Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

Londres: ativistas do Extinction Rebellion detidos durante protesto contra petrolíferas

  • 9 ativistas do grupo ambiental Extinction Rebellion foram presos depois de se colarem à frente do InterContinental Park Lane, em Mayfair, Londres, que sediava uma conferência da indústria de petróleo e gás. Exigia-se que a indústria do petróleo acabe com o seu comportamento "profundamente imoral" ao agudizar as alterações climáticas. The Guardian.
  • O embaixador britânico no Iraque, Jon Wilks, reuniu-se com a BP e o Departamento de Comércio Internacional do Iraque em 9 de abril de 2018 no Campo Petrolífero de Rumaila, explorado pela BP. À saída da reunião, elogiou o impressionante desempenho social e ambiental da empresa. Três meses depois, irromperam protestos violentos em Basra. Os ativistas criticaram as visitas por priorizar os interesses da BP em detrimento dos iraquianos locais e queixaram-se, entre outros problemas, da água poluída. DesmogUK.
  • Três dias depois do desastre de Brumadinho, o governador do Mato Grosso, Mauro Mendes, anunciou um encontro em Cuiabá com o gerente regional da Agência Nacional de Mineração para buscar cooperação para fiscalizar as barragens do estado. Não mencionou, no entanto, que providências tomaria em relação à barragem de rejeitos da mina de ouro Casa de Pedra, da Maney Mineração Casa de Pedra Ltda. A mineradora é controlada pela Maney Participações, da qual Mauro Mendes é sócio. Conflitos de interesses, pois claro, que escondem problemas de drenagem do corpo de aterro que podem provocar erosão na encosta, segundo um relatório de vistoria da Sema de 2018. Caio de Freitas Paes, in Publica.
  • Ativistas da Greenpeace na Argentina bloquearam o acesso a um aterro usado por empresas que extraem petróleo e gás de xisto de Vaca Muerta. O aterro é usado pela Royal Dutch Shell Plc, Total SA e pela estatal argentina YPF SA. «Esperamos que as petrolíferas parem de contaminar o ecossistema da Patagónia com lixo tóxico e fechem esse depósito que viola leis provinciais e nacionais», disse Leonel Mingo, membro do programa Climate and Energy da Greenpeace, citado pela Reuters.
  • A extração de gás de xisto foi suspensa em Sichuan, Rongxian, no oeste da China na sequência do protesto de milhares de vizinhos que suspeitam de que a fraturação hidráulica terá causado uma série de terremotos que provocaram duas mortes. AP.
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Reflexão - Podemos salvar o clima com aqueles que o destroem?


Michel Collon analisa as marchas climáticas dos jovens e também «Sign For My Future», uma iniciativa curiosa que reúne algumas ONGs e grandes empresas como a BNP Paribas, a Unilever e a Umicore. E o que significa realmente «Mudar o sistema, não o clima»?

Como podem empresas que dizimam recursos naturais em busca de lucros cada vez maiores ser verdadeiras amigas do Ambiente? Como podem essas empresas ajudar a resolver a crise ambiental se elas beneficiam de benefícios fiscais e fazem imenso lóbi junto de políticos no sentido de aprovarem a desregulamentação ambiental?
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Bico calado

  • O Ministério Público espanhol pede três anos e três meses de prisão para a ex-presidente da Comunidade de Madrid Cristina Cifuentes por um crime de falsificação de documentos, considerando-a a instigadora da falsificação do ato que prova que ela defendeu o seu mestrado, o que nunca aconteceu. El País.
  • As Nações Unidas acusam Israel de enterrar lixo nuclear radioativo no Monte Hérmon, Montes Golan, num território sírio ocupado em 1967. Essa prática está proibida pela Quarta Convenção de Genebra. O relatório vai ser submetido na próxima reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas que se realiza em Genebra. Israel é o único país que tem armas nucleares no Oriente Médio, mas como não é membro do Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares, nunca confirma nem nega a existência de bombas atómicas, embora se calcule que o regime tenha de 200 a 400 ogivas nucleares no seu arsenal. TNA.
  • Famílias beduínas palestinianas e grupos de direitos humanos israelitas pediram ao Supremo Tribunal de Israel para suspender a exploração da mina de fosfato no deserto de Naqab. Alega-se que a concessão não tomou em consideração a deslocalização de milhares de beduínos, cidadãos israelitas, e a sua exposição a graves problemas de sáude. Entretanto, consta que este projeto, em conjunto com outros, prepara a evacuação de 36 mil beduínos árabes com o objetivo de expandir az zonas de treino militar de Israel. 
  • 7 mil pessoas perderam as suas casas e os seus haveres na sequência de grandes cheias que assolaram a zona ocidental da Colômbia. O apoio estatal está a demorar, enquanto o presidente Ivan Duque lidera a «ajuda humanitária» à Venezuela. Colombia Reports.
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A Suíça quer que a ONU lidere o debate acerca da geoengenharia no controlo dos impactos das alterações climáticas

  • O impacto ambiental do cimento está a ser debatido pelo The Guardian. «Enquanto você lê esta frase, a indústria global de construção terá lançado mais de 19 mil banheiras de cimento. (…) Se a indústria do cimento fosse um país, seria o terceiro maior emissor de CO2 do mundo», escreve Jonathan Watts. «O cimento está a empurrar-nos para uma catástrofe climática. Chegou a hora da vingança», é o título de um artigo de John Vidal. «O cimento asfixia os nossos aterros, mas para onde mais pode ele ir?» questiona  Anna Sophie Gross.
  • A Suíça quer que o mundo discuta sobre se e como usar tecnologia não testada que adultera a natureza para travar as alterações climáticas e exige que o braço ambiental da ONU assuma a liderança. As técnicas de geoengenharia que refletem os raios solares e sugam o carbono da atmosfera têm sido discutidas como soluções de último recurso para conter os piores efeitos das alterações climáticas. Mas como as emissões de gases de efeito de estufa continuam altas e a investigação em geoengenharia dá os primeiros passos, há uma crescente preocupação de que essas tecnologias possam ser desenvolvidas sem proteções contra os seus riscos e que a perspetiva de uma solução técnica seja vista como uma licença para continuar a poluir. Sara Stefanini, in Climate Home News.
  • Graves problemas de saúde causados pela ingestão de água contaminada por PFAS que escorrem de bases militares norte-americanas já tinham sido detetados e denunciados em vários estados, nomeadamente no Novo México. Chegou a vez do Colorado, pelo teclado do The NYTimes de 22 de fevereiro.
  • Os ambientalistas do Maritime Executive solicitaram ao Tribunal Distrital da Carolina do Sul o bloqueio do arranque das operações de perfuração offshore de sondagem sísmica no Oceano Atlântico alegando ter sido a aprovação do Governo para tais pesquisas a cinco empresas uma violação da Lei de Proteção dos Mamíferos Marinhos, da Lei de Espécies em Perigo e da Lei Nacional de Política Ambiental. Entretanto, 16 comunidades costeiras da Carolina do Sul e a Câmara do Comércio de Pequenas Empresas da Carolina do Sul também instauraram uma ação judicial no Tribunal Federal de Charleston para impedir a atividade sísmica. JE do Mar.
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Mão pesada

A Southern California Gas Co. vai indemnizar a cidade de Los Angeles em 120 milhões de dólares para compensar danos causados por explosão de depósito de metano de Aliso Canyon em 2015. AP.
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Bico calado


O Tribunal Internacional de Justiça de Haia proferiu uma sentença que diz que a autoridade colonial britânica sobre as Ilhas Chagos não é legal. John Pilger, cujo filme "Roubando uma Nação", de 2004, alertou grande parte do mundo para a situação dos ilhéus, conta a sua história.

