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quinta-feira, 3 de setembro de 2026

BICO CALADO

Foto: Mark Passmore Photography
  • REFLEXÕES SOBRE AS REMUNERAÇÕES NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA: ainda não terminou 2026 e já há trabalhadores que perderam poder de compra, o governo junta-se aos patrões para tornar Portugal um país de salários mínimos . Eugénio Rosa.
  • Uma fuga de documentos revela acordos secretos entre o Uganda e Israel relativos a drones. Enquanto o Uganda se prepara para enviar tropas para uma «força de estabilização» em Gaza, documentos internos revelam um programa israelita, que já dura há vários anos, destinado a modernizar as capacidades do país em matéria de drones. Fonte.
  • Israel recebe da Alemanha o sexto submarino Drakon para a sua marinha. Fonte.

IA
  • “(…) Esta União Europeia envergonha hoje qualquer europeu que antes se orgulhava de pertencer a um espaço político onde a ética e a coerência de princípios contavam. Na cimeira da NATO, a União, com a honrosa excepção da Espanha, ajoelhou-se aos pés de Trump, aceitando gastar 5% do PIB em armas — e americanas, de preferência. Fica como símbolo dessa capitulação o português Luís Montenegro tentando dar “uma palavrinha” particular a Trump, dizendo-lhe que éramos velhos amigos dos Estados Unidos e sugerindo alguma misericórdia para connosco na rajada das tarifas, e o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, acalmando as indignações surdas com a previsão de que o que a União cedera nas armas pouparia nas tarifas. Viu-se. Na Escócia, Ursula von der Leyen começou por ser ainda mais humilhada por Trump do que o fora por Erdogan. Na Turquia, não tinha cadeira para se sentar, no clube de golfe privado de Donald Trump, na Escócia, para onde foi convocada, teve uma cadeira para se sentar enquanto esperava longamente que o Presidente americano acabasse um jogo de golfe com o filho e tivesse disponibilidade para a receber. Assim tratada como serventuária — ela e a Europa que representa —, não admira que depois tivesse sido sujeita a uma capitulação total e humilhante pelo abusador profissional americano. Von der Leyen aceitou um aumento das tarifas sobre as exportações europeias para os Estados Unidos de 15%, quase mil vezes o que vigorava e em troca de tarifas de 0% para as exportações americanas dirigidas à Europa. Desistiu de taxar as tecnológicas americanas ou de minimamente controlar os seus abusos. Aceitou comprar 750 mil milhões de dólares de energia aos Estados Unidos, assim interrompendo a estratégia de descarbonização em que a UE estava a ser pioneira e substituindo-a por uma total dependência energética de um só país — muito para lá daquilo que se criticava aos países europeus que compravam energia à Rússia. Agora, os EUA passam a determinar a política energética da Europa, aumentam livremente os preços, e Trump e os seus amigos do petróleo, negacionistas das alterações climáticas, encontram um mercado garantido à medida das suas ambições. Mas a senhora foi ainda mais longe, comprometendo-se a investir 600 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e a gastar em armas americanas o grosso do investimento a ser levado a cabo para atingir os tais 5% do PIB em armamento. Se tudo isto fosse exequível e executado, acabava a Europa que conhecemos: livre, próspera, orgulhosa do seu sistema social. Mas, mesmo sem o podermos ainda dizer, Von der Leyen, que já enxovalhara a União e os valores europeus com o seu silêncio cúmplice perante o genocídio em Gaza, rematou agora a sua prestação prostrando-se aos pé de um fora-da-lei internacional e dando-lhe tudo o que ele queria, na esperança de o conseguir apaziguar. Mas até nisso esta funesta alemã que nos calhou em sorte está errada: quando se cede uma vez perante a intimidação e a chantagem, está escrito que se terá de ceder mais vezes. Trump é um vampiro que precisa de se alimentar todos os dias do sangue dos fracos, dos indefesos, dos que se ajoelham e dos que ele inveja. Os tempos vão maus e mesmo incompreensíveis para quem gostaria de se orgulhar de ser português e europeu. Resta-nos ter vergonha: pode ser que eles reparem." Vergonha. Miguel Sousa Tavares, Expresso. Via Armando Santos.
Lajes, Terceira-Açores, março 2003 – Barroso, Blair, Bush e Aznar, na véspera da invasão do Iraque. 
Cimeira também conhecida como ‘Cimeira dos Caixões’.
  • “Os nossos governantes sofrem de uma virose grave que afecta severamente as sua capacidade de discernimento e as suas posições na política internacional. Conseguiram pôr o País na mira da Rússia e do Irão, relativizam os crimes de guerra dos chefes da banda do outro lado do Atlântico, branqueiam o genocídio em curso no nosso Mediterrâneo, minimizam as violações do direito internacional, colaboram, assistem, são cúmplices em estado terminal. A ‘estirpe viral’ que infectou o governo grassa há anos e o ‘doente número 1’ tem um nome: Durão Barroso. O actual primeiro-ministro e o actual ministro dos negócios estrangeiros limitam-se a cambalear, febris, em direcção às trincheiras atrás de quem enriqueceu a trair os mais elementares interesses de Portugal. Estas pessoas deviam ser ignoradas, socialmente, para não contagiarem e porem em perigo a população e o País com a sua doentia ambição e obediência cega a todas as ordens de Washington e Bruxelas.” Miguel Szymanski.
  • Não são os imigrantes que estão a invadir a Europa. A ignorância, a falta de solidariedade e o desconhecimento da História é que estão a pavimentar as estradas. Tiago Franco.
  • O plano para roubar o petróleo da Venezuela, um esquema vil e profundamente estúpido. Paul Krugman, Substack.

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