Notícias sobre Ambiente. Sem patrocínios privados ou estatais. Desde janeiro de 2004.

  • Ambiente Ondas3

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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Tribunal intima governo a tomar medidas para reduzir a poluição

S. Miguel-Açores. Foto: Filipe Andrade 29abr2015.

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Reflexão - A ilusão austeritária

A ilusão austeritária – a razão para os cortes baseou-se numa mentira, por Paul Krugman in The Guardian 29abr2015.

Pontos a reter:

1 Passados 5 anos sobre a aplicação das políticas austeritárias, vê-se agora a Grécia como ela deveria ter sido vista desde o princípio, como um caso único merecedor de reflexão. É impossível para países como os EUA e o Reino Unido, que contraem empréstimos na sua própria moeda, sofrer crises do tipo da Grécia porque eles não podem ficar sem dinheiro, eles podem imprimi-lo sempre que o queiram.

2 Os benefícios da melhoria da confiança não se concretizaram. Todos os países que aplicaram medidas austeritárias  viram as suas economias sofrer. No final de 2012, o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, admitiu que o FMI tinha subestimado os prejuízos que os cortes nas despesas viriam a provocar numa economia fraca.

3 A ideologia austeritária que dominou o discurso das elites há cinco anos entrou em colapso, a ponto que quase ninguém acreditar nela. Apenas o governo britânico e a maior dos média britânicos parecem não ter dado por isso.

4 Houve motivos políticos para muito boa gente estar contra os estímulo fiscais, mesmo perante uma economia profundamente deprimida. Os conservadores gostam de usar os alegados perigos da dívida e dos défices como paus para baterem no estado social e justificar cortes nos benefícios.

5 No mesmo dia em que o Centro de Macroeconomia revelava que a grande maioria dos economistas britânicos discordava de que a austeridade era boa para o crescimento, o Telegraph publicava na sua primeira página uma carta de 100 líderes empresariais declarando o contrário. Por que seria que o grande patronato gostava da austeridade e odiava a economia keynesiana? Esperar-se-ia que o patronato desejassem políticas que produzissem grandes vendas e lucros. Penso que o alarmismo à volta da dívida e dos déficits é frequentemente utilizado para dar cobertura a uma agenda muito diferente, nomeadamente uma tentativa de reduzir o tamanho do governo, especialmente as despesas na segurança seguro social. (...) Aliás, é o próprio Telegraph a dizê-lo, em 2013: o principal objetivo da austeridade é reduzir as despesas do governo. David Cameron aperfeiçoa este raciocíno: a austeridade é para emagrecer o governo para sempre. 

6 Para Mike Konczal, do Roosevelt Institute, o patronato não gosta da ideologia Keynesiana porque ela ameaça o seu poder de negociação. Para o patronato, a saúde da economia depende da confiança, que, por seu lado, dizem eles, exige que eles se sintam felizes. 

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Mão pesada para a Lehigh Hanson

A cimenteira Lehigh Hanson, no Silicon Valley, foi condenada a pagar multa de 2,55 milhões de dólares por despejo de efluentes não tratados numa ribeira, e a investir 5 milhões numa estação de tratamento de efluentes.
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Bico calado - Não somos os PET(S) deste MEC!

  • «Este MEC criou mais uma PPP (Parceria Público-Privada). Desta vez com o Instituto Cambridge. Como em (quase) todas as PPP's, o Estado sai sempre a perder. O MEC coloca os seus recursos humanos, neste caso os professores de Inglês, a trabalhar gratuitamente para o Cambridge, em claro prejuízo dos alunos. Os alunos ficam sem aulas, os professores perdem tempo para trabalhar para as suas muitas turmas. Para não falar do desgaste e da humilhação de obrigar professores de inglês a fazer um exame de domínio da língua inglesa... Se a moda pega, o Instituto Cervantes começa a requisitar professores de Espanhol, e o Goethe de Alemão... O modelo pode ser transposto para outras áreas: professores de Matemática a fazerem estudos estatísticos para a Sonae ou para o Novo Banco, de graça!... É tudo uma questão de imaginação!»
  • «Agora, Marco António, do PSD, quer que especialistas de apoio parlamentar façam uma auditoria ao programa do PS. Isso só pode ser uma chicana própria da época pré-eleitoral. Porque a ser mais que um truque, seria um golpe de Estado. Seria pôr a Assembleia da República e qualquer das suas comissões a dar bitaites aos programas eleitorais. Está-lhes a dar forte, aos políticos! Depois da tentativa de controlarem o "plano de cobertura eleitoral" dos jornais, querem, agora, controlar os programas eleitorais dos partidos.» Ferreira Fernandes in DN 29abr2015.
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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Espinho ainda tem cenas refrescantes e pitorescas

Rua 34, Anta-Espinho. Foto: Aurora Mlorais 28abr2015.

Esta fotografia tem muito que se lhe diga, mesmo correndo o risco de provocar alguns que a observam com algum gozo e sobranceria, quiçá com alguma vergonha por esta cena ocorrer numa cidade casineira e organizadora de um torneio mundial de futebol de praia. 
Primeiro, tudo está no seu devido lugar, tudo está arrumado e limpo. O cavalo parece muito mais bem educado do que muito cãozinho que se pavoneia por Espinho povoando os passeios de laradas onde os distraídos carimbam os seus sapatos. 
Segundo, o cavalo não polui, e aquilo que alguns já vão atirar dizendo que é poluição, é excelente adubo para terras que produzem vegetais, hortaliças, cereais que não precisam de químicos ou de dopantes para crescerem mais depressa. A propósito, sabia que as fezes de um cãozinho cheiram muito mais mal e são muito mais difíceis de limpar do que as de um cavalo? 
Terceiro, o cavalo não produz ruído. Que chatice, não é? 
Quarto, é vegetariano. Outra chatice, não é? 
Apenas por estes pequenos pormenores, o cavalo não deveria pagar impostos, mas sei que paga. Obrigado, Aurora, por partilhar cena tão refrescante e pitoresca. 
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Portugueses consomem mais peixe do que aquele que capturam nas suas águas

Imagem retirada daqui.
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Reflexão – Por que motivo se interessam os filósofos por transgénicos?

