Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

  • Ambiente Ondas3

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terça-feira, 16 de julho de 2019

Poupe-se água, disse o ministro do Ambiente

  • As praias da Costa da Caparica vão ser encerradas à vez durante o mês de agosto devido à necessidade de repor os níveis de areia. Prevista para maio, a operação só avança agora após o visto do Tribunal de Contas. DN.
  • Ministro do Ambiente apela à poupança de água para prevenir problemas a curto prazo devido à seca. Digital. Demorou, mas mais vale tarde do que nunca.
  • O director-geral das Pescas da Comissão Europeia disse que Portugal e Espanha terão que reduzir as suas capturas de sardinha se quiserem garantir continuidade e sustenhtabilidade da pesca ibérica. PONGPesaca.
  • Ativistas defendem resto de floresta de Hambacher que sobrevive à exploração de linhite.  BBC.
  • A Escócia produziu quase o dobro da quantidade de energia eólica necessária pata ra abastecer todas as casas no país entre janeiro e junho de 2019. Energy Voice.
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Sobrepesca e crise climática causam escassez de peixe no lago Malawi

  • Outrora as águas do lago Malawi davam muito peixe, o sustento de 14 mil pessoas que vivem junto das suas costas que fazem parte do Malawi, da Tanzânia e de Moçambique. A crise climática, com chuvas torrenciais e ventos muito fortes, e a sobrepesca fizeram o peixe escassear. AFP.
  • Quatro bases da Força Aérea na Carolina do Sul estão gravemente contaminadas com produtos químicos (PFOS and PFOA) que os cientistas continuam a investigar quanto a possíveis ligações com doenças da tireóide, cancro de mama e rins e cancro testicular. The Post and Courier. Fazem o mesmo um pouco por todo o lado onde têm bases aéreas. Como aconteceu na Base das Lages, na Ilha Terceira, Açores.  
  • 116 nadadores e velejadores que comemoravam o 4 de julho no lago Minnetonka, no Minnesota, queixaram-se de vômitos, tendo-se registado alguns casos de diarreia. As autoridades avançaram com uma investigação e ordenaram o encerramento das praias da zona devido aos altos níveis de bactérias como a E.coli. Huffington Post.
  • O governo mexicano abriu uma investigação sobre o despejo de 3 mil litros de ácido sulfúrico no Mar de Cortez, uma jóia natural no noroeste do país. As autoridades deram cinco dias ao Grupo México, a maior mineradora do país e responsável pelo acidente, para fornecer informações adicionais sobre o despejo que ocorreu no porto de Guaymas, no estado de Sonora. El País.
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Bico calado

  • «Cada vez que há um incêndio em Alvaiázere, e naquele sector, lembro-me de um momento ocorrido há vários anos, quando um autarca me ordenou que falsificasse o mapa de risco de incêndio que eu tinha elaborado para o PMDFCI, o qual era pouco animador para o sector imobiliário... Foi-me pedido que fizesse um mapa menos restritivo em termos de risco de incêndio... Disse ao cromo que me deu o recado (que ainda por lá anda...) que recusava falsificar fosse o que fosse, já que a seriedade era basilar para mim. O mapa apareceu feito, por terceiros. Depois admiram-se acontecerem tragédias e ficam surpreendidos como foi possível...» João Forte, FB.
  • «Enfermeiros recusam doar dinheiro do crowdfunding das greves para causas sociais. Decisão não é pacífica entre os enfermeiros. Dinheiro vai servir para continuar a luta contra o Governo, agora nos tribunais.» TSF. Que rica solidariedade…
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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Aveiro: FAPAS contesta complexo imobiliário em São Jacinto

  • Um complexo imobiliário previsto para os terrenos dos antigos estaleiros de São Jacinto, a cargo da Metalurgica123, merece a contestação frontal do Fapas. Situado numa zona contígua à Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, o projeto é «um gravíssimo atentado a esta área protegida, quer pelo impacto visual da volumetria proposta, quer pelo aumento de carga sobre o território, nomeadamente circulação rodoviária e náutica e de pessoas numa área já congestionada durante o Verão», diz Nuno Gomes Oliveira, que alerta para «a progressiva erosão da costa, a previsível subida das águas do mar (e da ria) e a construção sobre uma língua arenosa formada há cerca de dez séculos e cuja futura evolução geomorfológica se desconhece». O presidente da freguesia de S. Jacinto, António Aguiar, (PS) defende o projeto, uma vez que, segundo a autarquia, só existem «pequenas unidades de alojamento local e alguns restaurantes que, apesar de serem ótimos, não são suficientes para dar resposta a mais turistas». Entretanto, o BE vai apresentar uma questão escrita à Câmara Municipal no sentido de saber se a mesma recebeu algum pedido de informação prévia ou de licenciamento para qualquer projeto urbanísticos para a área dos antigos estaleiros de São Jacinto. Fontes: Público e Notícias de Aveiro.
  • A Quercus confirma a existência real de uma “corrida ao lítio” em Portugal, que na maioria das vezes é acompanhada por outros minerais (Ouro, Prata, Zinco, Cobre, e outros). «Num total de 93 requerimentos analisados, foi possível concluir que em 19,3% da área territorial de Portugal existem pedidos de prospeção e pesquisa de minerais (17 797, 92 km2), sendo que só no primeiro semestre de 2019 foi requerida uma área global de 8 848,4 km2, cerca de 49,7% do total dos últimos 3 anos e meio. O lítio e o ouro são os minerais mais requeridos», conclui. Os Municípios com mais requerimentos de prospeção de lítio são a Guarda e Figueira de Castelo Rodrigo. Quercus. Confrontar com esta reflexão: O que é que certos incêndios terão a ver com a corrida ao lítio?
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KLM sugere viajar menos de avião

  • A companhia aérea holandesa KLM apela às pessoas para viajarem menos de avião, titula o The Guardian.
  • Os preços do carbono da UE subiram para o nível mais alto desde antes da crise financeira na quarta-feira, relata o Finantial Times citado pela Carbon Brief. Os preços atingiram este estado de rutura nos últimos 19 meses desde que a UE alterou as regras que determinam quantas licenças serão doadas gratuitamente à indústria. «A mudança nas concessões de carbono da UE, que são comercializadas de acordo com um sistema projetado para tornar o custo de poluir mais caro, aumentará o custo de fazer negócios para centrais de carvão, fábricas de aço e outras indústrias de grandes emissões, mas devia obrigar a uma mudança mais rápida para combustíveis mais limpos».
  • Rod Schoonover, um analista do Departamento de Estado dos EUA, demitiu-se depois de funcionários da Casa Branca terem bloqueado o seu depoimento escrito a um painel do Congresso citando evidências de que a crise climática representa uma ameaça à segurança nacional. The NYTimes.
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Mão pesada

  • O ex-secretário de Meio Ambiente de Apucarana, Ewerton Pires, foi condenado a 11 anos de prisão em regime fechado. Segundo a acusação, o ex-secretário integrava um esquema envolvendo uma empresa de consultoria ambiental de Maringá. Pires favorecia a empresa por meio de indicações de serviço e depois cobrava comissão. TNOnline.
  • O comandante de um navio-tanque envolvido no recebimento de 2,6 milhões de dólares em petróleo roubado da refinaria de Pulau Bukom, da Shell, foi condenado a pena de prisão de dois anos e meio. CNA.
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Bico calado

