Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

  • Ambiente Ondas3

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quinta-feira, 29 de junho de 2017

Enquanto uns buscam bodes expiatórios, Ferrarias de São João e Aguda plantam árvores contra fogos

Garganta do Dades, Marrocos. Imagem capturada aqui.

Reunidos em Assembleia de Moradores, 50 habitantes e proprietários de terrenos de Ferrarias de São João deliberaram por unanimidade a criação de uma Zona de Proteção da Aldeia (ZPA), com 100 metros de largura à volta da aldeia, onde não haverá mais «árvores-gasolina». «Serão arrancados os eucaliptos e raízes dentro desta zona e plantadas árvores como sobreiros e outras folhosas de forma correta e ordenada», lê-se no documento subscrito pelos presentes na Assembleia de Moradores. Os habitantes irão fazer um cadastro simplificado de modo a calcular áreas e artigos a incluir e a gestão dos terrenos dentro da ZPA será conjunta, incluindo cortes, plantações e limpezas, «tentando desonerar assim os proprietários dessa responsabilidade e custos. Procuraremos, mesmo assim, encontrar se possível, medidas de compensação aos proprietários destes terrenos, pelos serviços de ecossistema prestados.» Foram assinadas 35 declarações de adesão ao projeto com base no compromisso de ter um plano de intervenção nos próximos três meses. 

Tal como em Ferrarias, também os moradores da Aguda assinaram um acordo para se livrarem dos eucaliptos num anel com 500 metros de largura, à volta da aldeia. Os proprietários cederam os terrenos à associação de moradores que, em contrapartida, se compromete a limpar o terreno das mal-afamadas “árvores-gasolina” e a sua substituição por 
nogueiras, carvalhos, castanheiros e outras folhosas, além de manterem as terras livres para uso comunitários.
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Espanha: Cerca de 60% do lixo eletrónico desaparece em paradeiro desconhecido

Mosteiros, SMiguel-Açores. Foto de Paulo Machado 25jun2017.
  • Coíba, a maior de 38 ilhas ao largo da costa sul do Panamá, foi, entre 1919 e 2004, uma colónia penal para milhares de criminosos da pior espécie. Hoje alberga uma fantástica e invejável biodiversidade. Tudo porque os criminosos não interferiram com a Natureza. NG.
  • A província de Qinghai, no noroeste da China, consumiu durante sete dias seguidos, entre 17 e 23 de junho, energia apenas de fontes renováveis. XinhuaNet.
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Reflexão – Medidas de política florestal para ajudar a resolver o flagelo dos incêndios em Portugal

Ponte Medieval de Quintão, Rio Homem. Foto: Portugal em Caminhadas 27jun2017.

A Quercus e a Acréscimo requereram ao governo a concretização, com carater de urgência, de 12 medidas simples que visam:

A - Alterações à legislação de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI) que façam incluir as seguintes disposições:
1 – Obrigatoriedade de plantação de folhosas de baixa combustibilidade ao longo da rede viária municipal e nacional, numa faixa de 20 metros para cada lado a contar da berma da estrada, extensível a 50 metros no caso de autoestradas, itinerários principais e vias rápidas.
2 – Atribuição de responsabilidades cíveis e criminais a quem não cumpra e a quem não faça cumprir a legislação de Defesa da Floresta Contra Incêndios (DFCI).

B - Criação de instrumentos de ordenamento do território, fáceis de cumprir, de modo a combater a predominância das monoculturas florestais e de modo a quebrar o circulo vicioso de expansão do eucalipto:
3 – Proibição total de novas áreas com plantações de espécies de rápido crescimento, em particular de eucalipto.
4 – Dotar as manchas de folhosas autóctones de baixa combustibilidade e a vegetação ribeirinha de proteção legal, com proibição do seu corte.
5 – Obrigatoriedade de licenciamento (autorização prévia) para todas as arborizações e rearborizações, com parecer vinculativo emitido pela respetiva autarquia, tornando obrigatório que 20 % da área seja ocupado com folhosas.
6 – Definição em sede de Plano Diretor Municipal (PDM), à escala 1/25.000, das atividades florestais e espécies permitidas em cada local, sem prejuízo do descrito nos números anteriores.

C - Intervenções ao nível da reestruturação fundiária:
7 – Obrigatoriedade do “Emparcelamento Florestal”, promovido pela Administração Central, em freguesias com propriedade rústicas com área média inferior a 10 hectares em mais de 25% do seu território. O emparcelamento poderá ser acompanhado de incentivos à instalação de outras culturas florestais, para madeira ou fruto, que não o eucalipto.
8 - Ampliar o património florestal público no interior de áreas protegidas e classificadas, através de compras e/ou expropriações, em locais relevantes para garantir a segurança de pessoas e bens e naqueles locais com ecossistemas florestais de relevância para a conservação da biodiversidade.

D – Medidas legislativas:
9 - Responsabilizar criminalmente quem venha a desenvolver ações de (re)arborização sem licenciamento, em especial no caso de as mesmas integrarem espécies de rápido crescimento;
10 – Criação de um sistema de rastreio à comercialização de materiais de reprodução florestal (sementes, partes de plantas e plantas), que permita uma eficiente fiscalização quanto ao seu destino final, combatendo a sua utilização em (re)arborizações ilegais.

E – Licenciamento industrial e mercados:
11 – Condicionar, no prazo de um ano, todas as unidades fabris de primeira transformação de produtos lenhosos, nas licenças em vigor e em novos licenciamentos, à obrigatoriedade de disporem de áreas próprias ou contratualizadas que satisfaçam, pelo menos, 25 % das suas necessidades anuais de abastecimento;
12 – Recativar o Instituto de Produtos Florestais, enquanto instrumento sectorial de regulação económica.
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Mão pesada

Um camião cisterna, que estava a fazer uma descarga ilegal num coletor da rede de saneamento, na zona industrial de Mamodeiro, em Aveiro, foi apreendido por inspetores do Ambiente. RR.
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Bico calado

O desespero político de Passos Coelho, Segundo Miguel Sousa Tavares.
  • «Perante a calamidade nacional o líder do PSD foi incapaz de conter a sua ansiedade e acabou por não esconder o desejo de ver mais vítimas para que as pudesse atribuir ao Estado. Foi um comportamento vergonhoso, irresponsável e indigno de um candidato a primeiro-ministro. Passos queria que os incêndios fizessem mais vítimas e conseguiu-o, ele é a 65ª vítima. (…) Foram três dias dramáticos, primeiro foi a detenção de altos dirigentes do PSD ligados às autarquias, uma notícia que quase passou despercebida, mas já há quem diga que se os eucaliptos são uma espécie florestal que queima as nossas florestas, os loureiros estão a incendiar o PSD, depois do major de Dias Loureiro eis que este partido volta a arder devido a outro Loureiro, desta vez o HermínioO Jumento.


