Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

  • Ambiente Ondas3

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terça-feira, 17 de setembro de 2019

Aveiro: colaboradores da Ábaco Consultores plantam estorno em dunas

  • Semana da mobilidade em S. João da Madeira vai disponibilizar transportes públicos gratuitos, conta o Notícias de Aveiro.
  • A casa do guarda florestal de Vale de Cambra está a ser requalificada para albergar o Centro Interpretativo da Serra da Freita, sito na União das Freguesias de Vila Chã, Codal e Vila Cova de Perrinho. Este centro irá divulgar o património material e imaterial local, com recursos multimédia, com percurso de visita guiada que dê a conhecer as componentes ambiental e paisagística da zona serrana. Notícias de Aveiro.
  • Passadiço numa notória fundação do Porto só serve para afugentar ainda mais a passarada. 
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Alemanha investe 100 milhões na proteção de insetos

  • Os ambientalistas do Hubbub e o presidente da Câmara de Londres lançaram a iniciativa Give It A Grow, uma campanha que quer tornar a capital do Reino Unido mais verde e criar habitats para a biodiversidade urbana.  Foram distribuídos 10 mil kits de cultivo gratuitos, que incluem sementes de flores silvestres e de ervas aromáticas, bolbos de flores e  substrato para ser cultivado pelos interessados. A iniciativa surgiu na sequência de uma sondagem que revelou que 74% dos londrinos acreditam que os espaços verdes melhoram a capital e que 60% das pessoas querem saber mais sobre o cultivo de plantas em casa e sobre as plantas que se adequam aos seus espaços. 
  • A Alemanha vai investir 100 milhões de euros em programas de proteção de insetosEcocosas.
  • Dezenas de milhares de manifestantes climáticos marcharam para protestar no maior salão de carros da Alemanha em Frankfurt, usando o evento como uma plataforma para exigir que a indústria automóvel e não só dê prioridade a meios de transporte menos poluentes. DW.
  • Segundo a legislação europeia, os estados costeiros são obrigados a criar áreas marinhas protegidas para proteger espécies ou habitats específicos. Um relatório da WWF constatou que apenas 1,8% dos mares da Europa incluem áreas marinhas protegidas, com planos de gestão. The Guardian.
  • Escolas em duas cidades na parte indonésia da ilha de Bornéu foram encerradas após o fumo dos incêndios florestais ter feito com que a qualidade do ar atingisse níveis perigosos. Reuters.
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Bico calado

  • Marques Mendes é um contorcionista brilhante: recordem como o seu «pensamento» em relação ao BES evoluiu durante o mês de junho de 2014. Youtube.
  • «Os patrões são francos: para eles, a maioria absoluta é boa. Por isso, toca a apelar à dita, mostrando gratidão e confiança a quem não os quis incomodar com alterações das leis laborais e a quem não os quer incomodar com aumentos salariais. Tudo franco, tudo virtuoso. Na verdade, é essa franqueza virtuosa que os une – os três querem mesmo é ver-se livres da esquerda, esse empecilho.» José Manuel Pureza, in Dias de franqueza - As Beiras.
  • «O papel medonho dos jornalistas está na subserviência às pautas ditadas pelos barões que controlam os maiores veículos de comunicação do país. É uma postura humilhante, mesmo que se justifique pela necessidade do emprego e da sobrevivência. O comportamento servil daqueles que deveriam zelar e lutar pela independência do pensamento e da imparcialidade na interpretação dos fatos reflete um jornalismo que se rende como cúmplice voluntário às campanhas de ódio que soterram a missão de informar todos os aspectos de questões que irão impactar o cotidiano dos cidadãos. O atual jornalismo brasileiro está muito mais próximo à fraude e à omissão, afastando-se conscientemente da autenticidade que deveria guiar os profissionais da área. Não seria exagero afirmar que a verdade é vista frequentemente pela nossa imprensa como um elemento incômodo a ser contornado.» Alexandre Coslei, in O jornalismo servil - Observatório da Imprensa.
  • Pompeo acusa o Irão dos ataques de drones a poços de petróleo da Arábia Saudita. Pois claro. Ele próprio disse há pouco tempo: «Eu fui diretor da CIA. Nós mentimos, fizemos batota, roubámos»

  • Em 16 de setembro de 1982 registaram-se os massacres de Shatila e de Sabra. Saiba como e porquê. Youtube.
  • Como a Grã-Bretanha pode ajudá-lo a roubar milhões: um guia em cinco etapas, titula o The Guardian.
  • Juan Gaidó encontrou-se com 2 chefes de um cartel de droga colombiano, conta a RT.
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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Desenvolvimento sustentável: Portugal é 26º entre 162 países

  • A Assembleia Municipal de Vila do Conde atribuiu o reconhecimento de interesse público municipal a uma empresa de reciclagem de areias, que opera de forma ilegal no concelho há mais de 20 anos. O Fundo de Proteção dos Animais Selvagens de Vila do Conde acusa a autarquia de falta de transparência no processo. A presidente da Câmara, Elisa Ferraz (PS), considera que este reconhecimento de interesse público permitirá que a empresa inicie um processo de legalização, sob a alçada de várias entidades do foro económico e ambiental, que agora se irão pronunciar sobre o processo e fiscalizar a atividade. Opinião contrária manifestou a bancada do PSD: «Não estão reunidos os parâmetros necessários, perante a lei, para ter esse reconhecimento, nem o executivo trouxe a certificação que estavam cumpridas certas regras para ter esse estatuto, nomeadamente a apresentação de um estudo de impacto ambiental prévio e o reconhecimento da necessidade da empresa para o concelho», afirmou Luísa Maia. Ramiro Pereira, dá a sua versão desta decisão: «A assembleia municipal aprovou em reunião da passada sexta feira mais uma pérola para memória futura com esta deliberação: - Reconhecimento de Interesse Público Municipal – solicitado pela Sociedade Dragagens Raulino Gomes da Silva, L.ª – aprovado por maioria, com a abstenção dos eleitos pelo PS e o voto a favor da NAU. (…) o presidente da Junta de Arvore rodou 360 graus, porque era contra esta indústria em 2013, tentou algumas vezes visitar tal estrutura mas nunca o conseguiu, recebeu inúmeras queixas de moradores, e agora vem descaradamente dizer em plena Assembleia que nunca foi contra e que não há nem nunca houve queixas. Estamos a falar de uma empresa que tem as suas instalações em área identificada no PDM como Reserva Agrícola Nacional e não terá, segundo as noticias divulgadas e o próprio documento reconhece, as licenças das entidades competentes para efectuar as extrações que realiza (na zona fronteira das freguesias de Árvore/Tougues/Retorta) assim como para o tratamento de resíduos ali depositados. Labora há mais de 20 anos no local perante a inoperância, cumplicidade e conivência dos sucessivos executivos municipais - com responsabilidade acrescida do pelouro do Ambiente se é que existe? - e demais entidades fiscalizadoras sendo agora premiada com uma legalização administrativa sem qualquer analise de impacto ambiental. Mas a pérola pode ser resumida nesta afirmação intolerável: "atestam a importância da atividade desenvolvida, bem como a inexistência de qualquer reclamações ou impactos ambientais conhecidos". É lamentável a ligeireza com que todo este caso tem vindo a ser tratado pela Câmara Municipal de Vila do Conde e pelas Juntas de Freguesia envolvidas. Não é aceitável este tipo de procedimentos por parte dos nossos eleitos em que o infrator é, em vez de penalizado, beneficiado.»
  • O último relatório da ONU sobre desenvolvimento sustentável para 2019 coloca Portugal em 26.º lugar de um total de 162 países avaliados. Dos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, Portugal está a cumprir da melhor forma o sétimo, de energias renováveis e acessíveis, que deve garantir o acesso a fontes de energia fiáveis, sustentáveis e modernas para todos. Segundo o relatório, o país continua com grandes desafios na erradicação da fome e nos objetivos 12, 13 e 14: produção e consumo sustentáveis, ação climática e proteção da vida marinha, respetivamente. À semelhança da maioria dos países, Portugal tem tido um desempenho negativo no objetivo 13, da ação climática, que consiste em adotar medidas urgentes para combater as alterações climáticas nas políticas, estratégias e planeamentos nacionais. A ação climática foi avaliada pela emissão de CO2 na atmosfera e produção de dióxido de carbono nos produtos importados e exportados. A lista dos 10 países com desenvolvimento mais sustentável é liderada pela Dinamarca, seguida pela Suécia, Finlândia, França e Áustria. JN.
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EUA: Greenpeace bloqueia ponte Fred Hartman