  • «Mafalda Anjos, diretora da Visão, escreveu há pouco que “todos os estudos, do Tribunal de Contas aos da ARS e da UTAP, passando pela Universidade Católica, são consensuais em dizer que as PPP poupam dinheiro ao Estado e que todos estão satisfeitos com elas”. Há aqui muito “todismo”: todos os estudos, todos satisfeitos, tudo muito consensual. O problema é que não é verdade.(…) aquilo de todos estarem satisfeitos com as PPP é uma afirmação extravagante. Todos os relatórios oficiais sobre a gestão dizem o contrário. Estas gestões privadas estão agora, todas, sob investigação policial ou das autoridades de regulação. Pode porventura admitir-se ainda que as rendas pagas pela gestão privada dos hospitais públicos sejam bons negócios, o facto é que atraem alguns grandes grupos internacionais e um nacional. Mas não são boa gestão para o contribuinte, que fica a perderFrancisco Louçã, in O estranho consenso que não existe.
  • O PSD de Oliveira do Bairro emitiu um comunicado a pedir a suspensão “de imediato” de mandato do presidente da Câmara e do presidente da Assembleia Municipal, eleitos pelo CDS, “até ao final do processo judicial em curso” motivados pela acusação deduzida pelo Ministério Público contra 17 autarcas locais por alegada prevaricação e violação de normas de execução orçamental. Notícias de Aveiro.
  • Gerard Piqué, futebolista do FC Barcelona, foi judicialmente intimado a pagar 2,1 milhões de euros de impostos atrasados de 2008, 2009 e 2010. As finanças espanholas consideram que o desportista simulou ceder os direitos de imagem à sua empresa, Kerad Project 2006, para pagar menos ao fisco. A sua namorada, a cantora Shakira, também caiu nas malhas do fisco, acusada de fraude fiscal de 14,5 milhões de euros. El País.
  • No Dia Africano de Combate à Corrupção, foi lançada a 10ª edição do Barómetro Global de Corrupção - África, uma pesquisa que questionou mais de 47 mil cidadãos de 35 países africanos sobre as suas experiências e perceções de corrupção. Algumas conclusões: (1) Mais de um quarto dos cidadãos pagaram subornos para aceder a serviços públicos no ano passado - o que equivale a cerca de 130 milhões de pessoas nos países pesquisados; (2)a polícia foi identificada como a instituição mais corrupta, seguida por funcionários do governo, membros do parlamento, empresários, juízes e magistrados, NGOs e chefes religiosos; dois terços dos inquiridos receia sofrer retaliações se reportarem casos de corrupção; os países com mais corrupção foram a República Democrática do Congo, a Libéria e a Serra Leoa; os países com  menos corrupção foram as Maurícias, o Botswana e Cabo Verde; entre os principais países envolvidos em casos de corrupção em África registaram-se os seguintes, por ordem alfabética – Austrália, Bélgica, Brasil, China, Espanha, EUA, França, Holanda, Itália, Portugal, Reino Unido e Suiça. Transparency International.
  • As autoridades de Filadélfia apreenderam um navio que transportava cerca de 20 toneladas de cocaína. O navio é propriedade de um fundo administrado pela gigante bancária JPMorgan Chase. CNN.
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quinta-feira, 11 de julho de 2019

França: ecotaxa sobre bilhetes de voos que partem de aeroportos franceses

  • O Ribeiro de Grijó, afluente do Tenente, e este do rio Paiva, tem sido alvo de descargas de efluentes não tratados. A zona mais afetada tem sido a da Revolta, garante Pedro Figueiredo.
  • O governo do Reino Unido não está a conseguir reduzir as emissões com rapidez suficiente e não consegue adaptar-se à subida das temperaturas, conclui um relatório da Comissão da Crise Climática. Citado pela BBC.
  • A França vai aplicar, a partir de 2020, uma ecotaxa entre 1,5 e 18 euros para todos os bilhetes de voos que partem de aeroportos franceses. El País.
  • Cerca de um quarto das maiores empresas poluidoras do mundo não divulgam na totalidade as suas emissões de gases de efeito estufa, denuncia um relatório do Grantham Research Institute, divulgado pelo The Guardian.
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Mão pesada

  • A Thames Water foi multada em mais de 700 mil libras por descarga de esgotos não tratados que contaminaram o Maidenhead Ditch, em Berkshire, matando muito peixe. GovUK.
  • Um juiz brasileiro Elton Pupo Nogueira ordenou à gigante de mineração Vale S.A. para pagar por todos os danos causados pelo colapso da barragem de Brumadinho que desencadeou uma torrente de lixo e matou pelo menos 247 pessoas em janeiro. O juiz não referiu números em dinheiro sobre o que a empresa deve pagar, dizendo que as consequências da tragédia não podem ser quantificadas apenas por critérios técnico-científicos. NPR.
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Reflexão – Biomassa? Haja coerência!


«A produção de energia a partir de biomassa tem várias potencialidades. Contribui para a redução das emissões de C02 e pode ser uma solução para dar sustentabilidade À nossa floresta, viabilizando a limpeza e transporte dos resíduos florestais. Como dolorosamente sabemos, o mercado não tem sido capaz de dar uma solução duradoura à emergência climática A intervenção do Estado, seja de forma direta, seja intervindo no mecanismo de preços, tem sido uma constante. Contudo, quando se tenta corrigir as insuficiências do mercado são necessárias políticas mais abrangentes e integradas por forma a evitar efeitos colaterais que desvirtuem os objetivos iniciais e anulem os efeitos previstos. Infelizmente, tal tem sido o caso com o setor da biomassa. 
Ao longo do meu mandato de deputado no Parlamento Europeu, visitei várias centrais de biomassa aqui na região de Aveiro. Reuni igualmente com muitos investigadores que trabalham sobre a floresta e sobre o potencial da biomassa como energia renovável. Existe um certo consenso sobre o contributo da biomassa como parte da solução para a transição energética que todos desejamos. Mas isto exige uma política coerente por parte do governo que manifestamente não tem existido. Senão, vejamos. Hoje, com as atuais 18 centrais de biomassa (dedicadas ou em cogeração), Portugal vive um quadro de escassez de biomassa agravada pelo aumento da procura internacional de péletes.Com efeito, o consumo de péletes de madeira impulsionado pela legislação da EU relativa à utilização de energias renováveis, tem crescido exponencialmente com destaque para o Reino Unido, Bélgica e Holanda. Só a termoelétrica DRAX importa cerca de 7,5 milhões de toneladas de péletes, gerando 
uma situação paradoxal. Em função desta procura emergente, temos fábricas de péletes portuguesas, financiadas por fundos da EU, a termoelétricas para produção de energia renovável a preços subsidiados. Exportando a nossa biomassa para fora, deixa de ser possível alimentar as nossas centrais que curiosamente também foram apoiadas por fundos comunitários! 
O Governo português anunciou nos últimos meses um novo ciclo de investimentos em novas centrais de biomassa e a possibilidade de conversão para biomassa das centrais a carvão ainda em funcionamento. Este investimento pretende alinhar a nossa política energética com as metas definidas nos compromissos internacionais de redução das emissões de C02. A produção anual de biomassa florestal andará à volta de 4 milhões de toneladas. Mas, na realidade, a produção economicamente viável de biomassa será muito inferior, o que explica esta relativa escassez de biomassa. Como é visível no nosso território, existem enormes quantidades de biomassa que representam uma autêntica bomba relógio para a nossa floresta. O Governo deverá definir uma estratégia articulada com as instituições da União Europeia para evitar entorses à nossa política ambiental e energética que ponham em causa investimentos realizados. E a nossa região deverá também fazer o seu trabalho de casa, criando uma rede de ecopontos florestais ao serviço das populações e dos pequenos proprietários que viabilize a recolha e concentração de biomassa, a bem da nossa floresta e do nosso meio ambiente.» 

Miguel Viegas*, in Biomassa? Haja coerência! - Diário de Aveiro 6jul2019. (*professor de Economia na Universidade de Aveiro)
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Bico calado

  • As vencedoras do Campeonato do Mundo feminino de futebol regressaram a casa. No domingo, a seleção dos Estados Unidos derrotou a Holanda e conquistou o tetra. Megan Rapinoe, que foi eleita a melhor jogadora da competição, tinha dito que não iria à Casa Branca, caso a equipa vencesse o Mundial, deixando o presidente dos Estados Unidos irritado. EuroNews.
  • «(…) No caso do FB, trata-se de um poder equivalente mas nas mãos de uma empresa. Dir-se-á que não há tanto risco de uma utilização repressiva, mas há o imenso poder do mercado, que passa a ter um significado inimaginável antes da era digital. A empresa passa a fazer publicidade dirigida segundo o nosso perfil, pode acompanhar a nossa vida, saber as nossas escolhas, as palavras que usamos, os amigos que temos, os riscos financeiros que toleramos e pode ter mesmo a ambição de moldar os nossos desejos. Ou pode vender essa informação para fins políticos, como se viu com a Cambridge Analytica. (…) Esta moeda significa também transformar o Facebook numa potência financeira, por ora facilitando transações, mas deste modo começando a gerir dívidas. Assim, ao criar uma moeda com esta dimensão universal, como nenhuma outra, talvez excepto o dólar, o FB dá um pequeno passo para vir a ser um para-Estado, num formato que nunca se conheceu na história mundial. Arroga-se o poder de tutelar as condições de acesso ao consumo, de compras e vendas, e de controlar uma parte da circulação monetária, gerando crédito. Fá-lo excluindo-se das obrigações a que está submetida a regulação bancária e das normas de controlo público a que obedece a emissão monetária por Estados soberanos. Neste caso, não é um finança-sombra, como a que nos arrastou para a grande crise financeira de há dez anos, é antes uma moeda-luz, cujo poder é precisamente ocultado pela visibilidade absoluta. Assim, ao contrário das criptomoedas, que se escondem em recantos da internet para os curiosos, os evasores fiscais e os traficantes, mobilizando a especulação de curto prazo, a Libra seria uma potência para substituir as moedas nacionais em que se baseou o capitalismo que conhecemos. A primeira vítima deste impulso é a própria realidade da soberania dos Estados ou das zonas monetárias, como o euro. Por isso, não creio que, no braço de ferro dos factos consumados, que Zuckerberg está a dirigir do alto do seu Olimpo, haja outra resposta que não seja proibir a Libra. Ela é grande demais, desregulada demais, perigosa demais. Quando e se se instalar, e será sem autorização de qualquer entidade ou no meio da cacofonia de vários reguladores impotentes, terá começado a corrida para o poder da moeda privada. Seria um regresso ao feudalismo, só que o feudo será o planeta.» Francisco Louçã.
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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Espanha: bosque urbano em vez de arranha-céus e centro comercial em Málaga