Até mesmo o Departamento de Filosofia e Ciências Morais da Univerisdade de Ghent, Bélgica, achou por bem sair a terreiro para apoiar os fabricantes de transgénicos. Admitem que as estratégias dos ambientalistas têm-se mostrado mais eficazes do que  as utilizadas pelas gigantes dos transgénicos e seus amigos, os académicos . Isto acontece porque, dizem, as alegações de que os transgénicos provocam doenças e contaminam o ambiente são difíceis de derrotar porque a ciência dos transgénicos é demasiado complexa para poder ser comunicada com clareza e eficácia. Por isso, defendem que a melhor estratégia para eliminar os adversários dos trangénicos é compreender por que motivo(s) as pessoas são contra os transgénicos.
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Mão pesada

Um indivíduo foi condenado a pagar uma fiança de 800 mil euros pelo envenenamento de 6 águias imperiais numa zona protegida de Encomienda de Mudela, Ciudad Real.
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Bico calado

  • Espinho: Opacidade camarária - a quem interessa
  • Uma ciência exacta, por Filipe Tourais.
  • As grandes farmacêuticas eliminam as suas rivais para melhor controlarem os mercados, podendo assim subir os preços dos seus produtos sem a concorrência delas. Foi o que aconteceu depois da Valeant ter adquiridos duas rivais, conta o Wall Street Journal.
  • O jornalista Edouard Perrin é acusado pelo Luxemburgo de ter violado a confidencialidade do negócio após a divulgação da existência de milhares de documentos assinados comprovando que o país ajudou muitas empresas a fugir ao pagamento de impostos nos países onde operam. Vergonhoso. Acusa-se um profissional inocente que apenas veiculou a existência de vigarices que prejudicaram países uma vez que houve empresas que não pagaram os devidos impostos, e continua-se a não investigar e acusar os responsáveis pela facilitação da fuga aos impostos.
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terça-feira, 28 de abril de 2015

O Papa não deve intrometer-se no clima, dizem os céticos

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Bico calado

  • «Os apoios de pesca em Espinho estão totalmente sobrevalorizados e equipamentos similares noutros concelhos foram construidos por valores que variam entre os 450 mil euros, na Vagueira no concelho de Vagos (com dois apoios de pesca de apoio a quatro companhas com instalações sanitárias, vestiários e duche e um terceiro edifício de 220m2 e dois pisos, dedicados ao posto de vendagem e um espaço de exposição permanente da arte xávega e das vivências associadas a esta tradição agro-marítima) e 1 milhão de euros na Praia de Mira no concelho de Mira (com quatro apoios à pesca artesanal com instalações sanitárias, vestiários e duche que servem oito companhas e um quinto edifício com 245 m2, com a lota e serviços administrativos da Docapesca, que foi parceiro na construção destes equipamentos).» Luís Neto (vereador PS) in Espinho Alerta.
  • Sabia que Jean-Marie Le Pen também tinha dinheiro escondido num paraíso fiscal e ouro num banco suíço.
  • Os false flags existem? pergunta a Informação Incorrecta.
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segunda-feira, 27 de abril de 2015

EUA criticam política europeia para os transgénicos

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Reflexão: quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?


No Ambiente Ondas3, as 3 textos mais populares dos últimos 8 dias foram, segundo a Google Analytics:
As visitas vieram, por ordem decrescente, de Portugal, do Brasil, dos EUA, de França, de Angola, de Espanha, do Reino Unido, da Suíça, da Alemanha e de Itália.
Proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa: Espinho, Lisboa, Porto, Gaia, Coimbra, Aveiro, Braga, São Paulo e Amadora.

Obrigado pela vossa preferência. Voltem sempre.
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Bico calado

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sábado, 25 de abril de 2015

Eólica flutuante da Aguçadoura com luz verde de Bruxelas

Ilheu de Vila Franca do Campo, Açores. Imagem retirada daqui.
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Reflexão – Os cruzeiros são amigos do ambiente?

Ponta Delgada, S. Miguel-Açores. Imagem retirada daqui.

Conhece os impactos ambientais dos cruzeiros? A Friends of the Earth avaliou as 16 maiores companhias de cruzeiros segundo 4 parâmetros: tratamento de esgotos, redução de poluição, qualidade da água e transparência. Leia aqui.
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Mão pesada

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Bico calado - 25 de Abril Sempre!


Os media portugueses ameaçam não fazer qualquer cobertura das eleições legislativas. Tudo porque o PSD, o cDS e o PS querem obrigá-los a apresentar planos de cobertura dos procedimentos eleitorais a uma comissão mista que junta Comissão Nacional de Eleições e Entidade Reguladora da Comunicação Social, que tem de os validar, numa espécie de visto prévio. Os planos deverão incluir o modelo de cobertura das acções de campanha das diversas candidaturas, a previsão de entrevistas, debates, reportagens alargadas, emissões especiais ou outros formatos informativos de forma a assegurar a igualdade das candidaturas. Pormenor curioso: os planos terão de ser apresentados mesmo antes de terminado o prazo de apresentação das candidaturas.
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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Transgénicos temperam broa portuguesa

Foto: OLima. Meados de Agosto de 2010. Cabouco, Lagoa-Açores, perto do Pico do Lamego.
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Reflexão – As abelhas gostam de néctar com neonicotinoides?

