Alison Reeve, The Conversation.
1. A curva de aprendizagem é acentuada. Cerca de 15 instalações na Austrália estão atualmente a produzir hidrogénio verde, todas elas em volumes baixos - entre 8 quilogramas e uma tonelada por dia. Em contrapartida, os projetos mais recentemente cancelados teriam produzido centenas de toneladas de hidrogénio verde por dia. O Central Queensland Hydrogen Hub, por exemplo, teria produzido inicialmente cerca de 200 toneladas por dia, aumentando para 800 toneladas na década de 2030. O fracasso destes grandes projetos mostra que a Austrália tem muito a aprender sobre o planeamento, construção, colocação em funcionamento e operação de grandes instalações de hidrogénio verde.
2. A procura é limitada. Atualmente, o hidrogénio é muito pouco utilizado na Austrália - cerca de 500 000 toneladas por ano. Isto representa menos de 1% do consumo nacional de energia. A maior parte deste hidrogénio é produzida a partir de gás natural em operações industriais existentes que necessitam de hidrogénio, como refinarias de petróleo e fábricas de amoníaco. A utilização de hidrogénio de uma fonte diferente exigiria grandes - e dispendiosas - alterações de engenharia nestas instalações. Então, como é que os novos produtores de hidrogénio verde criam procura para o seu produto? A primeira opção é convencer uma empresa a gastar dinheiro para alterar as suas operações de modo a trazer hidrogénio verde do exterior. Esta não é uma perspetiva fácil. A segunda é encontrar grandes mercados novos - o que leva ao próximo desafio.
3. O problema do ovo e da galinha. O hidrogénio renovável não é um substituto direto dos combustíveis convencionais. Não se pode queimar hidrogénio no fogão a gás sem alterar as tubagens da casa e os queimadores do fogão. Da mesma forma, não é possível utilizar o hidrogénio como substituto do carvão no fabrico de aço sem alterar o processo de fundição. Isto cria um problema de galinha e ovo. Os defensores do hidrogénio verde não investirão numa produção de grande volume, a menos que haja grandes utilizadores para comprar o produto. Mas os grandes utilizadores não investirão na alteração dos seus processos se não tiverem a garantia do fornecimento.
4. O hidrogénio verde é muito mais caro do que o hidrogénio convencional. E, até à data, há poucos indícios de que os compradores estejam dispostos a pagar mais por ele. Assim, para que o hidrogénio verde possa competir com a produção convencional, necessita de subsídios governamentais. A enorme despesa deve-se em grande parte à eletricidade utilizada para produzir hidrogénio verde - cujos preços são atualmente elevados. À medida que as energias renováveis se expandem, espera-se que os preços da eletricidade na Austrália baixem. Mas a construção de mais produção renovável em grande escala na Austrália é, por si só, uma perspetiva difícil.
5. Turbulência económica e política. A recente turbulência nos mercados globais tornou as empresas mais cautelosas em relação ao investimento fora da sua atividade principal. Além disso, a inflação mundial contribuiu para aumentar o custo da eletricidade necessária para produzir hidrogénio verde.

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