No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, o governo britânico de Harold Wilson expulsou toda a população das Ilhas Chagos, uma colônia britânica no Oceano Índico, para dar lugar a uma base militar americana em Diego Garcia, a maior ilha. Secretamente, os americanos ofereceram um submarino nuclear Polaris como pagamento pelo uso das ilhas. O negócio conseguiu manter-se secreto durante 20 anos.
As Ilhas Chagos eram um paraíso natural. Os 1.500 ilhéus eram autossuficientes com uma abundância de produtos naturais, e o clima extremo era raro. Havia aldeias prósperas, uma escola, um hospital, uma igreja, uma estrada de ferro e um modo de vida tranquilo - até que em 1961 se verificou a deportação de toda a população de Diego Garcia. As expulsões começaram em 1965. As pessoas foram levadas para o porão de um navio enferrujado, as mulheres e crianças forçadas a dormir sobre uma carga de guano. Foram despejados nas Seychelles, onde foram mantidos em celas de prisão, depois enviados para as Ilhas Maurícias, onde foram levados para um conjunto habitacional abandonado sem água e eletricidade.
Vinte e seis famílias morreram aqui em extrema pobreza, houve nove suicídios e as meninas foram forçadas a prostituir-se para sobreviver.
O despovoamento do arquipélago foi concluído em 10 anos e Diego Garcia tornou-se uma das maiores bases dos Estados Unidos, com mais de 2.000 soldados, duas pistas, 30 navios de guerra, instalações para submarinos nucleares e uma estação de espionagem satélite. O Iraque e o Afeganistão foram bombardeados a partir do antigo paraíso. Após o 11 de setembro, os inimigos assumidos da América foram "processados" aqui e há evidências de que foram torturados.
Chagos permaneceu todo este tempo uma possessão britânica e o seu povo uma responsabilidade britânica. Depois de se manifestarem nas ruas das ilhas Maurícias em 1982, cada ilhéu exilado recebeu uma compensação do governo britânico inferior a 3.000 libras.
Quando os arquivos do Ministério dos Negócios Estrangeiros foram descobertos e desclassificados, esta história sórdida foi denunciada. Um dos arquivos foi intitulado "Mantendo a ficção" e instruia as autoridades britânicas a mentirem que os ilhéus eram trabalhadores itinerantes, e não uma população indígena estável. Secretamente, as autoridades britânicas reconheceram que estavam abertas a "acusações de desonestidade" porque planejavam manipular os factos.
Em 2000, o Supremo Tribunal de Londres considerou as deportações ilegais. Em resposta, o governo trabalhista de Tony Blair invocou a Prerrogativa Real, um poder arcaico investido no "Conselho Privado" da Rainha, que permite ao governo contornar o Parlamento e os tribunais. Desta forma, o governo esperava que os ilhéus pudessem ser impedidos de voltar para casa.
O Supremo Tribunal voltou a julgar que os nativos de Chagos tinham o direito de regressar e, em 2008, o Ministério dos Negócios Estrangeiros recorreu para o Supremo Tribunal. O recurso foi bem-sucedido apesar de não ter sido produzida nenhuma nova prova.
Em 2010, o governo britânico procurou reforçar isto estabelecendo uma reserva natural marinha à volta das Ilhas Chagos. O truque foi denunciado pelo WikiLeaks, que publicou um boletim diplomático da embaixada dos EUA de 2009 que dizia: "Estabelecer uma reserva marinha poderia ser a forma mais eficaz de evitar que qualquer um dos antigos habitantes das ilhas Chagos ou seus descendentes lá se estabelecessem.
O Tribunal Internacional de Justiça decidiu agora que o governo britânico da época não tinha direito legal de separar as Ilhas Chagos das ilhas Maurícias quando concedeu a independência das Ilhas Maurícias. O tribunal, cujos poderes são consultivos, disse que o Reino Unido deve acabar com a sua autoridade sobre as ilhas. Pode-se dizer que isto certamente torna a base norte-americana ilegal.
É claro que a luta incansável dos nativos de Chagos e seus apoiantes só acabará quando o primeiro ilhéu for para a sua casa.
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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O Carnaval também se esverdeia


  • Esta boca-de-incêndio esteve a jorrar água mais de 3 dias seguidos na rua da Aldeia Nova, em Esmojães, Espinho. Uma vizinha fartou-se de comunicar a avaria ao serviço de águas da Câmara. Como o problema se mantinha há muito tempo, Celeste Couto denunciou-o numa rede social
  • Ovar esverdeia o seu Carnaval. Para reduzir o volume de resíduos plásticos produzidos durante o evento, a autarquia local comprou 60 mil copos por 15 mil euros. Vai vendê-los a 50 cêntimos cada, com 100% de lucro. Para a autarquia, estes copos de plástico já são sustentáveis, amigos do ambiente, e verdes porque são reutilizáveis, recicláveis e, imaginem, colecionáveis. Mas Ovar não é original nem pioneira. Torres Vedras faz o mesmo. Loulé também. Só que lá cada copo desses especiais vai custar 1 euro. Ao divulgar o milagre ambiental, a Sábado sobe a fasquia do greenwash escondido com rabo de fora: ilustra a notícia com imagem de dois copos de cerveja descartáveis.
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Reflexão – Glifosato contamina Portugal


Há contaminação generalizada de glifosato em Portugal, alerta a Plataforma Transgénicos Fora do Prato com base em análises levadas a cabo em julho e outubro de 2018. 
«Os resultados, quando comparados com outros países europeus, mostram uma diferença preocupante: enquanto que na média de 18 países se verifica que 50% das amostras estão contaminadas, as duas rondas de testes em Portugal estavam acima desse valor – e em outubro a contaminação foi detetada em 100% das amostras.

O glifosato é o herbicida mais usado em Portugal e causa cancro em animais de laboratório, estando classificado pela Organização Mundial de Saúde como carcinogéneo provável para o ser humano. Embora a Comissão Europeia tenha chegado a conclusão diferente, informações recentes mostram que essa avaliação científica resultou de graves conflitos de interesses, ao ponto de plagiar sistematicamente os pontos de vista da indústria. 
Segundo Alkexandra Azevedo, coordenadora da campanha Autarquias Sem Glifosato/Herbicidas, análises em águas superficiais na bacia do rio Douro revelam contaminação 70 vezes acima do limite máximo legal. 

Embora as investigações da Plataforma Transgénicos Fora não permitam retirar conclusões definitivas, o peso das evidências não pode ser ignorado. Aliás, em 2016 a Plataforma já denunciara a situação portuguesa como preocupante, mas os responsáveis governamentais teimam em não tomar quaisquer medidas no sentido de fazer reduzir o uso dos herbicidas à base de glifosato.
Por isso, a Plataforma Transgénicos Fora apela ao Governo Português para:

  • Lançar um estudo abrangente sobre a exposição dos portugueses ao glifosato.
  • Proibir a venda de herbicidas à base de glifosato para usos não profissionais.
  • Tornar obrigatória a análise ao glifosato na água de consumo.
  • Acabar com o uso de herbicidas sintéticos na limpeza urbana.
  • Apoiar os agricultores na transição para uma agricultura pós-glifosato nos próximos anos.


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ONU: A degradação dos solos e a redução da biodiversidade ameaçam a segurança alimentar humana