  • Málaga aprovou uma moção para construir um bosque urbano num terreno de 177.000 m2, que pertencia à Repsol, em vez do parque com arranha-céus e centro comercial, que estava previsto para esta área. TouriNews.
  • O tráfego melhorou com o regresso do projeto Central de Madrid. Após uma semana horrível, os automobilistas regulares agradecem o juiz que obrigou a Câmara Municipal a reativar a zona de baixas emissões. El País.
  • Neste terminal de carvão, em Norfolk, Virgínia, vagões fazem fila para encher navios em espera.  Cerca de vinte milhões de toneladas de carvão passam por aqui todos os anos, na sua maioria provenientes dos Apalaches. National Geographic.
  • A pegada de carbono militar norte-americana é maior do que a produzida por 140 países, concluiu um estudo do Watson Institute, da Brown University. 
  • As autoridades indonésias anunciaram a devolução à Austrália de 8 contentores de resíduos de papel contaminados com lixo eletrónico, latas usadas e garrafas plásticas. The Guardian.
  • No Japão, o negócio de observar baleias obscurece o regresso à sua caça. A observação de baleias é um negócio em crescimento em todo o Japão, desde as ilhas do sul de Okinawa até Rausu, uma vila de pescadores na ilha de Hokkaido. O número de observadores de baleias em todo o Japão mais do que duplicou entre 1998 e 2015. Reuters.
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Reflexão – A Contabilidade criativa de carbono


Contabilidade criativa de carbono: como a indústria e o governo fazem a queima de madeira parecer uma solução climática, por Alex Varley-Winter in DesmogUK 4jul2019. (excertos)

O Reino Unido comprometeu-se a ter contas certas nas emissões de gases com efeito de estufa geradas pela sua economia. Isso significa que, por cada tonelada de dióxido de carbono libertada, uma tonelada será capturada noutro lugar. É um conceito simpático, conhecido como 'net zero', mas depende de uma contagem precisa e honesta das emissões. E já há países a fazer o que Greta Thunberg chamou de "contabilidade criativa de carbono" para equilibrar os seus livros.
Isto é mais que evidente na indústria de biomassa. Nela se queima resíduos ou madeira para gerar energia, tal como com o carvão. A biomassa também emite dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa, tal como o carvão.
Porém, ao contrário do carvão, as emissões de biomassa estão a ser mantidas fora das folhas de balanço do dióxido de carbono da maior parte dos países, o que é uma desonestidade, alegam os ativistas.
Em janeiro de 2018, 800 investigadores e cientistas pediram à Comissão Europeia para não considerar a biomassa florestal como combustível 'sustentável', prevendo que isso iria causar desflorestação massiva e poluir muito mais do que o carvão. Segundo eles, a queima de madeira é ineficiente e, portanto, emite muito mais carbono do que a queima de combustíveis fósseis por cada quilowatt/hora de eletricidade produzida. E acrescentavam: “Em 1850, o uso de madeira para bioenergia acelerou a desflorestação da Europa Ocidental, quando os europeus ainda muito menos energia do que agora. Embora o carvão tivesse ajudado a salvar as florestas da Europa, a solução para substituir o carvão não é voltar a queimar florestas, mas substituir os combustíveis fósseis por fontes de baixo carbono, como o sol e o vento." Apesar deste protesto, a biomassa florestal é, hoje, considerada um combustível sustentável segundo a legislação europeia.
Vários conservacionistas florestais avançaram com um processo contra a UE na tentativa de contrariar a promoção do uso da biomassa florestal como combustível neutro de carbono. Alegam que essa medida despoletou o abate massivo de florestas, por exemplo, na Roménia, na Estónia e na Carolina do Norte. Dizem ainda que o esquema favorece o crime organizado. 
Além disso, compensar as árvores queimadas pelo crescimento de novas leva muito tempo: “Se se cortar e queimar árvores para obter energia, as emissões líquidas de carbono para a atmosfera excedem as de uma central a carvão durante mais de 40 anos e as de uma central a gás durante mais de 90 anos. " Mais: "Cortar e queimar as árvores não apenas liquida os estoques de carbono em pé, mas também elimina a possibilidade de essas árvores continuarem a crescer e continuarem a retirar dióxido de carbono da atmosfera".
Os ativistas culpam os subsídios pelo rápido desenvolvimento da indústria das péletes. Esta indústria não existia em 2008 e agora o Reino Unido importa milhões de toneladas de árvores norte-amerricanas para as queimar em péletes. Os subsídios são mesmo lucrativos, dizem.

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  • Já lá vai o tempo em que, entrevistado por Howard Stern, Trump admitia, no meio de sorrisos e gargalhadas, ser um predador sexual. Youtube.
  • Várias seguradoras britânicas, que alegadamente ofereciam seguro de viagem com assistência médica incluída, de facto não era mais do que o Cartão de Saúde Europeu, que é universal e gratuito. TouriNews.
  • A RT foi banida de uma conferência sobre liberdade de imprensa realizada no Reino Unido, conta a BBC.
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terça-feira, 9 de julho de 2019

Mineração em águas profundas pode causar extinção de espécies únicas fundamentais para a cadeia alimentar.

  • O Reino Unido tem o maior projeto mundial de mineração em águas profundas (com a empresa de defesa norte-americana Lockheed Martin) e encomendou um relatório. O relatório concluiu que a indústria poderia causar a extinção de espécies únicas que são fundamentais para a cadeia alimentar. Unearthed.
  • 700 escolas inglesas dizem-se preocupadas com a segurança do amianto que cobre os seus edifícios e isola as suas tubagens. The Guardian.
  • Uma enorme maré de algas tóxicas levou ao encerramento de todas as praias ao longo da orla costeira do estado do Mississippi. As autoridades atribuem a maré ao excesso de chuvas e ao uso excessivo de fertilizantes. Gizmodo.
  • Cerca de 5 mil toneladas de bauxita, o minério usado na fundição de alumínio, escorregou para as águas da Baía de Kangava, na ilha de Rennell, Ilhas Salomão, durante uma operação de trasfega. Em fevereiro passado, a mesma zona foi vítima de forte contaminação de petróleo provocada pelo naufrágio de um petroleiro. The Guardian.
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Reflexão – Pode o carvão ser um bom negócio para fabricantes de remédios para a asma?


Um fabricante de remédios para combater a asma tem investido discretamente no carvão. 
A Mylan N.V. comprou nos últimos seis anos carvão refinado para reduzir os seus impostos e aumentar a sua receita líquida. Desde 2011, a Mylan comprou 99% de participação em cinco empresas nos EUA que possuem fábricas que processam carvão para reduzir as emissões causadoras de poluição. Em seguida, ele vende o carvão com prejuízo para as centrais de energia para gerar o benefício real para a empresa farmacêutica: créditos que permitem à Mylan reduzir os seus impostos. 
Esses créditos de carvão refinado foram aprovados pelo Congresso em 2004 para incentivar as empresas a financiar a produção de carvão mais limpo. Eles estão disponíveis para qualquer empresa disposta a investir o capital e devem expirar após 2021. 
A diretora executiva da Mylan, Heather Bresch, é filha do senador norte-americano Joe Manchin, da Virgínia Ocidental, o segundo maior estado produtor de carvão do país…

Dois dos cinco medicamentos da Mylan combatem problemas pulmonares exacerbados pela poluição do ar, muitos dos quais provêm do carvão. A empresa fabrica o Perforomist, um inalador que trata os sintomas da doença pulmonar obstrutiva crônica, além de prevenir ataques de asma e espasmos brônquicos induzido pelo exercício.
O carvão em que a Mylan investe é refinado, o que significa que queima carvão mais limpo que o normal (daí os créditos fiscais para as empresas que o financiam). Mas carvão mais limpo continua a ser carvão, a fonte de combustível mais suja do planeta. Continuar a promover o carvão, sob qualquer forma, é mau para o Ambiente e para a saúde pública. Mas parece que é um bom negócio para os fabricantes de remédios para a asma…
Emily Atkin, in The New Republic.
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Bico calado