Imagem captada aqui.
  • «(…) O grito dos populistas é sempre: queremos carne, queremos sangue. Em Roma gritariam por um cristão para atirar aos leões, em Lisboa ou em Madrid pediriam judeus para queimar nas fogueiras da inquisição. Em Pedrógão queriam um ministro, um secretário de Estado, um GNR que tenha dado uma indicação errada, um avião que não caiiu! Nos intervalos puxam à lágrima fácil. (…) A batalha, o combate, seja contra outros homens, seja contra um fogo, não é um bailado, nem uma tabuleiro onde se movimentam soldadinhos de chumbo em movimentos geométricos. O campo de batalha é caótico, mas ninguém conseguirá que um populista de câmara e microfone entenda isto. Eles estão diante das câmaras para acusar os homens e a natureza. Querem vender mortos e pendurar vivos no pelourinho. Querem demissão de ministros, querem apanhar a contradição entre um secretário e um sub-secretário. (…) Como respondeu uma vendedora na feira de Carcavelos quando um senhor ali caído por acaso lhe perguntou se os polos eram mesmo da Lacoste: Aqui é tudo de marca! O incêndio de Pedrógão provou que as televisões são uma feira de Carvalelos. Tudo ali é contrafeito e rasca, mas amanhã, os que ali se exibiram como vendedores de Lacostes surgirão graves e sérios como se fossem fabricantes de produtos originaisCarlos Matos Gomes in De Pedrógão Grande à Feira de Carcavelos. As televisões vendem tudo e tudo é contrafeito.Medium.
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Avareza 04

Imagem captada aqui.

«Os afortunados possuidores do cartão podem também comprar alimentos com desconto no supermercado (denominado “annona”, a sua faturação em 2012 superou os 20 milhões), roupa de marca e televisores ultratecnológicos na corner shop (faturação de 16 ou 17 milhões por ano) e, sobretudo, fornecerem-se de cigarros na tabacaria de Deus. "O tabaco", explicam os analistas de Ernst&Young, é a segunda mais importante fonte de lucro do departamento dos serviços económicos. Cada cartão pode adquirir um máximo de cinco pacotes por mês. Mas, para não renunciar a um encaixe que se situa para lá dos 10 milhões por ano e para não desiludir os onze mil clientes fiéis, o Vaticano prefere fechar um olho sobre as regras de que ele próprio se dotou: não só 650 cartões ultrapassam em muito o limite de compra permitido, como milhares de pessoas não autorizadas pela lei conseguem levar para casa pacotes de cigarros e cigarrilhas cubanas a baixo preço. Também aqui com prejuízos ingentes para o erário italiano.» 

Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Moçambique vai receber 6 mil animais do Zimbabwe

Foto: Shem Images/Barcroft Images
  • O Instituto Internacional de Derecho y Medio Ambiente e a Plataforma por un Nuevo Modelo Energético apresentaram uma queixa contra a Espanha à Comissão Europeia pelos pagamentos de capacidade ilegais feitos às empresas de energia. Se a CE aceitar a queixa, as energéticas poderão ser obrigadas a devolver 3 mil milhões de euros dos subsídios atribuídos entre 2011 e 2015. Ecologistas en Acción.
  • Moçambique vai receber 6000 animais da Sango Wildlife Conservancy, do Zimbabwe, para repovoar o Parque Nacional do Zinave, cujas populações de animais foram dizimadas durante a guerra civil. The Guardian.
  • A Califórnia acaba de incluir o glifosato na lista de produtos químicos causadores de cancro.  HP.
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Reflexão – BP: Educação ambiental ou greenwashing?

Imagem colhida aqui.

A BP lançou um pacote de materiais de ensino para alunos da instrução primária no Reino Unido. Destinado a crianças dos 5 aos 11 anos, os materiais, de forma sub-reptícia, desliga os combustíveis fósseis do seu impacto na subida das temperaturas globais e respetivas consequências nas plantas e nos animais. 
Todos os materiais, - vídeos, fichas, instruções para os professores -, incluem, bem visível, o logotipo da empresa. 
Não estaremos perante mais uma ação de propaganda do que de educação ambiental?
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Bico calado

Foto de Dibyangshu Sarkar/AFP/Getty Images
  • «A cobertura da tragédia de Pedrógão mostrou uma vez mais o melhor e o pior do jornalismo. Muitos escreveram já sobre a exploração feita pelas televisões repetindo exaustivamente as imagens da dor e da devastação,  os repórteres exaustos nos locais do fogo, eles também vítimas da voragem das audiências, a entrevistarem sobreviventes acabados de perder filhos, companheiros, amigos. As palavras estavam gastas mas eles, os repórteres no terreno, não podiam parar de perguntar, estavam lá para isso porque os “directos” são assim, tudo serve para encher o tempo … E como se não bastasse a desgraça das vítimas do fogo também o jornalismo viveu momentos debaixo de fogo com a notícia da “queda”  de um canadair que não caíu  e que por não ter caído, como foi noticiado, deixou desiludidos e revoltados os repórteres que esperavam que o canadair tivesse mesmo caído. Mas não se ficou por aqui o mau momento do jornalismo: o diário espanhol El Mundo deu guarida a um jornalista-fantasma de nome “sebastião pereira” que viu no fogo de Pedrógão  o diabo que havia de destruir o governo de António Costa. Os jornais portugueses que deram eco às notícias do El Mundo  nem duvidaram do estilo de um “sebastião” que ninguém conhecia nem ouvira falar, nem o seu “colega” do El Mundo correspondente em Lisboa. (…) O jornalismo foi também uma vítima do fogo de Pedrógão. Não “ardeu” completamente porque também houve muito bom jornalismo em reportagens serenas, sobretudo na imprensa, e em imagens marcantes que não precisam de palavras para nos fazer sentir a dor e o desespero dos que perderam tudo. Mas o jornalismo saíu  “chamuscado” e não apenas por culpa do canadair que não caíu ou do sebastião que não existiu. Felizmente, o bom jornalismo sobreviveu!» Estrela Serrano in Do fogo de Pedrógão o jornalismo também saíu chamuscado.
  • Mata-bicho de 27jun2017: Do Diabo aos suicidas – in Antena1.
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Avareza 03

Imagem captada aqui.