  • Um indivíduo passeia na praia de Lendas, em Creta. Vê uma tartaruga asfixiando, enredada em resíduos de rede de pesca. Com um canivete corta fios e liberta a tartaruga, que prossegue viagem. Greek Reporter. Video.
  • Cidadãos desfilaram em 44 cidades russas, de Kazan a Chelyabinsk e de São Petersburgo a Krasnoyarsk, para apoiarem os protestos em Shies contra um aterro para a deposição dos resíduos da região de Moscovo para o qual não houve licenciamento. A lei que obrigava cada região a ter a sua própria operadora de resíduos foi alterada, o que exigiu a construção de 11 novos aterros. No ano passado, o governador regional Igor Orlov pediu um referendo sobre o lixo e indicou que a empresa “EcoCenter” seria a operadora local. A EcoCenter pertence ao grupo “Cidade Limpa”, envolvida numa série de escândalos na região de Volgogrado, onde alguns funcionários públicos foram acusados de aceitar suborno para escolher a operadora regional de resíduos. Ainda decorriam as reuniões públicas e as obras já tinham avançado. A votação acabou por ser uma farsa com a região arrebanhando estudantes uzbeques para promoverem o projeto nas redes sociais. A população local conseguiu anular o voto devido à evidente fraude eleitoral. Apesar disso, o projeto avançou, sem acordo local, documentação ou licenças legais. Para piorar a situação, o lixo local deixou de ser recolhido. The Barents Observer.
  • 30 mil litros de água foram roubados de um icebergue em Port Union, na província de Terranova e Labrador, informa a polícia canadiana, que calcula o valor do roubo entre6 e 8 mil euros. A água é de rara pureza e é vendida a clientes gourmet, sendo também usada no fabrico de ce3rveja e cosméticos. El País.
  • A britânica Skanreg atua como posto avançado formal de um pequeno paraíso fiscal caribenho e facilita um dos negócios mais mortíferos do mundo - o abate de navios tóxicos nas praias do sul da Ásia como o Bangladesh, a Índia e o Paquistão, cobrando taxas lucrativas para o registro de navios. The Independent.
  • Uma tribo colombiana Siona pede ação contra os graves problemas de saúde causados pela água do rio Piñuña Blanco (afluente do Putumayo, que desagua no Amazonas) contaminada pela petrolífera britânica Amerisur Resources que opera na região. A licença para despejar efluentes da exploração no Mansoya, que desagua no Piñuña Blanco, foi concedida pelo Ministério do Ambiente da Colômbia em 2009. The Guardian.
  • Centenas de indígenas manifestaram-se no leste da Índia para protestar contra uma ordem de despejo de mais de um milhão de famílias acusadas de invadir e ocupar terras de florestas. Diz-se que os governos federal e estadual distribuíram terras durante décadas aos povos indígenas e cederam à pressão das mineradoras nos estados de Odisha, Jharkhand e Chhattisgarh. Estes três estados albergaram uma rebelião maoísta ou naxalita, que combateu as forças de segurança por terras e recursos minerais em áreas de floresta virgem. Reuters.
  • O primeiro estudo da ONU sobre os sistemas naturais que sustentam a dieta humana, concluiu que a diminuição da biodiversidade está a afetar a capacidade da Terra de produzir alimentos. A nossa comida, diz, está sob “ameaça severa”. O relatório conclui que 20% da superfície da Terra com vegetação tornou-se menos produtiva, e o que está a crescer nela está perto de ser eliminado. O relatório relembra a fome da batata na Irlanda e a quebra de colheita de cereais nos EUA no século XX, e prevê situações semelhantes no suturo. Via The Guardian.
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Bico calado

  • O ex-presidente da Câmara Municipal de Barcelos (Fernando Reis, PSD) está a ser julgado por alegado conluio com os privados a quem foi concedida a exploração da água e saneamento do município, a Águas de Barcelos, um consórcio da Somague e da ABB. O negócio foi ruinoso para o município porque, segundo a acusação, deduzida pelo Ministério Público do Departamento Central de Investigação e Ação Penal, houve violação dolosa de regras de contratação pública, não tendo sido ponderados os custos e sem fazer qualquer estudo de viabilidade. Sapo24.
  • «Ao chegar ao governo com um acordo com PCP e BE, António Costa conseguiu domar a esquerda, o que é extraordinário, e Bilderberg está-lhe agradecido. Bilderberg nunca teve tanto poder em Portugal.» Frederico Duarte Carvalho, ao i.
  • A secretária executiva de Meio Ambiente de Alfenas, Kátia Regina Alvarez Rodrigues, foi presa suspeita de desacato e coação de testemunhas na sequência da apreensão do seu carro numa operação da Polícia Militar. Não é a primeira vez que a secretária tem problemas com a polícia. Em 2017, foi levada para a delegacia suspeita de desviar combustíveis da prefeitura, pagando fiança de R$ 3 mil e respondendo o processo em liberdade. Globo.
  • Quem inventou a mentira de que o ministro Ricardo Salles estudou em Yale? The Intercept.
  • Um menino francês de cinco anos, não vacinado, que viajou de férias com pais para a Costa Rica é suspeito de reintroduzir o sarampo naquele país. DW.
  • «Para demonstrar a razão que assiste ao senhor Presidente da República, segue-se uma lista ordenada de portugueses de grande merecimento que, por causa dele e apenas dele, ocuparam cargos de elevada responsabilidade no governo de Portugal. A lista começa em 1604, com João IV e Luísa de Gusmão, terminando em 1999 com Dinis, Duque de Bragança. Pelo meio, toda uma genealogia do mérito.» Bruno Santos, in Aventar.
  • «Exemplar entrevista de José Gomes Ferreira a Carlos Costa. Exemplar, da parte do jornalista; exemplar de desfaçatez, da parte do governador. Da sua passagem pela administração da Caixa, é simples: não participou em nenhuma reunião de concessão de crédito, a não ser para compor quórum; não se envolveu em áreas de risco; não acompanhou clientes; e, presume-se (não o disse) nunca olhou para as contas das imparidades. Que terá ele estado lá a fazer? Uma coisa fez: comprou, por acaso através dos serviços comerciais da Caixa, um monte alentejano que, por acaso também, estava à venda através desses serviços, e que, por acaso, pertencia ao também administrador Armando Vara, mas de quem, por acaso, não é amigo.»  Miguel Sousa Tavares, in Jogos infantis: uns inúteis, outros perigosos – Expresso 23fev2019.
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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Programas Regionais de Ordenamento Florestal não reduzem eucaliptal

  • Programas Regionais de Ordenamento Florestal ignoram recomendações do Observatório Técnico Independente e não reduzem área de eucaliptal conforme aprovado em Lei na Assembleia da República, titula o JN.
  • Prevê-se que os Estados membros da União Europeia capturem em 2019 peixe no Atlântico Nordeste acima dos limites aconselhados pelos cientistas. Reino Unido, Dinamarca, Alemanha, Irlanda, Holanda e Suécia lideram as ultrapassagens. Via PONG-Pesca.
  • A Noruega vai pagar cerca de 20 milhões de dólares à Indonésia pelos cortes nas emissões de carbono após uma queda dramática na desflorestação registada em 2017 e continuará a pagar mais se a tendência se mantiver. The Straits Times.
  • O governo dos EUA concluiu as negociações com a Califórnia sobre as intenções de reverter as regras de economia de combustível, diz a Reuters. Segundo peritos na matéria, prevê-se uma longa batalha legal sobre a capacidade do Estado para regular as emissões dos veículos. A administração Obama tinha autorizada a Califórnia a estabelecer padrões mais rigorosos do que as regras federais, mas agora a EPA quer revogar essa exceção, alegando que a Califórnia não deve "ditar" a política para o resto do país. Refira-se que 13 estados seguem os padrões da Califórnia para carros vendidos nos seus territórios, o que representa cerca de 40% do mercado de veículos dos EUA.
  • O governo australiano pediu à China esclarecimentos sobre a suspensão, por parte de um porto chinês, das importações de carvão australiano. Embora as autoridades chinesas tenham alegado não ter havido motivos políticos para a ocorrência, alguns observadores não descartam a hipótese de esse bloqueio ter sido acionado como retaliação pelo facto de a Austrália ter proibido a Huawei de operar as suas redes 5G no seu território. BBC.
  • «O mundo não sabe o suficiente para decidir se a geoengenharia solar deve ser usada para combater as alterações climáticas», escreve Janos Pasztor, diretor executivo da Carnegie Climate Geoengineering Governance Initiative e ex-assessor sobre alterações climáticas da ONU. Uns defendem a «injeção estratosférica de aerossóis» - a pulverização da estratosfera com partículas para refletir a luz solar, reduzindo assim a temperatura do planeta Terra. Os adversários rejeitam isso por ser uma solução técnica perigosa. «Os riscos da aplicação não governada são muito altos», alerta Pasztor, concluindo: «Ainda temos algum tempo, mas talvez não tanto quanto gostaríamos de pensar. A profunda crise climática pressiona-nos a tomar decisões difíceis. Precisamos de coragem para as enfrentar.» Chathan House.
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Memórias curtas

