OS MEDIA SÃO MAUS, MAS TAMBÉM SÃO MUITO BURROS
Caitlin Johnstone, Substack. Trad. O’Lima.
O New York Times publicou um artigo intitulado «Uma Organização do Tratado da América do Norte sem a América?», aparentemente tendo passado toda a guerra na Ucrânia sem ter a menor noção de que NATO significa Organização do Tratado do Atlântico Norte.
Ao mesmo tempo, a CNN exibiu uma reportagem sobre um piloto americano cujo bombardeiro foi abatido sobre o Irão, na qual a analista Amy McGrath sugeriu que os iranianos poderiam ajudar o piloto porque estão «felizes» por ele estar a bombardear o seu país, dizendo que o piloto estaria preocupado porque não sabe «se vai ser capturado por alguém que o vai entregar às forças iranianas, que vão usá-lo e capturá-lo, ou se a população está feliz por ele estar lá?»
Isto ilustra mesmo como o jornalismo ocidental está lixado, não é?
Quero dizer, o que se vê aqui é mesmo um raciocínio de criança. Aquela manchete do New York Times passou por várias etapas de revisão antes da publicação sem que a ninguém sequer ocorresse fazer uma pesquisa rápida no Google para descobrir se o «A» da NATO significa realmente «Americano» e, se sim, por que razão há tantos países europeus na aliança? Aquela analista da CNN tem realmente uma visão de mundo tão infantil e de desenhos animados sobre as guerras americanas que pensa que as pessoas que estão a ser bombardeadas por pilotos americanos vão querer abraçá-los, beijá-los e dar-lhes presentes quando eles se ejetarem de emergência em território inimigo. É incrível que qualquer uma das pessoas envolvidas em qualquer um destes incidentes esteja a trabalhar na comunicação social.
Se alguma vez se perguntaram por que razão tantos americanos são tão ignorantes sobre o que se passa no mundo, é porque, há várias gerações, têm sido este tipo de pessoas a informá-los sobre os acontecimentos mundiais. São estes os media responsáveis por formar uma população informada. E as suas reportagens são partilhadas com todo o mundo ocidental.
Critico constantemente a imprensa ocidental pelo seu papel na propaganda dirigida ao público, com o objetivo de fabricar consentimento para guerras malignas e normalizar um status quo político abusivo. Nunca é demais desprezar estes manipuladores pelo seu papel na disfunção do mundo atual. Mas estes dois incidentes destacam o facto de que as pessoas que dirigem a imprensa ocidental não são apenas más — são também muito, muito estúpidas.
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