«Mas os montantes mais surpreendentes das receitas do governo dizem respeito aos cigarros, aos combustíveis e aos supermercados, ou seja, o mercado taxfree do Vaticano. Todas elas são atividades comerciais destinadas apenas aos possuidores de uma espécie de cartão, privilégio exclusivo — em teoria a — de residentes e empregados. Mas, fazendo algumas divisões, as contas não batem certo: de facto, a tabacaria ganha 10 milhões por ano; significa que os 3600 que têm direito fumariam como turcos. Em média, dois a três maços por dia, 365 dias por ano. Por sua vez, a estação de combustíveis encaixa 27 milhões: calculando um consumo médio, cada padre percorreria 45 mil quilómetros por ano, como um caixeiro viajante ou um representante de aspiradores. O supermercado (que vende também vinhos de marca e produtos hi-tech) emitiu recibos num valor superior a 21 milhões: não é por acaso que, segundo um estudo do California Wine Institute, em 2012, o Vaticano é o país com o mais alto consumo de vinho no mundo, com uma média monstruosa de setenta e quatro litros por pessoa.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016
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terça-feira, 27 de junho de 2017

Ministro da Agricultura Capoulas Santos homenageia Suinicultores


O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, concedeu a Medalha de Honra da Agricultura à Federação Portuguesa de Associações de Suinicultores, «em reconhecimento pelo seu valioso e excepcional contributo para o desenvolvimento agrícola, agroindustrial e florestal do País».

Salvo opinião mais informada e cabal, Capoulas Santos mais não fez do que um enorme frete ao lóbi da suinicultura. Pior: desautorizou o seu colega de governo, o ministro do Ambiente João Pedro Matos Fernandes. Há um mês, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, dera um prazo de 4 meses aos suinicultores para encontrarem uma solução para o tratamento dos efluentes das suas indústrias sob pena de sofrerem medidas duras da tutela. «Os esgotos das suiniculturas, como em qualquer setor industrial, têm de ser tratados por quem produz esses mesmos esgotos», disse na altura, considerando a atitude dos suinicultores grave: «É grave e não pode ficar como está. Os fundos ainda não se perderam, mas o Estado não se pode substituir a estas empresas como não se substitui às outras empresas industriais e agroindustriais que poluem. São mesmo elas que vão ter de resolver o problema». João Pedro Matos Fernandes fizera questão de sublinhar que, «quem é responsável pelo tratamento dos esgotos é quem produz esses mesmos esgotos», aliás, «o custo pelo qual os produtos são vendidos têm que incorporar necessariamente o valor que é também despendido com o tratamento dos esgotos. É assim em todos os setores e quando os setores não conseguem fazer isso não podem continuar a existir». 

E foi precisamente tudo isto que Capoulas Santos desautorizou e deitou a perder. 
Não nos admiremos, pois, de os suinicultores, homens honrados, valentes e vigorosos, continuarem a poluir as ribeiras e os rios das zonas onde operam. Eles fazem gato-sapato dos ministros da Agricultura, do Ambiente, de tudo. Merecem, pois, o nosso aplauso e reconhecido apreço. Um lugar no Panteão Nacional nunca será, para eles, demais. 
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Inglaterra: um quarto dos rios corre o risco de ficar seco

Vila Franca-SMiguel-Açores. Foto de João Medeiros 20jun2017.
  • Um quarto dos rios da Inglaterra corre o risco de ficar seco, com consequências devastadoras para a vida selvagem, alerta a WWF citada pelo Guardian.
  • 18 trabalhadores agrícolas deram entrada no Salinas Valley Memorial Hospital, Califórnia, por exposição a inseticida. Suspeita-se que tenham sofrido exposição de aplicações dos pesticidas Coragen, Movento e Pounce horas antes em terrenas prtóximos onde trabalhavam. O metomilo, substância ativa do inseticida Lannate, é também suposto ter afetado os referidos trabalhadores. Monterey County Weekly.
  • Desde 7 de junho, seis baleias francas do Atlântico Norte foram encontradas mortas, flutuando no Golfo de São Lourenço, com uma perda que equivale a mais de um por cento da população das espécies ameaçadas de extinção. CBCNews.
  • Mulheres estão na linha da frente no combate contra a implantação de um empreendimento de luxo no lago Boeung Kak, no Cambodja. Tudo começou em 2007, quando 4 mil famílias foram expropriadas das suas terras e a zona começou a ser aterrada para dará lugar a uma pequena cidade. A maior parte recebeu compensações miseráveis e os protestos têm culminado em detenções. Reuters.
  • Número de refugiados ambientais pode aumentar devido à desertificação, alerta a Unesco. ONUBr.
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Bico calado

Imagem captada aqui.

«Estamos em rescaldo do incêndio, depois de 64 mortos e muitos feridos, 150 famílias desalojadas e 46 mil hectares ardidos. O drama é demasiado e não se pode fechar os olhos. Já chegou a hora da política. Em contrapartida, Passos Coelho e Assunção Cristas foram cuidadosos nos primeiros http://1.bp.blogspot.com/-1M9-8MNv-do/UAkyt9__3jI/AAAAAAAAGZk/wPSFVURH2-k/s1600/assun%C3%A7%C3%A3o+cristas,+eucalipto,+%C3%A1gua,+celelose,+portucel.jpgdias. Tinham boas razões para isso, além do natural respeito pelos mortos e pelo sofrimento de quem ainda via o incêndio à porta. Quanto à dirigente do CDS, ela teme mais do que tudo que a sua passagem pelo ministério da agricultura, em que promoveu a extensão do eucaliptal, se torne um centro de atenção. E ela como Passos Coelho temem ainda que o caso SIRESP seja tóxico para os partidos que criaram o negócio, que foi assinado já depois de o governo PSD-CDS ter perdido as eleições de 2005 e favorecendo um centro de negócios de homens do PSD (a SLN, dona do BPN), ao preço de 485 milhões, que terá sido cinco vezes o devido segundo o PÚBLICO de então, além de se assegurar uma renda de 100% na manutenção, pagando o dobro do devido (e que os governos PS aceitaram). Soube-se agora, também pelo PÚBLICO, que Passos Coelho pôs na gaveta uma redução de 25 milhões, já negociada com o consórcio do SIRESP. E, já agora, o SIRESP não funciona.
(…) Há ainda outro agente político que entrou em cena, e dá-se menos conta dele: as empresas do eucalipto estão a mover-se para proteger o seu baú. Cuidado com elas, são o poder sombra da floresta. Precisam que nunca entre na agenda política a única medida estrutural que salva Portugal: a reflorestação com a redução forçada das manchas de eucalipto e a reorganização da economia da floresta para sustentabilidade e a protecção dos pequenos proprietários. Por isso, querem aproveitar a necessidade de posse administrativa dos terrenos abandonados para um movimento de concentração da propriedade, à espera de um novo governo que lhes favoreça a eucaliptização, na esteira de Passos e Cristas. Assim, as leis que estão a ser discutidas devem ser muito bem ponderadas, e creio que a esquerda deve rejeitar qualquer caminho que conduza ao benefício dos eucaliptocratas. (…)»

Francisco Louçã, in A agenda do rescaldo - Público, 24jun2017, via A estátua de sal.

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Avareza 02

Imagem captada aqui.