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Bico calado

  • «Das 92 eleições que monitorizamos, eu diria que o processo eleitoral na Venezuela é o melhor do mundo», afirmou o antigo presidente dos EUA Jimmy Carter em Atlanta. «Pelo contrário, temos [nos EUA] um dos piores processos eleitorais do mundo, e quase tudo por causa do influxo excessivo de dinheiro», acrescentou. A Venezuela desenvolveu um sistema de votação em écrã tátil totalmente automatizado, usando a tecnologia de reconhecimento de impressões digitais e imprime um recibo para confirmar as escolhas dos eleitores. Global Research.
  • «(…) Segue-se uma lista cronológica de obstáculos específicos enfrentados pela Venezuela: Abril de 2016: Instituições financeiras começam a deixar de receber pagamentos em dólares de instituições venezuelanas; Maio de 2016: Commerzbank Bank (Alemanha) fecha contas bancárias venezuelanas e da PDVSA; Julho de 2016: o Citibank fecha contas correspondentes de instituições e bancos venezuelanos, incluindo o Banco Central da Venezuela. O fecho das contas correspondentes reduz a capacidade de efetuar pagamentos em dólares, impondo custos adicionais para realizar transações em outras moedas; Agosto 2016: o Banco Novo de Portugal proíbe transações com bancos e instituições venezuelanas; Julho de 2017: a empresa Delaware, agente de pagamento da PDVSA, recusa-se a receber fundos da companhia petrolífera venezuelana; Julho 2017: o Citibank recusa-se a receber fundos venezuelanos para importar 300.000 doses de insulina; Maio de 2017: empresas de origem russa, empreiteiras encarregadas de elaborar a cadeia de blocos Petro utilizando o código NEM, desistem de continuar com o contrato argumentando razões de força maior após terem sido pressionadas pela Security Exchange Commission dos Estados Unidos; Agosto 2017: Os bancos chineses informam que não podem realizar operações em moeda estrangeira em favor da Venezuela devido à pressão do Departamento do Tesouro dos EUA, e a Rússia relata a impossibilidade de realizar transações com bancos venezuelanos devido à restrição dos bancos correspondentes dos EUA.; Agosto de 2017: o banco correspondente do banco chinês BDC Shandong paralisa durante três semanas uma transação de 200 milhões de dólares sacados pela China; Agosto de 2017: devido à pressão da OFAC, a empresa Euroclear retém 1.200 milhões de dólares sem possibilidade de mobilização; Outubro 2017: o Deutsche Bank fecha as contas correspondentes do Citic Bank chinês para processar pagamentos da PDVSA, o que demonstra a pressão sobre a banca internacional; Outubro 2017: A entrada de vacinas no país é adiada por quatro meses porque o bloqueio dos EUA torna impossível fazer pagamentos ao banco suíço UBS; Novembro 2017: a Venezuela faz pagamento para comprar primaquina e cloroquina (para tratamento antimalárico), solicitado ao laboratório médico da BSN na Colômbia. O governo colombiano bloqueia a entrega de medicamentos; Novembro 2017: o Deutsche Bank, principal correspondente do BCV, encerra definitivamente as contas correspondentes desta instituição; Dezembro de 2017: foram devolvidos 29,7 milhões de dólares de bancos na Europa para pagamento a fornecedores de alimentos através do programa alimentar CLAP. Também nesse mês, as autoridades colombianas impediram a transferência para a Venezuela de mais de 1.700 toneladas de perna de porco; Maio de 2018: o pagamento de 9 milhões de dólares para a compra de material de diálise foi bloqueado; Novembro 2018: A partir deste mês, o Banco da Inglaterra reteve 1,2 bilhão de dólares que o governo venezuelano havia depositado nessa entidade.» Francisco Tavares, in A viagem dos argonautas.
  • «A estratégia de dois pesos e duas medidos é uma característica bem conhecida da política interna e externa dos EUA. Washington apregoa os slogans da democracia e da liberdade, mas na prática é completamente contrário a esses slogans. Os slogans são usados apenas para controlar outros estados. Quando a democracia está de acordo com os interesses estratégicos e económicos dos EUA, ela favorece e permanece ao seu lado. Quando a democracia está em conflito com os seus interesses, o seu valor torna-se menor, negligenciado e desconsiderado. Isto é evidente se considerarmos a política dos EUA tanto no Iémen como na Venezuela. Lida com os dois países em nome da democracia com uma contradição que denuncia Washington e revela o seu lado mau dia após dia. Revela também a sua falsa democracia e o facto de não apoiar a vontade do povo e não apoiar os direitos humanos.» AMN.
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

Reino Unido: professores e alunos unidos pelo Clima

  • Os professores britânicos vão juntar-se aos alunos em greve com um protesto para exigir que o currículo nacional seja reformado para tornar a crise climática e ecológica uma prioridade educativa. The Guardian.
  • A Igreja Católica agendou um Sínodo para outubro, uma reunião em que bispos e padres (e uma freira) dos nove países amazónicos da América Latina discutirão questões ambientais, indígenas e de alterações climáticas. O governo de Jair Bolsonaro considera a iniciativa um ataque à soberania nacional por parte de uma igreja progressista. Para mostrar sua oposição ao Sínodo da Amazónia, o governo brasileiro vai patrocinar um simpósio em Roma, um mês antes da reunião do papa, para apresentar exemplos de preocupação e cuidado do Brasil pela Amazónia. Em questão estão dois pontos de vista opostos: a Igreja Católica, sob o Papa Francisco, vê a si mesma e a todas as nações como mordomos da Terra e de povos indígenas e tradicionais menos privilegiados. Bolsonaro e muitos dos seus aliados ruralistas e evangélicos vêem a Amazónia como um recurso a ser usado e desenvolvido livremente pelos homens. Mongabay.
  • Um ativista ambiental mexicano foi assassinado antes de um referendo sobre uma polémica central termoelétrica e oleoduto que ele combatia. Samir Flores Soberanes, um indígena Náhuatl, foi morto em sua casa na cidade de Amilcingo, no estado de Morelos, a 130 Km a sul da Cidade do México. Era um ativista de direitos humanos, produtor de uma estação de rádio comunitária e opositor de longa data do Proyecto Integral Morelos, que inclui a central e o oleoduto. The Guardian.
  • Todos os dias, muitos milhões de galões de água contaminada com arsénico, chumbo e outros metais tóxicos fluem de alguns dos locais de mineração mais contaminados dos EUA para córregos e lagoas adjacentes sem serem tratados. Isto está a envenenar a vida aquática e a contaminar o abastecimento de água em Montana, Califórnia, Colorado, Oklahoma e pelo menos cinco outros estados, denuncia uma investigação da Associated Press.
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Mão pesada

Baltimore processou a gigante agroquímica Monsanto, acusando-a de poluir as linhas de água e a rede de pluviais, sobretudo com PCBs. New Jersey Herald.
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Reflexão – Quando a irresponsabilidade gera o desordenamento e a morte


Uma jovem de 23 anos morreu na Calheta, na Madeira, numa derrocada que atingiu o restaurante Rocha Mar, onde trabalhava como cozinheira. A derrocada aconteceu numa extremidade da escarpa onde decorrem obras de consolidação. O proprietário do restaurante, Manuel Jardim Barbosa, não compreende por que motivo o projeto de consolidação da escarpa não incluiu também aquela área, garantindo que avisou as autoridades. 
O secretário regional do Equipamento e Infraestruturas, Amílcar Gonçalves, diz que a versão do proprietário não corresponde à verdade, porque quando foi feita a primeira intervenção, em 2012, o proprietário se opôs veementemente a qualquer intervenção na zona e obstaculizou todos os procedimentos de expropriação e de aquisição da propriedade, inviabilizando assim a intervenção na escarpa naquela área. O presidente do município pondera processar criminalmente as falsas declarações contra a câmara. 
Entretanto, o Regional Governo refuta categoricamente a hipotética relação de causa/efeito entre as obras que estão a decorrer na escarpa sobranceira ao Porto de Recreio da Calheta e a queda do bloco rochoso do último sábado, sublinhando que os trabalhos, até agora realizados, se resumem apenas a desmatações da área a intervir e à colocação de duas gruas no topo da escarpa. Apesar de previstos na empreitada, ainda não foram realizados quaisquer trabalhos de execução de pregagens ou ancoragens até ao momento, pelo que os trabalhos realizados até ao momento não contribuíram para o acréscimo de vibrações na escarpa.
Sublinhe-se que um estudo do LREC, solicitado pelo arrendatário do restaurante, fazia algumas referências às perigosidades que podiam comprometer a segurança do edifício. Isto não impediu a continuidade da sua atividade comercial. 


«Há até uma padaria que tem pneus no telhado para funcionar como amortecedor no caso de cair pedras.» diz Raimundo Quintal.
O Geógrafo diz aqui muito, muito mais sobre o (des)ordenamento do território madeirense.