  • Uma fuga de informação da Organização Internacional para as Migrações dos EUA sugere que a agência de refugiados da ONU está a autocensurar-se ao discutir a crise climática e o seu impacto global na migração, diz o The Guardian. Segundo o jornal britânico, as fontes da agência e informações posteriores sugerem que a agência está a evitar fazer referências diretas à crise climática quando se trata de projetos financiados pelo Departamento de População, Refugiados e Migração dos EUA e outras entidades governamentais dos EUA, como a USAID.
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Mão pesada

A BP foi multada em 400 mil libras por derrame de mais de três toneladas de petróleo bruto no terminal de Sullom Voe, em Shetland, Escócia. BBC.
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Reflexão: «Crise da Amazónia no Brasil está enraizada no seu passado fascista»


«Durante os anos 80, uma série de imagens e filmes chocantes mostraram uma enorme devastação que avançava em Rondônia. Aí, uma velha área de floresta tropical de tamanho semelhante ao da Grã-Bretanha estava a ser destruída a um ritmo recorde. Enquanto os incêndios geravam enormes nuvens de fumo, milhares de indígenas que viviam na floresta morreram nas mãos de fazendeiros e agricultores, mortos a tiros, envenenados ou deliberadamente infetados com varíola.

Esta devastação, retratada em documentários como "Década de Destruição", de Adrian Cowell, estava a ser financiada pelo Banco Mundial, que havia convencido a ditadura militar brasileira autoritária e não eleita, de que derrubar grande parte da floresta seria bom para a economia. O resultado dessa parceria foi o notório projeto Polonoroeste de 1981. O Banco Mundial emprestou cerca de 440 milhões de dólares e prestou apoio técnico a uma ditadura militar autoritária, conhecida por cometer atos de genocídio contra tribos indígenas na Amazônia, para pavimentar a estrada de terra 364 (intransitável durante a estação chuvosa, na época), ligar uma rede de estradas que cortaram a floresta tropical e forneçer infraestruturas para p alojamento de 30 mil famílias migrantes do sul do Brasil. Os contribuintes brasileiros, que não se manifestaram sobre o assunto, seriam obrigados a pagar o empréstimo com juros nas próximas décadas, enquanto presidentes neoliberais como Fernando Henrique Cardoso usavam a dívida do Brasil como desculpa para não financiar adequadamente os sistemas de saúde e educação. 0,19% do orçamento do projeto estava destinado a proteção ambiental.

No ensaio “Avenida dos sonhos desfeitos: a história por dentro do Projeto Rodoviário Polonoroeste do Banco Mundial na Amazónia brasileira", Robert H. Wade analisa as comunicações internas dentro do Banco Mundial durante a implementação da Polonoroeste. O chefe da Divisão de Programas, Robert Skillings, estava no Banco Mundial desde 1947 e considerava o projeto a sua obra-prima final antes de se aposentar. Um após outro, ele conseguiu neutralizar e afastar do projeto todos os tecnocratas de bancos que criticavam a operacionalidade, ética, direitos humanos e estratégias ambientais. Muitas pessoas dentro do banco sabiam que um desastre ambiental e de direitos humanos estava em marcha, mas as suas críticas foram silenciadas. (…)
Para o Banco Mundial, derrubar árvores e queimar petróleo ajudam no crescimento do PIB a curto prazo. Por enquanto. Tratar os danos ambientais como uma externalidade continua a ser um dos maiores problemas da economia monetarista/neoliberal até hoje. Se os danos ambientais de médio e longo prazo fossem calculados nos seus modelos de desenvolvimento, eles entrariam em colapso.
O desastre em Rondônia levou ao surgimento de ONGs ambientais internacionais como atores importantes no cenário internacional. Como resultado do fracasso de Polonoroeste, o Banco Mundial começou a consultar ONGs sobre todos os seus futuros projetos de desenvolvimento no Terceiro Mundo, embora muitas vezes lhes dessem pouco mais do que elogios.

Polonoroeste representou um dos últimos projetos de desenvolvimento em larga escala da Ditadura Militar, que foi deposta em 1985. Até hoje, oficiais militares da época recusam-se a admitir que foi um fracasso. Afinal, Rondônia é hoje um dos principais produtores de soja e carne transgénica para os mercados internacionais e, embora essas atividades sejam de baixa intensidade de trabalho, elas dão muito dinheiro aos grandes fazendeiros e fornecedores da cadeia de valor do agronegócio e com as empresas internacionais que lucram com eles, como a Cargill, que atualmente está expandindo a sua capacidade de exportar soja transgénica a partir do seu terminal de cereais de Porto Velho de 3,5 para 6 milhões de toneladas por ano.
Eu viajei Rondônia durante a última semana de julho. Aí soube que o governo de Bolsonaro está a planear duplicar Polonoroeste no Amazonas através de um processo a que chamam de “Rondonização”.
Quando Dilma Rousseff era presidente, a Rodovia 319, que liga Porto Velho à capital do Amazonas, Manaus, era uma estrada de terra intransitável durante a estação chuvosa. Após o golpe de 2016, Michel Temer cortou o financiamento ao Ibama, o órgão de proteção/ fiscalização ambiental, em 51% e começou a pavimentar a rodovia 319. O troço de 120 Km entre Porto Velho e Humaitá, no Amazonas, que atualmente é o epicentro de incêndios no Amazonas, já está pavimentado. Antes, levava dois dias para chegar de Porto Velho. Agora, como descobriram as multidões de jornalistas internacionais que pululam para a área, é alcançável em questão de horas. O governo Bolsonaro estripou ainda mais o Ibama e tornou disfuncional, demitindo os superintendentes em 22 estados e ordenando que interrompessem todas as atividades, a menos que sejam aprovadas em Brasília, por inimigos do ambientalismo ligados ao agronegócio internacional.
O governo está a avançar na pavimentação do restante da estrada até Manaus, e planeia estabelecer uma rede de estradas de serviço semelhantes que funcionam como "veias sugando tudo da floresta".

Durante o período em que a Ditadura Militar e o Banco Mundial trabalharam juntos na tragédia ecológica e de direitos humanos de Polonoroeste, Jair Bolsonaro foi capitão do exército. 16 dos seus ministros são generais aposentados que também trabalhavam na ditadura. Eles não acham que havia algo errado com o projeto, quer do ponto de vista ambiental quer de direitos humanos. É por isso que agora eles estão a começar a "Rondonizar" o resto da floresta tropical.» 
Brian Mier, in TruthDigg.


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Bico calado

  • Qual e o país da UE com o maior número de cidadãos (4,9 milhões) vivendo no exterior? É o país que chama os seus cidadãos que vivem no exterior "expatriados", em vez de os chamar "emigrantes".
  • Enquanto Boris Johnson desafia a lei e insiste que a Grã-Bretanha deixará a União Europeia em 31 de outubro, os seus apoiantes estão a ganhar biliões de dólares com o desastre. Segundo dados do órgão de fiscalização das eleições, a Comissão Eleitoral, e do Registro de Interesses Financeiros, entre 10 de maio e 23 de julho, Johnson recebeu 655.500 libras em doações. Destas, dois terços (432.500 libras) vieram de fundos de investimento, da City e de milionáriosByline Times.
  • Hipocrisia: enquanto vende “um mundo melhor”, dono do Rock in Rio faz vídeos para Bolsonaro. Por Nathalí Macedo.
  • Na Tailândia, fábricas de roupas que abastecem marcas mundiais, como a gigante do café Starbucks e a fabricante de equipamentos desportivos Bauer Hockey, foram fiscalizadas pela polícia e intimadas a compensar centenas de trabalhadores após uma denúncia de pagamento de salários abaixo do salário mínimo. Reuters.
  • Os moradores do distrito de Bento Rodrigues foram os primeiros a serem atingidos pela lama derramada da barragem do Fundão, em Mariana. Quase quatro anos depois da tragédia, um acordo do Ministério Público com as empresas responsáveis pode deixá-los sem casa mais uma vez. Proposta de desapropriação surpreende moradores de Mariana. Minuta de acordo entre Ministério Público, prefeitura de Mariana e governo de Minas, sem a participação de vítimas, propõe transformar distrito em museu a céu aberto. APublica.
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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Açores: ambientalistas propõem Parque Botânico nas Lagoas do Congro e dos Nenúfares