As abelhas preferem néctar com dois dos três neonicotinoides mais populares, revela um estudo realizado por investigadores da Newcastle University e do Trinity College de Dublin. Segundo os autores, elas podem tornar-se viciadas, tal como os fumadores perante a nicotina...
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Bico calado

«As comemorações do 25 de Abril, no sábado, são duas, e definem a divisão do País. As "oficiais", em circuito fechado, vão dar azo a que o dr. Cavaco repita o chorrilho de inocuidades. Sem cravo na lapela, para não ofender os que restam, o cavalheiro, melancólico e soturno, parece deslocar-se para um funeral. Há uma certa verdade no quadro: ele não tem nada a ver com aquilo e, notadamente, está ali a fazer um frete. A Associação 25 de Abril, como o tem feito, vai estar ausente, alguns senhores ostentarão o cravo, toque de ‘A Portuguesa’, e a festa acaba, como se fora o cenotáfio de um morto, porém empalhado.»  Baptista Bastos in O Grito de um Viva, CM 22abr2015.
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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Dezenas de toneladas de peixes mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio

Junkers: «Transgénico? Quando a coisa é séria, tem de se mentir.» Imagem retirada daqui.
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Mão pesada

A Monsanto está a ser processada na China, acusada de propaganda enganosa. Tudo porque pretende garantir que o glifosato, a substância ativa do Roundup, é inofensivo para os humanos porque tem como alvo uma enzima apenas presente em plantas e não em seres humanos ou animais. Os promotores da acusação alegam que a enzima EPSO pode ser encontrada em micróbios nos intestinos de animais e de humanos.
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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Europa intima Tailândia a reprimir pesca ilegal

Salinas de Aveiro. Foto de Peter Mooney 20abr2015.
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Reflexão – Dia Mundial da Terra

Imagem retirada daqui.

Instituído em 1970, o Dia Mundial da Terra pretende consciencializar os cidadãos para as problemáticas que se colocam ao planeta, nomeadamente aos seus recursos naturais.

Os 7 pecados ambientais de Portugal, segundo a Quercus:

1. O Plano Nacional de Desenvolvimento Sustentável caiu no esquecimento
2. A remodelação ao financiamento das autarquias não é o correcto
3. Portugal consume cada vez mais energia
4. Excesso de tráfico em circulação
5. Portugal desperdiça por ano 3 100 000 000 000 litros de água
6. A Conservação da Natureza ainda não passou à parte prática
7. Reciclagem ainda longe dos hábitos portugueses
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Mão pesada

Cinco caçadores de lobos foram condenados a penas de prisão entre 5 e 20 meses na Noruega.
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terça-feira, 21 de abril de 2015

Corrupção nas eólicas espanholas

Foto: Mário Cales. Paramos, Espinho 20abr2015.
  • Altos cargos da administração regional, promotores de parques eólicos e empresas elétricas terão pago pelo menos 110 milhões de euros para agilizar a implantação de parques eólicos em Castela e Leão, denuncia a Agencia Tributaria ha denunciado à Fiscalía Anticorrupción. Casos houve em que as elétricas transferiram as ações das sociedades criadas conseguindo, desta maneira, fazer multiplicar cem ou mil vezes o capital inicialmente referido sem que tenham sido instalados aerogeradores para a produção de energia.
  • A Adidas anunciou que vai colaborar com Parley para desenvolver fibras feitas a partir de resíduos de plástico retirados do mar e aplicá-los em seus equipamentos desportivos.
  • Cinco unidades petroquímicas foram encerradas em Haifa, Israel, na sequência de alerta do ministério da Saúde chamando a atenção para o elevado número de casos de cancro registados naquela região e que estão relacionados com a poluição do ar.
  • Yevgenia Chirikova, uma ambientalista russa vencedora, em 2012, do prémio Goldman, foi obrigada a fugir para a Estónia. Tudo porque a sua campanha, contra a abertura de uma estrada que ligaria Moscovo a São Petersburgo através de uma floresta antiga, colidiu com os interesses de um dos homens mais ricos do país, amigo de infância de Putin. Refira-se que o jornalista Mikhail Beketov, que acokmpanhou a campanha de Chirikova, morreu após ter sido brutalmente agredido. Entretanto, a América Latina continua a ser o zona mais perigosa para os ativistas ambientais, denuncia a Global Witness. Em 2014, das 116 mortes registadas, 90 ocorreram aqui. O Brasil lidera, com 25% dessas mortes. Seguem-se-lhe a Colômbia (25), as Filipinas (15) e Honduras (12). A causa das mortes reside em lutas pela posse de terras frente a interesses agroindustriais, mineiros e hidroelétricas. A maioria dos processos de investigação sobre esses assassinatos é arquivada por alegada falta de culpados. 
  • Perante a prolongada seca, as autoridades californianas ordenaram cortes no abastecimento e uso da água. As últimas restrições estão a provocar uma autêntica revolta contra a indústria de água engarrafada, após ter-se sabido que a Nestlé e outras grandes empresas estão-se a aproveitar da má supervisão do governo para esgotar córregos de montanha e de bacias hidrográficas e embolsar grandes lucros. Por exemplo, a Nestlé continua a extrair água do Desert Sun, em San Bernardino, uma das zonas mais atingidas pela seca, apesar do contrato já ter expirado há 27 anos. O mês passado, um protesto junto da fábrica da Nestlé em Sacramento obrigou ao seu encerramento. Uma petição exigindo a suspensão imediata da captação de águas por parte da Nestlé já recolheu 150 mil assinaturas. 
  • Os EUA e a China lideraram, em 2014, a produção de resíduos eletrónicos a nível mundial. Seguiram-se-lhes o Japão, a Alemanha e a Índia.
  • Sismologistas investigam uma série de tremores de terra perto de Dallas, Texas, alegadamente provocados pela extração de gás e petróleo através da polémica tecnologia de fraturação hidráulica.
  • Cinco anos depois da explosão da plataforma Deepwater Horizon e da catástrofe ambiental desencadeada pela enorme maré negra ao longo das costas do Golfo do México, muitos mariscadores de ostras da Louisiana receiam que a população de moluscos não recupere.
  • Vencedores dos Prémios Golman 2015: Phyllis Omido, do Kenya, por liderar o processo de encerramento de uma fundição em Monbasa responsável pela exposição das pessoas a químicos perigosos; Myint Zaw, de Myanmar, por ter conseguido fazer suspender a construção da barragem de Myitsone; Howard Wood, da Escócia, pelo contributo para a criação da primeira área marinha protegida e desenvolvida pela comunidade; Jean Wiener, do Haiti: pela criação das primeiras áreas marinhas protegidas do país. Marilyn Baptiste, do Canadá, como antiga chefe índia dos Xeni Gwet, liderou a luta contra a implantação de uma mina de ouro e cobre na British Columbia; Berta Cáceres, das Honduras, liderou a luta, com sucesso, contra a construção de uma barragem em Agua Zarca.
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Bico calado

