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quinta-feira, 27 de outubro de 2022

Bico calado

  • «(…) Quando a democracia chegou Adriano Moreira saiu do país exilado, porque antes do 25 de Abril não estava na oposição, estava nos circulos de poder. Toda a biografia nestes dias reflecte sobre o Tarrafal e a democracia pós 1976, como se o tempo da revolução - em que saiu do país por ser apoiante do regime - tivesse desaparecido da nota biográfica. Tinha sido 2 anos Ministro de uma guerra colonial. Ao todo, em 13 anos, morreram 9500 portugueses, 150 mil feridos e pensa-se 100 mil africanos. Para a guerra foram 1 milhão e 200 mil homens, Adriano Moreira foi Ministro do Ultramar 2 anos, nos quais houve prisão política de vários membros dos movimentos de libertação. A revolução foi, contra Adriano Moreira e a sua visão do mundo, o fim do Portugal imperial, conservador e católico. (...) O seu papel na história de Portugal não pode orgulhar ninguém, porque a guerra colonial é o pior do país no século XX e o 25 de Abril o melhor. Esteve do lado errado nos dois momentos chave. E isso não se apaga. São escolhas. Não são acasos. (...)» Raquel Varela.
  • «Rishi Sunak fez parte de uma pequena equipa de chefes de fundos de investimento que partilharam quase 100 milhões de libras depois de uma audaciosa aposta na bolsa de valores que espoletou a crise financeira de 2008.  O novo ministro das Finanças foi um parceiro do fundo de investimentos TCI quando lançou uma campanha contra o banco holandês ABN Amro em 2007, provocando a sua venda ao Royal Bank of Scotland (RBS). O negócio sobrecarregou o RBS, na altura liderado por Sir Fred Goodwin, que foi despojado da sua condição de Cavaleiro em 2012 com uma dívida paralisante e levou a um resgate governamental de 45,5 mil milhões de libras esterlinas.» The Times, 21mai2020.
  • Rishi Sunak nomeou Suella Braverman como ministra da Administração Interna, uma mulher que sonha deportar vítimas de tortura para o Ruanda. Ela própria o afirmou, no video aqui.
  • Os Estados Unidos expulsaram centenas de venezuelanos para o México entre 15 e 16 de Outubro, quando uma nova política do Departamento de Segurança Interna entrou em vigor. A nova política permite às autoridades dos EUA expulsar migrantes venezuelanos ao abrigo do Título 42, uma política da era Trump implementada no início da pandemia que permite aos EUA impedir os migrantes de procurar asilo na fronteira em nome da limitação da propagação da COVID-19. José Luis Granados Ceja, Green Left.

  • «Em agosto, Amin anunciou a criação de uma junta militar. No mesmo mês, a Grã-Bretanha oferecia um empréstimo de 10 milhões de libras esterlinas por três anos. O Alto Comissário [Richard] Slater dizia que "apesar de algumas deficiências óbvias, ele continua a ser um ativo líquido do ponto de vista da Grã-Bretanha". Slater admitia que os Acholi e os Langi "fugiram ou foram abatidos ou encarcerados", acrescentando que "este é o contexto bastante sombrio de um capítulo brilhante nas relações anglo-ugandesas". “Estou certo de que ele [Amin] está sinceramente grato pelo que fizemos e nos oferecemos a fazer", como o reconhecimento oportuno, a formação militar e policial e o empréstimo financeiro. Slater acrescentava: "Enquanto ele permanecer no poder, as reações ugandesas às controversas políticas britânicas em África serão aceitáveis e a influência dos moderados na OUA [Organização de Unidade Africana] será reforçada. Continua, portanto, a ser do interesse britânico ver o seu regime consolidado".» Mark Curtis, Unpeople, Britain’s secret human rights abuses – Vintage 2004, pp 254-255.

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