- “Se os manifestantes são donos de restaurantes de luxo, frequentados por banqueiros, ministros, deputados e assessores, as tendas podem ficar. Podem ficar uma semana inteira, o tempo que for preciso, montadas junto à Assembleia da República, noite após noite, com fogareiros portáteis na via pública a preparar iguarias e cartazes no chão. Ao sétimo dia, os gastrónomos são recebidos pelo Governo, que é bom garfo. Se a maioria dos manifestantes são jovens sem estatuto, sem carro, sem casa, que não sabem apreciar um amuse-bouche ou tornedó ou bife kobe, chama-se a PSP e as forças de intervenção e acabou-se o direito à manifestação e essa história dos direitos, liberdades e garantias. Após 24 horas, por ordem ministerial, a polícia entra à bastonada, vai tudo dentro e acabou-se a festa. Para se perceber a diferença, ajuda a distinção entre o poder e o povinho, entre o sofisticado consumo de cocaína no terraço de um apartamento com vista de rio e o popularacho cheiro a erva no meio da rua, entre o fato e gravata de quem se governa a fazer negociatas (obras em piscinas, com Israel ou com fundos de Bruxelas), e o lenço palestiniano à volta do pescoço, de quem usa calças de fato treino e luta por um mundo menos injusto.” Miguel Szymanski.
- Helena Roseta sobre as acampadas.
- “A Caixa Geral apresenta lucros e é do Estado. Não os vai aplicar num casino. Que tal aplicar em habitação? (…) Fui fala com quem vendeu o terreno ao Ronaldo e disse-lhe: ‘Tenho de cortar sobreiros, é proibido’. E o homem: ‘À noite ninguém vê’”. Eduardo Souto Moura, Isto é Gozar com Quem Trabalha/Ricardo Araújo Pereira/Expresso.
- Entre a Guerra e a Paz, Miguel Szymanski – (1) com Seixas da Costa, (2) com Carlos Branco, (3) e com Paes Mamede. Em breve nova série de 5 episódios.
- Querem que as notícias unam as pessoas? Deixem que sejam elas a dar as notícias. Elizabeth Hewitt.


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