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segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Bico calado

  • « (...) Hoje, “dois Portugais” existem e vão a eleições. Um está à vista todos os dias, outro tornou-se invisível, mas está cá. Como é que é possível ele ter desaparecido de modo tão conveniente neste ano eleitoral? É conspiração dos media, é censura induzida, é habilidade de um dos “Portugais”, é apatia, resignação do outro “Portugal”, é incapacidade do sistema político representar ambos, ou só um, é o efeito daquilo que os marxistas chamavam “ideologia dominante”`? É, porque já não há dois, mas apenas um só, e este é o Portugal feliz, redimido dos seus vícios passados, empreendedor, cheio de esperança no futuro, deixando a “crise” para trás, virado para o “Portugal para a frente”? É tudo junto, menos a última razão. Um dos “Portugais” está de facto invisível nestas eleições. Quem devia falar por ele, não fala e quem fala não é ouvido. Criou-se uma barreira de silêncio onde apenas se ouve a propaganda. Vejam-se as miraculosas estatísticas. Começa porque há as estatísticas de primeira e as de segunda, as que valem tudo e as que não valem nada. As “económicas” são de primeira, as “sociais” são de segunda. Das primeiras fala-se, as segundas ocultam-se. (...) No grosso das notícias, ministros e secretários de estado pavoneiam-se com grupos de empresários em posição de vénia, por feiras, colóquios dos jornais económicos, encontros liofilizados para que não haja o mínimo risco e, quando abrem a boca, é apenas para fazer propaganda eleitoral, a mais enganadora da qual se faz falando do “estado” redentor do país que agora já “pode mudar”.» Pacheco Pereira, Público 5set2015.
  • « (...) É claro que a, prazo, a solução está na origem e não na foz do rio. Não se trata de despovoar a Síria e torná-la para sempre um país de uma nação sem pátria, dispersa pelo mundo. É claro que a raiz do problema continua a ser a irresponsabilidade criminosa da segunda guerra do Iraque, que desintegrou o Estado e permitiu o advento do Daesh, logo propagado à Síria. E é claro que, mais cedo ou mais tarde, o problema terá de ser atacado na sua raiz e por via militar. Mas agora não se trata disso, trata-se, pura e simplesmente, de salvar vidas. (...) O que nos interessa a nós que Maria de Belém anuncie que só anuncia a sua candidatura em Outubro, que Rui Rio continue em profunda reflexão até lá ou que Marcelo já tenha falado com os filhos e os netos? Deles, dos seus projectos e ideias, sabemos apenas que todos desejam, intensamente e como está à vista, chegar a Belém — de preferência teletransportados em ombros e sem imprevistos. Mas o que pensam eles, por exemplo, desta crise dos refugiados sírios e da posição que Portugal deve assumir? O que pensam eles da dívida pública e da factura eterna que ela representa? O que pensam de todas as privatizações que se traduziram em pior e mais caro serviço para os portugueses — a EDP, a PT, a ANA, em breve a TAP? O que pensam da ruinosa gestão da Caixa Geral de Depósitos? Ou da inacreditável perda de valor do Novo Banco em apenas um ano, deixando agora encalacrado o coro dos apoiantes entusiásticos da Resolução do Banco de Portugal? O que pensam quando nos vêem a suplicar aos chineses que nos comprem o que resta a preço de saldo? O que pensam dizer aos 350.000 portugueses que emigraram nos últimos quatro anos? E, já agora, o que farão com um governo minoritário daqui por um mês? Se não pensam nada, ou se não se atrevem a pensar nada em voz alta, porque concorrem? Miguel Sousa Tavares, Expresso 5set2015.
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