segunda-feira, 18 de abril de 2016

Reflexão – A quem interessa esconder os impactos dos pesticidas sobre as abelhas?

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A quem interessa esconder os impactos dos pesticidas sobre as abelhas?
por Evaggelos Vallianatos in AlterNet.

[Evaggelos Vallianatos é um zoólogo que trabalhou na EPA entre 1979 e 2004. É autor, com McKay Jennings, de «Poison Spring: The Secret History of Pollution and the EPA» (Primavera Envenenada: a História Secreta da Poluição e a EPA) (Bloomsbury Press, 2014)].

Há cada vez mais provas de que o ministério da Agricultura dos EUA (USDA) tem estado a silenciar os seus próprios cientistas que alertaram para os impactos negativos dos pesticidas, nomeadamente dos neonicotinoides, sobre as abelhas. Segundo o Washington Post de 3 de março de 2016, Jonathan Lindgren denunciou ter terminado as suas investigações após ter sido alvo de processo disciplinar. Jeffery Pettis, outro investigador do USDA, foi despromovido, provocando a suspeita entre ao apicultores e os ambientalistas de que o ministério estava a abafar uma voz crítica dos interesses agrotóxicos como a Bayer e a Syngenta. 
Na primavera de 2014, os próprios cientistas do USDA subscreveram uma petição apelando ao USDA para acabar com a política de obrigar os cientistas a retratarem-se de conclusões tiradas, a retirarem os seus nomes de estudos e de os obrigarem a longas esperas pela publicação das conclusões das pesquisas consideradas controversas.
Aliás, já em 1979, um cientista do ministério do Ambiente dos EUA (EPA) descobrira uma técnica de marcar as microcápsulas de paratião para poderem ser identificadas no mel e no pólen. Este dado fundamental foi pura e simplesmente eclipsado: a EPA despromoveu-o e tudo foi feito para o seu laboratório nunca ser usado em pesquisas que pusessem em causa os interesses da indústria agrotóxica. 
Por isso, só podemos tirar uma conclusão: o ministério do Ambiente dos EUA, em vez de defender a saúde dos cidadãos norte-americanos tem defendido os lucros da indústria química.
Porém parece que algo está a mudar. E para que mude mesmo, há que defender os que, como Jonathan Lundgren, Jeffery Pettis e outros cientistas, denunciam uma situação que, a prolongar-se, provocará o extermínio das abelhas.

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