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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Reflexão - A ilusão austeritária

A ilusão austeritária – a razão para os cortes baseou-se numa mentira, por Paul Krugman in The Guardian 29abr2015.

Pontos a reter:

1 Passados 5 anos sobre a aplicação das políticas austeritárias, vê-se agora a Grécia como ela deveria ter sido vista desde o princípio, como um caso único merecedor de reflexão. É impossível para países como os EUA e o Reino Unido, que contraem empréstimos na sua própria moeda, sofrer crises do tipo da Grécia porque eles não podem ficar sem dinheiro, eles podem imprimi-lo sempre que o queiram.

2 Os benefícios da melhoria da confiança não se concretizaram. Todos os países que aplicaram medidas austeritárias  viram as suas economias sofrer. No final de 2012, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, admitiu que o FMI tinha subestimado os prejuízos que os cortes nas despesas viriam a provocar numa economia fraca.

3 A ideologia austeritária que dominou o discurso das elites há cinco anos entrou em colapso, a ponto que quase ninguém acreditar nela. Apenas o governo britânico e a maior dos média britânicos parecem não ter dado por isso.

4 Houve motivos políticos para muito boa gente estar contra os estímulo fiscais, mesmo perante uma economia profundamente deprimida. Os conservadores gostam de usar os alegados perigos da dívida e dos défices como paus para baterem no estado social e justificar cortes nos benefícios.

5 No mesmo dia em que o Centro de Macroeconomia revelava que a grande maioria dos economistas britânicos discordava de que a austeridade era boa para o crescimento, o Telegraph publicava na sua primeira página uma carta de 100 líderes empresariais declarando o contrário. Por que seria que o grande patronato gostava da austeridade e odiava a economia keynesiana? Esperar-se-ia que o patronato desejassem políticas que produzissem grandes vendas e lucros. Penso que o alarmismo à volta da dívida e dos déficits é frequentemente utilizado para dar cobertura a uma agenda muito diferente, nomeadamente uma tentativa de reduzir o tamanho do governo, especialmente as despesas na segurança seguro social. (...) Aliás, é o próprio Telegraph a dizê-lo, em 2013: o principal objetivo da austeridade é reduzir as despesas do governo. David Cameron aperfeiçoa este raciocíno: a austeridade é para emagrecer o governo para sempre. 

6 Para Mike Konczal, do Roosevelt Institute, o patronato não gosta da ideologia Keynesiana porque ela ameaça o seu poder de negociação. Para o patronato, a saúde da economia depende da confiança, que, por seu lado, dizem eles, exige que eles se sintam felizes. 

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