«Numa carta de 8 de maio de 2011, expedida ao ex-secretário de Estado Tarcisio Bertone, Viganò atacou duramente Nicolini, estimado tanto por Camillo Ruini como pelo próprio Bertone, desenhando-o como verdadeiro chefe da máquina de abjeção do Vaticano. "O Dr. Maggioni (ex-presidente da sociedade publicitária SRI)”, explicava na carta que apareceu na primeira página de Il 
Fatto Quotidiano, "testemunhou-me que o autor das cartas em papel de seda provenientes do interior do Vaticano é o monsenhor Paolo Nicolini. O testemunho do Dr. Maggioni assume um valor determi-nante porquanto ele recebeu a referida informação do próprio diretor do Giornale, Alessandro Sallusti, com o qual Maggioni tem uma estreita amizade de longa data". Segundo Viganó, Nicolini, no passado também administrador da Universidade Pontifícia lateranense, é um homem cujos comportamentos "representam uma grave violação da justiça e da caridade, passíveis de perseguição, como delitos tanto no ordenamento canónico como civil". Durante o seu período no ateneu pontifício, escreve Viganò, "da sua responsabilidade foram encontradas contrafações de faturas e um desfalque de pelo menos 70 mil euros. É também o caso de uma participação de interesses do mesmo monsenhor na sociedade SRI Group, sociedade em falta em relação ao governo em pelo menos 2,2 milhões de euros e que, precedentemente, já tinha defraudado L'Osservatore Romano." Acusações pesadíssimas, que se somavam àquelas sobre a gestão do cofre do governo, ou seja, os Museus do Vaticano. “São numerosas as coisas a dizer que se relacionam com diversos aspetos da sua personalidade," continua o núncio, "vulgaridade de comportamentos e de linguagem, arrogância e prepotência em relação aos colaboradores que não mostram servilismo absoluto para com ele, preferências, promoções e contratações arbitrárias feitas para fins pessoais: são inúmeras as queixas por parte dos empregados dos museus, que consideram Nicolini uma pessoa preconceituosa e privada de sentido sacerdotal”.» 
Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016
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quarta-feira, 21 de junho de 2017

EduFootprint - Cálculo da pegada ecológica das escolas do Mediterrâneo - avança a bom ritmo.

Imagem captada aqui.
  • Prosseguem as obras da ETAR de Câmara de Lobos. Cargas explosivas permitiram o desmonte de maciços rochosos subaquáticos, para posterior lançamento do emissário submarino. Esta obra foi adjudicada pela ARM - Águas e Resíduos da Madeira S.A. à TECNOVIA MADEIRA S.A., para aumento da capacidade e do nível de tratamento das águas residuais daquele concelho madeirense. AMN.
  • O EduFootprint - Cálculo da pegada ecológica das escolas do Mediterrâneo é um projecto Interreg MED que visa promover a melhoria da gestão energética e da redução da pegada ecológica em escolas públicas pertencentes à região do Mediterrâneo. O projecto tem a AREANATejo como parceiro português e, de entre as ações a desenvolver no seu âmbito, destaca-se a implementação de medidas de melhoria da eficiência energética nos 10 edifícios escolares envolvidos, pertencentes à região Alto Alentejo. O Instalador.
  • A Third Energy, empresa de gás de xisto que se prepara para usar a fraturação hidráulica em North Yorkshire, violou uma de suas licenças ambientais ao não publicar dados de emissões corretos. A empresa também foi criticada por não usar um método acordado para monitorizar a qualidade das águas subterrâneas num poço de gás próximo. Drill or Drop.
  • Quantas tartarugas terão de morrer antes de nos revoltarmos contra o lóbi dos balões? pergunta o editorialista do NJ Environment News.
  • O novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, anunciou o encerramento gradual das centrais nucleares do seu país. The Guardian.
  • O que significam as florestas para ti é um concurso europeu. Destinado a crianças dos 5 aos 19, O concurso convida as crianças e jovens a dar asas à sua criatividade para produzirem criações alusivas ao tema da Semana Europeia das Florestas: Florestas, o nosso bem comum. O prazo de entrega dos trabalhos é 31 de julho. FAO.
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Reflexão - «Em vez de gestão pública ou associativa da floresta, convida a raposa para o galinheiro»

Imagem captada aqui.

«(…) No fim do verão passado, discutiu-se uma lei que permitisse ao Estado ocupar as terras não tratadas e obrigando-o a ocupar-se delas, dando aos proprietários 15 anos para as reclamarem. Discutiram-se formas de acelerar o cadastro das propriedade rurais, usando mapas militares, georeferenciação e o conhecimento local e agilizando a informação sobre heranças e proprietários. Um ano depois, tudo por decidir. Houve quem se opusesse, as Câmaras Municipais disseram que não têm meios e que há eleições no outono, na esquerda houve quem esgrimisse com a Constituição, tudo em marcha atrás. O governo reuniu em outubro e esperou até em março deste ano para apresentar uma proposta de lei que recua em relação ao que sugerira: em vez de obrigação pública, propõe a criação de empresas financeiras para gerir a floresta abandonada, o que significa a concentração da propriedade. Para mais, oferece novos financiamentos para a investigação nas empresas de celulose, para as compensar de qualquer inconveniente, sem criar qualquer mecanismo concreto para controlar a proibição da extensão do eucalipto. Em vez de gestão pública ou associativa da floresta, convida a raposa para o galinheiro; em vez de arrendamento compulsivo das parcelas abandonadas, aceita a regra da operação financeira. (…)» Francisco Louçã in Porra de SísifoPúblico 20jun2017.
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Bico calado

