sábado, 12 de março de 2016

Reflexão – A propósito do assassinato de Berta Cáceres

Imagem captada aqui.

A propósito do assassinato de Berta Cáceres
por Media Lens/ David Edwards e David Cromwell in Dissidente Voice.

«(…) Em 28 de junho de 2009, o presidente de Honduras, Manuel Zelaya, foi sequestrado por  soldados mascarados e empurrado para o exílio. Desde esta altura, “o país tem-se afundado num abismo de violação de direitos humanos e de segurança, uma vez que o golpe militar abriu as portas a um grande aumento no tráfico de drogas e de violência, e desencadeou uma onda contínua de repressão patrocinada pelo Estado”. Em 2012, as Honduras tinham uma taxa de homicídios de 90,4 por 100.000 habitantes, na altura considerada a taxa mais elevada do mundo. Em 2006, três anos antes do golpe, a taxa de homicídios era de 46,2 por 100.000.

A partir de 2009 assistiu-se a "um crescimento explosivo dos megaprojetos ambientalmente destrutivas que forçaram a deslocalização de comunidades indígenas. Cerca de 30 por cento das terras do país foram reservados para concessões de mineração, criando uma procura de energia barata para abastecer as futuras operações de mineração. Para satisfazer essa necessidade, o governo aprovou centenas de projetos de barragens em todo o país, a privatização de rios e de de terras e a deslocalização de comunidades. “Em 2015, a Global Witness considerava as Honduras o país mais perigoso para se ser um defensor do Ambiente".

Berta Cáceres, mãe de quatro filhos, foi cofundadora e coordenadora geral do COPINH (Consejo Cívico de Organizaciones Populares e Indígenas de Honduras), um grupo que se opunha a esta exploração de estado-corporativo. Cáceres recebeu, em 2015, o Prémio Ambiental Goldman em reconhecimento do seu trabalho contra o projeto de uma grande barragem. Muitos dos líderes do COPINH foram assassinados nos últimos anos. Em 2013, Cáceres afirmou: “O exército tem uma lista negra de 18 combatentes dos direitos humanos e o meu nome está em cima. Eu quero viver, há muitas coisas que eu ainda quero fazer neste mundo. Eu tomo precauções, mas no fundo, neste país onde há total impunidade, eu sou vulnerável. Quando eles quiserem matar-me, eles fazem-no.”
Na semana passada, na noite de 3 de março, homens armados irromperam pela porta das traseiras da casa de Cáceres e balearam-na quatro vezes, matando-a na sua cama. (…)
Os media de referência mundial mencionaram o crime superficialmente, omitindo um pormenor muito interessante: o envolvimento dos EUA no golpe de 2009 nas Honduras e o apoio que a maior potência mundial tem concedido ao novo poder imposto no país. Na altura, Obama era o presidente e Hillary Clinton era Secretária de Estado.

Se um inimigo oficial tivesse sido responsável pela morte de Cáceres, os gritos de indignação, horror e denúncia teriam incendiado as nossas páginas e ecrãs corporativos. Ter-se-ia exigido ação, quiçá "intervenção". Mas quando o horror é cometido por um servo fiel corrupto e brutal do Império com a cumplicidade de o "Líder do Mundo Livre ', nenhum dos botões da vasta máquina de propaganda de alta tecnologia é pressionado e a história é rapidamente enterrado com a vítima. (…)»

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