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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

LEITURAS MARGINAIS

CINCO SAQUES OMITIDOS PELOS MEDIA DOMINANTES
Simon Verdiere, Mondialisation.

Cartune: José Alberto Rodríguez Avila

O artigo examina os "saques" que os grandes media tendem a ignorar. O ponto de partida é a cobertura mediática dos saques ocorridos durante os protestos estudantis no outono de 2026. O artigo defende que, embora esses atos sejam condenáveis, eles desviam a atenção de formas de "pilhagem" muito mais profundas, sistemáticas e, muitas vezes, legais, que lesam o bem comum.

O texto identifica e detalha cinco exemplos dessas pilhagens estruturais:
  1. A pilhagem do nosso modelo social: Desmantelamento dos serviços públicos, com o encerramento de mais de 17.000 escolas em 40 anos, a eliminação de 10.000 postos de professores desde 2017 e a supressão de cerca de 100.000 camas hospitalares desde 2000; aumento da idade da reforma e a redução de subsídios de desemprego e habitação.
  2. A pilhagem das riquezas pelos bilionários: 53 bilionários possuem tanta riqueza como os 32 milhões de franceses mais pobres, e o seu património duplicou desde 2017. Isto acontece perante a complacência do Estado, que não combate eficazmente a evasão fiscal (que custa cerca de 100 mil milhões de euros por ano), e a cobertura de mais de 90% dos media que lhes pertencem.
  3. A pilhagem do conhecimento: Privatização e mercantilização de conhecimento produzido com financiamento público. Investigadores formados e financiados pelo Estado geram patentes que são depois exploradas comercialmente por empresas privadas, chegando à privatização do vivente através de patentes sobre sementes.
  4. A pilhagem dos recursos naturais: Apropriação de recursos vitais como a água por parte de empresas, a destruição de florestas para lucro, a artificialização de espaços naturais, a poluição de 1.700 rios em França e os impactos destrutivos da mineração e da perda de biodiversidade.
  5. A pilhagem do dinheiro público pelas grandes empresas: Estima-se que 211 mil milhões de euros em ajudas públicas sejam atribuídos anualmente a empresas privadas sem qualquer contrapartida. Este é o maior item do orçamento francês, e as empresas podem beneficiar desse apoio mesmo quando despedem, poluem ou atuam contra o interesse comum.
Em comparação com estes "saques legais de grande envergadura", os saques de lojas noticiados pelos media, embora dramáticos, funcionam como uma cortina de fumo. A indignação seletiva da comunicação social serve para desviar a atenção da responsabilidade de uma minoria abastada na destruição dos bens comuns. Se o Estado corrigisse estas injustiças sociais, os protestos e os saques que por vezes lhes estão associados provavelmente diminuiriam.


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