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  • «(…) Diz-se que os pilotos operadores dos drones, combatentes de uma guerra à distância, antes de disparar gritam de júbilo: “Oh, que belo alvo!” A nauseabunda estetização da catástrofe servida ao espectador — o “belo” cenário trágico resultante das montagens e encenações feitas nos estúdios das televisões — também mostra que alguém, certamente uma equipa, rejubilou com os seus belos alvos que lhes fornecem matéria para uma grande produção a baixo preço, para um filme-catástrofe que não precisa de efeitos especiais, só precisa de uma montagem bem ornamentada e música a condizer. Tudo devidamente sublinhado por textos, legendas e designações (por exemplo, “a estrada da morte”) que remetem para as grandes ficções de Hollywood. Às vezes, sobre essas imagens sobrepõe-se uma voz-off que lê um texto a imitar qualquer coisa de literário, a sublinhar a operação que reduz a tragédia real a uma opereta obscena. A estetização é uma violência exercida sobre as vítimas da catástrofe e, paradoxalmente, tem o efeito de uma anestesia aplicada ao espectador. Para as televisões, para a maquinaria dos directos e ao vivo, uma catástrofe como esta é um momento do sublime. Se a emergência dessa categoria estética que é o sublime está relacionada com os sentimentos de medo e de terror perante algo que excede toda a medida, é preciso no entanto que a ameaça que eles representam seja suspensa para que da dor nasça o prazer. As reportagens da televisão, muito especialmente as imagens estetizadas que passam a servir de separadores ou de fechos do noticiário, procedem a esta conversão da dor em prazer. São maléficas e eticamente execráveis. Devemos perguntar como é que os jornalistas dos vários canais de televisão se relacionam com elas. O sublime, como sabemos, tem a dimensão do irrepresentável, deixa a faculdade da imaginação e a fala aniquiladas perante algo que tem uma potência ou um tamanho desmesurados. Por isso, é sempre ocasião para o uso de meios retóricos curtos, mas enfáticos. Para não ficarem em silêncio, para não dizerem pura e simplesmente que não têm nada a dizer ou que tudo o que são capazes de dizer é trivial, os repórteres recorrem aos parcos meios linguísticos que têm à sua disposição. Por exemplo, a palavra “dantesco” (para além de uma certa dimensão, o incêndio é sempre “dantesco” e configura “o inferno”). E porque os processos de descrição, na televisão, consistem sobretudo em mostrar, em dar a ver, entra-se sem pudor na exibição das imagens obscenas. Como vimos, alguns repórteres (Judite Sousa parece que não foi a única) nem hesitaram em aproximar-se dos cadáveres e oferecê-los aos espectadores como imagens ostensivas. Como uma personagem do filme de Francis Ford Coppola, eles poderiam dizer: “I love the smell of napalm in the morning.” Face à falta de meios linguísticos (e de tempo para qualquer elaboração mais cuidada) e porque a televisão pratica quase como ideologia jornalística um realismo ingénuo que acaba por nunca produzir o desejado efeito de real, os repórteres ou debitam lugares-comuns que não têm nem valor expressivo nem descritivo, ou recorrem aos testemunhos. Põe-se um microfone e uma câmara diante de pessoas em estado de choque e pede-se-lhes que elas testemunhem, que elas descrevam, que elas superem a afasia em que a situação as colocou. A violência é inominável e a televisão torna-se patética, no duplo sentido da palavra: porque quer mostrar o pathos, dê por onde der; porque exibe a estupidez na mais elevada expressão. Devemos novamente perguntar: a que coerção estão submetidos os jornalistas para que aceitem o papel de idiotas? Ou fazem-no voluntariamente? Os jornalistas tornam-se então indivíduos ávidos, paranóicos, como os amantes que não se satisfazem com um simples “amo-te”. Desconfiados com a declaração tão lacónica, achando que o amor é uma imensidão que precisa de se dizer com mais palavras, perguntam: “Amas-me como?” E o outro responde: “Amo-te como se fosses o mais doce dos frutos.” E aí começa um encadeamento de metáforas cristalizadas, de estereótipos. Assim são os jornalistas munidos de microfones e de câmaras: não desistem de querer extorquir as palavras e a alma aos seus interlocutores; não deixam de querer arrancar testemunhos a gente moribunda ou a viver a experiência dos limites.(…)» António Guerreiro in As vítimas dos incêndios e da televisãoPúblico 19jun2017.
  • José Mourinho foi acusado de fraude fiscal pelas Finanças espanholas. O treinador é acusado de defraudar o estado espanhol em 3,3 milhões de euros entre 2011 e 2012. José Mourinho e Cristiano Ronaldo são ambos clientes de Jorge Mendes. Outras acusações que pendem sobre este agente de futebol incluem Ricardo Carvalho, Ángel Di Maria e Radamel Falcao. Todos são acusados de usar um sistema simelhante, pelo qual os seus direitos de imagem eram propriedade de empresas registradas nas Ilhas Virgens Britânicas ou Panamá, e que alegadamente receberam dinheiro de intermediários com sede na Irlanda. BBC.
  • Quatro ex-diretores do banco Barclays poderão ser alvo de longas penas de prisão após o Serious Fraud Office os ter acusado de fraude pela maneira como angariou biliões de libras do Qatar no auge da crise financeira de 2008. The Guardian.
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Avareza 01

Imagem captada aqui.

«Franssu também é administrador delegado da sociedade Incipit e gestor da Tages capital Group do financeiro italiano Panfilo Tarantelli. Por sua vez, o filho de Franssu, Luis-Victor, foi admitido desde março de 2014, precisamente pela Promontory dos Estados Unidos, que conhece agora todos os segredos do Vaticano e do IOR. Para muita gente, o enorme poder adquirido pelos americanos no Vaticano é um paradoxo. Porque, enquanto o Papa Francisco espanca de forma implacável os poderes obscuros da finança mundial nos discursos e nas encíclicas (como a Laudato si), no Vaticano a sociedade de consultadoria americana dita as leis há dois anos. Considerada muito próxima do governo de Washington, cidade onde tem sede, a Promontory não só é a única que teve realmente acesso a todas as contas e a todos os clientes, como tem ou teve relações profissionais com todos os novos dirigentes do IOR: como Rolando Marranci, atual diretor-geral com um passado no BNL e durante um breve período consultor da Promontory no Vaticano. Von Freyberg nomeou igualmente como assessores principais Elisabeth McCaul e Raffaele Cosimo, respetivamente associada do gabinete de Nova Iorque e chefe do gabinete europeu da sociedade sob a cúpula de São Pedro. 
Mas nem todos estão felizes com a presença dos americanos. Não só porque os cardeais temem que dados sensíveis sobre as contas e os clientes acabem nas mãos de gente estrangeira, mas também porque a Promontory, paladina da transparência paga pelos bancos de todo o mundo para descobrir as operações opacas encerradas nos seus ventres, em agosto de 2015 foi abalada por um gigantesco escândalo. Que mina o mito de sujeito privado, mas capaz de fornecer juízos independentes. De facto, o Departamento para os serviços financeiros de Nova Iorque suspendeu a 5 de agosto de 2015 as atividades da empresa no Estado homónimo, por ter sido acusada de ter "dado cobertura" a atividades ilícitas efetuadas por um cliente seu com o objetivo de o proteger de eventuais sanções económicas. Precisamente isso: ao ler o relatório do New York State Department of Financial Services, descobre-se que quando era consultor do banco inglês, Standard Chartered, o grupo que devia mostrar a transparência no Vaticano teria eliminado voluntariamente de alguns relatórios a notícia de certas transações financeiras que a filial nova-iorquina Standard Chartered tinha efetuado para o Irão. Operações ilegais, dado que nesse período Teerão estava sob embargo internacional.»

