Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

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quarta-feira, 31 de julho de 2019

Aveiro: concessão piorou serviço de recolha e transporte de resíduos sólidos urbanos

  • Desde o início de 2019 foram feitas 798 denúncias relacionadas com descargas poluentes em recursos hídricos, o que dá cerca de quatro denúncias por dia, informa a GNR. Apesar de as denúncias terem diminuído nos últimos dois anos, o número de contraordenações registadas aumentou. Braga lidera a tabela dos distritos com mais ocorrências registadas: só este ano, a GNR já anotou 53 casos de descargas poluentes em rios ou lagoas. Os distritos a norte de Lisboa, aliás, surgem como aqueles onde se registam mais descargas poluentes. Viseu segue-lhe, com 39 situações, e depois Santarém, com 38. O rio Este, em Braga, é dos mais preocupantes, já que entre 2014 e 2018 motivou mais de 80 denúncias. Em janeiro contabilizaram-se pelo menos três descargas e, em abril, outra descarga provocou a morte de dezenas de peixes, e a textura de óleo era bem visível. Grande parte das descargas que têm como destino o rio Este têm origem nas águas das pedreiras, explorações industriais e agropecuárias. O Bloco de Esquerda tem sido um dos partidos que mais têm denunciado as constantes descargas nos rios. Sol. «O Bloco de Esquerda tem sido um dos partidos que mais têm denunciado as constantes descargas nos rios.» Estranho… e os Verdes? E o PAN? 
  • A ETAR de Arreigada, em Paços de Ferreira, agora em obras, é acusada de descarregar efluentes sem tratamento, o que afeta a saúde dos vizinhos, que se queixam dos maus cheiros, dejetos, lodos e pragas de mosquitos que põem em causa a saúde pública num rio transformado num esgoto a céu aberto. O presidente da Junta de Lordelo, Nuno Serra, refere  que o problema é antigo, mas que piorou nestas últimas semanas devido às obras. “O cheiro é horrível, os dejectos vinham em estado sólido, a cor da água piorou e há pragas de mosquitos. Quem mora à beira rio não pode abrir uma janela. Há gente a mudar de casa e quem tenha ido para casa de familiares”, diz para justificar pedir à população que faça queixas junto das entidades responsáveis, a GNR, a Agência Portuguesa do Ambiente e o próprio Ministério do Ambiente. O autarca refere ainda que existem queixas em tribunal a decorrer há vários anos contra a Câmara de Paços de Ferreira e a concessionária Águas de Paços de Ferreira, devido às descargas da ETAR de Arreigada, mas sem grandes avanços. Verdadeiro Olhar.
  • A descarga, no Estuário do Douro, em Lordelo do Ouro, de milhares de metros cúbicos de papel higiénico, pensos e outras matérias poluentes, ao longo de três horas consecutivas, originou protestos da Associação dos Pescadores Profissionais e Desportivos do Cais do Ouro (APPDCO). A Câmara do Porto diz que a Polícia Marítima verificou, in loco, o normal funcionamento de todos os mecanismos da ETAR das Sobreiras e não registou qualquer anomalia. Público.
  • Em Aveiro, a concessão do serviço de recolha e transporte de resíduos sólidos urbanos à Veolia «não resultou em qualquer melhoria, pelo contrário (…) verificou-se uma degradação da salubridade pública, aumento da sujidade, atrasos na recolha do lixo, dificuldades nos serviços de recolha porta-a-porta de resíduos verdes e objectos de grandes dimensões», escreve Filipe Guerra, no Notícias de Aveiro.
  • Estudo de Impacte Ambiental viabiliza aeroporto do Montijo mas alerta que milhares de pessoas vão ser fortemente afetadas pelo ruído, sobretudo no Barreiro e na Moita, e que haverá um impacto significativo para várias espécies de aves. «A incomodidade é entendida como um conjunto de reações negativas como irritação, insatisfação, raiva, ansiedade, agitação ou distração, que ocorre quando o ruído perturba as atividades diárias de um dado indivíduo (...»" e as perturbações do sono abrangem o «adormecer, despertar, duração reduzida do sono, alterações das fases e profundidade do sono, e aumento do número de movimentos corporais durante o sono», explica o documento. SIC. Entre 2300 estudos de impacte ambiental submetidos nos últimos 25 anos, só 144 tiveram decisão desfavorável. Isto é, apenas 6% das decisões sobre avaliações de impacto são desfavoráveis. Em última análise, a decisão é política, avisam ambientalistas. Se o aeroporto do Montijo for criado, por ano, três milhões de aves estarão no caminho dos aviões, titula o Público, em jeito de comentário.


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CE intima Alemanha a tomar medidas para reduzir o excesso de nitratos nas águas subterrâneas

  • A Bélgica deveria ter realizado estudos de impacto ambiental antes de prolongar a vida de dois reatores nucleares, consideru o Tribunal Europeu de Justiça. A Bélgica foi intimada a realizar esse estudo e demonstrar que não há nenhuma ameaça séria de apagões se as centrais forem encerradas. EurActiv.
  • A Comissão Europeia criticou a Alemanha pelo excesso de nitratos nas águas subterrâneas. Se o governo alemão não propuser medidas apropriadas dentro de oito semanas, a Alemanha poderá ser multada até € 850 mil euros por dia. EurActiv.
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Reflexão – Arranha-céus de vidro representam um forte impacto ambiental


Arquitetos e engenheiros conselham a proibição de construção de arranha-céus de vidro por serem muito difíceis e caros de arrefecer. A Agência Internacional de Energia calcula que cerca de 40% das emissões globais de dióxido de carbono provêm da construção, aquecimento, refrigeração e demolição de edifícios. A energia usada na refrigeração de edifícios duplicou desde 2000 e é responsável por cerca de 14% de todo o uso de energia neste momento.
As novas regras a aplicar na primavera de 2020 relativas à construção na Grande Londres exigem que as empresas de construção façam uma avaliação do consumo de energia de um edifício em todo o seu ciclo de vida. 
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Mão pesada

A mineira New Acland foi apanhada a fazer perfurações ilegais em 27 locais. Foi multada em apenas 3.152 dólares, porque as autoridades de Queensland consideraram que a penalidade, - 20% do máximo  uma única infração -, serviria como aviso. The Guardian.
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Bico calado