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Bico calado

  • O UBS foi multado em 3,7 biliões de euros por facilitar a evasão fiscal em França e a lavagem de dinheiro. Terá ainda de indemnizar o estado francês em 800 milhões por danops diversos. Le Monde.
  • Os ex-deputados trabalhistas que agora fazem parte do Grupo Independente sempre apresentaram despesas superiores às do seu anterior líder. Uma delas, Angela Smith, tem interesses, com o marido, no negócio das águas, e, coerentemente, reprovou, enquanto ainda deputada, a renacionalização da água. Smith tem ainda interesses distribuídos por bancos, empresas de armas e petrolíferas, tendo, enquanto deputada, apoiado a fraturação hidráulica contra a orientação do partido. Chuka Umunna recebe uma boa maquia do laboratório de ideias The Progressive Centre. Seis do 8 ex deputados trabalhistas são membros do lóbi Labour Friends of Israel. The Canary.
  • Em 2010, a USAID criou a ZunZuneo, uma rede social para estimular a criação e organização de manifs expontâneas para despoletar uma primavera cubana. Tudo feito com peritos recrutados em vários pontos do globo e distribuídos por várias cidades, apoiados através de uma conta bancária no paraíso fiscal das ilhas Caimão. A Associated Press investigou e divulgou o caso, mas, entretanto, fez eclipsar o tema. O The Guardian mantém-no, com imensos pormenores.
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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Açores: Onde foi enterrado o amianto e outros contaminantes na Base das Lajes?


As imagens dos trabalhos de alegada descontaminação na Base das Lajes, no "site" 3012, - "Abestos Dump Site", onde existirão três bacias com amianto, revelam solos contaminados, molhados, a escorrer, a serem manuseados de forma pouco profissional e sem conhecimento técnico.  A opinião é do especialista em poluição, Félix Rodrigues, com base no relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) apresentado na última reunião da Comissão Bilateral entre Portugal e os EUA.
O problema ganha contornos mais gravosos quando não se sabe onde estão as bacias onde foram colocados os contaminantes, problema aliás admitido pelo LNEC.: os estudos promovidos em 2010, com recurso a prospeção geofísica, "não permitiram a definição espacial e em profundidade das áreas das presumíveis bacias de deposição".
Os materiais contendo amianto eliminados nas baciais terão sido aparentemente colocados em sacos e depositados com uma camada de solos de cobertura com 2 metros de espessura", pode ler-se no documento.
"O LNEC diz que basta remover os solos, sinalizá-los e cobri-los com vegetação que fica tudo bem, mas não fica tudo bem relativamente à sua gestão, afirma Félix Rodrigues. “Há um conjunto de poluentes variados que não foram identificados e se não foram identificados não os podemos classificar como perigosos ou não. Por outro lado, se não sabemos onde estão, qual a sua profundidade, não podemos gerir este local. É uma foram inconsequente de gerir os riscos. É que quando nós pensamos nestas questões, temos de pensar nas gerações futuras e há aqui uma ausência total de pensamento em relação a isso", considera. Diário Insular, Imagens do LNEC revelam realidade preocupante, diz Félix Rodrigues. 
Via Félix Rodrigues, FB.
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Novo México: água subterrânea contaminada devasta laticínio

  • Água subterrânea contaminada devasta um laticínio e ameaça a saúde pública. Acontece em Curry County, no Novo México, resultado do deslizamento de substâncias químicas perigosas que migraram da Cannon Air Force Base e que continuam a avançar inexoravelmente para o Ogallala Aquifer, o maior aquífero dos EUA, que se estende por 174 mil milhas e por zonas de 8 estados. O ministério da Defesa norte-americano conhecia o problema há décadas mas sempre o escondeu. Sabia que os produtos químicos PFAS são tóxicos para os seres humanos, animais e o ambiente. Em 2000, cientistas da indústria e da Agência de Proteção Ambiental tinham documentado que os compostos persistem no meio ambiente durante milénios. Eles estão ligados, entre outros problemas graves de saúde, ao cancro, doenças da tiróide, baixa imunidade e distúrbios do desenvolvimento. Pior: sabe-se agora, pelo próprio ministério da Defsa, que esses PFAS envenenaram as águas subterrâneas em pelo menos 121 instalações militares dos EUA. Até agora ninguém conhece as eventuais ações corretivas que serão tomadas por parte dos responsáveis. Searlight New Mexico e NM Political Report.
  • Um hidrólogo explica como a indústria de petróleo e gás contamina a água potável de Pavillion, em Wyoming.
  • Várias cidades da região de Kuzbass, na Sibéria, apareceram cobertas de neve enegrecida supostamente causada por uma fábrica de processamento de carvão. Aljazeera.
  • 35 thinktanks (laboratórios de ideias) baseados nos EUA, Reino Unido, Austrália e Nova Zelândia foram patrocinados para promoverem os interesses das indústrias do tabaco e dos combustíveis fósseis, revela uma investigação conduzida por David Hsu, do MIT, com base no banco de dados de desinformação do DeSmog e no banco de dados de tabaco do Guardian. DesmogUK.
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Reflexão – Porquê concentrar apenas no cidadão a responsabilidade do descarte e recolha dos resíduos de plástico?


O cartaz da ONG brasileira Mar Sem Lixo pretende consciencializar os jovens para o cuidado no descarte dos resíduos de plástico de modo a evitar que eles cheguem aos oceanos, com os impactos negativos e desastrosos que se conhecem.

Nunca será demais consciencializar os cidadãos para o grave problema dos resíduos plásticos nos oceanos. A cadeia de responsabilidades apresentada pelo cartaz está, porém, incompleta. Muito incompleta. 
A mensagem do cartaz é redutora porque concentra esta campanha de limpeza, recolha e reciclagem de plásticos apenas nos cidadãos. É notória a falta de alguém atrás dos cidadãos. É preciso não esquecer que atrás do cidadão estão as produtoras de embalagens plásticas. Sobre elas deveria ser feita igual pressão para se investigar e lançar soluções capazes de reduzir substancialmente os impactos negativos e desastrosos dos plásticos nos mares em particular e no Ambiente em geral.
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Mão pesada

  • A polícia brasileira prendeu oito funcionários da mineradora Vale SA, acusados de encobrir as deficiências na represa de Brumadinho que desmoronou e matou mais de 300 pessoas. As prisões e mandados de busca visaram funcionários da Vale, bem como a empresa de auditoria alemã TÜV SÜD, que havia certificado a barragem como estável. Reuters.
  • O ministério do Ambiente do Chile apresentou 18 acusações contra a Lumina Copper por infrações relacionadas à extração excessiva de água de poços que alimentam a sua mina de cobre em Caserones. A operadora JX Holding and Mitsui Mining poderá ser multada em 54 milhões de dólares. Reuters.
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Bico calado

  • A Unidade de Medicina Nuclear do Hospital Dr. Nélio Mendonça, paga em 85% por fundos europeus, está a funcionar em cerca de 15,%. Os doentes que necessitam de exames são encaminhados para uma empresa privada, a antiga Quadrante, hoje grupo Joaquim Chaves Saúde. A reportagem da TVI denuncia, ainda, que a Quadrantes, durante seis anos, chegou a fazer milhares de exames sem estar devidamente licenciada pela Direção Geral de Saúde.
  • 7 irmãos morreram num incêndio. Aconteceu em Halifaz, Toronto. Eram refugiados sírios. Huffington Post.
  • As autoridades de ocupação israelitas permitem que grandes empresas farmacêuticas realizem testes em prisioneiros palestiannos e árabes, revelou a Nadera Shalhoub-Kevorkian citando dados da sua investigação para projeto da Hebrew University. Já em julho de 1997 se sabia que o Ministério da Saúde de Israel havia dado às empresas farmacêuticas permissão para realizar milhares de testes de novos medicamentos em presos. MEM.
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quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Gondomar: Ministério Público pede condenações por crime ambiental em São Pedro da Cova

