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domingo, 21 de março de 2021

Bico calado

  • «O governo de Joe Biden está sendo pressionado a punir países como Hungria, Colômbia, Chile, entre outros, por estarem tentando aumentar a produção de vacinas e medicamentos contra a covid-19 sem a permissão expressa das empresas farmacêuticas.(…) Uma pandemia prolongada também ameaça estender e aprofundar a desaceleração econômica global. Em resposta, governos de todo o mundo estão cogitando uma isenção temporária dos direitos de propriedade intelectual tradicionais, a fim de produzir tratamentos para o coronavírus de forma mais rápida e a um custo mais baixo, uma ideia muito contestada pelos lobistas que trabalham para a indústria farmacêutica dos Estados Unidos. Os lobistas ligados à indústria pela Organização de Inovação em Biotecnologia, ou BIO na sigla em inglês, argumentam que a pressão dos governos de todo o mundo para definir unilateralmente o preço e o ritmo de produção de vacinas contra o coronavírus vai “colocar em risco os empregos dos americanos e os trabalhadores que dependem deles, e impedir que os avanços científicos cheguem à sociedade”. A associação Pesquisa e Produção Farmacêutica da América, ou PhRMA, outro grupo de lobby do setor, solicitou que a administração Biden “busque diferentes iniciativas de fiscalização” e “use todas as ferramentas e vantagens disponíveis para garantir que os parceiros comerciais da América” não suspendam os direitos de propriedade intelectual tradicionais na luta contra o coronavírus. A BIO e a PhRMA representam as maiores empresas farmacêuticas do mundo, incluindo Pfizer, Gilead Sciences e Johnson & Johnson. Os dois grupos gastaram juntos mais de US$ 38 milhões fazendo lobby com funcionários federais no ano passado, e as empresas associadas mantêm fortes ligações com importantes think tanks, congressistas e acadêmicos que tomam parte na formulação de políticas de resposta à pandemia. Outros grupos financiados pela indústria farmacêutica, como a Câmara de Comércio dos Estados Unidos, a Associação Nacional de Fabricantes, a Aliança pela Regulação do Comércio e a Associação dos Proprietários de Propriedade Intelectual fizeram exigências semelhantes, pedindo ao governo para tomar medidas contra os países que desafiam os direitos de propriedade intelectual das empresas em resposta à pandemia. (…)» Lee Fang, The Intercept.
  • «(…) O que se constata é que em algumas das áreas com as maiores listas de espera, como ortopedia ou cirurgia geral, os profissionais que irão trabalhar no HIA são todos do HDES. Mas noutras, como a cirurgia vascular, há também vários profissionais do HDES. São quase metade de todos os médicos do HIA. Se esses profissionais estiverem a trabalhar no HIA em atividade convencionada com o SRS (ou noutra atividade) não estarão no HDES a realizar produção acrescida para reduzir listas de espera. Mais, se existirem convenções com o HIA nestas áreas serão por isso os médicos do HDES a realizar cirurgias ou consultas. Ou seja, não há ganhos na celeridade nem no custo, pelo contrário, sairá mais caro. Mas há questões éticas e até legais que se levantam para além destas, nomeadamente quanto à acumulação de vários profissionais de saúde com cargos dirigentes. (…) a acumulação de funções de diretores de serviço com cargos dirigentes no HIA é inaceitável. Ficamos ontem a saber que a diretora clínica do HIA ainda acumula com o cargo de diretora de serviço no HDES, apesar de já ter pedido a sua substituição. A incompatibilidade é evidente. Igualmente questionáveis e reprováveis eticamente são acumulações de outros diretores de serviço. (…) O modelo de negócio dos hospitais privados baseia-se em aproveitar as insuficiências dos serviços públicos. O reverso da medalha é que isso se faz com profissionais do SNS/SRS e à custa do investimento que é necessário no serviço público. O HIA não fez nada de novo, apenas implementou nos Açores esse modelo que vai degradar ainda mais o SRS.» António Lima, Recursos públicos, hospital privado - Açoriano Oriental.

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