  • Dezenas de garimpeiros invadiram a aldeia indígena de Mariry, na reserva indígena Waiãpi, no estado do Amapá, numa zona remota da Amazónia, onde o líder da tribo nativa, Emyra Waiãpi, foi esfaqueado até à morte. O grupo de exploradores de uma mina de ouro assumiu então o controlo da vila, quando a comunidade residente se pôs em fuga. Fontes: The Guardian e TSF.
  • «Saem mais 3 milhões de euros de isenções de taxas para o Rock in Rio, acabadinhos de aprovar.» João Ferreira, FB.
  • «(…) É recorrente em Santa Comba Dão que o autarca de turno reivindique um museu para o mais ilustre dos déspotas e o mais torpe dos ditadores lusos. Penso que só a ignorância os pode levar, não a fazer um museu da resistência, mas a incensar o ditador que fez de Portugal o País mais atrasado da Europa, com os índices de analfabetismo, mortalidade infantil e neonatal a liderar o Continente. Quando se esquecem os presídios salazaristas, os assassinatos de adversários, as torturas e as perseguições do regime fascista, aparece um edil que reincide em querer preservar a memória do ditador numa lógica de culto da personalidade do criminoso, na tentativa de branquear o passado e, quiçá, transformar em modelo de admiração o objeto de repulsa. Não se exige a um edil que não sofreu a ditadura, que saiba o que foi a guerra colonial, o degredo, o exílio, as perseguições, a emigração, os Tribunais Plenários, o massacre de Batepá, em S. Tomé, a Pide e outras organizações terroristas ao serviço da repressão, mas exige-se-lhe que, em democracia, respeite as vítimas e esqueça um algoz que quer converter em símbolo do passado cuja catarse impede. Salazar era um fascista. Na sua secretária, à falta da mulher que amasse, de um filho que não quis, era a foto de Mussolini que o embevecia, o exemplo sinistro que o inspirava, o modelo por que pautou a sua governação. O nojo, a raiva e o desespero juntam-se, não tanto pelo ditador que continua morto, mas pelo autarca capaz de ofender a memória de um país e de incensar o responsável pelo atraso e sofrimento de um povo. No dia em que morreu o déspota, 49 anos depois, aparece a notícia do desejo do autarca em ofender o povo para branquear a mais longa ditadura do século passado. (…)» Carlos Esperança, FB.
  • As mineiras australianas retiraram cerca de 1,1 bilião de dólares de África só em 2015, através de paraísos fiscais, fazendo com que as nações africanas perderam 289 milhões de dólares em receitas fiscais, conclui um relatório da Oxfam, da Uniting Church e da Tax Justice Network Australia. Fontes: ABC, The Australian e The West Australian.
  • A Associação de Lesados do Banif considera que o site Polígrafo, que se anuncia especialista em investigar notícias falsas e verdadeiras, publicou online e difundiu pela SIC uma notícia tendenciosa e falsamente fundamentada sobre o papel da TVI na falência daquele banco, concluindo abusivamente pela de-responsabilização daquela estação televisiva. DN.
  • A vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018, vai ser homenageada dando nome a uma jardim em França e a uma rua em Lisboa. O Globo. Menos no Brasil, onde ela foi assassinada!
  • Métodos através dos quais os grupos criminosos organizados operam podem ser ilustrados através de vários exemplos recentes… (pp236-7): « • In May 2016, during Operation Matrioskas, the Portuguese Police (Polícia Judiciária), supported by Europol, dismantled a transnational organised criminal group mainly composed of Russian citizens who focused on money laundering through the football sector. Active since at least 2008, this criminal network is thought to be a cell of an important Russian mafia group, directly responsible for laundering several million euros across numerous EU countries, most of it believed to derive from polycriminal activities committed outside the EU area. The group's known modus operandi was to identify EU football clubs in financial distress, then infiltrate them with benefactors who provide much needed short-term donations or investments. After gaining trust through donating, these same benefactors orchestrate the purchase of the clubs. The purchase of such clubs is facilitated by individuals operating as front men for opaque and sophisticated networks of holding companies, invariably owned by shell companies registered offshore and in high-risk third countries. As a result, the real owners and those who ultimately control the club remain unidentified, as does the true origin of the funds used to purchase them. Once clubs are under the control of the Russian mafia, the large scale of financial transactions, cross-border money flow, and shortcomings in governance allow them to be used to launder dirty money (usually via the over- or under-valuation of players on the transfer market and on television rights deals) and for betting activities (both for the generation of illegal proceeds due to match fixing or for pure money laundering purposes). Using this method, the criminal group first made a series of donations to and investments in a club which had competed in the main Portuguese football league until it faced financial difficulties in 2012 that saw it relegated to lower divisions. In July 2015, the group then purchased the club. The police investigation started due to the detection of strong red flag indicators against the suspects. In particular, suspicion was raised by the high standard of living the suspects enjoyed while using high value assets registered in the names of third parties (use of frontmen). They imported large amounts of cash from Russia to Portugal, in violation of EU cash regulations (use of cash couriers), and they created and used opaque networks of offshore shell companies intended to preserve the identities of their owners. Since July 2015, significant evidence has been gathered showing that this criminal group operates as a criminal association conducting money laundering, tax fraud, corruption and forgery of documents while preparing various transnational criminal offences. • European football clubs acquired by criminal organisations can be further used to launder money through betting activities in fixed football matches. • Sports corruption and match-fixing are often carried out by criminal networks with links to drug trafficking, illicit tobacco smuggling, and burglaries. • An organised crime group had created different websites as part of an online betting platform used to place bets on manipulated sport events that took place in multiple European countries. The criminals are suspected of being involved in attempts to fix professional football matches in Serbia, North Macedonia and Czechia, among other countries. The organised criminal group behind these activities has previously gambled primarily on the Asian market, where they were guaranteed considerable financial gains by knowing the end result of the matches. The ring developed synergies with other major criminal groups in different countries, in order to invest money gained from other serious crimes, including drug trafficking.» 
  • Um empreiteiro israelita pago para cultivar alimentos no sul do Sudão foi punido por vender armas ao governo. Tudo com uma ajudinha da Trafigura. OCCRP.
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domingo, 28 de julho de 2019

Sri Lanka devolve 213 contentores de lixo importado do Reino Unido

  • A Southern Water, que fornece água a 2,3 milhões de britânicos, avisou que poderá ser forçada a restringir o abastecimento devido aos baixos níveis de água registados no rio Test, de onde extrai a água. Além disso, muitas regiões do sul de Inglaterra e Ilha de Wight poderão ser proibidas de fazer regas. The Guardian.
  • O Sri Lanka ordenou a devolução de 213 contentores de lixo importados do Reino Unido depois de encontrar resíduos plásticos e biológicos, incluindo suspeitas de partes do corpo humano nos carregamentos importados. Reuters.
  • A velha fábrica de cloro de Usolyekhimprom, na Rússia, em ruínas há bastante tempo após falência, pode explodir e provocar uma catástrofe ambiental semelhante à de Chernobyl, alertou uma alta autoridade russa. The Siberian Times.
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60 media lançam Cobertura da Crise Climática

  • Mais de 60 órgãos de comunicação social a nível mundial mundo subscreveram o Covering Climate Now, um projeto para melhorar a cobertura da emergência climática. Durante a última semana de setembro, esses media vão dedicar as suas primeiras páginas e ondas de rádio a uma história crítica relacionada com a emergência climática global. Esta iniciativa coincide com a Cimeira de Ação Climática da ONU em Nova York. The Guardian.
  • A SKM Recycling, de Victoria, Austrália, anunciou que vai deixar de recolher e reciclar os resíduos e vai passar a despeja-los em aterro. A empresa, propriedade da família Italiano, de Melbourne, recolhe 400 mil toneladas de resíduos de 33 municípios do estado de Victoria, encontra-se perante um colapso financeiro iminente após uma crise provocada por incêndios num dos seus pontos de recolha devido a vidro contaminado com resíduos combustíveis e outros problemas. Tudo isto levou o ministério do Ambiente a aplicar-lhe uma série de sanções. Além disso, o governo australiano recusou-se a reforçar-lhe subsídios. Fontes: ABC e The Guardian.
  • A gigante de seguros australiana Suncorp vai deixar de investir, financiar e segurar novas minas de carvão e centrais elétricas, e não subscreverá os atuais projetos de carvão após 2025. The Guardian.
  • A Indonésia prepara a aplicação de regras mais rígidas para combater o aumento de 141% registado nas importações de resíduos de plástico. O funcionário do comércio, Oke Nurwan, disse que a Indonésia notificou 15 países, que abrigam importantes exportadores, dos novos controles. 15 países foram notificados acerca desta medida, nomeadamente a Austrália, a Alemanha, a Holanda, o Reino Unido e os EUA. Reuters.
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Bico calado