  • «Hoje, 10 de Setembro, assisti aos últimos minutos de uma longa vida. A araucária que ficava em frente ao portão do Liceu Antero de Quental (do lado dos rapazes), com cerca de 200 anos de idade, teve de ser abatida, por mostrar sinais de doença, constituindo perigo para as pessoas e bens que por ali estivessem ou passassem. Isso depois dela ter sido atingida por um raio, há tempos, segundo dizem. Foi uma árvore que viu muitas gerações de alunos entrarem e saírem por aquele portão, uns apressados e outros nem por isso. Também foi ela que testemunhou o que se passou em frente ao palácio da Conceição, no histórico dia 6 de Junho. Milhentas coisas teria ela para contar ao longo dos seus dois séculos de vida. Só ela viu quão nervoso eu estava, quando, à sombra do seu grande tamanho, num dia de primavera, eu, pela primeira vez, pedi namoro a uma rapariga do meu tempo de liceu. Ficam as recordações.» Weber Da Rocha Borges.
  • Em 2000, os Amigos dos Açores-Associação Ecológica, apresentaram uma proposta de classificação das Lagoas do Congro e dos Nenúfares como área protegida, o que viria a acontecer em 2007, ano em que o espaço foi classificado como Área Protegida para a Gestão de Habitats ou Espécies. Em 2008, Secretaria Regional do Ambiente e do Mar adquiriru uma parte daquela Bacia Hidrográfica, tendo, na altura, sido apresentada uma proposta de recuperação e gestão da área envolvente. Como, até à data o governo regional dos Açores nada fez para concretizar estas ideias, aquela associação lançou uma petição para se criar um plano de recuperação e gestão da mata ajardinada e para transformar o espaço num Parque Botânico.
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Polónia: Greenpeace protesta contra importação de carvão de Moçambique

  • O governo alemão está dividido em relação à criação de uma fundação climática que visaria atrair fundos de cidadãos através da emissão de "títulos verdes" com taxas de juros subsidiadas pelo Estado. Reuters.
  • Ativistas da Greenpeace bloquearam o descarregamento de carvão de um cargueiro procedente de Moçambique no porto de Gdansk, na Polónia, dois dias após uma tentativa de impedir que o mesmo navio atracasse. Os ativistas penduraram nas gruas duas faixas enormes, com a inscrição "Polónia sem carvão 2030", pedindo ao Governo polaco que proteja o clima e adote um plano de transição para o abandono do carvão até 2030. Macua.
  • A Willowton Oil, fabricante de óleo alimentar de Pietermaritzburg, responsável pela recente contaminação do rio uMsunduzi, prometeu mais assistência às comunidades afetadas pelo derrame massivo de 1,6 milhão de litros de óleo e soda cáustica. Após o derrame no rio Baynespruit, um afluente do uMsunduzi, milhares de peixes mortos flutuaram para os rios Msunduzi e Umgeni até 40 km a jusante da fábrica. Ambos os rios ficaram com uma cor acinzentada e leitosa. A poluição estendeu-se até a barragem de Inanda, uma importante fonte de abastecimento de água para Durban. Daily Maverick.
  • A Cricket Solar queria instalar 380 mil painéis solares em Culpeper County, no estado da Virginia. Acabou por desistir do projeto devido à renitência dos proprietários dos terrenos vizinhos de locais onde foram travadas batalhas durante a Guerra Civil. The Washington Post.
  • Quatro lagos vão começar a ser drenados na próxima semana em Guadalupe County, no centro do Texas, sem um plano para quando os lagos e as represas de 90 anos que os sustentam serão reconstruídas. Os proprietários da área, que receberam apenas um mês de aviso prévio, disseram-se surpreendidos e dizem que isso reduzirá os valores das suas propriedades, matará os ciprestes seculares e tornará os lagos, onde se realizavam torneios de esqui aquático, inutilizáveis. As autoridades alegam que duas das represas já tinham sofrido falhas desastrosas e representavam um grave problema de segurança capaz de provocar grandes inundações. The Texas Tribune.
  • Segundo uma recente investigação, os mosquitos geneticamente modificados produzidos pela Oxitec (Intrexon) escaparam do controle humano após testes no Brasil. Agora eles estão a espalhar-se no meio ambiente. Os mosquitos da febre amarela (Aedes aegypti) são geneticamente modificados para impossibilitar a sobrevivência dos filhotes. Após a libertação, eles deveriam acasalar-se com mosquitos fémeas das espécies que estão a transmitir doenças infecciosas, como a dengue, para diminuir as populações naturais. No entanto, a pesquisa agora publicada mostra que muitos descendentes dos mosquitos geneticamente modificados sobreviveram e estão a espalhar-se e a propagar-se ainda mais. Test Biotech.
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Reflexão – «Guardiãs do Sado»


«Chamam-lhes as "guardiãs do Sado". São pescadoras e mariscadoras que, com a ajuda de uma bióloga marinha, começaram a devolver ao mar o que dele tiram. 
Raquel Gaião Silva é voluntária na Ocean Alive e já conhecia a associação que incentiva as mulheres da comunidade piscatória do estuário do Sado a começar a mapear e monitorizar as pradarias marinhas. O trabalho da organização com estas pescadoras inspirou Raquel, também bióloga, a fazer um vídeo para mostrar às Nações Unidas (ONU) bons exemplos de ações locais na mitigação das alterações climáticas.
O mini-documentário vai ser o único projecto português a ser exibido na Cimeira do Clima da ONU, que se realiza a 23 de Setembro, em Nova Iorque.» Público.
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Bico calado

  • A Guerra ao Terror foi usada como plataforma de lançamento para aumentar a presença militar dos EUA em 80 países ou 40% das nações deste planeta - para construir um império militar.
  • The Guardian, o principal jornal liberal da Grã-Bretanha com uma reputação global de jornalismo crítico e independente, foi pressionado, com sucesso, pelas agências de segurança para neutralizar as suas reportagens sobre o 'estado de segurança', de acordo com documentos e evidências divulgadas recentemente. Os serviços de segurança do Reino Unido atacaram o The Guardian depois de o jornal ter começado a publicar o conteúdo de documentos secretos do governo dos EUA divulgados por Edward Snowden, da Agência de Segurança Nacional norte-americana em junho de 2013. Daily Maverick.
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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

Madeira: a quem interessa a destruição da ribeira dos Socorridos?


Há anos que a empresa Afavias extrai inertes da ribeira dos Socorridos, na Madeira. Tudo ilegal, garante Danilo Matos, que chega a sugerir haver matéria mais que suficiente para o Ministério Público intervir, apurar responsabilidades e até demitir Amílcar Gonçalves, Secretário Regional dos Equipamentos e Infraestruturas.
Tudo porque insiste que a maquinaria no local faz trabalhos de limpeza solicitados pelos regantes da levada dos Piornais, o que não é verdade. Danilo Matos garante: «A Afavias abriu uma estrada desde a britadeira até 1,5 km acima da lagoa de repartição das águas das duas levadas, chegando à base da Fajã das Galinhas. (Esta lagoa, mais ou menos ao quilómetro 3, é limpa manualmente de vez em quando, e onde, depois da Aluvião de 09 de Outubro de 1803, se faz a repartição das águas – 1/7 para a levada Nova de Câmara de Lobos e 6/7 para a levada dos Piornais do Funchal.) Essa estrada, como se pode ver, foi construída uma parte em betão, repito betão, ocupando metade do leito da ribeira entre o portão privado da Afavias para o roubo dos inertes e um pouco mais a cima da Central Hidroeléctrica dos Socorridos. Isto quer dizer que se impermeabilizou metade do leito da ribeira nesta extensão. É grave.»
Danilo Matos sublinha a fraca consistência dos argumentos avançados pelo Secretário Regional para justificar a intervenção da maquinaria, citando uma reportagem de Ricardo Duarte Freitas, no DN do Funchal: “No local constatou-se que havia uma empresa a realizar trabalhos de recuperação da madre de água da Levada dos Piornais…razão pela qual foi necessário criar um acesso provisório ao longo da margem fluvial até à zona da tomada de água da levada (…) apesar de não ter havido um pedido de autorização oficial para intervir em ambiente fluvial, verificou-se que o trabalho em questão não contribui para obstruir o leito ordinário, nem provocou constrangimentos ao normal funcionamento em toda a extensão do troço inferior desta ribeira”.
Danilo Matos refere que a intervenção foi suspensa, mas o perigo está lá: «É urgente avaliar a situação com peritos de capacidade técnica reconhecida, porque esta situação abandonada daquela maneira potencia gravemente uma situação aluvionar. Outubro vem aí e não é, propriamente, um mês amigo da ribeira dos Socorridos.
Historicamente as grandes aluviões foram neste mês: 09/10/1803; 24/10/1815; 24/10/1842; 29/10/1993; outubro/1997; novembro/1848.»
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Brasil: mais um defensor da Amazónia assassinado

