“Tal como na América do Norte, os povos indígenas foram remetidos para terras de reserva inóspitas, onde o Estado ou os missionários mantinham o controlo dos sistemas políticos, económicos, sociais e culturais. No entanto, ao contrário da colonização da América do Norte, onde os povos indígenas eram vistos como irrelevantes para a expansão económica, os índios da América do Sul e Central continuaram a ser fontes substanciais de mão de obra explorada. Com os investimentos em grande escala dos centros imperialistas sob a forma de empréstimos, a exportação de recursos primários passou a ser prioritária.
O 'boom da borracha' foi um exemplo, com dezenas de milhares de índios a morrerem em trabalhos forçados, deslocalizações e massacres levados a cabo por grandes proprietários de terras, empresas e esquadrões da morte contratados. Na sequência do boom da borracha, a Colômbia, o Equador e o Peru tornaram-se campos de batalha para uma guerra entre empresas petrolíferas. As filiais da Shell e da Exxon lutaram pelos direitos de exploração na Amazónia, chegando mesmo a envolver-se numa guerra fronteiriça entre o Equador e o Peru em 1941... No Brasil... 87 grupos indígenas foram dizimados na primeira metade do século XX devido ao contacto com as fronteiras coloniais em expansão - especialmente a borracha e a exploração mineira no noroeste, o gado no nordeste, a agricultura no sul e no leste, e a construção de estradas em todas as regiões' [Andrew Gray, The Amerindians of South America, Minority Rights Group Report No. 15, Londres, 1987]”
Gord Hill, 500 years of indigenous resistance - PM Press 2009, pp 51-52. Trad. OLima 2025.

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