«Boris Johnson, Nigel Farage, Donald Trump, Narendra Modi, Jair Bolsonaro, Scott Morrison, Rodrigo Duterte, Matteo Salvini, Recep Tayyip Erdoğan, Viktor Orbán e uma série de outros homens fortes ridículos - ou homens fracos, como tantas vezes acabam sendo – dominam países que teriam rido deles fora do palco. A questão é porquê? Porque é que os tecnocratas que dominavam quase tudo estão a dar lugar a estes palhaços extravagantes? (…) Porque é que os milionários, que até há pouco tempo usavam o seu dinheiro e jornais para promover político sem carisma, financiam agora este circo? (…)
A razão, creio eu, é que a natureza do capitalismo mudou. A força dominante do poder corporativo dos anos 90 e início dos anos 2000 exigia um governo tecnocrático. Exigia-se pessoas que pudessem simultaneamente administrar um estado competente e seguro e proteger os lucros da mudança democrática. (…) 
As políticas que deveriam promover a empresa - reduzindo os impostos para os ricos, arrasando as proteções públicas, destruindo os sindicatos - estimulavam uma poderosa espiral de acumulação de riqueza patrimonial. As maiores fortunas são agora feitas não por meio do empreendedorismo, mas por herança, monopólio e renda: garantir o controlo exclusivo de ativos cruciais como terrenos e edifícios, utilidades privatizadas e propriedade intelectual, e concentrar monopólios de serviços como centros comerciais, software e plataformas de redes sociais, cobrando taxas de uso muito mais altas do que os custos de produção e comercialização. (…) 
Hoje, o poder corporativo transforma-se em poder oligárquico. O que os oligarcas querem não é o mesmo que as antigas corporações queriam. Segundo o seu teórico favorito, Steve Bannon, eles buscam a “desconstrução do estado administrativo”. O caos é o multiplicador do lucro para o capitalismo de desastre onde prosperam os novos bilionários. Cada rutura é usada para agarrar bens de que dependem as nossas vidas. O caos de um Brexit litigioso, as constantes paralisações da administração Trump são exemplos de desconstruções previstas por Bannon. À medida que instituições, regras e supervisão democrática implodem, os oligarcas ampliam a  sua riqueza e poder à nossa custa.
Os palhaços assassinos também oferecem aos oligarcas outra coisa: distração. Enquanto os cleptocratas nos abafam, somos levados a olhar para o lado. Somos hipnotizados por bobos que nos encorajam a canalizar a raiva que deveria ser dirigida contra os bilionários para imigrantes, mulheres, judeus, muçulmanos, pessoas de cor e outros inimigos imaginários e outros bodes expiatórios do costume. Assim como foi nos anos 1930, a nova demagogia é um golpe, uma revolta contra os impactos do capital, financiados pelos capitalistas.
Os interesses do oligarca estão sempre numa offshore: em paraísos fiscais e regimes de sigilo. Paradoxalmente, estes interesses são mais bem promovidos por nacionalistas e nativistas. Os políticos que mais proclamam o seu patriotismo e defesa da soberania são sempre os primeiros a vender as suas nações. Não é por acaso que a maioria dos jornais que promove a agenda nativista, incitando o ódio contra os imigrantes e bramando sobre soberania, seja propriedade de exilados bilionários, vivendo numa offshore. (...) 
Defender-nos da oligarquia significa taxá-la ao máximo. É fácil enredarmo-nos em discussões sobre qual o nível de imposto que maximiza a geração de receita. Existem infinitas discussões sobre a curva de Laffer, que pretende mostrar onde está este nível. Mas essas discussões ignoram algo crucial: aumentar a receita é apenas um dos propósitos do imposto. Outra será quebrar a espiral de acumulação patrimonial.
Quebrar essa espiral é uma necessidade democrática: senão os oligarcas, como vimos, passam a dominar a vida nacional e internacional. A espiral não pára por si só: somente a ação do governo pode fazê-lo. Esta é uma das razões pelas quais, durante a década de 1940, a taxa máxima de imposto de sobre os rendimentos nos EUA subiu para 94% e no Reino Unido para 98%. Uma sociedade justa precisa de correções periódicas nesta escala. Mas hoje em dia os impostos mais altos seriam mais bem direcionados para a riqueza acumulada não adquirida.(…)» 

George Monbiot, in From Trump to Johnson, nationalists are on the rise – backed by billionaire oligarchs - The Guardian.
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sábado, 27 de julho de 2019

Espanha: Extremadura anula licenciamento de minas de urânio em Badajoz

  • A Comissão Europeia iniciou um processo de infração a Portugal por falta de proteção de habitats e espécies indígenas, tendo Lisboa um prazo de dois meses para responder às questões de Bruxelas. Em causa estão as diretivas 92/43/CEE relativa aos habitats e a 2009/147/CE relativa às aves, relativa à rede natura 2000, e ao abrigo das quais os Estados-membros deveriam ter proposto todos os sítios adequados de importância comunitária. Bruxelas considera que Portugal não propôs todos os sítios e os que foram propostos não abrangem de forma adequada os vários tipos de habitats e espécies que necessitam de proteção. A Polónia e a Roménia foram também notificadas pelo mesmo motivo. Notícias ao minuto.
  • A Junta da Extremadura anulou o licenciamento das minas de urânio na zona de Badajoz, nos municípios de Higuera de Vargas, Jerez de los Caballeros, Oliva de la Frontera, Villanueva del Fresno, Valencia del Mombuey e Zahínos, em pleno território de montado. Há meses que a Plataforma Dehesa Sin Uranio mobilizava um movimento de cidadania contra o licenciamento de minas de urânio a céu aberto junto à fronteira portuguesa e numa área que afetaria o rio Alcarrache, afluente do Alqueva. Nas mobilizações participaram populações e autarcas de Barrancos e Reguengos, assim como outras pessoas preocupadas com os efeitos da mineração do urânio. Segundo o Observatório Ibérico de Energia, as minas de urânio teriam um impacto devastador nas áreas de mineração, pela destruição do montado e por lixiviados para recuperar o seu concentrado, que são altamente radioativos e vão para os lençóis freáticos e cursos de água, para além da libertação de gases radioativos que se espalham junto à superfície e contaminam solos e todo o ambiente. ViaEsquerda.
  • A captura do bacalhau foi interdita na maior parte do Mar Báltico perante um iminente colapso dos estoques. EurActiv.
  • A Alemanha vai investir 86 biliões de euros durante os próximos 10 anos na melhoria das suas infraestruturas ferroviárias. Refira-se que, apesar da sua imagem de precisão e rigor, cerca de um quinto dos comboios alemães circularam atrasados na primeira metade de 2019. DW.
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EUA: governo remove um quarto das referências à crise climática

  • A Bad River LaPointe Band of the Lake Superior Tribe of Chippewa  entrou com uma ação federal contra a empresa de energia Enbridge. A tribo do norte de Wisconsin quer que a companhia canadiana feche os seus oleodutos da Linha 5 que passam pela reserva da tribo. Tudo porque o rio tem provocado enorme erosão nas suas margens e está na iminência de descalçar o oleoduto, o que poderá provocar uma catástrofe ambiental. Wisconsin Public Radio.
  • Bloomington, Minneapolis, implanta ilha flutuante para melhorar a qualidade da água em Winchester Pond. A ilha artificial, que usa plantas para filtrar nutrientes, faz parte de um esforço maior para requalificar o sítio e acabar com os persistentes maus cheiros. The Minneapolis Star Tribune.
  • O lóbi nuclear norte-americano logrou comprar votos à nova legislatura de maioria republicana no estado do Ohio para conseguir obter um subsídio superior a 1 bilião de dólares para salvar duas centrais da falência, conta o The Intercept.
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Bico calado

  • «A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde detetou diversos indícios de apropriação de várias quantias dentro da Ordem dos Enfermeiros levada a cabo pela bastonária Ana Rita Cavaco, e que configuram a prática de vários crimes. [...] pagamentos de quilómetros, cabeleireiros e roupas, entre outras despesas sem base legal, os inspetores acusam a atual gestão de viver à custa da instituição. O relatório demolidor [...] já chegou à Polícia Judiciária e [...] justifica a destituição dos órgãos da OE»JN.
  • Super Bock condenada a pagar 24 milhões por fixação de preços mínimos no setor dos hotéis, restaurantes e cafés, titula o Público.
  • «A organização complexa e a falta de transparência são argumentos utilizados pela Comissão Europeia para passar a incluir o futebol profissional na lista de setores a vigiar por fluxos suspeitos de dinheiro.» Tudo porque «quantias avultadas de dinheiro estão a ser investidas neste desporto sem aparente retorno financeiro explicável.» DN.
  • O governo alemão congelou o financiamento do WWF após uma série de investigações do Buzzfeed, revelando que a instituição financia, equipa e trabalha diretamente com forças que torturaram, violaram e mataram pessoas. Os subsídios agora congelados eram destinados ao Parque Nacional Salonga, na República Democrática do Congo, onde o WWF escondeu provas de violação e tortura. The Survival.
  • O estudo da dissidente israelita Nurit Peled-Elhanan, “A Palestina nos manuais escolares de Israel” é leitura essencial para quem quer entender algumas realidades importantes sobre o Estado de Israel e a sociedade israelita. Via MEM.
  • A Microsoft vai pagar cerca de 25,3 milhões de dólares, incluindo uma multa criminal, por subornos a funcionários do governo na Hungria e em outros países. Reuters.
  • O Supremo Tribunal do Brasil, num caso que envolve o filho do presidente Bolsonaro, suspendeu a maioria das investigações de lavagem de dinheiro do país. A decisão ameaça uma das mais importantes ferramentas de investigação contra a corrupção e deixa o Brasil em desacordo com o regime internacional de combate à lavagem de dinheiro. O filho do presidente Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, tem sido objeto de relatórios de inteligência financeira produzidos pela unidade de inteligência financeira brasileira - o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Esses relatórios revelam que Flávio Bolsonaro recebeu 48 depósitos em dinheiro feitos em cinco dias no período de um mês. O valor total desses depósitos era próximo a 100.000 reais (US $ 27.000). Voices.
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sexta-feira, 26 de julho de 2019