  • Cerca de €9 mil milhões saíram para paraísos fiscais em 2018, sendo a Suíça e Hong Kong os mais populares. Expresso.
  • «Peixoto Rodrigues, presidente do Sindicato Unificado da PSP e candidato da Coligação Basta, é acusado de participação em esquema fraudulento que lesou o Estado em mais de 66 mil euros. "O normal da nossa sociedade é as pessoas serem arguidas", afirma.» DN.
  • «(…) As posições do PCP, do BE podem ser demagógicas, insustentáveis, irrealistas, mas não são populistas. Querer acabar com a propriedade privada, querer aumentos de salários, querer mais regalias para os sindicatos, atacar patrões e grandes empresas, defender causas “fracturantes”, são posições político-ideológicas muito distintas do populismo. No entanto, se tomadas em abstracto, estas podem emigrar para o discurso de direita. Alguns dos grandes populistas americanos como o Padre Coughlin e Huey Long na Luisiana fizeram alguns dos mais radicais discursos anticapitalistas. (…) A demagogia está presente em todo o espectro político da direita à esquerda e, por si só, não caracteriza o discurso populista. Este caracteriza-se principalmente pela dicotomia “nós” (o povo) e “eles” (os políticos, os poderosos). Em Portugal, o populismo entrou pela primeira vez numa campanha eleitoral nas últimas eleições europeias. Os cartazes do Chega/Basta,  que se encontram ainda colocados, são os primeiros a chegar ao espaço público com palavras de ordem claramente populistas. Foi só começo. O terreno português do populismo é dominantemente o das redes sociais e do tipo de interacção que elas propiciam. Mas já passou daí para certos programas televisivos e para certo tipo de articulistas justicialistas, que vivem da “denúncia” e da indignação moral, e, basta fazer uma lista dos casos, para ver como são selectivos e dúplices na indignação. Em todos os casos têm audiências. O populismo ainda não passou nem para o voto, nem para a rua, embora seja uma questão de tempo. O tema central do populismo é a corrupção, a real, a imaginária e a inventada. A corrupção é o estado natural da política e dos políticos, de “eles”. Ao não se distinguir entre a corrupção real e a inventada, o discurso torna-se genérico e sistémico. Ao atacarem o “regime” e o “sistema” perceba-se que consideram a democracia o terreno ideal para a corrupção. Não é. É a ditadura, mas não vale a pena lembrar-lhes isso. (…) O populismo concentra os seus ataques nos procedimentos da democracia, vistos como uma forma de empecilhos para combater o “crime” e a “corrupção”. (…) O populista é um activista do ad hominem. Quando fala e quando escreve enuncia nas suas falas e nos seus títulos nomes de pessoas. Depois passa dos nomes, para a família, para os amigos, para os companheiros de partido e por fim para “eles”. Os critérios da culpa são por contiguidade, familiar em primeiro lugar, relacional, e partidária. A culpa é nomeada pessoalmente e depois torna-se colectiva. É de X, nome no título para vender, e porque é de X, é de “eles”. Os populistas votam mais facilmente em determinado tipo de corruptos conhecidos ou até condenados, cuja política lhes parece próxima, do que “neles”. Várias eleições em Portugal mostram que a aparente indignação contra a corrupção, é muito pouco genuína, e tem componentes políticas que implicam a duplicidade. Os populistas estão sempre zangados, vivem num estado de excitação patológica, porque eles são sérios e o resto do mundo é desonesto, ladrão e corrupto. (…) Os alvos dos populistas são aquilo que eles designam como elite. Os políticos, os funcionários públicos, os professores, os médicos, os enfermeiros, os motoristas, os sindicalistas, os que fazem greve. É uma lista absurda, mas é a dos “privilegiados”. Embora na elite se incluam os banqueiros caídos em desgraça, quase nunca são referidos os principais grupos económicos, as famílias ricas e poderosas, os escritórios de advogados, os consultores financeiros, os dirigentes desportivos e os jogadores de futebol. No quadro de valores de um populista, fugir ao fisco por parte de um político, merece prisão perpétua, mas é uma mera infracção num jogador de futebol. Os populistas vivem do apodrecimento do sistema político democrático, da oligarquização dos partidos políticos, da indiferença ou do compadrio dos estabelecidos com a corrupção, da corrupção realmente existente, mas as suas soluções são piores do que os problemas. E são, na sua maioria, anti-democráticas e autoritárias. Há um micro-Bolsonaro dentro deles, mesmo quando juram não quererem nada com ele.» José Pacheco Pereira, in Maneiras de reconhecer um populista português moderno - Público 6juk2019.
  • Quando o centro de Manchester foi destruído por uma bomba do IRA em 96, o governo do Reino Unido doou 300 mil libras para alívio de dificuldades e realojamento e 150 mil libras para uma equipa projetar um novo centro. A UE deu 21,5 milhões de libras.
  • «Entre 28 de maio e 10 de junho, Boris Johnson recebeu £ 235.500 em doações "privadas", para si mesmo pessoalmente, enquanto se prepara para se tornar o primeiro-ministro não eleito do Reino Unido. (…) A flagrante corrupção do sistema político do Reino Unido é parte da razão da alienação popular das classes dominantes. (…) James Reuben, que fez duas doações no total de £ 50.000 a Johnson, é o herdeiro da segunda família mais rica do Reino Unido (…). Os Rúben ganharam dinheiro, como Roman Abramovich e Alisher Usmanov, na pilhagem dos enormes ativos de produção de metal da Rússia, que foram fisicamente confiscados por gângsteres, no caótico processo de privatização de Yeltsin organizado pelos EUA. Toda a base de sua vasta fortuna foi a exploração de ativos efetivamente roubados ao Estado e ao povo russo.» Craig Murray.
  • Como a Grã-Bretanha pode ajudá-lo a roubar milhões: um guia em cinco etapas. Dinheiro sujo precisa de lavagem se for de alguma utilidade - e o Reino Unido é o melhor lugar do mundo para fazê-lo, escreve Oliver Bullough no The Guardian.
  • «Lava Jato tramou vazamento de delação para interferir na política da Venezuela após sugestão de Sergio Moro». The Intercept.
  • O assunto de Estado Américo Sebastião, por José Ribeiro e CastroDN 3jul2019.
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sexta-feira, 5 de julho de 2019

Espinho: Verdes questionam ministério do Ambiente sobre a poluição na Ribeira de Silvalde


Os Verdes questionam o ministério do Ambiente sobre a poluição na Ribeira de Silvalde: o ministério tem conhecimento desta poluição? O ministério autorizou algum tipo de descargas nesta linha de água? Estão identificados todos os pontos de poluição difusos na ribeira de Silvalde? Que medidas o ministério vai tomar no para melhorar a qualidade das águas desta ribeira?

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Grécia: pescadores replicam projeto açoriano de recolha e reciclagem de plástico no mar

  • Para ajudar a limpar os mares gregos, os pescadores recebem € 200 por mês para reciclar o lixo capturado nas suas redes. Tudo através de uma nova empresa grega chamada Enaleia que conta com o apoio de doadores gregos e estrangeiros. EuroNews. Em Rabo de Peixe, Açores, projeto semelhante foi anunciado em outubro de 2018, conforme o blogue Ambiente Ondas3 em devido tempo referiu.
  • 50 ativistas da Greenpeace de França bloquearam um navio contendo mais de 50 mil toneladas de soja no porto de Sète para denunciar o desmatamento da Amazónia. Inf’OGM.
  • Rory Stewart, Secretário do Desenvolvimento Internacional do governo de Theresa May teve um sonho: avançar com 190 milhões de libras para investir em projetos de combate à crise climática. The Guardian. Tudo no estrangeiro, provavelmente em territórios da Commonwealth ou em países pobres dispostos, quem sabe, a aceitar cargueiros a abarrotar de resíduos britânicos. E com tanto problema ambiental para resolver em casa. Por exemplo, as cheias crónicas em muitas zonas de Inglaterra, para não falar na péssima qualidade do ar que se respira nas principais cidades do país.
  • As companhias de petróleo e gás listadas na Bolsa de Valores de Londres foram reclassificadas sob a categoria de «energia não renovável», uma medida destinada a distinguir entre empresas altamente poluidoras e produtores mais verdes, informa o Guardian. The Guardian.
  • Para o fundador da Bloomberg New Energy Finance, Michael Liebreich, a descarbonização passa por um debate sério sobre as virtualidades da energia nuclear. Para tal, ele pensa que devemos adotar uma atitude de reconciliação para com aquela famigerada forma de energia. Bloomberg.
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Mão pesada