  • Uma casa de Ricardo Salgado foi feita numa duna a 400 metros do mar, na zona da Comporta, junto à praia do Pego, na freguesia do Carvalhal, onde as novas construções são proibidas. A autarquia diz que se tratou de uma reconstrução, mas o que foi feito nada tem a ver com as modestas casas supostamente reconstruídas, nem com o que consta do registo predial actualizado. 
  • «Tolentino da Nóbrega, na insularidade democrática da sua Madeira, onde o poder absoluto de Jardim era um cutelo sobre a liberdade de expressão, impondo o medo e a subserviência, foi sempre uma voz livre, rompendo essas limitações com a prática de um jornalismo cívico (atrevamo-nos a dizê-lo), nunca deixando de seleccionar a realidade naquilo que verdadeiramente era o essencial. Os direitos, a sociedade, as pessoas: a expressão de uma escrita com dimensão cultural. A sua morte (tão prematura) deixou, de facto, um vazio no jornalismo português, embora o seu exemplo, a sua exemplaridade cívica e cultural permaneçam para iluminar os caminhos do quotidiano.» Pernando Paulouro in Tolentino da Nóbrega: cidadão livre e jornalista independente.
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segunda-feira, 20 de abril de 2015

Ministério do Ambiente tem 14 edifícios com amianto

Bariloche, Argentina. Foto de Linda Yael 17abr2015. 
A minha amiga diz que foi uma manhã de outono estranha...

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Reflexão: quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?

No Ambiente Ondas3, as 3 textos mais populares dos últimos 8 dias foram, segundo a Google Analytics:
As visitas vieram, por ordem decrescente, de Portugal, do Brasil, dos EUA, de França, de Espanha, do Reino Unido, de Angola, da Suíça, do Quénia e da Bélgica.

Proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa: Espinho, Lisboa, Porto, Gaia, Aveiro, Coimbra, Braga, SJ da madeira e Amadora.

Obrigado pela vossa preferência. Voltem sempre.
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Bico calado

  • « (...) penso que o papel da ‘cunha’ pouco diminuiu na sociedade portuguesa, como alguns pensam. Só mudaram os processos e os destinatários, e com o declínio de muita da nossa economia, em particular na indústria, o Estado tornou-se o verdadeiro centro das ‘cunhas’ e os aparelhos partidários o seu principal veículo.(...) Os ‘facilitadores’ vivem desse mundo e olhando para certas carreiras mesmo no topo do estado a pergunta é como é que chegaram lá. Como é que meia dúzia de pessoas sem qualquer carreira, saber académico, experiência de vida, trato do mundo, podem mandar nalguns casos mais do que um Primeiro-ministro ou um Presidente da República, ao deterem o controlo dos partidos? A resposta é: meteram muitas ‘cunhas’ e prestaram muitos serviços numa fase da vida, e facilitaram muitas ‘cunhas’ noutra. São espertos e hábeis. Conhecem-se entre si e sabem melhor do que ninguém as regras do jogo. Uns sofisticaram-se, outros não, mas há ‘espaço’ para todos. Mas o seu efeito na vida pública é baixar os níveis de qualidade, estiolar a competição política, controlar o seu território com mão de ferro, e gerar à sua volta um círculo de iguais. E pôr em risco a democracia.» Pacheco Pereira in História social da ‘cunha’, Público 18abr2015.
  • «Ontem vi na televisão um reconhecimento da sua obra bastante generalizado. Não consigo avaliar com rigor o grau de hipocrisia de algumas das declarações, mas, pelo menos, este reconhecimento do seu papel crucial para nos colocar em matéria científica muito mais próximo do nível dos países europeu mais desenvolvidos, significa alguma coisa. Por uma vez, o país teve sorte: Mariano Gago teve tempo para consolidar a sua política através do critério imbatível dos resultados, porque esteve doze anos, primeiro no Ministério da Ciência e, depois, da Ciência e do Ensino Superior. A breve interrupção de dois anos (Barroso-Santana) não chegou para destruir o que ele já deixara feito. Hoje, quando vemos os nossos cientistas a brilhar lá fora, mas também cá dentro, nos centros de investigação de excelência, ninguém pode negar aquilo que o país lhe deve. (...)Hoje, toda a gente lhe tece elogios, mas foi contestadíssimo enquanto governou pelos mesmos que agora se curvam perante o seu contributo nacional. Assisti a vários episódios desses. Lembro um. Quando Mariano Gago lançou as parcerias com algumas grandes universidades americanas, como o MIT, assisti de boca aberta, confesso, a críticas ferozes à sua mania das grandezas. Como sempre acontece neste país, os que diziam isso deixaram de falar sobre o assunto a partir do momento em que os resultados se tornaram óbvios. (...)Mas há outro lado da vida de Mariano Gago que é ainda mais raro, mesmo que comum a outras pessoas que conheço da sua geração. Olhava-se como um servidor do Estado. Ou melhor, o Estado era para ser servido (de preferência pelos melhores) e não para se servirem dele. E o Estado era ou devia ser uma coisa séria e um instrumento estratégico para ajudar a pensar o país. Pensava assim e a sua vida foi assim, mesmo quando essa visão era esmagada por uma moda ideológica que via no Estado um obstáculo burocrático e dispendioso.» Teresa de Sousa in É a excelência, estúpido, Público 19abr2015.
  • «A atenção é o recurso que move a economia de hoje. Cada vez mais a nossa atenção é invadida de tal modo que já não controlamos a nossa própria atenção como queremos. O espaço público é ocupado por publicitários exigindo a nossa atenção e os lugares tranquilos on de podíamos pensar ou conviver são ocupados por música alta. Em todo o lado, de restaurantes a casinos, há tentativas de controlar os nossos humores. O silêncio, uma coisa que considderávamos garantida como o ar ou a água limpa, tornou-se um bem de luxo. Em todo o lado reina a cacofonia. Parece que já nos habituamos a ver os nossos humores a serem geridos e manipulados de todas as maneiras, a ver a nossa atenção a ser roubada em todos os lugares públicos.» Matthew B. Crawford, autor de The World Beyond Your Head.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Algarve: Almargem contra técnicas de consolidação de arribas e de recarga artificial da praia de D. Ana