Aveiro: Câmara descarta apoio a educação ambiental


A Associação Portuguesa de Educação Ambiental (ASPEA), sedeada em Aveiro, questiona os critérios de atribuição de subsídios municipais, nomeadamente por não contemplarem organizações que se dedicam a atividades ambientais. A ASPEA queixa-se de ter sido excluída da candidatura apresentada para prosseguir atividades locais de educação ambiental, envolvendo escolas, no âmbito do projeto Quinta Ecológica da Moita, Oliveirinha, em parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Aveiro. 
A transparência do processo é posta em causa pela associação que tem estatuto de utilidade pública. O seu responsável questiona mesmo “de que forma os critérios salvaguardam uma distribuição equitativa pelos domínios de atribuição dos benefícios públicos”, assegurando que a ASPEA cumpre as exigências camarárias e, por isso, deveria ser contemplada com comparticipação para o projeto apresentado. Notícias de Aveiro.

A ASPEA pode queixar-se da indiferença ou reduzida sensibilidade da atual maioria do executivo municipal de Aveiro em relação a questões ambientais. Mas não deve sentir-se derrotada por isso. Deve prosseguir o seu projeto. Os autarcas passam, a Natureza fica. E temos que cuidar dela. Sem amarras, sem constrangimentos transmitidos por subsídios. Há subsídios que apenas servem para fazer fretes ou, no mínimo, para censurar ou travar certos voos. Ou ainda para ajudar a esverdear certas opções tomadas pelo Poder. Bem hajam.
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Poluição do ar: Comissão Europeia processa Espanha e Bulgária

  • A Comissão Europeia processou Espanha e a Bulgária por pouco o nada terem feito para reduzir a poluição do ar nos seus territórios. Tudo isto depois de três anos de avisos, ultimatos e perdões. Reuters.
  • Terceiros em idade, primeiros na reciclagem, é um programa da Ecoembes. Criado em 2018, já envolveu cerca de 400 mil idosos que se divertem, reciclando em 247 centros em La Rioja, Cantabria, Asturias e Aragón. El País.
  • Mais de 1 bilião de libras de alimentos destinados a supermercados do Reino Unido são descartados ou dados a animais antes de saírem dos complexos agroalimentares todos os anos, revela um relatório da WRAP citado pelo The Guardian.
  • A energética empresa alemã RWE recebeu 8 mil euros da UE para comprar dióxido de enxofre, o mesmo gás tóxico emitido pela queima de carvão nas suas centrais. O subsídio foi concedido para alegadamente apoiar um projeto chamado um projeto chamado «Conversão a custo efetivo de linhito e resíduos para combustíveis líquidos». META EEB.
  • Quatro praias de Vancouver, Canadá, foram encerradas após registo de altos níveis de bactéria E. coli. O sistema de esgotos é considerado obsoleto e deficiente, uma vez que metade dele aceita esgotos e pluviais que depois drena para a costa. The Globe and Mail.
  • Nunca o nível das águas do rio Mecão estiveram tão baixos. A China, com as suas barragens gigantes, é apontada a dedo pelos países a jusante. Reuters.
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Reflexão: «Sou cientista. Perdi o meu emprego por me recusar a esconder factos sobre a crise climática»


«A hostilidade da administração de Trump em relação à ciência do clima não é nova. A demissão, em protesto, dos funcionários federais Joel Clement e Rod Schoonover, são apenas dois exemplos. As tentativas de suprimir a ciência do clima podem manifestar-se de várias maneiras. Começa com o enterramento de importantes relatórios climáticos e torna-se algo mais insidioso, como impedir cientistas climáticos de realizarem os seus trabalhos. Em fevereiro de 2019, perdi o meu emprego porque era uma cientista do clima numa administração que negava o clima. E, no entanto, a minha história não é única.
É por isso que, em 22 de julho, apresentei uma queixa de denunciante contra o governo Trump. Mas esta não é a única parte da minha história, vou ser ouvida no Congresso em 25 de julho sobre o meu tratamento e a necessidade de proteções mais fortes à integridade científica.
Trabalhei 8 anos no Serviço Nacional de Parques (NPS). Comecei como estagiária durante o governo Bush, onde não experimentei nada disto. Regressei em 2012 depois de obter o meu PhD, quando o NPS financiou um projeto que eu lancei para fornecer estimativas futuras de aumento do nível do mar e tempestade para 118 parques costeiros sob diferentes cenários de emissões de gases de efeito estufa. Esse tipo de informação é crucial para o NPS proteger adequadamente os parques costeiros contra os efeitos futuros da crise climática.
Entreguei o primeiro rascunho do meu relatório científico no verão de 2016 e, após o rigoroso processo científico de revisão por pares, estava pronto para ser lançado no início de 2017. Mas assim que o novo governo chegou ao poder, a publicação foi repetidamente adiada, com explicações cada vez mais vagas dos meus supervisores. Esperei meses. Entretanto, saí com licença de maternidade quase um ano depois, em dezembro de 2017.
Altos funcionários do NPS tentaram repetida e agressivamente coagir-me a eliminar as referências às causas humanas da crise climática.
Quando eu estava de licença de parto que recebi um email de outro cientista climático do NPS que me avisou que as chefias estavam a exigir alterações ao meu relatório sem o meu conhecimento. Eles tinham apagado todas as referências às causas humanas da crise climática. Isto não era um ajusto editorial normal. Isto era a negação da ciência climática.
Seguiu-se uma longa batalha. Altos funcionários do NPS tentaram repetida e agressivamente coagir-me a eliminar as referências às causas humanas da crise climática no relatório. Eles ameaçaram fazer as exclusões sem a minha aprovação e divulgar o relatório sem me nomear como autora principal ou então nem sequer divulga-lo. Cada opção teria sido devastadora para a minha carreira e a para integridade científica. Eu permaneci firme.
E eu prevaleci. Investigações dos media e pedidos de registos abertos sobre o meu relatório chegaram ao Congresso, e o NPS foi forçado a publicar o meu relatório como eu o havia escrito.
O NPS continuou a retaliar contra mim. Fui forçada a aceitar cortes salariais e despromoções, enquanto continuava a liderar outros projetos. Em fevereiro deste ano, o NPS recusou-se a renovar o meu financiamento, apesar de se saber que havia amplo financiamento excedente.
Quando soube disso, os meus supervisores, que queriam que eu ficasse, pediram que eu me candidatasse para ser voluntária para que eu poder prosseguir o meu trabalho. O meu pedido de voluntariado foi negado sem explicação. 
Eu sou um exemplo dos métodos pouco conhecidos que a administração está a usar para destruir a pesquisa científica. Eu não fui demitida e obrigada a sair; em vez disso, eles usando discretamente a burocracia governamental para me pressionarem e gradualmente cortar o financiamento. Desligaram-se de projetos que criei e onde trabalhava, incluindo um que teria proporcionado ao público uma valiosa maneira interativa de ver como a subida do nível do mar afetará os nossos parques. É por isso que precisamos de apoiar proteções mais fortes para os cientistas.
No fundo, serão os contribuintes a pagar o preço real pela nossa apatia em relação a estas violações. Será cada vez mais caro alterar as nossas infraestruturas para acomodar as marés cada vez maiores. E vamos ver o nosso património histórico ser engolido pelo mar. à medida que isso for acontecendo, lembrem-se de que provavelmente havia vários cientistas como eu, que alertavam sobre esses perigos, mas foram silenciados. A administração atual pode durar apenas uma questão de anos, mas as suas ações podem impactar o nosso planeta por séculos.» 