Emiliano Fittipaldi, Avareza – Saída de Emergência 2016
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terça-feira, 20 de junho de 2017

Centrais de biomassa avançam em Viseu e Fundão


  • O Centro de Robótica e Sistemas Autónomos do INESC TEC (CRAS/INESC TEC), sediado no Instituto Superior de Engenharia do Porto, testou nos seus laboratórios um sistema autónomo parar recolha de amostras biológicas marinhas, verificação das alterações na biodiversidade, de impactos no clima e de anomalias no ambiente. O MarinEye foi apresentado recentemente no ISEP e enfrenta o seu primeiro teste de ‘fogo’, este mês de Junho, nas águas do Atlântico. O MarinEye tem pouco mais de um metro e meio de comprimento e poderá atingir até os cem metros de profundidade. A sonda foi desenhada a pensar para missões de um ou dois meses e é flexível ao nível da sua utilização, pelo que pode ser agregada a um navio ou robô submarino, instalada no fundo do mar, ou estar amarrada numa boia. Mais pormenores aqui e aqui.
  • Duas centrais de energia a biomassa que estão a ser construídas Viseu e no Fundão, vão ser financiadas em 105 milhões de euros pelo Marguerite Fund, um fundo de investimento pan-europeu que actua como catalisador para investimentos em energias renováveis e transportes. As centrais, que terão uma potência instalada de 15 megawatts, cada uma, «vão ajudar a reduzir o risco de incêndios florestais, um problema recorrente em Portugal», devendo estar totalmente operacionais no primeiro semestre de 2019. JNegócios.
  • A França convidou 50 cientistas e empreendedores norte-americanos peritos em alterações climáticas para irem fazer investigação em França. Tudo por 60 milhões de euros e durante 5 anos. AFP/Terra Daily.
  • Os EUA investiram 1,5 milhões de dólares num programa de investigação para fortalecer as políticas ambientais em Papua Nova Guiné. A afirmação foi da embaixadora dos EUA Catherine Ebert Gray, numa cerimónia no âmbito das comemorações do Dia mundial do Ambiente na PNG University of Technology, cerimónia patrocinada pela Coca Cola Amatil. A embaixadora informou que ia ser desenvolvido um currículo para melhorar a gestão dos recursos naturais e reforçar a capacidade do PNG se adaptar às alterações climáticas. The National. Das duas uma: ou a Coca Cola está a mandar as políticas de Trump às urtigas ou então está a fazer greenwashing em grande. Que acham?
  • Os Estudos Ambientais vão ser introduzidos nos curricula das escolas da Malásia como disciplina autónoma. A nova disciplina permitirá o estudo aprofundado sobre o Ambiente, englobando mais tópicos como vida selvagem e biodiversidade. Os atuais programas incluem temas sobre Ambiente dispersos por várias disciplinas, mas de uma forma superficial e genérica. The Sun Daily.
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Reflexão - «Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal»

Imagem: RTP.

Os incêndios e a desertificação do Portugal florestal
por Jorge Paiva in Público 23 de janeiro 2006


«Antes da última glaciação, Portugal estava coberto por uma floresta sempre-verde (laurisilva). Durante essa glaciação a descida drástica da temperatura fez desaparecer quase por completo essa laurisilva, tendo sido substituída por uma cobertura florestal semelhante à actual taiga. 
Após o período glaciar, a temperatura voltou a subir, ficando o país com um clima temperado como o actual. Assim, a floresta glaciar foi substituída por florestas mistas (fagosilva) de árvores sempre-verdes (algumas delas relíquias da laurisilva) e outras caducifólias, transformando o país num imenso carvalhal caducifólio (alvarinho e negral) a norte, marcescente (cerquinho) no centro e perenifólio (azinheira e sobreiro) para sul, com uma faixa litoral de floresta dominada pelo pinheiro-manso e os cumes das montanhas mais frias com o pinheiro-da-casquinha (relíquia glaciárica). Por destruição dessas florestas, particularmente com a construção das naus (três a quatro mil carvalhos por nau) durante os Descobrimentos (cerca de duas mil naus num século) e da cobertura do país com vias férreas (travessas de madeira de negral ou de cerquinho para assentar os carris), as nossas montanhas passaram a estar predominantemente cobertas por matos de urzes ou torgas, giestas, tojos e carqueja. A partir do século XIX, após a criação dos "Serviços Florestais", foram artificialmente re-arborizadas com pinheiro-bravo, tendo-se criado a maior mancha contínua de pinhal na Europa
A partir da segunda década do século XX, apesar dos alertas ambientalistas, efectuaram-se intensas, contínuas e desordenadas arborizações com eucalipto, tendo-se criado a maior área de eucaliptal contínuo da Europa. Sendo o pinheiro resinoso e o eucalipto produtor de óleos essenciais, produtos altamente inflamáveis, com pinhais e eucaliptais contínuos, os incêndios florestais tornaram-se não só frequentes, como também incontroláveis. Desta maneira, o nosso país tem já algumas montanhas transformadas em zonas desérticas.

Sempre fomos contra o crime da eucaliptização desordenada e contínua. Fomos vilipendiados, maltratados, injuriados, fomos chamados à Judiciária, etc. Mas sabíamos que tínhamos razão. Infelizmente não vemos nenhum dos que defenderam sempre essa eucaliptização vir agora assumir as culpas destes "piroverões" que passámos a ter e que, infelizmente, vamos continuar a ter. Também sempre fomos contra o delapidar, por sucessivos Governos, dos Serviços Florestais (quase acabaram com os guardas florestais). Isso e o êxodo rural (os eucaliptos são cortados de 10 em 10 anos e o povo não fica 10 anos a olhar para as árvores em crescimento tendo, por isso, sido "forçado" a abandonar as montanhas e a ficar numa dependência económica monopolista, que "controla" o preço da madeira a seu belo prazer) tiveram como resultado a desumanização das nossas montanhas pelo que, mal um incêndio florestal eclode, não está lá ninguém para acudir de imediato e, quando se dá por ele, já vai devastador e incontrolável.

Infelizmente vamos continuar a ter "piroverões" por mais aviões "bombeiros" que comprem ou aluguem. Isto porque, entre essas medidas, não estão as duas que são fundamentais, as que poderiam travar esta onda de incêndios devastadores que nos tem assolado nas últimas décadas. Uma, é a re-humanização das montanhas, que pode ser feita com pessoal desempregado que, depois de ter frequentado curtos "cursos de formação" durante o Inverno, iria vigiar as montanhas, percorrendo áreas adequadas durante a Primavera e Verão. A outra medida fundamental seria, após os incêndios, arrancar logo a toiça dos eucaliptos e replantar a área com arborização devidamente ordenada. Isto porque os eucaliptos rebentam de toiça logo a seguir ao fogo, renovando-se a área eucaliptada em meia dúzia de anos, sem grande utilidade até porque o diâmetro da ramada de toiça não é rentável para as celuloses. Mas como tal não se faz, essa mesma área de eucaliptal torna a arder poucos anos após o primeiro incêndio e assim sucessivamente. Muitas vezes, essas mesmas áreas são também invadidas por acácias ou mimosas, bastando para tal que exista um acacial nas proximidades ou nas bermas das rodovias, pois as sementes das acácias são resistentes aos fogos e o vento ajuda a dispersá-las por serem muito leves. As acácias, como são heliófitas (plantas "amigas" do Sol), e não havendo sombra de outras árvores após os incêndios, crescem depressa aproveitando a luminosidade e ocupando aquele nicho ecológico antes das outras espécies se desenvolverem.