  • O artista Klaus Littmann montou uma floresta de 300 árvores no estádio Woerthersee, com capacidade para 30.000 pessoas, em Klagenfurt, Áustria, para a exposição "For Forest", que será exibida até 27 de outubro. Euronews.
  • A canadiana Bee Vectoring Technologies acaba de receber a aprovação do ministério do Amnbiente para um fungicida orgânico que as abelhas podem transportar diretamente da colmeia para a colheita. A inovação pode ajudar os agricultores a eliminar a necessidade de pulverização química. Chama-se Vectorite, um pó branco que os agricultores colocam em bandejas especiais para as abelhas ou abelhões passarem quando saem da colmeia. O Vectorite integra uma forma refinada de Clonostachys rosea, um fungo que se alimenta de outros tipos de fungos que danificam as plantações. Na Flórida, a empresa utilizou esse sistema em campos de teste de tamanho comercial para reduzir o mofo cinzento nos morangos e aumentar o rendimento em pelo menos 10%. Na Geórgia, foi feito o mesmo com os mirtilos para eliminar o mofo cinzento. Fast Company.
  • As doações para quase todos os principais organizações ambientais aumentaram durante a administração Trump, garante uma análise da Axios citada pelo The Hill.
  • Assassinado trabalhador brasileiro que protegia tribos indígenas na Amazónia dos fazendeiros e madeireiros que tentavam tomar terras. Maxciel Pereira dos Santos terá sido baleado duas vezes na cabeça em Tabatinga, perto das fronteiras do Brasil com a Colômbia e o Peru, quando seguia na sua motorizada numa rua movimentada. Era funcionário da Funai há mais de 12 anos. BBC.
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Bico calado

  • Foi detido um técnico nomeado pela Federal Emergency Management Agency (FEMA) envolvido em fraudes relacionadas com 1,8 bilião de dólares atribuídos à empresa privad a Cobra Acquisitions Energy para ajudar a reparar a rede elétrica do país destruída pelo furacão Maria. Gizmodo.
  • Em Hong Kong, uma «jornalista» com um colete de jornalista, atira uma caixa metálica à cabeça de um polícia. Pior: parece que usar crianças é a última estratégia dos arruaceiros de Hong Kong.
  • Olly Robbins, o funcionário público que liderou os esforços de Theresa May para fechar um acordo Brexit com a União Europeia e se tornou um bicho-papão dos Eurocéticos, vai integrar o Goldman Sachs, informa o Financial Times.
  • Só na Faixa de Gaza, os militares israelitas feriram 30 jornalistas desde 22 de março, informou Michelle Bachelet, comissária da ONU em Direitos Humanos. MEM.
  • «Advoga que quem está a favor do acordo é o dono da razão? Não sei quem tem razão. Sei é que o debate, que devia ser linguístico, virou para muita gente uma questão patrioteira, sobre quem é o dono da língua. Acho isso muito estúpido. Devemos estar orgulhosos de uma língua que, por boas e más razões, é falada pelo mundo fora, mas não somos os donos dela. Só um idiota chapado é que acha que um povo que cabe num bairro. E dos mais pequenos, de São Paulo manda nesta língua. Mais do que caricato, é fascista. E lá está: no Brasil, os fascistas, Bolsonaro incluído, começam a dizer – “Em Portugal não querem o acordo.” E os de cá dizem o mesmo em relação ao Brasil. Une-os uma pulsão destrutiva. E, como num mau divórcio, vamos acabar todos sem nada, com uma língua destruída, em cacos, e quem se vai rir são os rivais desta língua. Há, ainda, a treta de os jornais portugueses, em vez de tomarem uma opção, permitirem aos seus cronistas que escrevam de acordo com a ortografia “X” ou “Y”, o que mostra fraqueza e medo – o tal amigo do fascismo. A solução é simples: o jornal toma uma opção e quem quer escrever lá continua a fazê-lo, com toda a liberdade, mas a ortografia é a aplicada pelo jornal e acabou-se. Aqui, às vezes, o jornal tem medo de perder a sua estrela. Mas sermos consequentes moralmente implica perdas.» Rui Zink, in Visão 29ago2019.
  • Entre 1998 e 2019, 306 escolas charter foram fechadas em Ohio, uma média de mais de uma escola charter encerrada por mês durante 20 anos. Dissident Voice.
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terça-feira, 10 de setembro de 2019

Madeira: governo quer asfaltar estrada que atravessa floresta laurissilva

  • O governo regional da Madeira quer asfaltar estrada que atravessa a floresta laurissilva, classificada como património mundial natural pela UNESCO há 20 anos. Ambientalistas protestam e ameaçam com instâncias internacionais. Para tal, laçaram uma petição contra a asfaltagem e betonagem do troço das Ginjas ao Paul da Serra (Estanquinhos).
  • A mítica zona balnear da Ferraria, em S. Miguel, Açores, está a ser alvo de profunda intervenção para facilitar o acesso à Poça das águas quentes. A Associação Amigos do Calhau critica a obra por agressiva e destruidora de parte do que resta do “Monumento Natural e Geológico” na zona da Poça.
  • A Câmara de Abrantes aprovou os pedidos de replantação de eucaliptos em várias freguesias do concelho, com os votos favoráveis da maioria PS, o voto contra do BE e a abstenção do PSD. Mediotejo.
  • «Está praticamente concluído um novo hospital do Grupo José de Mello Saúde, em Alcântara. (…) Um hospital enorme vai inaugurar numa das principais entradas e saídas da cidade de Lisboa, num dos extremos da Avenida 24 de Julho e praticamente encostado a um dos acessos à Ponte 25 de Abril. Se o estacionamento naquela zona é impossível e se os engarrafamentos são diários não é difícil prever o caos que se vai ali instalar. O atual executivo camarário lisboeta tem feito um bom trabalho, diria mesmo excelente em variadíssimas áreas, mas autorizarem a construção de uma estrutura destas naquele local é um erro monstruoso.» Pedro Marques Lopes.
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Austrália: Arca de Noé vai transferir peixes para refúgios

  • A ministra do Ambiente do Canadá, Catherine McKenn, passou a ter mais segurança segurança devido a abusos e insultos que recebeu on-line e pessoalmente. BBC.
  • Apicultores estão a processar a administração Trump por ter permitido o aumento do uso de de inseticidas. Yahoo.
  • A cinza de carvão é perigosa. A cinza de carvão é lixo. Mas, para o ministério do Ambiente dos EUA, a cinza de carvão não é lixo perigoso. NRDC.
  • A cidade de Houston foi intimada para, durante os próximos 15 anos, investir 2 biliões de dólares na correção e melhoria da sua rede de esgotos. Circle of Blue.
  • As zonas balneares do Mississippi estão encerradas há 2 meses devido a cianobactérias nas águas. Huffington Post.
  • Grandes incêndios têm destruído enormes áreas da floresta amazónica da Bolívia. Há quem relacione estes fogos com a legislação recentemente aprovada que permite os agricultores e fazendeiros a abater e queimar floresta para criar pasto para criar gado e exportá-lo para a China. Reuters.
  • Sete países amazónicos (Colômbia, Bolívia, Equador, Perú, Suriname, Guiana e Brasil) assinaram um pacto para proteger a maior floresta tropical do mundo por meio de coordenação de resposta a desastres e monitorização por satélite. Reuters.
  • Perante um verão muito quente e seco, o governo de Nova Gales do Sul lançou uma operação do tipo Arca de Noé para transferir peixes nativos do Lower Darling - parte do sistema fluvial mais significativo da Austrália - para refúgios antes que as altas temperaturas regressem ao país. The Guardian.
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Reflexão – «Ecoturismo ou greenwashing?»