Maria Caffrey, in The Guardian.
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Bico calado


Boris Johnson escolheu uma equipa de truz. Uns consideram que é o governo mais à direita de que há memória. Outros chamam-lhe Confederação de bastardos. Todos escolhidos a dedo, muito jeitosos.
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quinta-feira, 25 de julho de 2019

Esposende: lançada obra da construção do canal de proteção de cheias e inundações

  • O ministro do Ambiente Matos Fernandes lançou a obra da construção do canal de proteção de cheias e inundações de Esposende. A obra ultrapassa os 5 milhões de euros e deve estar concluída na próxima Primavera, ficando em curso apenas o controlo das sementeiras e podas necessárias durante um período de aproximadamente dois anos. O presidente da Câmara Municipal, Benjamim Pereira, justificou a importância desta obra, lembrando as cheias de outubro de 2013 que causaram prejuízos avultados na cidade. «Esta é uma obra de coeficiente de dificuldade elevado, mas mais que necessária para resolver um problema estruturante da cidade», afirmou. Para o autarca, esta obra assume importância acrescida, na medida em que baliza «a capacidade de construção urbana para as próximas décadas». O Amarense.
  • O Ministério do Ambiente da Sérvia publicou o estudo de impacto ambiental do incinerador de resíduos de Vinča para consulta pública. Mas o estudo não mostra sinais de queeste equipamento obedece aos novos padrões de controlo de poluição da UE aprovados em junho. CEE Bankwatch Network
  • A Assembleia Legislativa do estado do Ohio aprovou uma medida que corta programas de energia renovável e de eficiência energética ao mesmo tempo de reforça os subsídios às centrais nucleares e movidas a carvão, um coquetel político que os opositores consideram retrógrado e prejudicial à economia, aos consumidores e ao ambiente. ICN.
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Reflexão – A indústria de plásticos pode continuar a enganar professores e crianças?

 
A indústria de plásticos está a patrocinar campanhas de relações públicas e lóbi para fazer com que seja ilegal os governos locais proibirem os produtores de plástico de limitar o desperdício e a poluição.

Os estudantes da Westmeade Elementary School trabalharam muito no seu dragão. E isso valeu a pena. O recipiente de plástico que as crianças pintaram de verde e equipado com dentes brancos triangulares e uma placa que diz “Dá-me comida” conquistou os estudantes do subúrbio de Nashville, Tennessee. A ideia é ajudar o ambiente, mas a verdadeira história por trás do dragão, como aliás acontece em grande parte das ações contra os resíduos de plástico, é mais complicada.

O concurso foi patrocinado pela A Bag's Life, uma operação de promoção e educação para a reciclagem da American Progressive Bag Alliance, um lóbi que luta contra as restrições ao plástico. Esta organização faz parte da Associação das Indústrias de Plásticos, um grupo que inclui a Shell Polymers, a LyondellBasell, a Exxon Mobil, a Chevron Phillips, a DowDuPont e a Novolex, empresas que lucram imenso com a produção contínua de plásticos. 
E enquanto A Bag’s Life encorajava as crianças a divulgar a mensagem edificante de limpar o lixo plástico, a sua organização-mãe, a American Progressive Bag Alliance, apoiava uma lei estadual que visava retirar aos cidadãos do Tennesseee a capacidade de enfrentar a crise dos plásticos. A legislação tornaria ilegal os governos locais proibirem ou restringirem os sacos e outros produtos plásticos de uso único – precisamente uma das poucas coisas que de facto reduz os resíduos de plástico.
Uma semana depois de o dragão de Westmeade vencer o concurso, a APBA viu-se recompensada: o tão desejado projeto de lei fora aprovado pelo legislativo estadual. Semanas depois, o governador assinou a lei que impedia Memphis de cobrar uma taxa por sacas plásticas. Entretanto, A Bag's Life dava às crianças da Westmeade que tinham trabalhado no dragão um cartão-presente de 100 dólares para gastar no que quisessem. E com esta minúscula fração da sua enorme riqueza, a indústria de plásticos aplicou um verniz verde sobre a sua luta desesperada para continuar a lucrar com um produto que está a poluir o mundo.


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Bico calado

  • «Longe vão os tempos em que a grande ambição de um ministro das Finanças era chegar a primeiro-ministro e a de um primeiro-ministro era chegar a Presidente da República. Isso é tão século XX. Hoje, uns e outros sonham com cargos internacionais. Daqueles onde realmente se manda, os eleitores não chateiam e ainda por cima se ganha bem. O que quer dizer que as grandes carreiras políticas já não se fazem com os olhos na democracia e no povo, fazem-se com os olhos numa classe global de burocratas sem nação, quase sempre amigos dos únicos poderes globais que sobrevivem: os económicos.» Daniel Oliveira, Expresso Diário, 23/07/2019.
  • Um grande negócio num país de merda – a Fertagus, por Vitor Lima, in Blog Grazia Tanta
  • O Reino Unido já tem novo primeiro-ministro. Não foram precisas eleições. Nada mau, para quem, há pouco, dizia que ser primeiro-ministro do Reino Unido «era tão bom como ter sorte em encontrar Elvis Presley em Marte ou eu reincarnar como uma azeitona.» 
  • O ministro das Finanças do governo de Theresa May apresentou a sua demissão na véspera da queda do governo britânico. A RTP, canal público da televisão portuguesa, apenas mostrou a primeira-ministra britânica a abandonar o parlamento no meio de aplausos. Não estranhei: há muito que mesmo este canal deixou de ser objetivo e rigoroso. Cada vez mais se nota uma seleção tendenciosa dos conteúdos. Lamentável.
  • O dólar vai em breve perder o seu poder a favor de uma alternativa asiática, prevê o insuspeito JPMorgan Chase. Por isso, o melhor é ir deixando cair o dólar e alinhar com outras moedas. RT.
  •  Foi surpresa entre os jornalistas a capa da Veja, na semana passada, falando de ameaça de atentados contra o presidente Bolsonaro e ministros por um desconhecido grupo radical ambientalista. Nada de concreto justificando tal destaque, surgiram diversas hipóteses: a matéria teria sido plantada por Olavo de Carvalho, seria uma grande fake news destinada provocar apoio ao presidente ou nada disso, apenas uma má escolha de capa.» Observatório da Imprensa.
  • O Egito foi, em 2018, o décimo maior importador de armas, munições e sistemas de informação de segurança da Itália para 2018, admite o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Itália. Em 2018, a Itália importou armamento italiano no valor de 69 milhões de euros. Há quem diga que este negócio serviu para compensar o governo italiano pela morte de Giulio Regeni, um graduado da Universidade de Cambridge, que foi raptado e torturado até a morte no Cairo em 2016. MEM.
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quarta-feira, 24 de julho de 2019

Alemanha: baixo nível das águas do Reno compromete navegabilidade

  • No Dia Mundial contra a Exploração a Céu Aberto (22 de julho), plataformas e movimentos sociais em toda a Península Ibérica, inclusive os Unidos em Defensa de Covas do Barroso, participaram num encontro para reivindicar a suspensão da mineração especulativa e poluente. Alegam que a promessa de criação de emprego é falsa, uma vez que, segundo estatísticas oficiais, a média de trabalhadores é inferior a 15, como por exemplo na mina de Aguablanca, em Monesterio, onde reduziram o pessoal de 25 para 9. Ecologistas en Acción. Relacionado: Petição contra a prospeção e exploração de lítio em Covas do Barroso e arredores.
  • O governo britânico de Theresa May gastou £ 680 milhões de seu orçamento para ajuda externa em projetos de combustíveis fósseis desde 2010, revela uma análise encomendada pela agência católica de desenvolvimento Cafod, citada pelo The Guardian. O Reino Unido concedeu mais subsídios ao petróleo e ao gás nos dois anos após ter assinado o Acordo de Paris de 2015 do que nos cinco anteriores. «O Reino Unido quer ser líder em mudanças climáticas, mas é chocante que o dinheiro da ajuda do Reino Unido ainda esteja a ser gasto em combustíveis fósseis no estrangeiro», diz Sarah Wykes, coordenadora do estudo da Cafod sobre crise climática e energia.
  • Por que é que as gigantes petrolíferas patrocinam algumas das instituições culturais mais importantes do Reino Unido? Porque lhes dá a publicidade que os dólares publicitários simplesmente não conseguem comprar, diz Jess Worth, da campanha Culture Unstained. Via DesmogUK.
  • Os níveis de água no Reno, na Alemanha, baixaram na sequência de seca prolongada. Os navios de carga não podem navegar totalmente carregados em partes do rio, especialmente entre Duisburg e Colónia até Kaub, ao sul de Koblenz. Os operadores têm aplicado sobretaxas nos fretes. Reuters.
  • Greta Thunberg, a adolescente sueca que inspirou um movimento massivo de jovens para combater a crise climática, recebeu o Prémio da Liberdade da Normandia concedido pela região francesa da Normandia. Thunberg disse que doará o prémio de 25.000 euros a quatro grupos que trabalham pela justiça climática. The Hill.
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Reflexão - «Pontevedra: a cidade pedestre onde a maioria dos carros são proibidos»


