O MAIOR ESCÂNDALO DA ATUALIDADE NUM ÚNICO TÍTULO
Ken Klippenstein, Substack. Rev. O’Lima.
«As exportações de petróleo do Médio Oriente voltam aos níveis pré-guerra», noticiou o Financial Times na quarta-feira, numa manchete que deveria estar a causar um alvoroço nos meios de comunicação, se não mesmo motins.
Pensem no que esta manchete significa. A oferta voltou ao nível em que se encontrava antes da guerra, mas os preços dos combustíveis continuam a tornar a vida num inferno para milhões de pessoas. Portanto, isto nunca foi apenas uma realidade infeliz da Guerra do Irão, como nos foi dito. Trata-se de uma especulação de preços, com as grandes petrolíferas a esconderem-se atrás da ideia de escassez em tempo de guerra como pretexto para aumentar os preços.
Disseram-nos que os preços elevados eram apenas uma realidade inevitável, uma vez que o Estreito de Ormuz estava fechado. Era uma treta na altura, como tentei alertar há meses. Agora é ainda mais difícil negá-lo.
E o escândalo vai muito além dos mais de 4 dólares por galão que as pessoas estão a pagar na bomba (ou mais de 6 dólares na Califórnia). O petróleo influencia o preço de praticamente tudo devido a custos como o transporte; por isso, quando os preços dos combustíveis se mantêm elevados, o mesmo acontece com os produtos alimentares, as passagens aéreas e até mesmo as hipotecas.
A defesa preferida do setor é que não é ele quem define o preço do crude. Tudo bem. Mas define sim o preço do que produz a partir do crude (também conhecido como os seus lucros), e é aí que está o dinheiro.
A diferença entre o que um barril de crude custa a uma refinaria e o preço a que esta vende o combustível resultante é designada por «crack spread». É a margem do setor, e esta disparou. O «crack spread» do gasóleo subiu de 33 dólares por barril em fevereiro para 92 dólares em agosto, tendo depois ultrapassado os 106 dólares no início de setembro, um recorde histórico.
Basta dar uma olhadela nos lucros da indústria petrolífera.
Os executivos do setor mal conseguem conter a sua alegria. «Os lucros ajustados do setor a jusante aumentaram principalmente devido às margens de refinação mais elevadas e a efeitos temporários favoráveis», afirmou Eimear Bonner, diretora financeira da Chevron, numa teleconferência sobre os resultados realizada a 31 de julho de 2026. Esses efeitos temporários favoráveis representaram 1,4 mil milhões de dólares para a Chevron nesse trimestre!
«O que o ambiente atual proporcionou foi a perspetiva de a PBF gerar um valor significativo para os nossos investidores», afirmou Matt Lucey, diretor executivo da PBF Energy, numa teleconferência sobre resultados realizada a 30 de julho de 2026. O «ambiente atual» é o seu eufemismo para a especulação em tempos de guerra. «Valor para os nossos investidores» significa que Wall Street ganha dinheiro enquanto você mal consegue fazer face às despesas.
O setor dirá que o petróleo bruto continua caro, e isso é verdade. O Brent atingiu quase 112 dólares por barril na quinta-feira, à medida que o Irão continua a atacar petroleiros, e o transporte de um superpetroleiro do Golfo para a China custa agora mais de dez vezes o que custava antes da guerra. Mas isso explica o preço do petróleo bruto. Não explica, porém, por que razão a margem do setor por cada barril disparou para níveis recorde, nem por que razão as empresas optaram por exportar combustível enquanto os abastecimentos internos atingiam mínimos históricos.
Até Trump reparou nisso. Ele instruiu o Departamento de Justiça a investigar se as empresas de energia estavam a praticar preços abusivos, acusando-as no Truth Social de manter os preços nas bombas elevados, apesar de o petróleo bruto que estavam a comprar estar a ficar mais barato. No entanto, na mesma frase, também não consegue deixar de se gabar da bonança de lucros. «O nosso país está a ganhar mais dinheiro do que nunca devido ao facto de o petróleo estar tão caro», afirmou Trump a 14 de outubro, num comício em Bullhead City, no Arizona. Por outras palavras, o presidente vê a bonança de lucros. Só não percebe que não é o «nosso país» que está a beneficiar com isso.
Então, porque é que não há um alvoroço? Porque a especulação descarada foi disfarçada como uma questão de «segurança nacional». Toda a gente compreende o que é a especulação de preços e toda a gente fica indignada com isso. Mas basta dizer «Estreito de Ormuz» e, de repente, torna-se um assunto para os especialistas: rotas marítimas, prémios de risco de guerra, bloqueios, lanchas rápidas do IRGC. A mensagem é que isto é demasiado complicado para si, por isso pague e confie nos especialistas «estratégicos» que percebem do assunto. Entretanto, as gigantes petrolíferas escondem-se atrás da bandeira enquanto lhe esvaziam os bolsos.
Quando o Irão fechou o Estreito de Ormuz, o petróleo encontrou uma forma de contorná-lo. Agora, são as companhias petrolíferas que estão a cobrar portagens.



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