Mas como vivemos numa sociedade cuja preocupação predominante é produzir cada vez mais, com maior rapidez e o mais barato possível, as medidas propostas são economicamente inviáveis por duas razões: primeiro, porque é preciso pagar aos vigilantes e respectivos formadores; segundo, porque arrancar a toiça dos eucaliptos é muito dispendioso (custa o correspondente ao lucro da venda de três cortes, isto é, o lucro de 30 anos). É bom também elucidar que os eucaliptais só são lucrativos até ao terceiro corte (30 anos). Depois disso, estão a abandoná-los, o que os torna um autêntico "rastilho" ou, melhor, um terrível "barril de pólvora", áreas onde os seus óleos essenciais, por vaporização ao calor, são explosivos e, quando a madeira do eucalipto começa a arder, provocam a explosão dos troncos e respectiva ramada, lançando ramos incandescentes a grande distância. Este "fenómeno" tem sido bem visível nos nossos "piroverões".
Por outro lado, pelo menos uma destas medidas (arranque da toiça e re-arborização ordenada) não tem resultados imediatos mas a longo prazo. Por isso os governantes não estão interessados na aplicação dessas medidas, pois interessa-lhes mais resultados imediatos (as eleições são de quatro em quatro anos...) do que de longo prazo.
Assim, sem resultados imediatamente visíveis e com uma despesa tão elevada, os governos nunca vão adoptar tais medidas. Preferem gestos por vezes caricatos, como distribuir telemóveis aos pastores, mas que nunca não acabarão com os "piroverões".

Finalmente, após a referida delapidação técnica e funcional dos Serviços Florestais (antigamente, os incêndios florestais eram quase sempre apagados logo no início e apenas pelo pessoal e tecnologia dos Serviços Florestais), esqueceram-se da conveniente profissionalização e apetrechamento dos bombeiros, melhor adaptados a incêndios urbanos.
Se os nossos governantes continuarem, teimosamente, a não querer ver claramente o que está a acontecer, caminharemos rapidamente para um amplo deserto montanhoso, com a planície, os vales e o litoral transformados num imenso acacial, tal como já acontece em vastas áreas de Portugal. 

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Mão pesada

A Changjiu Concrete Products Company, na ilha de Changxing, foi multada em 132 mil dólares por descarga ilegal de efluentes alcalinos e contaminação de solos e linhas de água. Shanghai Daily.
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Bico calado

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  • «Os grandes responsáveis devem procurar-se no primeiro governo de Cavaco Silva, era ministro da agricultura Álvaro Barreto, que vendeu a agricultura portuguesa em Bruxelas por tuta e meia. E era ministro da Energia, Mira Amaral que defendeu a “eucaptilização” do país, chegando a chamar ao eucalipto o nosso petróleo verde. Tavares chegou mesmo a desafiar Mira Amaral, dizendo-lhe, caso o estivesse a ver, que devia mudar a cor de tal petróleo de verde para vermelho, a cor do sangue das vítimas deste momento, e de todas as outras que tem perecido durante décadas.» Estátua de sal in O fogo começou em 1985Video com a intervenção de MST.
  • Jorge Luis Arzuaga, um ex banqueiro argentino que trabalhou na Suíça, admitiu ter pago milhões de dólares em subornos a Julio Grondona, (falecido em 2014) ex-executivo da Fifa, presidente do comissão mundial de finanças de futebol e presidente da associação de futebol argentino. 
  • Mais de 15 mil empresas indianas obtiveram lucros em 2015-16, mas não pagaram impostosHindustan Times. Tudo porque o governo lhes concedeu isenções fiscais
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segunda-feira, 19 de junho de 2017

Municípios escoceses criticados por investirem dinheiro de pensões na fraturação hidráulica

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  • Dez municípios escoceses, entre os quais Glasgow, Edinburgh, Aberdeen, Dundee e Falkirk,  investiram mais de 400 milhões de libras de pensões em 23 empresas de fraturação hidráulica, entre as quais a Shell, a BP, a Exxon,  Chevron e a Occidental. O relatório da Friends of the Earth Scotland, que denuncia a negociata, considera a fraturação hidráulica uma indústria irresponsável, acusada de constantes violações de legislação ambiental. The Herald.
  • Os moradores de Sliema, nos arredores de Triq Sant'Annin e Tigne Seafront, Malta, estão indignados porque os trabalhos de demolição e escavação de empreendimento continuarem apesar de haver uma lei que obriga a este tipo de trabalhos ser suspenso entre 15 de junho e 30 de setembro para não incomodar suas excelências os turistas e os naturais em férias. The Malta Independent.
  • A BirdLife Malta condenou a aprovação, por parte da Environment & Resources Authority e da Planning Authority da deslocalização das gaiolas de aquacultura de atum de uma zona próxima de Comino para junto de l-Aħrax tal-Mellieħa, sem o devido estudo de impacto ambiental exigido  pelasregras europeias. The Malta Independent.
  • Pela primeira vez, a produção mensal de eletricidade a partir de energia eólica e solar ultrapassou 10% da produção total de eletricidade nos Estados Unidos. EIA.
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Reflexão - «Requiem por Pedrógão Grande»

Imagem: RTP.

«A culpa, dizem-nos, pode ter sido de uma “trovoada seca” associada a uma onda de calor e ao nosso clima mediterrânico.
Não foi, com certeza, da monocultura florestal, que na zona em questão é essencialmente monocultura de eucalipto.
A culpa não foi do desordenamento florestal e territorial.
A culpa não foi da destruição dos serviços florestais praticada ao longo de décadas por sucessivos governos;
A culpa não foi de quem acabou com os guardas florestais que estavam estrategicamente espalhados por todos os perímetros florestais, dando corpo a uma rede de vigilância que nada veio substituir.
A culpa não foi da desertificação do interior e da falta de medidas para a contrariar.
A culpa não foi da ignorância e compadrio dos decisores que nos tem governado.
De quem a culpa não foi, seguramente, foi de quem perdeu a vida em Pedrógão Grande, porventura no regresso de uma visita à família ou de um passeio calmo, de fim-de-semana.
Sempre tivemos “trovoadas secas”, ondas de calor e clima mediterrânico; o problema não é o que sempre tivemos, mas o que não temos: prevenção, ordenamento territorial e florestal, coragem para travar e fazer regredir as monoculturas.
Em outubro vem as eleições e pouco depois o Inverno, e os decisores só se lembrarão dos fogos florestais no próximo Verão, quando outra tragédia nos vier estragar um Domingo e pôr todos os portugueses sensíveis com as lágrimas nos olhos.»
Nuno Gomes de Oliveira in Réquiem por Pedrógão Grande, FB.