A Green Star Energy foi multada em 350 mil libras pelo regulador do Reino Unido. Mais de 1.800 novos clientes não conseguiram aceder às suas contas da Green Star Energy e, portanto, não puderam aceder s tarifas mais baratas. Energy Voice.
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Bico calado

  • «Saco azul do BES financiou Cavaco Silva com 253 mil euros. Dez altos responsáveis do Grupo Espírito Santo são suspeitos de terem combinado um esquema de financiamento ilegal à  candidatura de Cavaco Silva, nas Presidenciais de 2011», noticia a revista Sábado. Há quem pergunte, onde estão os outros... os  amigos de peito de Salgado, como Barroso, Portas?
  • Onze pessoas, entre elas cinco médicos e um proprietário de uma farmácia, foram detidas pela polícia Judiciária no âmbito de uma mega operação que arrancou ao início da manhã em todo o território nacional. Em causa crimes de corrupção, burla qualificada, falsificação de documento e associação criminosa que lesou o Serviço Nacional de Saúde em cerca de um milhão de euros. Lusa/SIC.
  • «Em setembro do ano passado, o PSD apresentou o seu programa para a saúde. Era assim um tipo de programa, porque o texto não foi entregue na conferência de imprensa que o deveria ter divulgado, dado que provocara na véspera alguma celeuma interna. David Justino, vice-presidente do partido, explicou que estava tudo bem e deu a palavra ao autor da proposta, Luís Filipe Pereira, um ex-ministro da saúde. É um homem que sabe. Antes do governo, Pereira fez a sua carreira profissional no grupo Mello, que geriu a primeira PPP na saúde, desde 1995, o hospital Amadora-Sintra. O contrato foi terminado em 2009, o que meteu processo judicial pelo meio, 26 responsáveis da ARS foram acusados de negligência na monitorização do hospital. O grupo Mello ficou depois com Loures, atribuído por Pereira, mas esse concurso foi anulado por irregularidades, quando outro governo olhou para o caso. Pereira, que presidira a este grupo de saúde privada, foi nomeado coordenador do PSD para o assunto. A sua ideia era forte: “trata-se de generalizar as PPP”. Para que não haja dúvidas: “Queremos que progressivamente mais hospitais sejam contratualizados com gestão privada”. Ele sabe do assunto e sabe o que quer.(…)» Francisco Louçã, in A empresarialização da saúde segundo quem sabe, FB.
  • Crianças imigrantes em julgamento de deportação. Sozinhos, sem saber mesmo o que é um advogado…
  • Wikileaks: EUA criou curso para treinar Moro e juristas, titula o Esquerda DiárioComentário apanhado numa rede social: «Cá também há uns bacanos que devem ter sido alunos dessa escola ou, pelo menos, de profs. que fizeram essa formação. Falo a sério, conheço magistrados, instituciomente importantes, que estiveram, oficialmente, no Brasil, a aprender como julgar com júri, à americana, a delação premiada e como aplicar plea bargaining. Vieram para cá concretizar o que lhes foi ensinado, e foi preciso o STJ lembrar que aqui não eram os States.» 
  • «All billionaires want the same thing – a world that works for them. For many, this means a world in which they are scarcely taxed and scarcely regulated; where labour is cheap and the planet can be used as a dustbin; where they can flit between tax havens and secrecy regimes, using the Earth’s surface as a speculative gaming board, extracting profits and dumping costs. The world that works for them works against us. So how, in nominal democracies, do they get what they want? They fund political parties and lobby groups, set up fake grassroots (Astroturf) campaigns and finance social media ads. But above all, they buy newspapers and television stations. The widespread hope and expectation a few years ago was that, in the internet age, news controlled by billionaires would be replaced by news controlled by the people: social media would break their grip. But social media is instead dominated by stories the billionaire press generates. As their crucial role in promoting Nigel Farage, Brexit and Boris Johnson suggests, the newspapers are as powerful as ever. They use this power not only to promote the billionaires’ favoured people and ideas, but also to shut down change before it happens. They deploy their attack dogs to take down anyone who challenges the programme. It is one thing to know this. It is another to experience it.» George Monbiot, in After urging land reform I now know the brute power of our billionaire pressThe Guardian 3jul2019.
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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Açores: reportagem do Expresso sobre a contaminação dos solos na Terceira pela atividade da Base das Lajes galardoada com Prémio Gazeta de Imprensa 2018


«O Expresso volta a publicar a reportagem de 10 de março de 2018 sobre a contaminação dos solos na Terceira pela atividade da Base das Lajes - a investigação acaba de ser galardoada pelo Clube de Jornalistas com o Prémio Gazeta de Imprensa 2018. Há relatórios americanos que alertam para riscos na saúde pública mas estiveram em segredo durante uma década. O Expresso publicou 14 artigos sobre o tema nas suas edições em papel e online entre 10 de março e 14 de setembro de 2018
Um estudo encomendado pela Força Aérea Americana na Europa (USAFE) relaciona pela primeira vez a contaminação dos solos pela Base das Lajes com o risco de cancro. E um relatório do LNEC revela que há quatro locais da Praia da Vitória, onde fica a base, contaminados por hidrocarbonetos e metais pesados, devido ao armazenamento e manuseamento de combustíveis e de outras substâncias pela USAFE. Existem ainda 14 locais potencialmente contaminados de maior risco.

A investigação da USAFE na ilha Terceira foi feita pela empresa americana Bhate Associates em 2006, mas foi mantida em segredo até recentemente. E o relatório do LNEC, pedido pelo Ministério da Defesa Nacional, foi entregue em dezembro de 2016, mas apenas há algumas semanas se tornou público, estando estes documentos a provocar grande polémica nos Açores. O relatório do Laboratório Nacional de Engenharia Civil estava classificado como "Confidencial", mas uma fuga de informação levou vários media, entre os quais o Expresso, a conseguirem cópias do documento. Entretanto, tornou-se público depois de o governo regional dos Açores ter decidido entregá-lo na Assembleia Legislativa do arquipélago a 21 de fevereiro. A Assembleia acabou por aprovar dois Projetos de Resolução para exigir ao Governo da República a reparação dos danos ambientais causados pela Base das Lajes e para uma comissão parlamentar visitar os locais contaminados. Há ainda mais relatórios feitos pelo LNEC e pelos americanos sobre os solos e os aquíferos da Terceira.

A Bhate Associates enviou amostras de solos e de aquíferos a 23 metros de profundidade recolhidas em três locais nas Lajes - conhecidos por South Tank Farm, Main Gate Area (principal entrada da base) e Fire Training Pit - para o laboratório Theolab, em Itália. O laboratório detetou gasolina e diesel, bem como metais pesados tóxicos como bário, crómio e chumbo, com concentrações acima dos limites recomendados na legislação da Holanda, usada como referência internacional. A empresa americana revelou que havia "risco carcinogénico" seis vezes superior ao máximo tolerável para os trabalhadores da construção na South Tank Farm, porque estavam demasiado expostos a benzeno e a componentes orgânicos do diesel.
Entre a vila das Lajes, em frente à base, e a maior concentração de tanques de combustível de avião - a South Tank Farm -, à saída da cidade da Praia da Vitória, há uma estrada ladeada por dezenas de moradias que acolheram no passado famílias americanas. Hoje estão ocupadas por açorianos e muitas delas foram modernizadas. Chama-se Estrada 25 de Abril, mas já não representa a esperança que o nome sugere, porque existe ao longo dela e nas zonas mais próximas uma grande concentração de pessoas atingidas pelo cancro.

Descobrimos histórias de famílias com quatro, cinco e até seis casos de cancro nos últimos anos. Não foi fácil encontrar membros destas famílias que quisessem falar, por serem funcionários públicos, por trabalharem na base ou simplesmente por ainda estarem muito marcados pela partida recente de irmãos, pais, tios, avós. Só à sétima tentativa fomos bem-sucedidos, depois de andarmos a bater de porta em porta, ajudados por dois moradores locais.

"A contaminação está a ser desvalorizada pelas autoridades e continua tudo obscuro", critica Maria Gomes, 22 anos, lembrando que "os relatórios americanos relatam zonas contaminadas e causalidade da exposição no aparecimento do cancro". A jovem vive com os pais numa moradia da Estrada 25 de Abril muito próxima da South Tank Farm e é estudante de enfermagem na Escola Superior de Saúde do campus de Angra do Heroísmo (Terceira) da Universidade dos Açores. É muito determinada e tem ideias seguras sobre o que deve ser estudado e feito para enfrentar a contaminação dos solos e proteger a saúde das populações. Tudo porque a mãe, Ana Soares, tem um cancro da mama e há mais quatro membros da família atingidos pela doença que já morreram. E porque está a participar num estudo organizado pelo professor da cadeira de Enfermagem Comunitária, Norberto Messias, sobre a incidência de cancro nos 21 mil habitantes do concelho da Praia da Vitória.

