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terça-feira, 3 de novembro de 2026

LEITURAS MARGINAIS

O ESCORREGADIO LUÍS MONTENEGRO


Luís Neves foi a melhor coisa que aconteceu a Luís Montenegro. Por cada dia que o nosso MAI se aguenta em funções, mais me convenço que o CEO da Spinumviva não é tão rural como o pintaram.

Luis Neves deu caça ao Chega o verão inteiro. As televisões fizeram diretos do tanque semanas a fio. O Montenegro descansou e foi tratando da vida, evitando todas as discussões sobre os problemas reais.

Agora, no Outono, mete o Neves a arrear em campistas e, mesmo depois do tribunal dizer que as tendas são legais, o MAI vem contestar a decisão e já temos, por esta hora, 50 advogados a debater nas televisões a interpretação do acórdão.

O Montenegro volta a safar-se da discussão que importa: soluções para a habitação acessível. E melhor do que isso, consegue que passemos semanas e mais semanas a discutir a legalidade do protesto e nunca a origem do mesmo.

Já ninguém se lembra que chegámos aqui por causa da lei do arrendamento e da "moderação" dos 2300 euros. Foi essa a gota que fez transbordar o copo e que trouxe o descontentamento para a rua.

Para cúmulo da hipocrisia, enquanto Montenegro se vai escondendo, vemos o Ventura a chegar-se à frente, com a capa de herói popular, apresentando um "pacote de emergência para habitação". Ele, que fez passar a lei do arrendamento no parlamento.

São muitas volta ao pescoço e estalos na espinha. É um nível de hipocrisia que me dá náuseas. Não há nada, mesmo nada, que se aproveite na direita parlamentar.

Gente simpática, em particular nos últimos dois anos, abordou-me para contribuir de forma mais activa na vida política. Devo dizer que acho a política, enquanto forma de organização social e trabalho para a população, uma actividade muito nobre.

Agora, em Portugal, nos dias que correm, é um esgoto a céu aberto. Que me desculpem algumas pessoas decentes e honestas que ainda lá andam.

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