«O Diário da República publicou no passado dia 3 de Setembro a Lei n.º 86/2019, que deveria envergonhar a Assembleia da República, tal é a pobreza do seu conteúdo, pese embora a proposta de lei tenha sido aceite em 18/07/2018 e andado um ano em discussão.
Trata-se de uma lei que começa por não definir o seu objeto: o que é, para o legislador, “ecoturismo”? (…)
É que, embora o ecoturismo possa dar um contributo positivo para a conservação da natureza e para o desenvolvimento local, também é evidente que, mal conduzido, está a tornar-se num problema ambiental, nomeadamente quando confundido com algumas formas de turismo na natureza que apenas exploram e degradam o meio, sem grandes ou nenhumas preocupações de sustentabilidade e de respeito pela cultura e pelas comunidades locais.
O rótulo “ecoturismo” está a ser um rótulo de marketing que muitos operadores turísticos e desportivos estão a usar abusivamente; uma forma de “lavagem verde” (greenwashing) do turismo, tal como é o “eco” em tudo o que é produto de consumo.
Não é por a lei dizer (art.º 3.º) que o ecoturismo deve garantir objetivos de sustentabilidade, de preservação das paisagens e de conservação da biodiversidade e dos ecossistemas naturais “básicos”, que ficamos tranquilos. 
E, já agora, o que são “ecossistemas naturais básicos”?
Depois, a Lei manda, e muito bem, elaborar Planos Regionais de Ecoturismo (PRE) até final de 2020, constituindo para isso grupos de trabalho em cujos membros foram lamentavelmente esquecidas instituições fundamentais, entre as quais cabe destacar o ICNF (Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas) e a Universidade.
E determina a Lei que os PRE identifiquem coisas já há muito identificadas, como sejam equipamentos para o ecoturismo, património natural e cultural, geossítios, sítios panorâmicos, produtos regionais, a ainda necessidades de investimento na conservação do património.
Esqueceu a Lei de referir (embora isso conste de uma proposta de alteração feita por um partido - o PAN - em 08/01/2019 - proposta que não foi aceite pelos outros partidos) que os limites do ecoturismo são, sempre, a capacidade de carga dos sítios. Sem este conceito plasmado na Lei não há ecoturismo e dá-se cobertura “eco” aos megaeventos e às multidões a usarem a natureza de forma insustentável, de que já temos exemplos de sobra em Portugal.
Embora esta iniciativa legislativa do PEV tenha mérito e oportunidade, dada a crescente importância do ecoturismo, a pressa da sua aprovação em final de legislatura fez sair um diploma incompleto e de pouco alcance prático, o que se lamenta.»
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Bico calado

  • «Uma coisa que agradeço é que não me contem historietas. Pois em relação à proposta do autarca de Santa Comba Dão para a criação de um “centro interpretativo” dedicado a Salazar, na terra natal do ditador, sintomaticamente a situar na cantina-escola Salazar, convenientemente sediada na avenida dr. António de Oliveira Salazar, não só nos querem contar uma historieta como, enquanto o fazem, tomam-nos por parvos. (…)A ideia é uma afronta à memória e, pior, adensa um espetro que paira sobre o futuro. Não sei se os historiadores de Coimbra têm dado conta, mas o regresso do fascismo não se fará de botas cardadas, com marchas militares e mecanismos repressivos como os do passado. É precisamente pela forma sonambúlica como se deixa entrever que o fascismo de hoje é assustador. Não ajudemos, por isso, a promover um voyeurismo mórbido em torno do “espólio” de um tirano.» Pedro Adão e Silva, in O museu Salazar nunca existiu – Expresso 7set2019.
  • «(…) Os militantes partidários das estruturas fazem parte da pressão para se fazer sempre o mesmo. Querem o líder para passear na sua terra, levá-lo a cumprimentar o senhor Francisco, comerciante, que é muito “amigo” do partido, ou seja, ajuda a financiar as campanhas locais. E trazer o líder a encontrar os seus conhecidos locais é um factor de influência e importância, mesmo que tudo se passe numa redoma que nunca muda há dezenas de anos, a não ser quando o senhor Francisco morrer ou se zangar com o partido. E há nos partidos quem goste muito de campanhas eleitorais. As campanhas hoje são essencialmente feitas em outdoors, em páginas do Facebook mais ou menos profissionalizadas e em pseudo-eventos de rua, e há muito dinheiro a ganhar aí. Militantes das “jotas” são pagos para acompanhar o líder em caravanas de terra em terra. Empresas e pseudo-empresas “amigas” ligadas aos partidos, ou, melhor, aos funcionários e militantes do partido, oferecem serviços de marketing, de importação de “brindes”, de organização de eventos, numa rede que se ilumina nas campanhas eleitorais. A comunicação social, cuja cobertura é tão estereotipada como as campanhas, precisa dos eventos artificiais como as “arruadas” e os pseudocomícios para ter alimento de imagens, sons e incidentes anedóticos para encher os telejornais e os jornais e, se não lhos derem, desata a protestar pela “pobreza” da campanha, ou pelos “erros de comunicação”, ou a referir as ausências que devem ser punidas. Tudo isto se passa num ambiente de desertificação de ideias e propostas, e tudo o que é mais sério ou não é coberto ou é tido como sem interesse mediático. E por aí adiante. Deviam todos parar para pensar, mas nos dias de hoje parar para pensar é tão contraditório com o estilo de vida centrado nos devices, nos telemóveis e nas redes sociais, que é um acto quase de per si revolucionário. E nós não temos uma abundância de revolucionários. E pensar exige tempo lento, silêncio, solidão e espaço e é tão hostil à ecologia da pressa, do barulho, das 24 horas em directo. (…)» José Pacheco Pereira, in Público 8set2019.
  • Cristas fez arroz de atum, comprou sapatilhas de contrafação na feira, mais uns dias e está a pedir o rendimento mínimoPedro Tomás.
  • «Adriano Moreira foi também ministro de Salazar e não podia ignorar as torturas da Pide, as prisões sem culpa formada, as medidas de segurança, a violação da correspondência, os degredos, os Tribunais Plenários e as enxovias do regime. Era um homem inteligente e informado. Sabia que a Pide matava. Aliás, como subsecretário de Estado do Ultramar (59/61) e ministro da pasta (61/63) foi o responsável da polícia política nas colónias. Hoje já poucos se lembram de que foi ele quem assinou a portaria que reabriu o Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, dessa segunda vez destinado aos presos dos movimentos de libertação das colónias. Preferem lembrar que foi democrata na juventude e no pós-guerra, quando, após a derrota do nazi-fascismo, a Inglaterra prometia acabar com todas as ditaduras europeias e Salazar e Franco tremeram. Quando a cadeira livrou Portugal do ditador de Santa Comba foi em Adriano Moreira, além de Marcelo, que os próceres da ditadura pensaram. Era um bom académico? – Sem dúvida, como Marcelo. Mas como ministro do Ultramar, para lá da reabertura do campo da morte lenta do Tarrafal, não teve conhecimento dos atos bárbaros com que as Forças Armadas Portuguesas responderam à crueldade da primeira sublevação em Angola? Ou defendia a pena de Talião? Foi no seu tempo que se cometeram algumas das mais cruéis punições militares. Não tinha força para as impedir? Mas foi determinado a demitir o general Venâncio Deslandes de cuja fidelidade desconfiou. (…) » Carlos Esperança
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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Há já muito tempo que devíamos estar a poupar e racionar água...