"Estive a fazer 31 sessões de radioterapia durante três meses numa clínica em Ponta Delgada. E as quatro médicas assistentes diziam que 90% dos doentes de cancro que recebiam vinham da Terceira", conta Ana Soares. A tarefa do grupo de trabalho da sua filha, Maria Gomes, é estudar o impacto das lamas de hidrocarbonetos geradas pelos depósitos de combustíveis da Base das Lajes na saúde humana. Os estudantes entrevistaram habitantes do concelho, ouviram especialistas e querem saber "como eram feitos os armazenamentos de combustíveis, os riscos para os trabalhadores e as taxas de incidência do cancro nos casos de exposição ao fator de risco".

O grupo decidiu ainda criar um projeto de intervenção na Terceira. "Estamos a estudar os relatórios americanos e portugueses e a tentar perceber o que se sabia. E vamos apostar no ensino clínico, na sensibilização da comunidade e no registo de casos de cancro, para depois iniciarmos um estudo epidemiológico que possa ser apresentado às autoridades locais, para as pressionar a resolverem o problema", antecipa Maria Gomes. E acrescenta com grande convicção: "Não vamos deixar que o estudo fique esquecido."
Há ainda outra 'contaminação', mas nas relações entre o governo regional dos Açores e o Governo da República, apesar de ambos serem socialistas. Fontes contactadas pelo Expresso revelam que no governo de Ponta Delgada, presidido por Vasco Cordeiro, existe um mal-estar quanto à "forma desastrosa" como o Governo de Lisboa tem gerido todo o processo em termos de comunicação pública através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva. Este mal-estar já terá sido partilhado pelo líder parlamentar do PS, o açoriano Carlos César.

O Governo optou praticamente pelo silêncio até às declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros aos jornalistas a 28 de fevereiro, no final da reunião da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros, onde foi ouvido por requerimento do grupo parlamentar do PS sobre a situação da Base das Lajes. Augusto Santos Silva disse que havia uma campanha internacional sobre o grau de contaminação deixada pelos americanos. E insistiu que não há nenhum fundamento científico para a relação da contaminação dos solos com a taxa de incidência do cancro. O ministro acrescentou que "os dados estatísticos existentes, que permitem comparar a incidência de doenças oncológicas na Praia da Vitória com o restante território dos Açores, não indicam nenhuma prevalência adicional" no concelho.

Félix Rodrigues, professor da Universidade dos Açores, tem denunciado o perigo para a saúde pública da contaminação dos solos com hidrocarbonetos e metais pesados, devido aos derrames dos tanques de combustível de avião, "muito mais perigosos do que os combustíveis de automóvel". Há mais tanques na South Tank Farm, que se vê ao fundo na foto
António Félix Rodrigues, especialista em contaminações e professor da Faculdade de Ciências Agrárias e do Ambiente na Universidade dos Açores, contesta a posição do Governo da República. "As declarações do ministro Augusto Santos Silva são arrepiantes", afirma o investigador ao Expresso, "porque não se aplica aqui o princípio da justiça, em que até prova em contrário as pessoas são inocentes, mas o princípio da precaução, ou seja, há fortes indícios e factos que apontam para um problema, e portanto é necessário agir já, em vez de esperar pela prova inequívoca de uma relação causa-efeito entre a contaminação dos solos e a incidência de cancro na população".
O professor avisa que "se formos pelo princípio da justiça haverá impactos muito negativos no ambiente e na saúde das populações, que não se compadecem com demoras de uma relação estatística". E como explicar a política de silêncio das autoridades nacionais e regionais? "Não se pode fechar os relatórios nas gavetas, mas há aqui um dilema grave: a população sofre com a contaminação e para resolver este problema é preciso denunciar, o que tem efeitos negativos no turismo na ilha Terceira". Deste modo, "há dois impactos na população - na saúde e na economia - em vez de um, devido a toda esta inércia de não se resolverem os problemas atempadamente".

A poluição "faz-se às escondidas, mas a despoluição tem de ser feita às claras, pelo efeito que tem na vida das pessoas", defende Félix Rodrigues, que esclarece que os solos contaminados "estão circunscritos a certas zonas, não ameaçam o turismo, mas ameaçam a saúde das pessoas que moram na sua proximidade". Em suma, "o risco não é para quem cá passa, mas para quem cá vive".

Orlando Lima, que trabalhou na gestão de programas ambientais na Base das Lajes, mostra óleo recolhido nos esgotos da Praia da Vitória
"Existe óleo a correr para a ETAR da Praia da Vitória", revela Orlando Lima, um empresário que trabalhou durante 18 anos na Base das Lajes como inspetor de construção e na gestão de programas ambientais. A descoberta foi feita há pouco dias por um morador. O empresário leva-nos para uma rua à entrada da cidade, de onde se avista a South Tank Farm, e levanta uma tampa de esgoto onde pende um pano branco adsorvente, isto é, que retém na sua superfície materiais arrastados pelas águas. O pano está todo sujo de óleo. "Há cada vez mais evidências sobre a contaminação da ilha", constata o especialista. Mas Orlando Lima tem também investigado uma contaminação mais complexa: radiações no solo.
Expresso 1jul2019.
https://expresso.pt/sociedade/2019-07-01-Relatorios-confirmam-contaminacao-com-metais-pesados-e-risco-de-cancro-na-ilha-Terceira-a-reportagem-do-Expresso-que-venceu-o-Gazeta

Conferir aqui referências feitas pelo Ambiente Ondas3 a este tema.


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País de Gales: residentes de Fairbourne terão de abandonar localidade devido à subida do nível do mar

  • Várias organizações de conservação apelam ao governo britânico para tomar medidas de emergência para proteger e preservar a população em declínio do bacalhau do Mar do Norte. O ICES sugere uma redução de 70% nas capturas. Geographical.
  • A Indonésia vai devolver dezenas de contentores cheios de lixo à França e a outros países desenvolvidos. Os 49 contentores foram carregados com uma mistura de lixo, resíduos de plástico e materiais perigosos, violando as regras de importação. AFP.
  • A Grécia pode ser multada em, pelo menos, 1,3 milhões de euros pela União Europeia por não conseguir reduzir os índices de poluição registados nas suas águas de superfície e subterrâneas. Ekathimerini.
  • O mundo tem um grave problemas com os resíduos que produz. O Verisk Maplecroft, um grupo de análise de risco global – analisou os dados de 194 países relativos à produção e reciclagem de resíduos.
  • Uma plataforma de grupos ambientalistas processou o ministério do Ambiente dos EUA contra legislação recente que dispensa as grandes unidades agroindustriais de reportarem a poluição que emitem através do estrume. Os ambientalistas alegam que, assim, os vizinhos deixam de ter acesso a informações sobre gases nocivos lançados ao ar. The Hill.
  • O Serviço Nacional de Parques dos EUA desviou cerca de 2,5 milhões de dólares em taxas de entrada e recreação destinadas principalmente a melhorar parques em todo o país para cobrir os custos associados com a celebração do 4 de julho, Dia da Independência. CBS.
  • As iguanas tornaram-se uma praga no sul da Florida. Agora a ordem é para matá-las. PressFrom.
  • «O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos.» O atlas, da autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. Via EcoDebate.
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Bico calado