«Vidoeiros, carvalhos e castanheiros, as “árvores bombeiras” que podem travar fogos». RR.
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Mão pesada

  • A NVR, Inc. foi multada em 425 mil dólares por violação de regras de qualidade da água das chuvas em equipamentos da sua responsabilidade em New Jersey e New York. EPA.
  • A United Utilities foi processada por responsabilidades na contaminação de água que privou 300 mil pessoas de consumirem água das suas torneiras durante mais de 3 semanas. O problema ocorreu em 2015, na estação de tratamento de águas de Franklaw, nos arredores de Preston. BBC.
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Bico calado

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  • «Temos que nos concentrar no grande objetivo. Este grande objetivo é acelerar o desenvolvimento do país para que possamos ter mais produção, mais veículos, incluindo a Mercedes», respondeu o primeiro-ministro de Moçambique Carlos Agostinho do Rosario à indignação geral por causa da aquisição de 18 carros de alta gama para alguns deputados, tudo no valor de 3,8 milhões de dólares. Africa News.
  • «No dia 10 de junho, o DN ocupou as páginas 12 e 13 com uma entrevista ao embaixador Martins da Cruz cujo interesse e conteúdo cabem ao jornal definir. A razão da minha estupefação resulta da reincidência do DN em apresentar, no perfil do diplomata, a insólita afirmação, a negrito, «António Martins da Cruz, com menos de 30 anos, foi abrir a embaixada de Portugal em Maputo», afirmação que repete da anterior entrevista do DN (11-02-2017). Não surpreende a omissão biográfica da demissão de MNE de Durão Barroso, de quem é compadre, na sequência do escândalo da portaria feita à medida da filha, Diana, para a entrada em Medicina, escândalo que tornou insustentável a sua permanência no governo e a do ministro do Ensino Superior, Pedro Lynce, autor da Portaria. (…) Sobre a personalidade que mereceu duas entrevistas ao DN, no espaço de quatro meses, talvez fosse aliciante saber que, depois de demitido de MNE, foi ele, com Mário David, que negociou, nos bastidores, a ida para presidente da CE de Durão Barroso, enquanto este, dissimulado, insistia estar empenhado na candidatura do ex-comissário europeu António Vitorino. (O eurodeputado do PSD, Mário David, notabilizou-se ao ter manifestado vergonha por Saramago ser seu compatriota, e viria a ser o mandatário da candidatura de última hora, para desesperadamente tentar impedir Guterres de ascender o secretário-geral da ONU). Esqueçamos o homem de negócios, bem relacionado nos serviços secretos europeus e defensor entusiasta da adesão da Guiné Equatorial à CPLP, e voltemos ao jovem que “com menos de 30 anos, foi abrir a embaixada de Portugal em Maputo”. A embaixada, sob o ponto de vista físico, pode ser aberta pelo porteiro, mas em termos diplomáticos só por um embaixador ou, no mínimo, um ministro plenipotenciário. Reincidir em que Martins da Cruz abriu a embaixada de Maputo ofende o embaixador Albertino de Almeida, impoluto e corajoso magistrado que Melo Antunes convidou para primeiro embaixador de Portugal em Moçambique. Martins da Cruz não o refere no currículo, mas Samora Machel expulsou-o de Maputo. A estima e consideração pelo embaixador Albertino de Almeida mantiveram-se intensas e recíprocas até à morte do primeiro, por acidente aéreo, em território sul-africano.» Carlos Esperança, FB.
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domingo, 18 de junho de 2017

Índia cancela centrais a carvão


Eis que uma avestruz decide competir com ciclistas que pedalavam a cerca de 50 km/h em direção à cidade do Cabo, África do Sul.

  • A Índia cancelou os projetos de construção de centrais a carvão perante a queda acentuada dos preços da energia produzida pelas centrais solares. The Independent.
  • Topher White, colaborador da National Geographic, desenvolveu uma tecnologia capaz de combater o abate ilegal de árvores. Colocado no cimo de uma árvore, um telemóvel carragado por células solares e acoplado a um microfone, deteta o ruído de uma motosserra e envia um alerta às autoridades. Lançado em Sumatra, Indonésia, o conceito ganhou asas e já está operacional nos Camarões, no Equador, no Perú e no Brasil. NG.
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Reflexão: Como enfrentar a desertificação?

Imagem recolhida aqui.

O Programa de Acção Nacional de Combate à Desertificação (PANCD) para o período 2008-2018 reconhece que 32,6% dos solos do território nacional já se encontram “em situação degradada e que esta aridez “atinge a totalidade do interior Algarvio e do Alentejo”. O problema está a progredir para as zonas do noroeste, tradicionalmente uma das mais pluviosas da Europa, e a aumentar nas zonas do litoral sul e montanhas do centro do país. (…)

A organização ambientalista Quercus lembra que, para além das condicionantes imposta pelo fenómeno da desertificação, as suas consequências observam-se igualmente nos “solos degradados que armazenam menos carbono”, o que contribui para o aquecimento global. “Sem solos saudáveis e produtivos, surge a pobreza, a fome e a necessidade de emigração”, diz a associação.

A Quercus assinala que para o aumento do índice de aridez e desertificação em Portugal, concorre a “utilização do solo com culturas agrícolas intensivas de regadio, às quais se encontram associados processos de degradação do solo, como a salinização, sobre-exploração dos aquíferos, contaminação do solo por pesticidas e fertilizantes, erosão do solo e alterações da paisagem”.

E destaca o impacto que está a provocar no ambiente a “(re)arborização de milhares de hectares com espécies exóticas e consequente perda de biodiversidade, destruição da floresta autóctone e esgotamento dos solos e dos aquíferos”. Juntam-se a este factores debilitantes, os “milhares de hectares de área ardida que resultam dos incêndios recorrentes em Portugal que provocam elevados níveis de erosão e contaminação dos solos e linhas de água”.

A Quercus pede medidas concretas e legislação específica que “protejam os últimos exemplares de bosquetes de carvalhos autóctones” e a regulamentação das áreas de implementação de ”culturas agrícolas intensivas de regadio em zonas de montados de sobro e azinho, cujo declínio urge inverter”, assim com acções de remediação em zonas de solos ameaçados ou já contaminados pelas monoculturas de espécies perenes, sobretudo de eucaliptais, olivais e amendoais.
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