  • Portugal está em risco elevado de escassez de água, titula o Expresso. Mas não se vê nenhuma campanha de poupança de água. POUPEM-NA! Ou será preciso esperar que o Estado pague aos media para fazerem essa campanha?
  • Portugal, Espanha, sul de França, Itália, e Grécia podem enfrentar uma redução nos lucros da agricultura, o que pode resultar na perda de terras agrícolas e no abandono da atividade pelos agricultores, diz um relatório da Agência Europeia do Ambiente. O valor dos terrenos agrícolas nas regiões sul da Europa deverá diminuir entre 60% e 80% até 2100, com dois terços dessa queda de valor concentrada em Itália, onde a perda agregada pode variar entre 58 e 120 biliões em 2100, aproximadamente uma redução de 34-60% em comparação com o período de referência 1961-1990. A frequência da seca aumentará, especialmente no Mediterrâneo durante a primavera e o verão. Nessas áreas, as temperaturas mais altas também podem afetar o setor pecuário em termos de agravamento da saúde animal e redução da produção pecuária. Por outro lado, os valores dos terrenois  agrícolas podem aumentar 8% na Europa Ocidental e numa porcentagem ainda maior nos países nórdicos e bálticos. EurActiv.  
  • Em 2022, Grenoble vai introduzir um sistema de controlo de recolha de resíduos que possibilitará poupanças significativas de taxas para os moradores que cumprem a legislação em vigor em termos de separação. Reporterre.
  • Uma investigação do Business & Human Rights Resource Center (BHRRC) revela que 87% das 23 maiores empresas de mineração de cobalto, cobre, lítio, manganês, níquel e zinco,  - os seis minerais essenciais para o setor de energia renovável -, enfrentaram acusações de abuso, incluindo violações dos direitos à terra, corrupção, violência ou morte nos últimos 10 anos. The Guardian.
  • Os EUA anularam a proibição de lâmpadas ineficientes que deveria entrar no início de 2020. Alega-se que isso seria mau para os consumidores devido ao custo mais alto das lâmpadas eficientes. BBC.
  • A Equinor confirma a ocorrência de um derrame de petróleo no seu terminal de armazenamento nas Bahamas após a passagem do furacão Dorian. Reuters.
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Reflexão – Voos baratos estão a dar cabo do planeta


«Se a aviação fosse um país, seria um dos 10 principais poluidores. As emissões da aviação estão s aumentar mais rapidamente do que qualquer outro setor da economia», diz Nick Meynen, do European Environmental Bureau. Segundo a Transport & Environment, com sede em Bruxelas, a poluição causada por vôos na Europa aumentou 26% nos últimos cinco anos - superando em muito qualquer outro modo de transporte.
“Todas as soluções para alegadamente reduzir as emissões da aviação não passam de cortinas de fumo. A única maneira de combater os impactos climáticos da aviação é voar menos, mas neste momento tudo incentiva as pessoas a voar – quer pelos preços baratos, pela propaganda ou simplesmente pela falta de alternativas», acrescenta Meynen
Para além do impacto climático de voor, a expansão contínua das infra-estruturas da aviação pode desencadear conflitos socioambientais - mais de 300, segundo a rede global Stay Grounded
https://stay-grounded.org/
e o Instituto de Ciência e Tecnologia Ambiental da Universidade Autónoma de Barcelona (ICTA-UAB)
Como a indústria prevê uma duplicação de passageiros nos próximos 20 anos, cresce a procura de novos aeroportos maiores, o que, por sua vez, levará a volumes ainda maiores de vôos. Segundo a Stay Grounded, 550 novos aeroportos ou pistas estão projetados ou em construção em todo o mundo, sem contar com a expansão de pistas e de novos terminais. Esses projetos têm consequências pesadas, como despejos forçados, ocupação de terras, desflorestação e perda de biodiversidade e problemas de saúde entre os moradores locais devido à alta exposição a poluentes e ruídos.
“São principalmente os que não são passageiros que suportam o peso da crise climática e os efeitos negativos da expansão do aeroporto, como questões de apropriação de terras, ruído e saúde. As comunidades do Sul global, que mal contribuíram para a crise, são as mais afetadas. O problema da aviação faz parte de uma história de grande injustiça”, sublinha Meynen.
Em meados de julho, a Stay Grounded e a ICTA-UAB organizaram a conferência 'Degrowth of Aviation' em Barcelona para discutir medidas para reduzir a aviação e os seus impactos. A conferência reuniu 200 pessoas de movimentos sociais, ONGs e universidades para discutir medidas e estratégias concretas para reduzir o tráfego aéreo.
Foram destacadas sete estratégias para reduzir a aviação e construir um sistema de transporte justo. Aqui estão alguns deles.
Isenções fiscais finais
Embora os impostos não resolvam todos os problemas, subsidiar a indústria de aviação e isentá-la de impostos só pode alimentar os efeitos colaterais de voar.
“Não há IVA nas passagens aéreas, o que favorece as aeronaves em detrimento de outros meios de transporte. Além disso, não há imposto sobre o querosene, usado para produzir combustível de aviação. Esta é a principal razão pela qual voar é mais barato do que andar de comboio”, explica Meynen.
Além de acabar com os privilégios fiscais para a indústria da aviação, uma taxa de passageiro frequente poderia ajudar a garantir que os poucos passageiros que voam muitas vezes por ano são os que pagam a conta pelo verdadeiro custo das viagens aéreas.
Acabar com voos curtos e domésticos e promover alternativas
Limitar os voos que podem ser facilmente substituídos por viagens de comboio ou de autocarro, e ao mesmo tempo melhorar as infraestruturas para viagens terrestres, é fundamental para incentivar uma maneira mais justa e sustentável de transportar pessoas e mercadorias.
Limitar as infraestruturas aeroportuárias
A expansão de aeroportos e a construção de novos para satisfazer a crescente procura de voos estão, por sua vez, a aumentar essa mesma procura, pois o aumento da capacidade exige mais voos. Por outro lado, abster-se de construir novos aeroportos, estabelecer limites para números de voo e ruído e reduzir aeroportos existentes sempre que possível, são estratégias importantes para reduzir a nossa dependência da aviação e seus danos colaterais nas comunidades locais e no Ambiente.
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Bico calado

  • A queda de um helicóptero em Sobrado, Valongo, provocou a morte do seu piloto. A vítima mortal era comandante dos Bombeiros Voluntários de Cete, em Paredes e era piloto da Força Aérea Portuguesa. Estava de férias e tinha autorização para estar ao serviço da Afocelca, um agrupamento complementar de empresas ligado às celuloses que possui uma estrutura profissional de apoio ao combate aos incêndios nas propriedades dos grupos Navigator e Altri e nas zonas limítrofes. O helicóptero, apesar de não estar ao serviço da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil, integra o dispositivo de combate aos incêndios rurais. Público.
  • O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, criticou a chefe de direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, que é do Chile, elogiando o golpe militar de 1973 no país. EEfira-se que o pai de Bachelet, um piloto da força aérea chilena, apôs-se a Pinochet, foi preso e torturado, tendo morrido em 1974 na prisão. AP/TruthDig. A resposta de Piêra, presidente do Chile, não se fez esperar: desancou no homólogo brasileiro. Ambos são de direita, mas um não presta mesmo.
  • Uma epidemia de violência armada levou o município de San Francisco a votar por unanimidade uma declaração considerando a National Rifle Association (NRA) «uma organização terrorista doméstica» e apelou a outras "cidades, estados e governo federal a fazerem o mesmo". DW.
  • «Jo Johnson, o irmão mais novo do primeiro-ministro Boris Johnson, renuncia ao cargo de deputado e ministro, dizendo que está "dividido entre a lealdade à família e o interesse nacional"», titula a BBC.
  • Há meses que artigos, notícias e entrevistas nos media corporativos descrevem os protestos em Hong Kong como pró-democracia. Porém, esses protestos têm envolvido muito vandalismo e violência, cenas que não foram cobertas por esses media. E, quando essas cenas negativas foram divulgadas, a Google censurou, suspendendo cerca de mil contas do Twitter e 210 canais do Youtube, alegando tentar impedir prejuízos sobre a legitimidade política desses protestos. Workers’ World.
  • «Pertenço ao número de pessoas que estão contentes com este governo de esquerda. Mais: também estou contente com o nosso presidente de direita. Marcelo e Costa fazem muito bem à saúde. Há uns tempos, falava com um amigo meu, o Manuel Serrão, e os dois estávamos de acordo, sendo ele de direita e eu de esquerda, que a diferença de Cavaco/Passos para Marcelo/Costa está em que estes, ao menos, não têm vergonha de ler um livro. E também não têm vergonha de ser políticos.» Rui Zink, in Visão 29ago2019.


