
  • A família da mulher do primeiro-ministro britânico otimiza os seus impostos em paraísos fiscais como Guernsey, Caraíbas (Bahamas e ilhas Virgens), Luxembourg, Suíça e Liechtenstein.
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