Nos últimos 20 anos, as autoridades da cidade galega de cerca de 80 mil habitantes desenvolveram políticas para reduzir o tráfego e promover viagens a pé.
O uso de veículos particulares foi drasticamente reduzido, de modo que a poluição também diminuiu, bem como os acidentes de viação mortais.
O alcaide de Pontevedra, Miguel Anxo Fernández Lores, que pertence ao partido de esquerda regional do Bloco Nacionalista Galego, ganhou cinco eleições locais consecutivas e tem sido o principal motor do novo modelo urbano desde 1999. Atualmente, 70% do espaço público é reservado para as pessoas.
«Mudamos de paradigma e dizemos: não vamos melhorar o trânsito, vamos recuperar o espaço público. Por isso, tiramos espaço do veículo privado e aumentamos o espaço para as pessoas», explica o alcaide.
Na parte mais antiga de Pontevedra, a maioria dos carros foi proibida. Apenas veículos autorizados podem entrar.
Nas ruas, os peões têm prioridade absoluta sobre os veículos.
Ampliar os passeios e passadeiras, deslocalizar parques de  estacionamentos para a periferia da cidade, restringir o limite de velocidade,são algumas das medidas que foram implementadas para devolver o espaço que pertencia aos moradores.
Tanto os moradores como os visitantes consideram estas mudanças positivas.
«O que mais me surpreendeu foi o respeito que os carros têm pelos peões, coisa que em Itália não acontece», diz a italiana Serena Lomuscio, de 28 anos.
«Eu uso o carro, ando a pé por todo o lado porque Pontevedra é muito fácil de andar. Para mim também», diz Silvia María San Martín Lorenzo, moradora da cidade.
A requalificação urbana de Pontevedra recebeu vários prémios internacionais, incluindo o Prémio UN Habitat de 2015. 
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EUA: fraturação hidráulica recua - Halliburton dispensa 8% dos colaboradores


  • A Halliburton dispensou 8% dos seus colaboradores norte-americanos até agora a operar em fraturação hidráulica. Resultado da queda contínua na procura de serviços de fraturação nos Estados Unidos e no Canadá. Energy Voice.
  • A Pepsi, a Danone e a Nestlé vão vender, a partir de 2022, água em garrafas plásticas recicláveis feitas a partir de restos de madeira. Até já contam com a Origin Materials, que diz ter a solução para o problema do plástico. A startup diz que vai pagar 20 dólares por cada tonelada de firas, serrim e outros rejeitos das serrações para fabricar essas garrafas especiais de… plástico. Bloomberg, Ora aqui temos mais uma espetacular operação de charme, de greenwashing. Repararam que não tomam o caminho do retorno das embalagens utilizadas?
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Bico calado

  • «Despacho da acusação refere que a Câmara de Pedrógão Grande dispunha de 300 mil euros de donativos no banco, mas mesmo assim o autarca decidiu pedir ajuda à Cruz Vermelha, à União das Misericórdias Portuguesas e à Fundação Calouste Gulbenkian no âmbito da reconstrução de casas.» Expresso 11jul2019.
  • O governo britânico de Teresa May anda totalmente desnorteado. Para além do caos introduzido pelo Brexit, anda a piratear petroleiros iranianos. Mas quando o Irão responde à letra, o governo britânico borra-se todo e pede ajuda à União Europeia na luta pela aplicação de sanções aos piratas do Irão. EurActiv. Meninos, então quereis sair da União Europeia mas exigis policiar o Médio Oriente com o patrocínio de uma sociedade da qual estais de saída? Entendei-vos.
  • O empresário egípcio, Naguib Sawiris, criticou as autoridades britânicas e alemãs por suspenderem voos para o Cairo. «O terrorismo acontece em todo o mundo. Quem quiser visitar o Egito é bem-vindo a qualquer momento. Se vocês têm informações sobre um ataque terrorista iminente no Egito, porque é que vocês não informam as nossas autoridades de segurança?» perguntou. «Não é o que vocês chamam uma guerra conjunta contra o terrorismo?», continuou o bilionário egípcio, considerando a medida tomada por «covardes diretores ocidentais». MEM.
  • Quem está a ganhar imenso dinheiro com a crise de migrações na fronteira norte-americana? As prisões privadas, claro. A CoreCivic e o GEO Group, as empresas que administram mais de metade dos contratos de prisão privada nos EUA, ganharam mais de US $ 4 biliões em 2017. Ambos gastaram milhões de dólares em lobistas e contribuições de campanhas eleitorais, claramente para garantir que Washington continue a favorecer um sistema de detenção que representa 2 biliões de dólares. O ano passado, o ICE (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras) deteve uma média de 44.892 pessoas por dia e, em 2019, esse número ronda os 53.000. O número de famílias detidas na fronteira entre os EUA e o México aumentou 300% neste ano fiscal. O ICE exigiu um aumento no orçamento para cobrir a detenção de 60.000 pessoas por dia. The Amercian Conservative.
  • Há Vistos Gold por 2 milhões de libras, com garantia de sigilo absoluto quanto ao passado dos interessados, titula o insuspeito britânico The Times
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terça-feira, 23 de julho de 2019

Detidos 25 suspeitos de terem ateado fogos no fim de semana passado

  • As autoridades portuguesas encontraram artefactos explosivos em várias zonas do concelho de Vila de Rei, Castelo Branco, que está a ser atingido desde sábado por vários incêndios. Isto faz aumentar as suspeitas de mão criminosa nos incêndios que estão a atingir a região centro do país. As suspeitas de fogo posto já tinham sido levantadas pelo autarca da Sertã e pelo próprio ministro da Administração Interna, que salientou ser muito estranho terem deflagrado cinco incêndios numa hora. Foram, entretanto, detidos 25 suspeitos de terem ateado fogos em Portugal durante o fim de semana passado, informa o ABC.
  • Ainda há muito vidro contaminado a chegar ao Ecoparque da Ilha de São Miguel, equipamento gerido pela empresa intermunicipal MUSAM. «Para além das pessoas colocarem vidro no Ecoponto, colocam também plástico, papel, cartão», diz Rita Rebelo, técnica da MUSAMI. AO.
  • Ministro do Ambiente presta declarações à Comissão de Ambiente, Ordenamento do Território, Descentralização, Poder Local e Habitação sobre a barragem do Fridão. O governo acha que não deve ressarcir a EDP em mais de 200 milhões por esta, em 10 anos, não ter concretizado o projeto. Alega que a própria EDP mostrou, por duas vezes por escrito não estar interessada no projeto. A oposição sugere que o governo deve indemnizar. Canal Parlamento
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EUA: prosseguem as falências de carboníferas

  • O Exército israelita ordenou 30 pulverizações aéreas com herbicidas à base de glifosato nos últimos cinco anos, sobre solo israelita, para manter a divisão territorial livre de vegetação. Uma investigação forense revela que as culturas sofreram danos incontroláveis dentro de um raio de pelo menos 300 metros dentro do enclave palestiniano. O objetivo é manter perímetro interno da fronteira da Faixa de Gaza com Israel num espaço raso, vazio, estéril, para permitir os atiradores militares disparar com precisão e impedir a infiltração de terroristas em Israel. A Cruz Vermelha constatou que os prejuízos agropecuários se estendem por uma faixa de 900 metros para além da fronteira e registou danos semelhantes a 2 Kms da fronteira não só em terrenos como canais de irrigação, em pleno território ocupado de Gaza. Fontes: El País, The Guardian e Haaretz.
  • A mineradora norte-americana Blackhawk Mining é a mais recente de uma série de falências de empresas de carvão, relata a Axios. Este tipo de falências registou um aumento muito acentuado após a subida ao poder de Trump, apesar d todo o apoio produgalizado pela Casa Branca aos combustíveis.
  • «Uma pesquisa realizada pelo Idec, Ong de Defesa do Consumidor, com 509 produtos de higiene e cosméticos, limpeza e utilidades domésticas com alegações socioambientais em seus rótulos revelou que 47,7% não deveriam apresentar essa descrição em sua embalagem. O resultado foi encontrado após a análise dos rótulos de produtos dessas três categorias vendidos nas cinco principais redes de supermercados do Brasil, em unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.» Via EcoDebate.
  • A Indonésia vai realizar uma sementeira de nuvens para provocar chuvas que evitem a quebra das colheitas e os incêndios florestais. Reuters.
  • Quatro jornalistas da rede pública de televisão France 2 foram acusados de invasão de propriedade privada por filmarem um protesto perto do terminal de carvão Abbot Point, no norte de Queensland, Austrália. O grupo de jornalistas inclui Hugo Clément, um repórter conhecido em França pelos seus documentários sobre crise climática e questões ambientais. Clément e a sua equipa foram presos durante as filmagens de ativistas anti-carvão do grupo Frontline Action on Coal, que na manhã de segunda-feira montou um bloqueio do lado de fora do porto de Abbot Point. The Guardian.
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Bico calado