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quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Decreto-lei proíbe louça de plástico de utilização única na restauração

  • O Decreto-lei que proíbe louça de plástico de utilização única na restauração foi publicado em Diário da República. Estão abrangidos utensílios como pratos, tigelas, garfos, palhinhas, entre outros que só possam ser utilizados uma única vez. Via Notícias ao minuto.
  • A Alemanha vai proibir o uso do glifosato a partir do final de 2023 e limitará a sua aplicação antes disso. Esta decisão ocorre depois do parlamento austríaco ter aprovado, em julho, um projeto de lei que proíbe todos os usos de glifosato e após cerca de 20 presidentes de Câmara franceses o proibirem no mês passado. Reuters.
  • O governo de Aberta, a província canadiana de petróleo, lançou uma cruzada contra tudo e contra todos os que combatem a fraturação hidráuliva para extrair combustíveis a partir de areias betuminosas. Até criou uma «célula de guerra» para combater a «desinformação» e defender, entre outras coisas, a exploração de areias betuminosas. Reporterre.
  • Terra devastada chega a valer até 20 vezes mais que floresta de pé na Amazônia, escreve Tatiana Farah no BuzzFeed.
  • Uma das principais conferências mundiais de petróleo e gás, Oil & Money, vai mudar o seu nome para Forum de Inteligência Energética (Energy Intelligence Forum). Dizem os organizadores que é para refletir a mudança mundial para energia mais limpa na luta contra as alterações climáticas. Reuters. Claro que é treta, greenwashing puro. 
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Reflexão – «As árvores são essenciais para combater o calor urbano, mas as cidades continuam a perdê-las»


«A cobertura arbórea de Park DuValle, Louisville, Kentucky, é cerca de metade da média da cidade. Sendo uma das zonas mais pobres de Louisville, alinha com a tendência de toda a cidade: as áreas mais ricas da cidade têm até duas vezes mais árvores do que as áreas mais pobres. 
As árvores podem desempenhar um papel enorme na saúde das pessoas que vivem nas cidades, mas em todo o país, as cidades estão a perder milhões de árvores ano após ano. E muitos bairros urbanos pobres lideram essa tendência.
«O mapa da cobertura arbórea de qualquer cidade da América corresponde ao mapa do rendimento das pessoas que vivem nessas zonas», diz Jad Daley, presidente e CEO da American Forests. «Muitas vezes isso revela um mapa de raça e etnia.»
Essa falta de cobertura de árvores pode tornar o bairro mais quente, e uma investigação conjunta da NPR e do Howard Center for Investigative Journalism da Universidade de Maryland descobriu exatamente o seguinte: zonas de baixos rendimentos em dezenas de grandes cidades dos EUA têm mais probabilidade de ser mais quentes do que as zonas correspondentes mais ricas, e essas zonas são desproporcionalmente comunidades de cor.
Um estudo do Instituto de Tecnologia da Geórgia descobriu que Louisville está a ficar mais quente mais rapidamente do que qualquer uma das 50 maiores áreas metropolitanas dos EUA, em comparação com as áreas rurais à sua volta. Uma razão pela qual as cidades tendem a ser mais quentes? Menos árvores.
Louisville tem perdido 54.000 árvores por ano devido ao desenvolvimento, desastres naturais, doenças, espécies invasoras e falta de cuidados com as árvores. E não está só. De 2009 a 2014, 44 estados perderam a cobertura arbórea em áreas urbanas - cerca de 28,5 milhões de árvores perdidas por ano, segundo o Serviço Florestal dos EUA.
Louisville luta contra um déficit orçamental de 35 milhões de dólares, e isso já implicou cortes em bibliotecas, piscinas e bombeiros.» NPR.


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Mão pesada

A Pencefn Feeds Ltd foi multada em 40 mil libras por responsabilidade no derrame de efluentes não tratados que poluiu o rio Teifi, no País de Gales, e matou 18 mil peixes. Tivyside Advertiser.
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Bico calado

  • «No livro percebe-se que “um bom fascista” tem de ser também mesquinho. Claro. Um exemplo: o ódio e a fúria dos portugueses contra a trotineta. Ocupam os lugares nos passeios, uma velhinha não pode passar, e muita gente se regozija quando pega na trotineta e a atira com violência. Acho um pouco estúpido as pessoas não usarem essa fúria contra algo que faz muito pior, que ocupa mais os passeios, que chateia mais gente e até mata, que são os carros. Há a incapacidade de perceber que a autossatisfação do ódio À trotineta e À bicicleta é, bna verdade, o ódio ao fraco.» Rui Zink, in Visão 29ago2019.
  • «Educação: Igreja quer formação de professores católicos para lidar com “ideologia de género” Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé defende que é preciso formar catequistas, professores de EMRC e professores das escolas católicas para responder ao que classificou como “ideologia de género”». Público. Até parece que é a Igreja que paga esses professores…
  • Exposição com charges sobre Bolsonaro é retirada da Câmara de Vereadores de Porto Alegre. Presidência da casa alega 'desrespeito' e conteúdo 'ofensivo'. Vereador que propôs a mostra reclama de 'censura'. Globo.
  • A Califórnia vai pagar mais a prisioneiros para ajudarem a combater fogos florestais. Gizmodo.
  • Agentes de direita aliados ao presidente Donald Trump estão a tentar recolher pelo menos 2 milhões de dólares para financiar uma campanha para desacreditar jornalistas e editores nos principais media dos EUA, como o Washington Post, Buzzfeed, New York Times e HuffPost denuncia a Axios.
  • Dois oligarcas ucranianos tornaram-se os maiores proprietários de imóveis em Cleveland através de um importante esquema de lavagem de dinheiro.
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quarta-feira, 4 de setembro de 2019

Zova Zelândia proíbe nadar com golfinhos

  • Advogados da ClientEarth estão a notificar 100 autarquias locais em toda a Inglaterra, avisando-as de que violarão as suas obrigações legais se não introduzirem planos adequados de combate às alterações climáticas.
  • No Cazaquistão, a maior produtora mundial de urânio, a Orano (anteriormente Areva), vai arrasar uma floresta protegida para explorar um depósito. Reporterre.
  • Um tribunal da província de Aceh, na Indonésia, ordenou a suspensão de um projeto hidrelétrico projetado para o ecossistema Leuser, na Sumatra, após organizações ambientalistas terem processado o governo alegando uma possível destruição ambiental e violação das leis de zoneamento. A área é o último lugar na Terra que abriga tigres selvagens, rinocerontes, orangotangos e elefantes, espécies criticamente ameaçadas de extinção cujo habitat seria inundado e fragmentado pela barragem e suas estradas e linhas de energia. Os moradores da região também se opuseram amplamente ao projeto, que, segundo eles, represaria o rio do qual dependem e os obrigou a mudar para dar lugar à albufeira. Mongabay.
  • A Zova Zelândia acaba de proibir as pessoas de nadar com golfinhos. O Camboja e o Hawaii vão fazer o mesmo. BBC.
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Memórias curtas


No Ambiente Ondas3, os três textos mais populares da última semana foram, segundo a Google Analytics:
Durante o mesmo período, a maioria das visitas vieram, por ordem decrescente, dos seguintes países: Portugal, EUA, Brasil, Alemanha, França, Holanda, Irlanda, Bélgica e Espanha. 

Ainda durante este período, a proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa, foi a seguinte: Lisboa, Porto, Aveiro, Coimbra, Faro, Braga, Santarém, Leiria, Viseu e Castelo Branco.
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Bico calado

  • A marginalização e o racismo forçam centenas de ciganos na Roménia a viver em Pata Rât, o maior gueto da Europa relacionado com resíduos. Reportagem de Elise Mazaud, na META.
  • Cuba tem 9 médicos por mil habitantes, titula a Telesur.
  • O Jewish Chronicle foi intimado a indemnizar a ONG palestiniana Interpal  em 50 mil libras por a associar a atividades terroristas. Third Sector.
  • Uma fuga de gravações revelaram que o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu continuou a intervir na política dos media de Israel, apesar de ter sido forçado a demitir-se de ministro das Comunicações enquanto aguarda investigações sobre o seu alegado envolvimento  em corrupção. Netanyahu foi ministro das comunicações entre novembro de 2014 e fevereiro de 2017, mas foi forçado a renunciar quando surgiram as alegações de que ele tinha usado esse papel para fornecer benefícios regulatórios ao magnata dos media Shaul Elovitch, proprietário da maior empresa de telecomunicações de Israel Bezeq, em troca de benefícios de cobertura mediática. No que posteriormente se tornou conhecido como Case 4000, Netanyahu enfrenta acusações de suborno, fraude e abuso de confiança que, se considerado culpado, poderiam vê-lo cumprir até dez anos de prisão. MEM.
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terça-feira, 3 de setembro de 2019

Sorraia: açude demolido

  • Foi demolido o açude construído no rio Sorraia em julho pela Associação de Beneficiários da Lezíria Grande de Vila Franca de Xira, para assegurar o sistema de irrigação dos campos agrícolas e evitar a perda total das culturas de tomate ali existentes. O Mirante.
  • Villeneuve-le-Roi, um subúrbio de Paris, está a testar um novo sistema que pode identificar veículos barulhentos, localizá-los e multá-los automaticamente. Tudo contra os abusos do ruído noturno. Reuters.
  • Nos EUA, os grandes agricultores do Midwest, que deram a vitória a Trump, estão em pé de guerra contra a Casa Branca não só devido à guerra comercial do presidente, mas também porque a Agência de Proteção Ambiental isentou recentemente 31 pequenas refinarias das regras que exigiam que misturassem etanol, que vem do milho, no seu suprimento de combustível. Essas isenções obrigam os agricultores a lidar com a perda de receita com o desperdício de colheitas.  NBC.
  • A América Latina viu a maioria dos defensores ambientais assassinados em 2018. 83 dos 164 defensores ambientais mortos em todo o mundo em 2018 eram da América Latina. A Colômbia foi a mais mortal, com 24 mortes em 2018, seguida pelo Brasil com 20, Guatemala com 16 e México com 14. Estas mortes são causadas principalmente por conflitos sobre a mineração, agricultura e a defesa de fontes de água. Mongabay.
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Reflexão –Enquanto a Amazónia arde (5)


Os incêndios na Amazónia marcam o fim do REDD (Reducing Emissions from Deforestation and Forest Degradation; em português, Redução de emissões decorrentes do desmatamento e da degradação de florestas), por Lauren Gifford, in REDD Monitor.