  • A Câmara Municipal de Aveiro prepara-se para gerir a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto. Ribau Esteves já deu um ar da sua graça. Os media dizem que ajudou a semear 1200 bolotas de várias espécies de carvalhos e a plantar outras espécies autóctones. E fê-lo sem luvas, sem botas, sem vestuário adequado à tarefa em causa. E para quê, se o que interessava era aparecer na fotografia, de frente para o sol? Fotos: Terra Nova e Diário de Aveiro.
  • O Ministério Público pede condenações por crime ambiental em São Pedro da Cova. Os responsáveis pela deposição de resíduos perigosos nas escombreiras das minas tinham, segundo o Procurador, todas as condições para saber qual a perigosidade dos resíduos, mas nada fizeram para impermeabilizar os resíduos e impedir a migração de substâncias perigosas para os lençóis freáticos, gerando-se assim a possibilidade de fazer perigar a saúde das populações. O caso remonta a 2001 e 2002 quando centenas de milhares de toneladas de resíduos industriais perigosos provenientes da Siderurgia Nacional, que laborou entre 1976 e 1996, na Maia, foram depositadas nas antigas minas de carvão de São Pedro da Cova, Gondomar. A Junta de Freguesia de São Pedro da Cova pediu uma indemnização superior a dois milhões de euros para investir na requalificação do espaço e do património mineiro. JN.
  • A Noruega está a proibir a circulação de carros no centro de Oslo. Os lugares de estacionamento estão a ser substituídas por canteiros de flores e constroem-se 60 km de ciclovias. Twitter.
  • 13 sistemas de água no estado do Michigan registam níveis elevados de chumbo,admite um relatório do Michigan Department of Environmental Quality. The Hill.
  • Durante vários anos, a cientista climática Maria Caffrey liderou um estudo pioneiro descrevendo os riscos da subida do nível dos mares nos parques nacionais dos EUA. Acaba de ser dedspedida, por ter resistido às pressões das autoridades federais para remover do seu relatório científico todas as referências às causas humanas das alterações climáticas. Reveal.
  • Porque é que uma pasta de dentes é vendida dentro de uma embalagem inútil? Assine a petição.
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Bico calado

  • «Vice-presidente do Partido Aliança sob suspeita. Em causa está a alegada construção ilegal da casa de família e o pagamento de pareceres jurídicos [50 mil euros] com dinheiro da autarquia em benefício próprio. Carlos Pinto deixou a liderança da autarquia em 2013 e é agora um dos vice-presidentes do Partido Aliança, fundado por Pedro Santana Lopes. SIC.
  • «O antigo Pavilhão Atlântico custou 60 milhões de euros aos contribuintes, mas foi entregue por um terço desse valor ao genro de Cavaco Silva, numa negociata que envolveu o “Dono Disto Tudo”, Ricardo Salgado. Cristas tem noção de que este assunto pode mesmo arruiná-la, pois está a ser investigada pela Procuradoria-Geral da República. Foi neste contexto que subitamente surgiu a moção de censura, um dia após a reportagem ter sido transmitida.» Uma Página numa Rede Social.
  • A Cristas deve estar com as orelhas a arder a propósito do caso do Pavilhão Atlântico. Tubo de Ensaio/TSF 18fev2019.
  • Conselheiros do governo britânico receberam contratos no valor de milhões de libras em projetos nucleares fracassados, apesar de em alguns casos também assessorarem as empresas por trás desses mesmos projetos, conta o insuspeito The Times.
  • A Westmoreland Coal Co. faliu e a mina de Kemmerer, em Lincoln Country, Wyoming, vai ser vendida em leilão. Os mineiros vão para o desemprego e perdem os seus seguros de saúde. Common Dreams.
  • Empresas indonésias devem pelo menos 1,3 bilião de dólares em multas não pagas por danos ambientais causados por desflorestação generalizada e incêndios fatais ligados a dezenas de milhares de mortes prematuras, revela a Greenpeace com base em dados oficiais. AFP.
  • Relatórios sigilosos revelam como a maior fabricante mundial de dispositivos cardíacos fraudou licitações e estimulou cirurgias desnecessárias no Brasil durante 20 anos. Publica.
  • Ilhan Omar entrou em choque com o recém-enviado à Venezuela, Elliott Abrams, durante uma audiência na Comissão de Relações Externas da Câmara dos Representantes, discutindo o papel dos militares americanos na América Central. Abrams, colaborador do Departamento de Estado na administração Reagan, enfrentou várias acusações por mentir ao Congresso e violar a lei dos EUA como mentor do desastre Irã-Contra. A sua desonestidade destruía a presidência de Ronald Reagan através de um impeachment iminente. Abrams foi autorizado a declarar-se culpado por duas acusações reduzidas e mais tarde foi perdoado por George H.W. Bush, que temia o impeachment por causa do seu papel no Irã-Contra. Via MintPress.
  • Dois executivos da empresa que fretou o avião dos EUA que foi apanhado a contrabandear armas para a Venezuela foram referenciados a uma empresa de carga aérea que ajudou a CIA na entrega de alegados terroristas a centros de “locais negros” para interrogatórios. A revelação ocorre quando o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, rejeitou um comboio de "ajuda humanitária" dos EUA, por temer que possa conter armas destinadas a armar a oposição do país apoiada pelos EUA. MintPress.
  • «(…) Nunca ninguém se interroga por que razão nunca houve nada de parecido com a Operação Marquês ao longo dos extensos 48 anos de ditadura? Não havia corruptos nos altos lugares da nação? Não havia corruptos na União Nacional? Nenhum general, embaixador, deputado à Assembleia Nacional, ministro ou secretário de Estado, comandante da Legião ou graduado da Mocidade Portuguesa, nenhum governador colonial, bispo, “meteu a mão na massa”? Ou houve casos de corrupção que a Censura não nos deixou conhecer? Sem dúvida, como se vê nos cortes da Censura, do mesmo modo que escondia a pedofilia, as violações, os roubos, as violências, os suicídios. Mas a resposta é pior ainda: não havia corrupção porque não havia justiça para os poderosos do regime, e a pouca que havia era para os escalões intermédios para baixo. E, por isso, a corrupção entre os grandes da Situação, fossem políticos, com a mais que comum transumância da política para os negócios, decidida quase sempre pelo próprio Salazar, fossem os banqueiros e empresários do regime, estavam naturalmente protegidos porque ninguém sequer se atrevia a iniciar um inquérito. A excepção com os “ballets roses” foi um caso de costumes, e mesmo assim fortemente protegido pela Censura. Sim, meus caros “anti-sistémicos”, o Portugal ideal com que têm uma não-nomeada simpatia, era um regime profundamente corrupto e onde se escapava à punição muito mais eficazmente do que na democracia. A verdade é que, por muita malfeitoria que exista, os regimes democráticos são muito menos corruptos do que as ditaduras, ou os “paraísos anti-sistémicos”.» José Pacheco Pereira, in Chamar à democracia "sistema" e depois ser contra o "sistema" - Público 16fev2019.
  • «(…) A escola em causa é uma das três básicas de um agrupamento de um bairro de Lisboa. São três e aquela é a única que tem "os ciganos". É "a escola dos ciganos". Como é que uma mãe poderia querer que o seu filho fosse para "a escola dos ciganos"? Há aquela outra em que pais e mães se desunham para conseguir moradas - "funciona como uma privada" - e há a outra, a do meio, que é assim mais ou menos, mas não tem ciganos. Ninguém quer ir para "a escola dos ciganos". O rótulo está dado, o retrato está feito, ponto final parágrafo. É preciso entrar nos portões da escola em causa para perceber o que se passa lá dentro. Porque podemos entrar, essa é a primeira vantagem. O recreio é gigantesco, tem árvores que se pode trepar (bom, às vezes não, diz-me o pequeno que gosta de se esconder no meio das folhagens), tem um campo de basquetebol e outro de futebol, tem um relvado, tem um baloiço de pneu. Tem filhos de professores universitários, de jornalistas, de economistas, de geólogos, tem meninos sem pai nem mãe que vêm de uma instituição próxima, tem sotaques brasileiros, franceses, chineses. Tem professores homens e mulheres, tem professores brancos e negros. Tem pais que ajudam a tratar da horta - as alfaces já brotam e custam 20 cêntimos -, outros que tomam conta da biblioteca e desenham sereias às amigas que aparecem sempre juntas. O diretor reúne-se com os representantes das turmas para saber como se pode resolver os problemas da escola - eles têm entre 6 e 10 anos e, por isso, excelentes soluções. Na festa de final do ano juntamo-nos todos. Altos, baixos, magros, gordos, ricos, remediados, pobres, brancos, negros, indianos, chineses, ciganos. Nesta escola somos todos e por isso acredito que somos mais por causa disso. Que pena não haver um ranking para medir isto.» Rita Ferreira, in A "escola dos ciganos" está em que lugar no ranking?DN 16fev2019.
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sábado, 16 de fevereiro de 2019

Açores: para onde foi a terra contaminada da Base das Lajes?


