Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Bico calado

Raquel Varela: não há dinheiro nos offshores
  • «Ó Xavier, como se essa marmelada dos offshores e a informação pública sobre os seus utilizadores nada tivesse a ver com o combate à evasão fiscal. Se calhar tens razão. Combater a evasão fiscal, para o Núncio, era andar atrás das floristas, das cabeleireiras e dos bate-chapas, Sim, porque o grande opinador ainda tentou convencer o auditório de que as ditas transferências eram todas para pagar facturas dos fornecedores das empresas. Até quando, ó Xavier, abusarás da nossa paciência?» Estátua de Sal, FB.
  • «(…) todos os jornais, andaram anos (repito, anos) a perguntar ao anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais por que tinha deixado de publicar dados sobre as transferências de dinheiro para territórios offshore. Nenhum obteve resposta. Com o Governo do PS, essas estatísticas voltaram a ser publicadas. E em Abril do ano passado deu disso conta aos leitores, contando simplesmente quanto dinheiro tinha saído do país de 2010 a 2014. Mas na semana passada, quando alguns jornais internacionais publicaram notícias sobre a Zona Franca da Madeira, incluindo o Le Monde (leram?), o Pedro Crisóstomo, jornalista do PÚBLICO, lembrou-se de ir ver se as estatísticas de 2015 já tinham sido publicadas no Portal das Finanças. Primeiro parênteses: o Ministério das Finanças nunca lhe disse que esses dados já estavam publicados, mas já estavam. É aqui que o jornalista começa a fazer contas. Compara os números com as primeiras estatísticas, as de Abril, e faz várias perguntas oficiais, por escrito, para ficarem bem registadinhas: por que é que as estatísticas passaram a estar organizadas de forma diferente? Por que é que os dados eram muito superiores aos de Abril, precisamente em quatro anos que coincidiam com o período de ajustamento (de 2011 a 2014)? As Finanças responderam logo na terça-feira da semana passada: as diferenças resultavam de ter havido dados não tratados; e explicaram o que significavam os quadros novos, confirmando a suspeita dele; os números tinham sido, sim, revistos. Em alta. Face a isto, o Pedro Crisóstomo fez o que um jornalista deve fazer: tratar os dados, com ajuda cá da casa. E três dias depois enviou novas perguntas. As respostas das Finanças chegaram na segunda-feira, dentro do prazo que ele, Pedro, tinha dado ao Governo. Incluindo a explicação de que aquele valor das transferências não registadas também não tinha passado pelo tratamento da Autoridade Tributária. Serve isto para explicar direitinho à deputada Assunção Cristas que, sim, o caso calhou muito bem ao Governo — como é bom de ver pelo nervosismo que instalou em quem tinha, à época, a responsabilidade de governar. Mas também dizer à sra. Deputada que não, neste caso o Governo não “plantou” uma notícia. Limitou-se a colher o fruto das sementes que o ex-secretário de Estado do seu partido plantou. O que espero é que a líder do CDS tenha feito três perguntas ao dr. Paulo Núncio antes de disparar preconceitos contra o jornalismo em jeito de autodefesa: se sabia que estas transferências de 10 mil milhões de euros não tinham sido fiscalizadas; se faz ideia se o perdão fiscal que decretou limpou algumas destas verbas; e por que razão escondeu ele aquelas estatísticas. Isso é que era bom saber.» David Dinis in Quando um político não gosta de uma notíciaPúblico 24fev2017.

Público. Imagem captada aqui.

  • «O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, veio dizer que não teve conhecimento de falhas no tratamento dado pelo Fisco a transferências relativas a "offshores". Já foi assim com a lista VIP das Finanças. Núncio não fazia ideia de nada. Na altura, quem se demitiu foi o director-geral da Autoridade Tributária. A lista era VIP, mas demitiu-se o mexilhão. Tenho a teoria de que o problema do Núncio foi ter andado a sortear carros. O pessoal das finanças não lhe passa cartão porque pensam que ele tem a sagacidade de uma apresentadora do Euromilhões. Neste momento, já surge a hipótese de ter sido "um erro informático das Finanças". Tinham demasiados zeros e a máquina das finanças só está afinada para menos. Foi feita para estar de olho, e apitar desalmadamente, em contas com dois zeros. Curioso que os alarmes soavam quando alguém espreitava as finanças dos VIP, mas adormecia com declarações de mil milhões. Provavelmente, o sistema informático adormece a contar zeros.» João Quadros in Contar zeros para adormecerJNegócios 24fev2017.
  • «Quem agora ouve um tal Tiago na SIC Notícias ou a Graça Franco na RTP  chega a pensar que as offshores são espaços financeiros mais transparentes do que a agência da CGD da esquina. Que há acordos de dupla tributação, que os impostos podem ser cobrados passados 12 anos, que o dinheiro pode servir para pagar mercadorias, enfim, tudo coisas muito transparentes. Se o dinheiro vai ali e volta porquê pagar a um escritório de advogados para criar uma empresa numa ilha desconhecida onde apenas tem uma caixa de correio? Será para pagar mercadorias que se manda milhares de milhões de euros para ilhas onde não se deixava a esposa ir passar férias sozinha sem meia dúzia de guarda-costas? De um dia para o outro as malditas offshores são paraísos no bom sentido, locais mais confiáveis do que o banco da esquina. (…) Os bandidos, afinal, são os funcionários do fisco, ou são descuidados e distraídos, ou incompetentes, ou, como sugeriu o tal fiscalista da SIC, há aqui a mão de corruptos. Os nossos capitalistas não fogem, intencionalmente ao fisco, os funcionários do fisco é que são distraídos e não lhes cobram os impostosO Jumento in Goofellas.
  • 24 fevereiro 1966, golpe de estado Cold Chop, no Gana, derruba Kwame Nkrumah, com o apoio do exército canadiano e conivência dos EUA e do Reino Unido. Dissident Voice.
Share:

0 comments:

Translate

Pesquisar no Ambiente Ondas3

Património

O passado do Ambiente Ondas3

Ver aqui.

Amig@s do Ambiente Ondas3

Etiquetas

Arquivo do blogue