Lauren Gifford, é uma geógrafa de ambiente humano especialista em política climática e conservação de florestas na Amazénia desde 2007.

À medida que a floresta amazónica arde e atinge o que alguns cientistas chamam de “ponto de inflexão”, apara além do qual nunca recupere, é hora de propor o fim à experiência REDD +, o mecanismo de desenvolvimento projetado para compensar a poluição por dióxido de carbono através de investimento em conservação de florestas tropicais. A tentativa de reduzir as emissões da desflorestação e degradação falhou.
Os incêndios na Amazônia brasileira são, em parte, processos típicos do ecossistema florestal, como alguns especialistas em florestas têm dito. Mas eles também são o produto de forças económicas e políticas complexas, lideradas por um regime político anti-indígena, faminto por dinheiro e poder. Não devemos esquecer a retórica política que provocou a violência neste ecossistema inestimável, e as pessoas que dependem disso para sobreviver.
Desde que assumiu o cargo em 1 de janeiro, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro estimulou o sentimento anti-indígena. Ele falou sobre o valor dos recursos na Amazónia e considerou as comunidades indígenas e dependentes da floresta como obstáculos à extração e acumulação de capital. Ele negou as reivindicações de posse de terras indígenas e incentivou o assassinato, abuso e deslocalização violenta de comunidades indígenas. Os incêndios a que assistimos são o resultado direto do incentivo de Bolsonaro para as indústrias extrativas tirarem o que quiserem; os incêndios são a imagem principal do desprezo patrocinado pelo Estado pela cultura, ecologia e biodiversidade da Amazónia. Eles são a personificação do capitalismo e do fascismo sem freio.
O REDD foi projetado para incentivar os proprietários de terras a manter florestas em troca de pagamentos que eclipsavam os lucros da desflorestação e usos subsequentes da terra, como agricultura ou pastagem. Mas o REDD nunca foi projetado para combater a violência generalizada sancionada pelo Estado. Se as pessoas que gerem as florestas estão mortas ou despojadas, quem resta para proteger a terra do desenvolvimento e do extrativismo?
Os incêndios na Amazónia denunciam a falácia do REDD em proteger as florestas e sequestrar o carbono desonesto. O envolvimento contínuo com o REDD mostra como as ONGs e os governos estão, no fundo, estritamente motivados pelo negócio do desenvolvimento - a redistribuição do capital sob o disfarce de virtude - e menos preocupados com a ação climática, e a proteção das florestas e das comunidades que dependem delas. As ONGs cada vez mais marcam os “co-benefícios” para os projetos de REDD, onde o financiamento da conservação é gasto numa série de projetos bonitinhos envolvendo equidade de género, silvicultura baseada na comunidade ou melhoria dos meios de subsistência locais. Mas esses são projetos de desenvolvimento, e as investigações que eu e outras pessoas fizeram mostraram que eles fazem pouco para combater a crise climática ou o sequestro de carbono.
Há cerca de 12 anos, o REDD foi adotado pela comunidade de políticas climáticas globais como um mecanismo de desenvolvimento ambiental que serviria o duplo objetivo de proteger as florestas tropicais ameaçadas, enquanto abordava as concentrações de carbono na atmosfera. Os poluidores investiriam na conservação da floresta, o que protegeria contra a desflorestação   e a degradação florestal, o que, por sua vez, promoveria o aumento do sequestro de carbono, removendo assim o carbono causador da crise climática. Cada tonelada de carbono é contabilizada, valorizada e creditada, e o carbono florestal sequestrado negociado nos mercados internacionais de carbono - permitindo que os poluidores equilibrem os seus orçamentos regulatórios de carbono, ou se orgulhem de tomar medidas para a neutralidade do carbono. Mapas de sumidouros de carbono vivo acima do solo (ie árvores) foram divulgados mostrando o Brasil como “a Arábia Saudita do carbono vivo”, como um dos meus professores de pós-graduação chamou, aludindo à quantidade de dinheiro que poderia circular a partir da venda de créditos de carbono florestal da Amazónia.
Embora tenha havido alguns projetos de vitrine “bem-sucedidos” na América Latina e no Sudeste Asiático, em geral o REDD não cumpriu as suas promessas. Porém, a desilusão no mecanismo de REDD é um assunto tabu em muitos círculos de desenvolvimento e conservação.
Durante anos, muitos líderes de governo, ONGs e académicos rejeitaram as críticos ao REDD como pessimistas de esquerda. De facto, muitos professores que orientaram a minha investigação, foram rápidos em marginalizar as críticas ao REDD considerando-as argumentos para ativistas e pessoas desinteressadas em soluções “reais” para a crise climática.
Como crítica de longa data do REDD, encontrei uma resistência significativa de académicos, voluntários de ONGs e líderes governamentais que estão empenhados em ver o REDD passar. A minha experiência não é única. A raiva dos críticos de REDD, e mesmo daqueles que simplesmente levantam muitas questões, ocupou uma grande parte de uma recente reportagem da ProPublica sobre os fracassos do REDD. Eu ainda não entendo o nível de investimento institucional e pessoal num mecanismo de desenvolvimento que falhou. Por que é que o REDD é a espada sobre a qual tantos praticantes do desenvolvimento estão dispostos a dar a vida?
Quando eu considero o REDD um problema, muitas vezes perguntam-me «Então, qual é a solução?» A minha resposta é: «A solução para o quê? Que motivações tem para participar num um projeto de compensação de carbono florestal? Qual é o seu obejtivo final?» Se o seu objetivo é apoiar o sequestro de carbono em larga escala para lidar com a crise climática, o REDD não é a resposta. Se você quer dinheiro para apoiar projetos de desenvolvimento baseados em florestas, então o REDD está bem para isso. Mas não lhe chame de mitigação climática quando não é.
Muitos países e empresas envolvidas em esquemas de mercado de carbono investiram no REDD para créditos de compensação de carbono florestal. A Noruega é um dos maiores investidores, como parte de sua Iniciativa Climática e Florestal Internacional, mas o estado norte-americano da Califórnia também está envolvido no REDD. Apesar do significativo retrocesso, o California Air Resources Board ainda pensa apoiar o seu “Tropical Forest Standard”, que permitiria investimentos em projetos do REDD como compensações ligadas ao mercado de carbono do estado. Isso é significativo porque os créditos do REDD permitem que os poluidores da Califórnia continuem a poluir localmente, enquanto investem em projetos de conservação florestal no sul global, muitas vezes na Amazónia.
Como os incêndios na Amazónia continuam a queimar, as comunidades indígenas são brutalizadas e marginalizadas. No entanto, os negociantes de créditos de carbono do REDD não sentirão o impacto. O mecanismo tem contingências e apólices de seguro para proteger contra coisas como vazamento (quando a desflorestação é prevenido num lugar, mas ocorre noutro) e impermanência (coisas como infestação de pragas, ou ... incêndios). O REDD oferece indemnização pelo investimento financeiro, mas não indenização pelo meio ambiente. Os poluidores cujos orçamentos de carbono dependem dos créditos dos projetos de REDD da Amazônia? Eles têm apólices de seguro para cobrir as suas perdas. É pena o planeta não ter o mesmo. O REDD está morto.

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