Cappadocia, Turquia. Foto de Tahir Özaşık 10abr2015.
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Reflexão – Carvão barato é uma grande mentira

Excertos de um texto de Al Gore e David Blood publicado no Guardian de 16abr2015:

Interesses obscuros estão a tentar impor o carvão como solução de energia em países pobres.
É cada vez mais difícil evitar a realidade de que o carvão como fonte de energia tem os dias contados. Num mundo em que as emissões de carbono terão que ser cada vez mais condicionadas, o carvão é a fonte de energia mais vulnerável a tornar-se "encalhado", a ver colapsar o seu valor de mercado muito tempo antes do seu tempo de vida útil previsto anteriormente.

Esta nova realidade económica e política já está sendo moldada pelo rápido crescimento global de apoio à aplicação de um "orçamento de carbono" global. Esta ideia, proposta pela primeira vez há seis anos e formalmente aprovada pela Agência Internacional de Energia, em 2011, foi ganhando força por causa do consenso científico cada vez mais forte de que as emissões de carbono resultantes da actividade humana são o principal motor das alterações climáticas.

Esta exploração de uma necessidade humanitária urgente para promover o carvão em países pobres é extremamente enganosa: a emissão de 110 milhões de toneladas diárias na atmosfera está aumentando a probabilidade de graves e irreversíveis impactos para as pessoas e para os ecossistemas.

Porém, a indústria do carvão luta pela sobrevivência, e, por isso, lançou uma campanha para promover o carvão como a solução para a pobreza energética, tenatndo fazer crer que o carvão é a forma mais barata de fornecer eletricidade para a um quinto da população sem acesso a rede elétrica. Se concretizada, esta política iria piorar a situação de 1.3 biliões de pessoas

A maior parte dos países pobres enfrentam desafios graves já exacerbados por situações relacionadas com episódios de clima extremo. Eles têm sido vítimas de tempestades cada vez mais fortes, cheias destuidoras, secas cada vez mais prolongadas e duras e de mudanças desestabilizadoras nas épocas das chuvas. Estas manifestações de crise climática têm afetado o crescimento económico, prejudicando a agricultura de subsistência e criado conflitos sociais. A segurança alimentar e as reservas de água estão a ser comprometidas, verificando-se uma enorme pressão sobre os recursos naturais e as infraestruturas básicas. 

É importante sublinhar que o custo real do carvão deve incluir os danos causados à saúde das pessoas. Por exemplo, no norte da China, a poluição causada pelo carvão é responsável pela redução de cinco anos e meio na expetativa de vida. Deve também incluir o uso de elevadas quantidades de água e os enormes danos ambientais causados pela deposição de cinzas cheias de mercúrio e cádmio que, contaminando terrenos, acabam contaminando a comida.
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Bico calado

  • Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros, professores e farmacêuticos, lê-se no DN de 16abr2015. O País do Burro tem razão: Os nossos impostos andam a servir para subsidiar a exploração do trabalho. Andamos a trabalhar para enriquecer parasitas.
  • Rodrigo Rato, antigo diretor-geral do FMI e ministro da Economia e vice-presidente do Governo espanhol, entre 1996 e 2004, nos Executivos de José Maria Aznar, foi detido em Madrid, suspeito dos crimes de branqueamento de capitais, fraude e apropriação indevida de bens. SIC.
  • «E é aqui que reside a importância dos órgãos de comunicação social e, sobretudo, dos Jornalistas. Escrevo Jornalistas com maiúscula tendo plena consciência de que muitos dos que merecem essa designação se encontram afastados do exercício da profissão. E porque é que se encontram afastados? Uns porque não tiveram condições e/ou oportunidades para continuar e tiveram de se dedicar a outras actividades. Outros porque se desencantaram com muito do que viram nas redacções, e alguns ainda porque, como eles mesmo afirmam, amam demais a profissão para se manterem nela sem a poderem exercer como ela deve ser exercida.» Luís Humberto Teixeira in Jornalistas, com maiúscula.
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quinta-feira, 16 de abril de 2015

180 mil ao ar

Foto: Paulo Duarte/Espinho Alerta 14abri2015.

Esta fotografia foi tirada de sul para norte, junto da praia do Pau da Manobra, em Silvalde, Espinho. À primeira vista, poderá dizer-se que a inclinação desta vedação para poente será o resultado (1) da força do vento de leste, (2) de gente que a trepou ou (3) de erro de cálculo e de construção. 