«Desconhece-se, neste momento, o paradeiro das terras contaminadas da Base das Lajes. O alerta é do investigador Félix Rodrigues, que se pronuncia sobre o relatório de acompanhamento, produzido pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), aos trabalhos nos locais alegadamente já descontaminados na Base das Lajes.

"É estranho. Este é um local que os EUA consideravam extremamente perigoso e o próprio LNEC entendia que deveria ser interditado, por conter materiais muito preocupantes, como o PCB (bifenilospoliclorados), cancerígeno e altamente tóxico. Por outro lado, é um dos locais onde há contaminação cruzada, isto é, foram lá identificados, também, pesticidas - e não me venham dizer que a culpa é dos lavradores da ilha Terceira, que foram lá despejá-los", atenta.
Ora, segundo o especialista em poluição, no "site" 2009 - também conhecido por "Transformer Yard", onde durante mais de 35 anos foram armazenados e drenados transformadores - as terras contaminadas alcançavam uma profundidade de três metros. Isso significa, entende, que a ter havido alguma descontaminação, ela implicaria a remoção de um "volume enorme" de solos.

(…) Os relatórios norte-americanos sobre a contaminação resultante da ação militar na Base das Lajes indicavam, no "Transformer Yard", a existência de cerca de 12 mil miligramas de hidrocarbonetos totais de petróleo (HTP) por cada quilo de solo. Segundo Félix Rodrigues, sem as devidas ações de descontaminação (remoção e incineração de solos e biorremediação), não pode dizer-se que os contaminantes não possam passar, efetivamente, para os aquíferos e, assim, causar perigo à população.
"O LNEC não se preocupa em saber se a descontaminação foi feita como mandam as regras. É necessário, é obrigatório, saber para onde foram estas terras. Estes contaminantes, o PCB, são responsáveis por problemas oculares graves, por cancros do fígado, por deformações dos fetos", sublinha. (…)» 

in Diário Insular, "Site 2009, considerado extremamente perigoso, tapado com asfalto: Desconhecido paradeiro das terras contaminadas". Via Félix Rodrigues, FB.
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Benefícios fiscais para limpeza e gestão da floresta

  • A portaria do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural determina que os proprietários e as empresas podem receber descontos nos impostos se apresentarem custos com a abertura e a melhoria das faixas de gestão de combustível e com a elaboração de planos de gestão da floresta - por exemplo, serviços de consultoria e despesas de certificação florestal. TSF.
  • Espanha e Marrocos assinaram um Memorando de Entendimento para construir um terceiro cabo de interconexão elétrica entre os dois países, o que permitirá a integração no sistema europeu de energia renovável de Marrocos. Energías Renovables.
  • A União Europeia e outros nove países, - Canadá, China, Dinamarca, EUA, Islândia, Japão, Coreia do Sul, Noruega e Rússia -, aprovaram um acordo que proíbe, durante 16 anos, embarcações comerciais de pescar no Ártico para preservar o frágil ecossistema da região. EURactiv.
  • Mais de dois mil noruegueses pediram ao governo para suspender o avanço do projeto de uma mina de cobre em Repparfjord, na costa do Mar de Barents, sob pena de lançarem ações de desobediência civil para travar o que consideram ser uma barbaridade para o ecossistema local. O projeto da mineira Nussir prevê extrair cobre para painéis solares, aserogeradores, carros elétricos e baterias, devendo os rejeitos ser depositados no fundo do fiorde. Acontece que este fiorde consta da lista de sítios protegidos por ser berço de importantes estoques de salmão, bacalhau, escamudo e arenque, entre outros, que veriam a sua sobrevivência extremamente ameaçada perante despejos de metais pesados equivalentes a 17 camiões por hora de produção. The Barents Observer.
  • Greve às aulas pelo Clima – agora também no Reino Unido. The Guardian.
  • Representantes dos três partidos da oposição na parlamento canadiano criticaram o tratamento dado pelo governo a Louis Robert, um especialista em sementes com 32 anos de experiência no Ministério da Agricultura que foi demitido no mês passado depois de denunciar a pressão do setor privado na pesquisa de pesticidas no sentido de os cientistas evitarem divulgar descobertas que demonstram que os neonicotinóides, - uma classe de inseticidas -, são prejudiciais para as abelhas e outros insetos polinizadores. CBC.
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Bico calado

  • Cavaco, Cristas e outros à pega no nebuloso negócio da venda do Pavilhão Atlântico a um genro muito especial. TVI24.
  • «(…) Se aceitarmos que o objectivo primário deste negócio é o lucro, ou não seria um negócio, ninguém se surpreenderá que o resultado do primeiro acto médico de uma consulta nestes hospitais seja habitualmente a realização de uma larga bateria de exames médicos, seguidos de outra consulta para os analisar – o seguro paga. Ou que o tratamento de doenças, como cancro, com recurso a medicamentos inovadores seja interrompido logo que o plafond do seguro esteja esgotado, encaminhado os doentes para o SNS, sem garantir a continuidade do tratamento e sem possibilidade de se concluir quanto à eficácia do tratamento. Ou, ainda, que o serviço de urgências tenha mais recepcionistas a atender os doentes do que médicos – especialmente em urgências menos frequentes, nas quais é necessário chamar o médico de prevenção, deitando por terra o conceito de urgência. Afinal de contas, uma urgência que acontece poucas vezes não paga o médico de serviço. E não sendo frequente, a probabilidade de alguém morrer enquanto se espera que o médico de prevenção chegue ao hospital também é baixa. Portanto, está tudo bem. É isto, não é? (…)» Manuel Cordeiro, in Os hospitais privados e a ADSE - Aventar.
  • «Nos idos de 2005, Pedro Santana Lopes apresentou-se aos eleitores para discutir o seu caótico mandato de cinco meses e meio à frente do governo com um hino no qual se dizia: “Um homem também chora/ Também deseja colo/ Precisa de carinho/ Precisa de ternura/ Precisa de um abraço/ Da própria candura”. Quase quinze anos depois, já se viu que Pedro Santana Lopes terá tudo aquilo por que então choramingou: carinho, ternura, um abraço e, sobretudo, muito muito colo. Os noticiários e os diretos deste fim-de-semana a partir do congresso do seu novo partido estão aí para o provar. Pedro Santana Lopes será levado ao colo pela comunicação social até às eleições europeias e legislativas. (…) Precisamente porque o objetivo de Pedro Santana Lopes é acrescentar zero novidade à política portuguesa, nada poderia ser mais reconfortante para uma boa parte do jornalismo português. Os humanos são seres narrativos, e os media vivem de vender aos humanos uma história (ou aos clientes que compram publicidade os minutos de atenção dos humanos que seguem essa história). É assim que as coisas são em qualquer lado do mundo. Mas em Portugal acrescenta-se um aspecto decisivo: é preciso que essa história seja sobre nada. Que não dê trabalho a escrever. Que a papinha já esteja feita. Que não seja necessário aprender novos termos, descrever novos procedimentos, falar com gente nova, comparar com o que acontece noutros países (…) Que não tenha consequências. Que não afronte interesses ou poderes estabelecidos. Que venha de um lugar com o qual os anos de habituação deram origem a boas relações. Que os seus adversários estejam tão exangues e desorientados que não sejam capazes de reagir, de forma a que não se percam amizades nem fontes nem bons contactos nem se zanguem pessoas. Pedro Santana Lopes, neste momento, dá tudo isto. E por isso terá da comunicação social todo o colo que desejar. (…) Há cinco anos, para as eleições europeias, a cobertura da campanha eleitoral foi estritamente zero, porque as televisões não estiveram interessadas em cumprir o espírito da lei que dava igualdade de cobertura a todas as candidaturas. Assim sendo, cumpriram a letra da lei: toda a gente teve direito a zero debates entre os candidatos nas televisões — o que não incomoda nada os partidos estabelecidos, que têm dinheiro de todos nós para encher o país de cartazes panorâmicos, os caríssimos outdoors. A seguir, para as legislativas, os partidos parlamentares entenderam-se para mudar a lei de cobertura das campanhas eleitorais numa discreta última votação antes das férias, e assim cartelizaram não só os debates, como também as entrevistas (até em programas humorísticos houve direito a três rondas entre os partidos parlamentares, e zero comparências para partidos “emergentes”, não fossem as assessorias de imprensa dos partidos parlamentares zangar-se com os diretores de informação num momento em que a lei passara a dizer que sem partidos parlamentares não poderia haver debates televisivos). Durante este mandato, na comissão à porta fechada sobre financiamento dos partidos, os partidos parlamentares decidiram continuar a subvencionar-se generosamente para continuarem a poluir visualmente o país com os tais outdoors, em campanhas publicitárias permanentes que só bancos ou construtoras de automóveis têm capacidade financeira de imitar. Que fique claro, em mais nenhum país democrático e pluralista, de sistema proporcional e representativo, isto se passa. (…) Sendo assim, há apenas espaço mental e mediático para dois tipos de figuras. Quem já lá está. E quem sempre “andou por aí”.» Rui Tavares, in O colinho de Pedro Santana Lopes - Público 11fev2019.
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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Brasil: dez cidades sofrem com a água com lamas de rejeitos da barrahem de Brumadinho

