Albergaria
da Serra, Serra da Freita. Foto: Palmira Moreira
“A política de
Ambiente necessita de um Estado forte para conseguir concretizar as leis e
medidas: o Estado é uma espécie de ‘distribuidor do jogo’ e, sem ele e o
respeito pelas leis, não se consegue levar as políticas ambientais para a
frente. Por tudo isto, um dos ciclos mais negativos da política ambiental
nestes anos foi o governo Passos Coelho/Portas, com Assunção Cristas à frente
de um megaministério, que levou a cabo medidas fatais para a água, conservação
da Natureza e floresta. Neste caso, ao fundirem o Instituto da Conservação da
Natureza e da Biodiversidade] com as florestas, acabando com a Agência
Florestal Nacional, no fundo, acabaram com as duas: o ICN nunca mais funcionou
e a administração florestal também não. (...)
Em Portugal, temos vários problemas. Um é a descontinuidade das políticas. Um governo começa a fazer uma coisa, vem outro e mete na gaveta. Isso é péssimo para as políticas ambientais. Outro é a setoralização, quando isto é um setor transversal. E, finalmente, a falta de planeamento, que é fatal. O Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia fez um estudo e, agora, já se sabe onde se podem construir as centrais solares sem impactos ambientais graves. Era por aí que deviam ter começado. Em relação ao lítio: temos lítio em imensos sítios, como no Pinhal Interior. Em vez de serem os empresários a dizer que querem fazer ali, é o Estado que diz onde pode ser feito. E, depois, concorrem.”
Luísa Schmidt, entrevistada por LUÍS RIBEIRO, Visão 4jan2024.

Sem comentários:
Enviar um comentário