  • O Centro de Fotografia de Andaluzia organizou uma exposição para relembrar o massacre de civis que fugiram de Málaga em 1937. O novo governo regional demitiu o diretor que programou a amostra. O infame bombardeamento de Guernica pela Legião Condor em abril de 1937 tornou-se conhecido mundialmente graças à famosa pintura de Picasso. El País.
  • A Google admitiu que especialistas em idiomas ouvem 0,2% das conversas que os utentes têm com o Google Assistant. Isto aconteceu após a fuga de um áudio em holandês para uma televisão belga. O objetivo será aperfeiçoar o Google Assistant, mas há muito utente preocupado com a eventual invasão da privacidade. O português e o espanhol são duas das línguas monitorizadas, diz o El País.
  • «Na reconstrução da comunidade política – da República Portuguesa – a seguir a 1974, não soubemos, porém, fazer dois conjuntos de coisas. Primeiro, não soubemos reinventar a narrativa da identidade nacional, antes perpetuámos a velha narrativa da expansão e do colonialismo e os seus mitos de não-racismo e de excecionalidade. Quando muito matizámo-la com platitudes sobre “universalismo” e “interculturalidade”, continuando a ideia da bondade da expansão portuguesa; continuando a ideia de que há um “nós” (portugueses brancos e católicos) e uns “outros”; e recauchutando as ligações imperiais como “Lusofonia”, à maneira das continuidades neocoloniais da Commonwealth britânica ou da Francophonie francesa.» Miguel Vale de Almeida, in Morrerão de velhos no Restelo - Público 22jul2019.
  • Bolsonaro usa informações falsas para atacar a jornalista Míriam Leitão, titula O Globo.
  • Uma enorme estátua de Jesus Cristo, em acrílico, no monte Chorrillos, Lima, está a causar polémica no Peru por ter sido financiada pela gigante construtora Odebrecht e pelo ex-presidente Alan Garcia. Milhares já lhe chamam o Cristo do Roubo e exigem a sua remoção. A Odebrecht admitiu ter pago 29 milhões de dólares em subornos no Peru entre 2005 e 2014. Os promotores dizem que um ex-alto funcionário de Garcia confessou ter atuado como testa de ferro, recebendo dinheiro da Odebrecht para repassar ao ex-presidente. Garcia, que se suicidou em abril, quando a polícia chegou a sua casa para o prender por lavagem de dinheiro, foi um dos quatro ex-presidentes peruanos envolvidos em vários escândalos de corrupção. AFP/France24.
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segunda-feira, 22 de julho de 2019

Leiria: protesto contra exploração de gás

  • A atual situação de seca é menos complexa do que a de 2017 e se houver problemas de abastecimento público de água serão absolutamente pontuais e em pequenas localidades, afirmou o ministro do Ambiente Matos Fernandes. «A única solução de longo prazo é mesmo poupar água. O problema da escassez é real e temos mesmo de fazer um uso muito racional da água sempre», sublinhou. Segundo o mais recente Boletim Climatológico do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, 33,9% do território continental estava em seca extrema ou severa, 22,7% em seca moderada e 40,9% em seca fraca. TSF.
  • Cerca de 300 pessoas de sete associações ambientalistas e da Associação Bajouquense (Abad) estão acampadas em Pisão, Bajouca-Leiria, contestando a intenção da empresa australiana Australis Oil & Gas (Company) de sondar e explorar gás natural na concessão de Pombal. Jornal de Leiria.
  • A Campo Aberto, o FAPAS e a Quercus insistem na deslocalização do  festival Meo Marés Vivas para outro local que não represente impactos negativos sobre a Reserva Natural Local do Estuário do Douro. Público.
  • O projeto da Mina da Lagoa Salgada ainda está numa fase inicial, mas os agricultores da zona já estão preocupados com o impacto que poderá ter na região. Temem que os milhares de sobreiros existentes naqueles 10 mil hectares acabem por morrer. iOnline.
  • A Galícia continua a enviar para Avintes cerca de 70 mil toneladas de vidro depositadas por cidadãos em recipientes verdes e do centro de tratamento de resíduos de Sogama por falta de um centro dessas características na Galícia, dia a Ecovidrio , uma organização sem fins lucrativos com a qual as empresas de engarrafamento colaboram. Galicié.
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Mão pesada

A Procuraduría Federal de Protección al Ambiente ordenou o encerramento parcial e temporário da empresa Guaymas, do Grupo México, após ocorrência de derrame de ácido sulfúrico no Golfo da Califórnia. Reuters.
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Bico calado

  • «Enquanto os cavalos da GNR servirem mais para abrilhantar procissões pias do que para transportar militares, os lugares de capelão forem mais fáceis de preencher do que os de médico e as Ordens profissionais, Fundações e IPSSs tão difíceis de escrutinar, não se espere um módico de sensatez nos pequenos e grandes feudos enquistados no País. Desde um sindicato de motoristas de camiões de matérias inflamáveis, que recorre a um advogado de percurso sinuoso e sem carta de ‘pesados’, para líder sindical, até à Ordem de uma bastonária que inventa e dirige um sindicato e se opõe ao exercício das funções de inspeção que cabem ao Governo, tudo é possível. Tendo da ética a noção de que falsificar a assinatura da folha de ponto não é crime por – segundo ela – ser prática comum; conhecida a leveza com que lida com os dinheiros da OE para benefício próprio; verificadas a leviandade e a mentira com que afirmou que no SNS a eutanásia “já é de alguma forma praticada, com médicos que sugerem essa solução para alguns doentes”, mesmo sem exibir provas, não surpreende que a proteção partidária lhe garanta a impunidade em tantos e tais despautérios. Podemos esperar do primata José António Saraiva, que se julgava fadado para o Nobel e debita inanidades no luminoso Sol, o coice da criatura contra quem for de esquerda, não se lembrando do pai, antes de perder as faculdades mentais e de ficar igual ao filho. Mas ler dessa irrelevância intelectual e ética que o legítimo direito exercido pela excelente deputada Mariana Mortágua, filha de Camilo Mortágua, torturado pela criminosa polícia do regime que Saraiva branqueia, que as suas inquirições, inteligentes e televisionadas, parecem o regresso aos tempos da PIDE, é mais do que um democrata pode suportar. É também a atitude da azougada amiga do ora catedrático Passos Coelho, cujo exemplo a inspira, que, depois da obstrução à legítima sindicância à Ordem dos Enfermeiros e da desobediência ao cumprimento de uma ordem do Tribunal, sem ser presa, se permite o despautério de comparar uma sindicância ordenada por um governo com legitimidade democrática, às práticas do “Estado fascista italiano ou do Estado Novo português”, ao qual, certamente, respeitaria. Fará ideia a criatura do que eram as torturas da Pide, os simulacros de julgamentos dos Tribunais Plenários, os presídios salazaristas, a fome, o analfabetismo, a emigração, a violação da correspondência ou o que foi a guerra colonial? Terá esta analfabeta funcional noção da ofensa que faz a quem sofreu na pele a guerra, a emigração ou a prisão, do que era a demissão da função pública por razões políticas, da recusa de emprego a filhos de presos políticos nas empresas ou a vida das famílias dos exilados, presos e assassinados por um regime que o PSD de Passos Coelho e Cavaco se esforçou por branquear? Se não fosse a minha educação chamava-lhe ‘filha de uma nota de 5 euros’. Desabafava.» Carlos Esperança, in  Portugal – País disfuncional.
  • Andrew Pearse, ex-banqueiro do Credit Suisse Group AG, admite ter recebido milhões de dólares em suborno, como parte da fraude de dois biliões de dólares em empréstimos contraídos por empresas estatais moçambicanas, conta a Bloomberg.
  • Ex-banqueira do Credit Suisse Detelina Subeva deu-se como culpada da acusação de conspiração para lavagem de dinheiro, no processo sobre as dívidas ocultas de Moçambique que decorre em Nova Iorque, informa a DW.
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domingo, 21 de julho de 2019

