OS JOVENS PERCEBERAM QUE ESTÃO A SER ENGANADOS POR
POLITICOS QUE LEGISLAM EM INTERESSE PRÓPRIO
Parece que, em média, membros do actual governo e deputados dos partidos de direita têm, cada um, cinco imóveis. A média estatística vale o que vale: se em média cada um tem cinco casas ou apartamentos, na realidade alguns, coincidentemente no topo da hierarquia, onde se tomam as decisões políticas, têm dezenas de imóveis - em seu nome ou em nome de familiares. Os pobres deputados nas bancadas de trás, que só têm uma ou duas casas, estão lá para subir no ranking imobiliário e fazer o seu trabalho: levantarem-se das cadeiras para aprovar as leis que a bancada do governo decide.
Os jovens já perceberam que estão a ser enganados por políticos que legislam em interesse próprio. São, em parte, os mesmospolíticos e deputados que antes aprovavam leis a pedido dos advogados e consultores fiscais do grupo Espírito Santo e companhia, pedidos esses que hoje vêm de todo o lado, dos casinos aos fundos imobiliários, passando pelos donos das estâncias de luxo dos milionários importados dos EUA, da Rússia, de Angola ou do Brasil. São os mesmos políticos, do PSD ao Chega, especializados em criar regimes fiscais obscenamente favoráveis a oligarcas, milionários, ‘visto gold’, ‘residentes não habituais’ ou 'nómadas digitais’ (isto sem excluir o contributo que o PS foi dando ao longos dos anos).
De repente, os jovens portugueses que estudam e trabalham em Lisboa, no Porto ou em Faro, em vez de continuarem a deixar-se enganar e iludir, têm o descaramento de um dia quererem sair de casa dos seus pais, ou de quartos mobilados, e de irem viver para o centro das cidades, numa casa só sua, como se fossem jovens finlandeses em Helsínquia ou austríacos em Viena, onde, por políticas e leis pensadas para esse efeito, as rendas representam menos de 30% do rendimento médio (em Lisboa, arrendar uma casa custa mais de 100% do ordenado médio).
Quando se entrega a gestão do galinheiro a raposas, ao final do dia tem-se muita pena mas não se tem ovos.

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