  • Os 29 eurodeputados do partido de Nigel Farage levantaram-se e viraram costas ao plenário quando soaram os primeiros acordes de Hino à Alegria. Irão estes ***** fazer o mesmo no fim do mês para receber o salário?
  • «No pino do Verão de 1901, os partidos então dominantes na monarquia portuguesa decidiram juntar esforços para alterar a lei eleitoral de forma a contrariar a ameaça de crescimento dos republicanos e de um novo partido “regenerador liberal”. Chamou-se a essa manobra a “Ignóbil Porcaria”. Pois bem, o que acabou de se passar no Conselho Europeu foi uma ignóbil porcaria à escala europeia. Talvez os envolvidos não tenham ainda noção disso, talvez alguns até estejam convencidos das suas boas intenções, ou queiram convencer-nos delas, mas a verdade é que se não quiserem chamar-lhe “ignóbil porcaria” chamem-lhe “conchavo vergonhoso” ou outro qualquer sinónimo. Pior do que isto era impossível. Os europeus foram votar há pouco mais de um mês, aumentando até as taxas de participação em resposta a um apelo para que se socorresse o projeto europeu contra aqueles que o querem destruir. Nesse processo foram apresentados candidatos à Presidência da Comissão Europeia, transmitiram-se debates em que eles estiveram presentes, redigiram-se e legitimaram-se plataformas programáticas. E que fazem agora os chefes de estado e de governo reunidos no Conselho? Mercadejam lugares à porta fechada como no passado, eliminando todos os candidatos à presidência da Comissão Europeia que foram a votos e apresentando a 500 milhões de cidadãos da UE alguém escolhido à revelia do processo democrático que se tentava construir. Pior era impossível: os chefes de governo aceitaram eliminar o segundo candidato mais bem posicionado à Presidência da Comissão Europeia, e o único que até agora tinha demonstrado ter uma maioria no Parlamento Europeu, o holandês Frans Timmermans, por causa deste ter defendido o estado de direito e os valores da UE, fazendo o seu trabalho de comissário, em processos envolvendo os governos da Hungria e da Polónia. Não adianta tapar o sol com uma peneira. Foi por isso, e exclusivamente por isso, que os governos polaco e húngaro bloquearam o nome de Timmermans. E que fizeram os outros governos, incluindo os socialistas de Portugal e Espanha? Puseram-se de joelhos. Não acreditam em mim? Acreditem em Orbán: “Mantivemos a nossa linha como prometemos. Os Quatro de Visegrado [a Hungria, a Polónia, a República Checa e a Eslováquia] ganharam”. Qual é a mensagem que passa para o próximo comissário com a pasta do estado de direito? Não te dês ao trabalho de defender os valores europeus se queres ter carreira política. Já se sabia que a suspensão de Orbán do PPE era uma farsa. Agora sabe-se que Orbán “suspenso” manda mais ainda do que antes: manda no PPE, e de caminho humilha os socialistas europeus também. Pior era impossível: os chefes de estado e de governo não esperaram sequer para para ver se a liberal Margrethe Vestager, a terceira candidata mais bem posicionada, conseguiria formar uma maioria parlamentar. É verdade que Vestager não foi uma cabeça de lista formal, mas esteve presente como candidata liberal à presidência da Comissão nos debates eleitorais, e foi apresentada como tal pelo seu partido ao Conselho Europeu. Como Timmermans, Vestager foi uma comissária corajosa (pelos vistos, uma cláusula de exclusão para o Conselho) contra as multinacionais do digital americanas e as suas práticas de evasão fiscal. Além disso, seria a primeira mulher à frente da Comissão. Quando os chefes de governo nos quiserem convencer que escolheram também uma mulher, urge a pergunta: e por que não escolheram uma mulher legitimada pelos votos? Pior era impossível: os chefes de estado e de governo apresentaram a sua escolha com uma sobranceria e uma arrogância que está já para lá da política do facto consumado, quando na verdade só têm poder formal para um decidir um dos cargos que apresentaram — o de presidente do Conselho. Dizer que “Ursula von der Leyen será Presidente da Comissão”, como escreveu António Costa, é esquecer-se que ela só o será se for aprovada pelo Parlamento Europeu. Só que, pior ainda, o Conselho decidiu escolher também o presidente do Parlamento. E não contentes com isso, escolheram já dois, o próximo e o seguinte! Então para que raio votaram os europeus a 26 de maio? E para rematar, os nossos queridos líderes nacionais fizeram aquilo que disseram que não fariam, e embrulharam no pacote também a futura presidente do BCE (talvez querendo disfarçar a falta de paridade das outras escolhas), escolha que antes tinham dito obedecer a critérios diferentes de independência e competência técnica. Pior, de facto, era impossível. Não está em causa a competência (aliás pouco consensual no seu país, onde ela terá de enfrentar um julgamento por irregularidades de contratação pública) de Ursula von der Leyen, a ministra da defesa alemã com que os líderes nacionais decidiram presentear-nos. Nem dos outros escolhidos. Está em causa andarem a gozar com os eleitores, desrespeitarem o Parlamento Europeu e deixarem que os aprendizes de ditadores como Orbán lhes ditem as suas estratégias. E Portugal, no meio disto tudo? Como pode um governo minoritário, sem qualquer debate na Assembleia da República, mergulhar o nome e o voto de Portugal neste repugnante cozinhado que levará a direita austeritária alemã diretamente à presidência da Comissão, permitindo ao PPE dominar vinte anos inteiros o executivo da UE? Quem votou no PS em maio pode não ter sabido que votava nisto. Mas quem votar em outubro, saberá o que estará a legitimar. Neste momento, só um sobressalto do Parlamento Europeu rejeitando por inteiro as escolhas do Conselho nos salvaria. Não sei se virá, mas seria um gesto de revolta, de maioridade e de sanidade democrática.» Rui Tavares, in A ignóbil porcaria – Público 2jul2019.
  • «(…) At first glance, the affable 60-year-old minister with a camera-ready smile looks to be a perfect fit, with the requisite experience, political pedigree and personality to handle the EU’s toughest job. And yet a nagging question remains: Is she too good to be true? In the German capital, the answer is clear. “Von der Leyen is our weakest minister. That’s apparently enough to become Commission president,” former European Parliament President Martin Schulz seethed in a tweet Tuesday evening. Though Schulz is a Social Democrat, his analysis of the minister’s record is shared by many of von der Leyen’s fellow Christian Democrats, though most are reluctant to criticize her publicly. Instead, they point to the state of the German military. “The Bundeswehr’s condition is catastrophic," Rupert Scholz, who served as defense minister under Helmut Kohl, wrote last week before von der Leyen was nominated to the EU’s top post. “The entire defense capability of the Federal Republic is suffering, which is totally irresponsible." Among friends and foes alike, von der Leyen’s stewardship of the defense ministry, which she has headed since 2014, is regarded as a failure. “There is neither enough personnel nor material, and often one confronts shortage upon shortage,” Hans-Peter Bartels, a Social Democrat MP charged with monitoring the Bundeswehr for parliament, concluded in a report published at the end of January. “The troops are far from being fully equipped.” In addition to problems surrounding the German military’s readiness, von der Leyen’s ministry also faces an investigation into suspected wrongdoing surrounding its use of outside consultants, including Accenture and McKinsey. The Bundestag, the German parliament, is currently holding hearings into the affair, including accusations that von der Leyen’s office circumvented public procurement rules in granting contracts worth millions of euros to the firms. Those hearings have taken a dramatic turn in recent days as testimony from key witnesses appeared to confirm suspicions of systematic corruption at the ministry. Von der Leyen is also under fire for agreeing to refurbish the German navy’s three-masted training ship, the Gorch Fock. The overhaul of the ship, christened in 1958, has ended up costing more than 10 times what was originally projected. Though von der Leyen has acknowledged making mistakes along the way, she has ignored repeated demands from the opposition benches for her resignation. Even though von der Leyen doesn’t have many friends in Berlin, the ones she does have matter. The minister is close to Wolfgang Schäuble, the influential president of the German parliament. For more than a decade, the two met for breakfast once a week, a tradition that only ended when Schäuble became Bundestag president. Her most important ally, however, is Angela Merkel, whom von der Leyen has stuck by through thick and thin. Merkel has returned the loyalty by leaving von der Leyen in place despite mounting problems at the defense ministry — and by backing her for the Commission leadership. Von der Leyen blamed many of the problems facing the armed forces on her predecessors. Von der Leyen has never worked for the EU, but she is no stranger to Brussels, where she spent most of her childhood. Ernst Albrecht, her father, worked for the European Coal and Steel Community and the European Economic Community, precursors to the EU, before moving back to Germany where he pursued a career in regional politics. He became premier of Lower Saxony in 1976, a position he held until 1990 (he lost reelection that year to Gerhard Schröder, who would go on to become German chancellor). Though von der Leyen was born into a political family, she was a late bloomer in pursuing her own career in politics. It was only after she had finished her medical studies and lived for several years in the U.S. with her family that she set her sights on a political career in Germany. After climbing through the ranks in Lower Saxony, von der Leyen joined Merkel’s first Cabinet in 2005, heading the Ministry for Family, Seniors, Women and Youth. She became labor minister in Merkel’s second Cabinet in 2009 before taking over the defense ministry in 2014, becoming the first woman to hold that office. Von der Leyen’s rapid rise fueled speculation that she could one day step into Merkel’s shoes. Yet her failure to put the German military back on track dashed whatever hopes she may have had of becoming chancellor. Fixing the German army, which had been starved of resources for years after the end of the Cold War, was a herculean task. Von der Leyen blamed many of the problems facing the armed forces on her predecessors. Now in her fifth year atop the ministry, she can no longer point fingers. Her biggest failure at the ministry may have been in not winning over the officer corps and troops. As a woman in a male-dominated universe, von der Leyen was never going to have an easy task. But current and former aides describe her management style as distant and defensive. She surrounded herself at the ministry with a small group of aides who kept tight control on the flow of information. Many interactions with rank-and-file troops were in the form of photo-ops, which often showed the minister in dramatic poses alongside military equipment. She offended many service members by saying publicly in 2017, after the discovery of a right-wing extremist in the ranks, that the Bundeswehr suffered from “weak leadership at various levels.” Such episodes opened up von der Leyen to criticism that she was more interested in her own image than backing the troops. If so, she had plenty of reason for concern. In 2015, well before the procurement scandal erupted, von der Leyen faced plagiarism accusations in connection with the thesis she wrote when she studied medicine. Several years earlier, similar accusations had forced one of her predecessors as defense minister, Karl-Theodor zu Guttenberg, to resign. In 2013, Annette Schavan, another Merkel confidante who served as education minister, was also forced to step down after evidence emerged that she had plagiarized passages in her thesis. Von der Leyen was luckier. Though a university commission confirmed that von der Leyen had failed to properly cite the sources for much of the material in her dissertation, it determined that the omissions weren’t intentional and didn’t undermine her central thesis. Though von der Leyen is an engaging speaker and a favorite on Germany’s talkshow circuit, the perpetual whiff of scandal surrounding her and her ministry has eroded her ratings among voters. Once one of Germany’s most popular politicians, she fell out of the top 10 last year. That’s just one reason her party would be more than happy to see her go to Brussels. Another is that her departure would open up a key slot in Merkel’s Cabinet. If all goes according to plan, the chancellor would fill the post with her hand-picked successor, Annegret Kramp-Karrenbauer, who succeeded Merkel as CDU leader in December. Von der Leyen’s departure would offer Kramp-Karrenbauer a perfect opportunity to prove herself in a big job. What the rest of Europe gets out of the bargain is another question.» Matthew Karnitschnig, in The inconvenient truth about Ursula von der Leyen  - Politico.
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quarta-feira, 3 de julho de 2019