Primeiro, não consta que o vento de leste seja predominante nesta zona e, por isso, os construtores reforçaram, por trás, os barrotes, onde assentam as tábuas, com apoios, precisamente para a vedação aguentar os ventos predominantes, por vezes fortes, que sopram do norte e do sudoeste.
Segundo, não consta que gente inteligente se dê ao trabalho de trepar uma vedação destas quando, com muito menos esforço e mais depressa, consegue transpôr esta barreira passando por baixo dela.
Terceiro, os técnicos, alegadamente baseados em estudo e desenho de engenheiros formados por universidades reconhecidas nacional e internacionalmente, fizeram o que a ciência lhes ensinou. Mas a Natureza sabe muito mais do que todos eles juntos, mais os políticos, assessores e patos bravos.

Enfim, 180 mil euros do erário público deitados ao vento. Embora a câmara os tenha conseguido burocraticamente, contorcendo-se no labirinto de programas adequados à ocasião, continua a não nos convencer de que esta vedação foi erguida para proteger um passadiço. É que este está 50 metros a poente, enquanto a estrema do campo de golfe, privado, está mesmo em cima da linha da vedação. 180 mil...

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Figueira da Foz quer parcerias público privadas para projetos de conservação

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Bico calado

  • «As ligações entre os cargos políticos e a banca são um dos problemas de Portugal apontados pela ONG Transparency Internacional no seu mais recente estudo Lobbying in Europe. Desde o 25 de Abril, mais de metade – 54% – de todos os membros do Governo trabalharam no sector financeiro. E dos últimos 19 ministros das Finanças, quase três quartos – 14 – fizeram carreira neste sector ou em instituições financeiras. Este último dado tem o seu quê de curioso: 14 em 19 são 73,68%. E 73,68% está numa vizinhança muito próxima dos 73,4% de intenções de voto nos três partidos que já integraram Governos da última sondagem da Aximage. Temos, portanto, as organizações internacionais a alertarem os portugueses para a captura dos seus três partidos preferidos por interesses económicos opacos e os portugueses a responderem às organizações internacionais que isto é mesmo assim. E que ai de nós se não fosse.» O País do Burro.
  • «Não estou a ver uma dessas equipas que vai às estradas, também eles trabalhando em péssimas condições, a pedir de imediato um helicóptero porque se trata do sr. ministro, ou a reconhecer no focinho coberto de sangue um secretário de estado. Vai daí, em caso de azar, e ninguém está livre dele, trigo limpo farinha amparo, ireis para estas urgências como os outros. E arriscais-vos mesmo a ficar numa maca entalada entre outras num corredor, a serdes assistidos por um enfermeiro para 30 doentes, a ter o único médico capaz de vos tratar ocupado com outros doentes. De nada valerá, depois, um secretário de estado gritar que os médicos e enfermeiros eram comunistas. De nada valerá para vocês, e muito menos para a vossa família.» Fonte.
  • « (...) Usar os estágios para substituir o emprego, mascarar o desemprego, desincentivar a contratação e baixar o nível salarial é transformar o mundo do trabalho numa grande máquina de usar precários, pessoas.» Mariana Mortágua in A máquina de usar pessoas, in JN 14abr2015.
  • Portugal ficou abaixo da média europeia, com uma pontuação de 23% face às melhores práticas internacionais, no Estudo da Transparência Internacional sobre os lóbis e a forma como os interesses privados interagem com os decisores públicos. O estudo da TIAC à realidade portuguesa demonstrou uma situação de promiscuidade entre decisores políticos e interesses privados com destaque para o setor financeiro.
  • « (...) Uma das notas mais eloquentes da anemia cívica portuguesa prende-se com uma certa incapacidade para tomar a crítica como elemento imprescindível da vida colectiva e seiva vivificante da democracia. Não é apenas a crítica um direito elementar, barómetro de cidadania, mas uma condição fundamental para materializar o desenvolvimento. Numa sociedade como a portuguesa, tolhida por autoritarismos de longa duração histórica, com as suas fogueiras de intolerância e de silêncios, a mentalidade colectiva facilmente se tornou refém de medos e de indiferenças, uns e outras geradores de súbditos que ainda pensam que o direito a elevar a voz é recurso eivado de perigosidades.(...)» Fernando Paulouro Neves in Recusar a morte antecipada.
  • Carrilho, o moralista, por Bruno Nogueira in TSF/Tubo de Ensaio 15abr2015.
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quarta-feira, 15 de abril de 2015

Holanda limita extração de gás natural

Vale de Bestança. Foto: Antonio Tony Garcia 12abr2015.
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Mão pesada

A Cal-Maine Foods, Inc. foi multada em 475 mil dólares por contaminar curso de água com efluentes de um mega aviário em Edwards, no Mississippi.
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terça-feira, 14 de abril de 2015

Burrié coloniza Santa Maria

  • O burrié, a espécie invasora de caracol marinho Phorcus sauciatus identificada em 2013, está a colonizar a ilha de Santa Maria e os investigadores calculam que se propague às outras ilhas açorianas. O burrié deverá ter um impacto significativo sobre a população da lapa, espécie muito popular usada na gastronomia açoriana.
  • A Global Warming Policy Foundation, uma «charity» liderada por Lord Lawson e cética em relação às alterações climáticas, recebeu doações secretas de um lobista, que trabalhava para a indústria nuclear, e de um Conservador rico, que afirma ter sido a primeira pessoa na Grã-Bretanha a construir parques eólicos subsidiados.
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Reflexão: O Império do Consumo

Imagem retirada daqui.

