Populares revoltosos protestando na cidade do Funchal (Fevereiro de 1931)
“Estávamos em janeiro do ano de 1931. A crise mundial de 1929 tinha atirado as bolsas capitalistas para as profundezas. O preço dos alimentos despencou no mercado mundial. Para os lucros se aguentarem, os patrões portugueses pediram «poupança» e «austeridade». Impuseram-se monopólios e restringiu-se a importação de trigo; proibiu-se a abertura de novas padarias. Poucos anos antes, tinham encerrado à cacetada a Casa Sindical, em Lisboa, perseguido e mandado para Timor e para Africa os cabecilhas da greve. Em breve se proibiriam, definitivamente, os sindicatos livres, a franco-maconaria. Caiu o garrote na liberdade de expressão. Estrangularam-se centenas de jornais, asfixiou-se a esfera pública.
As medidas do governo em 1931, a que o povo chamou o «Decreto da Fome», levaram, logo a 6 de fevereiro, à greve dos estivadores que começou no porto do Funchal, dirigida por anarcossindicalistas. Entre eles, o meu avo Luis. Exigiam a suspenso do decreto, queriam emprego e liberdade sindical. Inspirada neles, uma onda de lutas varreu a ilha, houve assaltos as moagens — trabalhadores e camponeses levaram às costas sacas da farinha pelo centro do Funchal.”

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