20 setembro, sexta-feira: greve geral pelo Clima

  • Já se prepara, no Reino Unido, uma greve geral pelo Clima. Está a ser convocada para 20 de setembro, uma sexta-feira. Dizem que é porque o governo só fala e tira selfies, mas todos arrastam os pés. EarthStrike. Dois dias antes do Dia Europeu sem Carros...
  • O ex-primeiro-ministro de Espanha, José María Aznar, promoveu ativamente o trabalho dos negacionistas do Clima, incluindo o ex-chanceler do Reino Unido, Lawson, através de um laboratório de ideias (FAES - Fundación para el Análisis y los Estudios Sociales) localizado nas traseiras do hotel Ritz em Madrid, revela uma investigação da Climatica. Via DesmogUK.
  • A Weatherford, que foi fundada em 1941 e se tornou a quarta maior fornecedora de serviços no setor do petróleo do país, declarou falência, alegando não registar lucros desde 2014. Refira-se que esta multinacional está baseada em Baar, Suíça, e domiciliada na Irlanda. Houston Chronicle.
  • As baratas podem desenvolver rapidamente a resistência cruzada a inseticidas a que nunca foram expostas, concluem investigadores da Purdue University. Para combater as baratas, deve-se negar-lhes o acesso a comida, água e abrigo. Por isso, nunca deixe comida ou água abandonada, varra ou aspire os espaços, tape as fendas e rachas que possam permitir a sua passagem. Em último caso, aplique apenas ácido bórico. Via Beyond Pesticides.
  • As minas de carvão Eagle Butte e Belle Ayr, perto de Gillette, no estado de Wyoming, foram encerradas após declaração de falência da operadora Blackjewel LLC. A Blackjewel é a quinta produtora de carvão em Wyoming a declarar falência nos últimos anos. Com sede em Bristol, Tennessee, Austrália, a Alpha Natural Resources declarou falência em 2015, seguida pela Peabody Energy e pela Arch Coal em 2016. A Westmoreland Coal, que opera a Mina Kemmerer no sudoeste de Wyoming, entrou com pedido de falência em outubro. Newsbeezer.
  • Em Jacarta, os índices de poluição do ar têm atingido níveis tão altos e perigosos que vários ambientalistas, funcionários públicos artistas e empresários acabam de processar o presidente da Indonésia e os ministros da Saúde, do Ambiente e dos Assuntos Internos. The Guardian.
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Bico calado

  • «O Rui Pinto meteu-se com muita gente, tem lá muita informação». «Por isso MP procura prolongar a prisão para o quebrar e silenciar. Sem querer ir atrás da grande criminalidade por ele exposta», comenta Ana Gomes.
  • «Um jornal desportivo, há dias, mimoseava-me com qualificativos menores de um senhor que se vale dos galões de major e foi acumulando cargos de autarca, dirigente partidário e dirigente futebolistico. Se bem me lembro, ganhou notoriedade ao esgrimir electro-domésticos como arma de propaganda eleitoral, valendo-se de experiência empresarial ganha com negociatas com tubérculos na tropa. Sai a terreiro por ter ouvido dizer (confessa não ter visto) que na televisão eu aludira a «gabirus do futebol que não pagam impostos». Manda-me instruir sobre futebol junto de alguns dirigentes socialistas especializados na matéria (…) Confesso, pois, nada saber de futebol e até um maior pecado: nada querer saber! O que não deixa de ser irónico, pois a minha passagem para a política tem muito a ver com o futebol. Durante a campanha eleitoral em Março de 2002, que na parte final pude acompanhar em Portugal, fiquei abismada com a alienação colectiva causada pela promiscuidade entre negócios, política, media e futebol. Não se discutia política em plena campanha eleitoral, discutia-se o apoio declarado pelo Sr. Vilarinho, do Benfica, ao PSD e o não declarado pelo Sr. Pinto da Costa ao PS. Futebol, ópio do macho luso! (e de muitas mulheres também, desferem-me amigos ofendidos pelo meu desinteresse pelo desporto que os faz suar, colados às bancadas ou aos sofás diante dos televisores…). E bastaram pouco meses, desde que voltei a Lisboa, para realizar que não se percebe nada deste país, nos tempos que correm, se não se tentar perceber alguma coisa dos negócios do futebol. O que quer dizer, da relação promíscua de empresas do futebol com a política, a construção civil, tráficos diversos, os media, a noite, etc... Uma promiscuidade que serve e potencia a criminalidade e que tem, por isso, de ser exposta, denunciada, travada, combatida e punida. («Ingénua e triturável», não falta quem já me arrume as botas…) Quando falei há dias na SIC-Noticias, a propósito do fiasco do PEC e das políticas do Dr. Barroso e da Dra. Ferreira Leite, nos «gabirus do futebol que se gabam de não pagar impostos», não era evidentemente de futebol que falava. Era de quem não paga impostos, daqueles que se vangloriam de não os pagar e sobretudo do Governo que nada faz para os obrigar a pagar e para os penalizar pela evasão e fraude ao fisco. Do Governo e das autoridades administrativas, policiais e judiciais que continuam indiferentes, inoperantes ou coniventes com os «off-shores dos pequeninos» descritos por Maria José Morgado e José Vegar no livro «O inimigo sem rosto - fraude e corrupção em Portugal» a propósito dos circuitos entre clubes, empresas e autarquias em que se reciclam proventos de negócios «informais» e esquemas criminais que defraudam o erário público e, assim, escandalosamente roubam Portugal inteiro.  No futebol há, decerto, gente honesta e respeitável; como há em todos os sectores da sociedade. Gente honesta paga impostos. No futebol, como noutros sectores da sociedade, há também gabirus (cf. Diccionário Enciclopédico Alfa: «gabiru - indivíduo velhaco, mariola, patife, espertalhão»). Haverá no futebol gabirus que pagam impostos. Mas há também, de certeza, gabirus do futebol que não pagam impostos e que até se gabam publicamente de não os pagar. Pois ele até há majores menores que enfiam a carapuça!...» Ana Gomes, in Major CarapuçasCausa Nossa 15dez2003.
  • Álvaro Amaro paga 40 mil euros e vai tomar posse como eurodeputado, titula o DN de 1 de julho de 2019.
  • "Querem uma prova de que a comoção com a terrível imagem de Óscar e Valeria nas margens do Rio Grande é enganadora? A Europa comoveu-se. E nem por um segundo se lembrou das 20 mil pessoas que morreram no Mediterrâneo nos últimos cinco anos. 550 só desde janeiro. Mais de um ser humano por dia. Muitas crianças a quem recusamos auxílio, uma boia. É mais fácil combater Trump. São os muros dele e a comoção sai de borla." Daniel Oliveira, in Os nossos Óscares, as nossas Valerias e a comoção grátis - Expresso Diário, 02/07/2019
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