  • «O embaixador dos EUA em Lisboa, George Glass, esteve na Base Aérea de Monte Real (Leiria) de visita a um destacamento temporário norte-americano que anda em exercícios com a Força Aérea Portuguesa, e produziu algumas declarações acerca das Lajes. (…) Diz o embaixador que os EUA estão a trabalhar de forma afincada para terminar os trabalhos de descontaminação, que seis locais já estão dados como concluídos, que mais dois estão em vias e que resta uma mão cheia. Logo a seguir diz que o Governo Regional dos Açores deverá "fazer um anúncio em breve" sobre esta matéria. Ficamos a aguardar esse anúncio. O que sabemos é que ainda está por cumprir o desafio que o Presidente do Governo Regional fez, quer ao Governo da República, quer à parte norte-americana, para a divulgação pública da documentação sobre este assunto, bem como a realização de uma ou várias sessões públicas destinadas a esclarecer e informar os açorianos, em geral, e os terceirenses, em particular. O que sabemos é que não basta afirmar que os trabalhos em seis locais mais dois estão concluídos e avaliados pelo LNEC (Laboratório Nacional de Engenharia Civil) e sumariamente descritos no relatório a que poucos têm acesso. A questão começa muito atrás, ou seja, em relação a cada um dos locais a intervencionar devia ter sido divulgado o conteúdo do caderno de encargos, desmontada a complexidade técnica dos trabalhos e o envolvimento de gente "nossa" (porque não a Universidade dos Açores) em todo o processo de acompanhamento. A pública nota de tudo isto ajudaria e muito ao descanso das populações e fecharia as portas a toda a especulação. Não se percebe por isso que não haja divulgação prévia do que vai ser feito, que a "mão cheia" (sic embaixador dos EUA) de locais a descontaminar que ainda resta não esteja assinalada, delimitada e com a lista de trabalhos e calendário de intervenções a efetuar. Se fosse feito desta maneira evitaria a confusão que parece grassar entre o que é "descontaminação" e "mitigação de riscos" de que fala o Professor Félix Rodrigues, quando analisa os relatórios atrás referidos. (…)» Diário Insular. Via Félix Rodrigues, FB.
  • Dez cidades no sudeste do Brasil estão a sofrer com a poluição do rio na sequência do colapso da barragem de rejeitos de uma mina de ferro há cerca de três semanas e que matou 166 pessoas e deixou 155 desaparecidos. O lodo proveniente do desastre de Brumadinho contaminou 120 Km do rio Paraopeba, atingindo as cidades ribeirinhas. As autoridades detetaram níveis de metais tóxicos na água, incluindo chumbo e cromo, pelo que alertaram os habitantes locais para não usarem a água do rio para beber, dar de beber a animais ou regar. AFP.
  • A China prendeu 15.095 pessoas por crimes ambientais em 2018, um aumento de 51,5% em relação ao ano anterior, admitem fontes oficiais. Reuters.
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Mão pesada

Um indivíduo foi multado em mais de 4 mil libras por não provar por documentos a situação legal da sua atividade legada a resíduos. GovUK.
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Bico calado

  • A Universidade Católica fatura mais de 65 milhões e não paga impostos. Esta universidade cobra propinas à semelhança das outras universidades particulares, mas é a única que tem uma isenção fiscal atribuída por decreto-lei assinado por três pessoas com ligações à universidade: Cavaco Silva, Roberto Carneiro e Miguel Beleza, entretanto falecido. TVI24.
  • «(…) as empresas privadas de saúde parecem estar a usar os seus utentes para chantagear o Estado, usando a situação de fragilidade dos pacientes como uma espécie de escudo humano, para pressionarem a ADSE no sentido de desistir do pedido de devolução dos 38 milhões de euros indevidamente cobrados. É imoral, é hediondo, é inaceitável, mas é precisamente isso que estas empresas privadas estão a fazer. (…) a variação entre preços mínimos e máximos fica entre 61% e 411%, com empresas privadas de saúde que chegam a cobrar 1635 euros por uma prótese com um preço mínimo estabelecido de 320 euros. (…)os valores são ainda mais escandalosos, com variações que chegam a atingir quase 3000% entre os preços mínimo e máximo. Coisas simples como comprimidos de Paracetamol, com um valor unitário mínimo de 12 cêntimos, chegam a ser facturados a 3,66 euros através da ADSE. (…)os 38 milhões de euros que o Estado exige de reembolso às empresas privadas de saúde correspondem ao acumulado que a ADSE e a Procuradoria-Geral da República identificaram em todos os produtos e serviços que os privados injustificadamente cobraram, entre 2015 e 2016  (…) A ADSE é um sub-sistema de saúde que há vários anos é superavitário, ou seja, cuja receita contributiva é superior à despesa que tem com os seus beneficiários. No entanto, o dinheiro da ADSE é dos seus contribuintes, e não uma renda garantida das empresas privadas de saúde. É por isso que a gestão da ADSE não pode abrir mão de 38 milhões de euros indevidamente cobrados, sob pena de estar a praticar uma gestão danosa do fundo. (…) O Estado encontrou um conjunto de empresas que estão a fazer uma espécie de roubo legal de fundos públicos, exigiu a rectificação da situação e a direita, em vez de dar os parabéns ao Governo por não deixar-se chantagear por privados, vem atacar as entidades públicas, defendendo as empresas privadas que usam fraudes e zonas cinzentas da lei para se apoderarem de dinheiros públicos. (…) Dizer que o Estado falhou numa situação em que o Estado tenta recuperar fundos de que privados indevidamente se apropriaram é quase como um carteirista roubar a carteira a uma pessoa e vir o CDS dizer que a culpa é da pessoa, que se deixou ser roubada. (…)» Uma Página Numa Rede Social.
  • «(…) quatro funcionários da Assembleia Legislativa dos Açores foram advertidos por escrito por terem inadvertidamente digitalizados “documentos confidenciais” e os terem enviado por via eletrónica a vários deputados. (…) os Açorianos tiveram a oportunidade de ficar a saber que o Governo dos Açores nos mentia sobre o concurso da privatização de 49% da Azores Airlines do Grupo SATA e nos andava a endrominar ao dizer que se estava a analisar uma proposta de uma empresa islandesa quando ele sabia que esta não tinha validade legal por não cumprir os requisitos do concurso. Igualmente se ficou a saber que a transportadora aérea regional estava em falência técnica (…) Em democracia são heróis aqueles funcionários que no passado denunciaram o poder político em ditadura, divulgando segredos que fragilizavam a prepotência dos governantes do regime totalitário. Só que esta mesma democracia por cá sente-se bem agora a advertir aqueles que em trabalho de funções públicas acidentalmente contribuíram para a transparência do sistema e desmascaram a mentira veiculada por Governantes que os permitia ser prepotentes sobre a Verdade. Não é por acaso que na novilíngua os trabalhadores em funções públicas tendem a ser chamados superiormente de colaboradores, palavra semelhante e igual raiz de colaboracionista, como se chamava a quem trabalhava com fidelidade ao poder político da ditadura. Será uma intenção velada de pretenderem agora fazer sentir os funcionários como os novos colaboracionistas nos desaforos dos políticos? Não sei quem são os quatro funcionários do Parlamento, mas fica aqui a minha solidariedade e o meu obrigado por terem inadvertidamente tornado público uma verdade de interesse público.» Carlos Faria, FB.
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