O Página Um analisou o Pollutant Release and Transfer Register, a base de dados gerida em território nacional pela Agência Portuguesa do Ambiente que reúne as emissões declaradas por centenas de instalações industriais e produtivas. A análise das emissões declaradas em 2024 mostra que refinarias, cimenteiras, fábricas de pasta e papel, centrais de biomassa, siderurgias, unidades vidreiras e até algumas infra-estruturas ambientais continuam a libertar para a atmosfera quantidades significativas de partículas, óxidos de azoto, óxidos de enxofre, compostos orgânicos voláteis, metais pesados e outros contaminantes com impacto direto na saúde humana e nos ecossistemas.
Entre os nomes que surgem frequentemente ao longo dos diversos poluentes encontram-se empresas como a Galp, através da Refinaria de Sines, a Navigator, a Cimpor e a Secil, ao lado de outros operadores industriais relevantes.
Importa sublinhar que este trabalho não pretende demonizar empresas nem ignorar a importância económica dos sectores industriais. Uma sociedade moderna precisa de energia, cimento, papel, vidro, aço e inúmeras outras atividades produtivas. O problema começa quando o debate público deixa de querer saber quais são os custos ambientais associados a essas atividades. Uma democracia madura não escolhe entre economia e ambiente. Exige transparência sobre ambos.
Talvez a principal conclusão deste primeiro capítulo seja, em simultâneo, simples e incómoda. A poluição não desapareceu. Apenas deixou de ser notícia. E quando um problema deixa de ser notícia sem ter deixado de existir, isso diz-nos muitas vezes mais sobre o estado do jornalismo do que sobre o estado do ambiente.
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