O Império do Consumo, por Eduardo Galeano, in Carta Maior 17jan2007

A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O sistema fala em nome de todos, dirige a todos as suas ordens imperiosas de consumo, difunde entre todos a febre compradora; mas sem remédio: para quase todos esta aventura começa e termina no écran do televisor. A maioria, que se endivida para ter coisas, termina por ter nada mais que dívidas para pagar dívidas as quais geram novas dívidas, e acaba a consumir fantasias que por vezes materializa delinquindo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efémera, que se esgota como se esgotam, pouco depois de nascer, as imagens disparadas pela metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas para que outro mundo vamos mudar-nos?
A explosão do consumo no mundo atual faz mais ruído do que todas as guerras e provoca mais alvoroço do que todos os carnavais. Como diz um velho provérbio turco: quem bebe por conta, emborracha-se o dobro. O carrossel aturde e confunde o olhar; esta grande bebedeira universal parece não ter limites no tempo nem no espaço. Mas a cultura de consumo soa muito, tal como o tambor, porque está vazia. E na hora da verdade, quando o estrépito cessa e acaba a festa, o borracho acorda, só, acompanhado pela sua sombra e pelos pratos partidos que deve pagar.
A expansão da procura choca com as fronteiras que lhe impõe o mesmo sistema que a gera. O sistema necessita de mercados cada vez mais abertos e mais amplos, como os pulmões necessitam o ar, e ao mesmo tempo necessitam que andem pelo chão, como acontece, os preços das matérias-primas e da força humana de trabalho.
O direito ao desperdício, privilégio de poucos, diz ser a liberdade de todos. Diz-me quanto consomes e te direi quanto vales. Esta civilização não deixa dormir as flores, nem as galinhas, nem as pessoas. Nas estufas, as flores são submetidas a luz contínua, para que cresçam mais depressa. Nas fábricas de ovos, as galinhas também estão proibidas de ter a noite. E as pessoas estão condenadas à insônia, pela ansiedade de comprar e pela angústia de pagar. Este modo de vida não é muito bom para as pessoas, mas é muito bom para a indústria farmacêutica. Os EUA consomem a metade dos sedativos, ansiolíticos e demais drogas químicas que se vendem legalmente no mundo, e mais da metade das drogas proibidas que se vendem ilegalmente, o que não é pouca coisa se se considerar que os EUA têm apenas cinco por cento da população mundial.
“Gente infeliz os que vivem a comparar-se”, lamenta uma mulher no bairro do Buceo, em Montevideo. A dor de já não ser, que outrora cantou o tango, abriu passagem à vergonha de não ter. Um homem pobre é um pobre homem. “Quando não tens nada, pensas que não vales nada”, diz um rapaz no bairro Villa Fiorito, de Buenos Aires. E outro comprova, na cidade dominicana de San Francisco de Macorís: “Meus irmãos trabalham para as marcas. Vivem comprando etiquetas e vivem suando em bicas para pagar as prestações”.
Invisível violência do mercado: a diversidade é inimiga da rentabilidade e a uniformidade manda. A produção em série, em escala gigantesca, impõe em todo lado as suas pautas obrigatórias de consumo. Esta ditadura da uniformização obrigatória é mais devastadora que qualquer ditadura do partido único: impõe, no mundo inteiro, um modo de vida que reproduz os seres humanos como fotocópias do consumidor exemplar.
O consumidor exemplar é o homem quieto. Esta civilização, que confunde a quantidade com a qualidade, confunde a gordura com a boa alimentação. Segundo a revista científica The Lancet, na última década a “obesidade severa” aumentou quase 30% entre a população jovem dos países mais desenvolvidos. Entre as crianças norte-americanas, a obesidade aumentou uns 40% nos últimos 16 anos, segundo a investigação recente do Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Colorado.
O país que inventou as comidas e bebidas light, os diet food e os alimentos fat free tem a maior quantidade de gordos do mundo. O consumidor exemplar só sai do automóvel para trabalhar e para ver televisão. Sentado perante o pequeno écran, passa quatro horas diárias a devorar comida de plástico.
Triunfa o lixo disfarçado de comida: esta indústria está a conquistar os paladares do mundo e a deixar em farrapos as tradições da cozinha local. Os costumes do bom comer, que veem de longe, têm, em alguns países, milhares de anos de refinamento e diversidade, são um patrimônio coletivo que de algum modo está nos fogões de todos e não só na mesa dos ricos.
Essas tradições, esses sinais de identidade cultural, essas festas da vida, estão a ser espezinhadas, de modo fulminante, pela imposição do saber químico e único: a globalização do hambúrguer, a ditadura do fast food. A plastificação da comida à escala mundial, obra da McDonald’s, Burger King e outras fábricas, viola com êxito o direito à autodeterminação da cozinha: direito sagrado, porque na boca a alma tem uma das suas portas. (...)
As massas consumidoras recebem ordens num idioma universal: a publicidade conseguiu o que o esperanto quis e não pôde. Qualquer um entende, em qualquer lugar, as mensagens que o televisor transmite. No último quarto de século, os gastos em publicidade duplicaram no mundo. Graças a ela, as crianças pobres tomam cada vez mais Coca-Cola e cada vez menos leite, e o tempo de lazer vai-se tornando tempo de consumo obrigatório.
Tempo livre, tempo prisioneiro: as casas muito pobres não têm cama, mas têm televisor e o televisor tem a palavra. Comprados a prazo, esse animalejo prova a vocação democrática do progresso: não escuta ninguém, mas fala para todos. Pobres e ricos conhecem, assim, as virtudes dos automóveis do último modelo, e pobres e ricos inteiram-se das vantajosas taxas de juros que este ou aquele banco oferece. (...)
A publicidade não informa acerca do produto que vende, ou raras vezes o faz. Isso é o que menos importa. A sua função primordial consiste em compensar frustrações e alimentar fantasias: Em quem o senhor quer converter-se comprando esta loção de fazer a barba? O criminólogo Anthony Platt observou que os delitos da rua não são apenas fruto da pobreza extrema. Também são fruto da ética individualista. A obsessão social do êxito, diz Platt, incide decisivamente sobre a apropriação ilegal das coisas. Sempre ouvi dizer que o dinheiro não produz a felicidade, mas qualquer espectador pobre de TV tem motivos de sobra para acreditar que o dinheiro produz algo tão parecido que a diferença é assunto para especialistas. (...)
O mundo inteiro tende a converter-se num grande écran de televisão, onde as coisas se olham mas não se tocam. As mercadorias em oferta invadem e privatizam os espaços públicos. As estações de ônibus e de comboios, que até há pouco eram espaços de encontro entre pessoas, estão agora a converter-se em espaços de exibição comercial.
O shopping center, ou shopping mall, vitrine de todas as vitrines, impõe a sua presença avassaladora. As multidões acorrem, em peregrinação, a este templo maior das missas do consumo. A maioria dos devotos contempla, em êxtase, as coisas que os seus bolsos não podem pagar, enquanto a minoria compradora submete-se ao bombardeio da oferta incessante e extenuante. (...)
A cultura do consumo, cultura do efêmero, condena tudo ao desuso mediático. Tudo muda ao ritmo vertiginoso da moda, posta ao serviço da necessidade de vender. As coisas envelhecem num piscar de olhos, para serem substituídas por outras coisas de vida fugaz. Hoje a única coisa que permanece é a insegurança, as mercadorias, fabricadas para não durar, resultam ser voláteis como o capital que as financia e o trabalho que as gera.
O dinheiro voa à velocidade da luz: ontem estava ali, hoje está aqui, amanhã, quem sabe, e todo trabalhador é um desempregado em potencial. Paradoxalmente, os shopping centers, reinos do fugaz, oferecem com o máximo êxito a ilusão da segurança. Eles resistem fora do tempo, sem idade e sem raiz, sem noite e sem dia e sem memória, e existem fora do espaço, para além das turbulências da perigosa realidade do mundo.
Os donos do mundo usam o mundo como se fosse descartável: uma mercadoria de vida efêmera, que se esgota como esgotam, pouco depois de nascer, as imagens que dispara a metralhadora da televisão e as modas e os ídolos que a publicidade lança, sem tréguas, no mercado. Mas a que outro mundo vamos nos mudar? Estamos todos obrigados a acreditar no conto de que Deus vendeu o planeta a umas quantas empresas, porque estando de mau humor decidiu privatizar o universo?
A sociedade de consumo é uma armadilha caça-bobos. Os que têm a alavanca simulam ignorá-lo, mas qualquer um que tenha olhos na cara pode ver que a grande maioria das pessoas consome pouco, pouquinho e nada, necessariamente, para garantir a existência da pouca natureza que nos resta.
A injustiça social não é um erro a corrigir, nem um defeito a superar: é uma necessidade essencial. Não há natureza capaz de alimentar um shopping center do tamanho do planeta.