França: seca e gorgulho dizimam florestas de coníferas

  • Longos períodos de seca e temperaturas altas provocaram a pior infestação de gorgulho do pinheiro em duas décadas no leste da França, arruinando as florestas de coníferas e fazendo com que os preços da madeira caíssem à medida que as madeireiras abatiam as árvores antes de serem danificadas. Reuters.
  • 50 baleias piloto foram encontradas mortas na península de Snaefellsnes, na Islândia. Correntes fortes e o leito raso do mar terão impedido o seu regresso ao alto mar. DW.
  • O ministério do Ambiente dos EUA retirou da lista das suas competências as inspeções não anunciadas a centrais energéticas e a fábricas de produtos químicos. Via SEJ.
  • O ministério do Ambiente dos EUA anunciou que não irá proibir o clorpirifos, um pesticida ligado a danos cerebrais em crianças. «A recusa do ministério em probir o clorpirifo ignora décadas de ciência mostrando que este pesticida tem efeitos irrevogáveis na saúde humana e no meio ambiente», afirmou Tiffany Finck-Haynes, dos Friends of the Earth. «Ao permitir que o clorpirifos permaneça nas nossas frutas e verduras, o ministério do Ambiente de Trump viola a lei e negligencia a esmagadora evidência científica de que esse pesticida prejudica os cérebros das crianças», disse Patti Goldman, advogada da Earthjustice. «É uma tragédia que esta administração fique do lado das corporações em vez da saúde das crianças». Common Dreams.
  • Um novo relatório da Comissão Reguladora Nuclear, que supervisiona a segurança das 59 centrais nucleares antigas do país, recomenda que os comissários aligeirem ou reduzam significativamente as inspeções de segurança às centrais. Via SEJ.
  • O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, acusou a agência estatal estadual responsável por monitorizar os níveis de desflorestação de divulgar dados falsos e anunciou que vai convocar o presidente da agência para prestar esclarecimentos. A cena desenrolou-durante uma conferência de imprensa com jornalistas estrangeiros e um dia depois de o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o Inpe, ter publicado dados preliminares de satélites mostrando que a desflorestação na floresta amazónica tinha registado uma aumento de 68% no mês de julho de 2018. Reuters.
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Bico calado

  • A obra de José Afonso vai ser classificada como de interesse nacional, aprovou o Parlamento português, com a abstenção do PS, o partido do governo. JNegócios.
  • «(…) Pela primeira vez desde 1912, Donald J. Trump acaba de ver aprovado um voto de censura à sua Presidência pela Câmara dos Representantes, em virtude do seu discurso convidando a regressar “às suas terras de origem” as congressistas não brancas. É verdade que, além do voto unânime dos democratas, em maioria na Câmara dos Representantes, o voto teve também e apenas o apoio de quatro republicanos e um independente — o que permitiu a Trump saudar a solidariedade do seu partido para com o seu discurso sobre a supremacia branca na América. Mas fica o registo: nunca um Presidente da “terra dos homens livres” se tinha atrevido a descer tão baixo, ao nível dos tempos do segregacionismo e da escravatura. Porém, nada disto é novo e imprevisível: desde que o homem foi eleito que se sabe que menos de metade dos votantes americanos escolheram para o representar alguém que simboliza o pior que os Estados Unidos da América têm para mostrar ao mundo e para servir essa grande nação global. Eleito com o apoio de Putin, Trump tem sido ostensivo em cortejar os inimigos, os ditadores e os facínoras e hostilizar e humilhar os aliados e amigos — o recente episódio em que forçou a demissão do embaixador britânico em Washington, culpado de ter dito a verdade sobre si, como era seu dever, foi apenas uma demonstração de como até o mais fiel aliado pode ser tratado como um vassalo pela sua arrogância sem freio. Rasgou tratados com a assinatura dos seus antecessores, vinculando os Estados Unidos, com a mesma desfaçatez e sem-vergonha com que rasgava as notas de crédito dos seus parceiros do negócio imobiliário, tornando os Estados Unidos um país não confiável. Aliás, a sua diplomacia, fruto de uma mistura de chocante incultura, ordinarice boçal e arrogância de pato-bravo, obedece ao seu único mandamento, com o qual ganhou as eleições e voltará a ganhá-las: “America first.” First and only, porque ele nunca tem nada para dar em troca e em tudo age como dono do mundo e dos arredores. Com Trump caíram por terra todas as benévolas teorias ensaiadas por uma nova direita que pretendia justificar a sua eleição com a incapacidade da esquerda em compreender o povo e os novos tempos. Tudo é, infelizmente, mais simples: Trump representa apenas a imbecilidade do povo e os tais novos tempos assentam na ignorância e na manipulação e são sinistros. Trump enterrou qualquer respeitabilidade intelectual ou moral da direita que o pretende justificar. O homem é injustificável, infrequentável, inadmissível. É uma ameaça para o comércio mundial, para o clima, para o planeta, para a paz, para a convivência entre povos, para a civilização que conhecemos. Decerto que gente decente não convidaria um tipo destes para jantar em sua casa, seja ele Presidente dos Estados Unidos ou não. Mas Marcelo convidou-o para jantar — em nossa casa. Em nosso nome e sem nos dizer nada nem justificar porquê. Convidou-o apenas porque gosta de ser visto e fotografado ao lado dos grandes do mundo. Só por isso, e isso é muito pouco para a ofensa que representa convidar Donald Trump para uma visita de Estado a Portugal. Eu sinto-me ofendido, como português, com este convite. Sinto-me ofendido que o nosso Presidente, de boina na mão, aproveite as cerimónias do Armistício de 14-18, em França, para entredentes sussurrar ao ouvido de Trump se ele não quereria visitar um verdadeiro aliado e amigo. Sinto-me ofendido que o outro esteja há nove meses a ponderar se se dá ou não ao trabalho de vir cá dizer meia dúzia de vulgaridades do género “it’s terrific to be here!” e depois ir para o Twitter confundir o Marcelo com o Matteo (Salvini) ou Portugal com Porto Rico. E sinto-me ofendido em pensar que um só euro dos meus impostos vai ser gasto em servir um banquete de Estado a este feirante, enquanto o nosso Presidente lhe tenta vender Sines entre os brindes, sugerindo que, se não vendermos a eles, vendemos aos chineses. Não vale a pena invocar o interesse nacional em manter boas relações com este personagem porque, como escreveu o embaixador inglês, Trump não é fiável nem previsível, apenas caprichoso e intempestivo: o que prometer hoje, esquecerá amanhã, o que assinar aqui, rasgará lá. Se tudo correr bem, já será uma sorte se não vier cá ofender-nos com a sua ignorância e a sua falta de educação. Pela parte que me toca, Donald Trump não é bem-vindo.(…)». Miguel Sousa Tavares, in Quem convidou Donald Trump para minha casa? – Expresso 20jul2019.
  • Há multinacionais a patrocinar recorrentemente as presidências rotativas do Conselho Europeu, revela o El Diario: a Finlândia é patrocinada pela BMW; a Roménia foi patrocinada pela Renault, pela DIGI e pela Coca-Cola, a Aústria pela Porsche, Audi e Microsoft, a Bulgária pela BMW e pela Societé Générale, Malta pela AirMalta, Microsoft e BMW, Estónia pela Microsoft, Mercedes e BMW. Portugal já teve três vezes a presidência rotativa deste órgão: em 1992 (João de Deus Pinheiro), 2000 (Jaime Gama) e 2007 (Luís Amado).
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