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Bico calado

A Facebook não paga impostos na Austrália porque garante não ser uma empresa grande. Pois claro, 23 biliões de dólares não fazem uma empresa grande.
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segunda-feira, 13 de abril de 2015

Sevilha mutila laranjeiras

Lagoa do Fogo. Foto: Pedro Silva abr2015.
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Reflexão - quem lê o Ambiente Ondas3 e quais as preferências?

No Ambiente Ondas3, as 3 textos mais populares dos últimos 8 dias foram, segundo a Google Analytics:
As visitas vieram, por ordem decrescente, de Portugal, do Brasil, dos EUA, de França, de Espanha, do Reino Unido, de Angola, da Suíça, do Quénia e do Canadá. 
Proveniência, também por ordem decrescente, dos leitores de língua portuguesa: Aveiro, Lisboa, Porto, Coimbra, Braga, Ponta Delgada, Setúbal, Santarém, Faro e Leiria.

Obrigado pela vossa preferência. Voltem sempre.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Zonas mortas nos oceanos são cada vez mais e maiores


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Bico calado

Jean-Claude Oswald, banqueiro francês, antigo quadro do BNP Paribas e do Dresdner Bank, suspeito de ser intermediário, na Grécia, em vários escândalos de corrupção do Estado relacionados com compras de armas, foi detido pelas autoridades gregas.
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quinta-feira, 9 de abril de 2015

Infestantes proliferam na albufeira da barragem de Ribeiradio


Margem da albufeira da barragem de Ribeiradio/Couto de Esteves. O que se previa: a proliferação de infestantes ao longo de toda a margem, a falta de limpeza da vegetação, a ausência de vegetação autótone. A EDP não cumpre o que prometeu em papel.
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Quem mandou abater tanta árvore na Serra da Cabreira?

Foto: Rui França.
  • Centenas de árvores de grande porte apareceram marcadas para abate na zona de Marcos de S. Bento (sopé sudoeste da Sapateira), em plena Serra da Cabreira. Trata-se de uma enorme extensão tão útil para todo o ecossistema da Serra da Cabreira, pois é a única ligação a norte entre a Costa dos Castanheiros e os restantes Bosques Ocidentais que sobreviveram aos últimos incêndios. A concretizar-se este abate, os impactos serão de monta, prevendo-se a expansão de espécies invasoras potenciadoras de mais incêndios e enormes ameaças para espécies defendidas que frequentam aquele espaço, como o corço e o lobo ibérico. Como nenhuma autoridade até agora mostrou conhecimento deste facto e não há nenhum estudo dos impactos ambientais, um grupo de cidadãos já enviou ao Ministério do Ambiente a expressão da sua indignação e o apelo para intervir com urgência.
  • O aparecimento de uma biotoxina levou ao encerramento de vários bancos de marisco nas rias galegas de Vigo, Pontevedra e Muros-Noia.


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